Grandes músicas dos 25 anos de carreira de Renato Lopes

Renato Lopes completa neste mês 25 anos de uma carreira brilhante como DJ, uma trajetória que está sendo comemorada em vários eventos e entrevistas. Relembre agora suas músicas mais emblemáticas como residente em clubes históricos de São Paulo.

Comentários por Renato Lopes.

NATION (1987-1991)

“O Nation foi pop e house simultaneamente. Eu gostava de puxar pelo lado da novidade, sempre tive uma grande curiosidade em tocar música nova. Enquanto de um lado havia o trio de produtores Stock, Aitken & Waterman que tornava o pop mais house, também tinha o acid house, que definia bem o conceito de underground na música do momento. E existia uma influência mútua entre eu e o Mauro Borges, apesar de cada um ter suas próprias características nos toca-discos.”

MALCOLM MCLAREN _ DEEP IN VOGUE _ 1989 _ [EPIC]

“Esta música  definitivamente me marcou no Nation. Vogueing era uma história nova em que estávamos todos enlouquecidos. Foi uma das inspirações do Que Fim Levou RobinMadonna com Vogue também foi incrível,
mas o vídeo com Willie Ninja era de chorar.”

THE KLF _ 3 AM ETERNAL _ 1991 _ [KLF COMMUNICATIONS]

“Foi a primeira vez que viajei para a Inglaterra. Estava no paraíso com tanta música por todos os lados – clubs, lojas de discos, sebos incríveis. Eu tinha uma fixação pelo KLF desde o primeiro projeto deles como The Ancients of Mu Mu.”

PRIMAL SCREAM _ COME TOGETHER (ANDREW WEATHERALL mix) _ 1990 _ [CREATION RECORDS]

“Foi como conheci Primal Scream, mas também Andrew Weatherall, quando passei a colecionar tudo o que ele produzia. Nesse single além da faixa original com Bobby Gillespie cantando, do outro lado tem esta versão dub instrumental absurda.”

DV8 _ THIS BEAT IS OVER _ [THIS IS STRICTLY RHYTHM COMPILATION 1 _ 1991]

“Tenho esta faixa na primeira compilação da Strictly Rhythm, que foi como conheci o selo. São várias as faixas que eu gosto, mas DV8, que é Roger Sanchez em seus primeiros trabalhos, me ganhou com esta faixa.”

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SRA. KRAVITZ (1992-1994)

“No Kravitz nós experimentamos todos os derivados do house e techno que estavam surgindo na época. Eu toquei progressive e trance, estilos que estavam aparecendo naquele momento, com CJ Bolland, Leftfield, Underworld. Também trip hop, músicas de bpm mais baixo, ou bem experimentais como as primeiras do Aphex Twin.
Foi um momento de laboratório, a oportunidade que eu e o Maumau tivemos de colocar na pista tudo o que pesquisávamos sobre música. O clube em si era muito permissivo, libertário, absolutamente aberto a qualquer experiência, e a gente abusava disso.”


THE FUTURE SOUND OF LONDON _ PAPUA NEW GUINEA (ANDREW WEATHERALL mix) _ 1991 _ [JUMPIN' & PUMPIN']

“Como eu dizia, mais uma vez seguindo na trilha de Lorde Weatherall. Aqui ele remixa Papua New Guinea, um clássico  do Future Sound of London, a dupla de Manchester (Brian Dougans e Garry Cobain), com samples da voz de Lisa Gerrad do Dead Can Dance. Sem dúvida a versão original é linda, mas o remix é uma jornada a outro mundo.”

UNDERWORLD _ MMM… SKYSCRAPER I LOVE YOU (TELEGRAPH 6:11:92) _ 1993 _ [BOY'S OWN RECORDINGS]

“Momento progressive. Um pouco antes de conhecer o Underworld, conheci  Darren Emerson. Foi quando ele tocou em uma casa em São Paulo, que não lembro o nome – (onde o Marquinhos MS tocou por um curto período).
Este remix é uplifting, como dizem os ingleses.”

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LATINO (1994-1996)

“No Latino ainda não havia o conceito de DJ convidado. Eu tocava praticamente sozinho, a noite toda.
Naquela época eu passei a pesquisar profundamente o house de Nova York. Calhou de eu fazer uma viagem pra NY e passar umas semanas ali, e meu som passou a ter mais relação com o que estava rolando por lá.”

JOI CARDWELL _ TROUBLE (ORIGINAL JAZZ VOCAL) _ 1994 _ [EIGHTBALL RECORDS]

“Foi um momento em que toquei no Latino e na Rave que, apesar do nome, era um club gay na rua Bela Cintra. Esse club me levou para Nova York na época, onde fiz uma pesquisa grande em garage house. Voltei muito influenciado por produtores como Mood II Swing, Danny Tenaglia, Junior Vasquez, Little Louie Vega e Kenny Dope Gonzalez.”

BLACK SCIENCE ORCHESTRA _ SAVE US (INTRO) _ 1996 _ [JUNIOR BOY'S OWN]

“Do lado inglês, que nunca abandonei, fui mais a fundo ainda nas produções do Junior Boy’s Own desse momento. Ashley Beedle neste single inspirado no som da Philadelphia é muito sofisticado, de muito bom astral.”

GREEN VELVET _ I WANT TO LEAVE MY BODY _ 1995 _ [RELIEF RECORDS]

“Uma nova geração do house de Chicago e o selo Relief Records marcaram esse momento. Green Velvet com este single foi muito marcante. Me lembro da noite em que Laurent Garnier fez uma apresentação extraordinária no Latino e tocou esta faixa. A pista veio abaixo.”

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“A gente só sente uma mudança na música, o surgimento de um determinado estilo, a partir do momento que percebemos uma diferença significativa comparado ao que acontecia anteriormente. Na verdade, essa percepção é o ápice de um processo de experimentação que se desenrola naturalmente. É quando surge um número considerável de produtores fazendo algo similar e trabalhando no mesmo sentido. É quando aparece um volume de músicas que nos permite consentir que existe algo novo de fato, isso antes dessa música ser nomeada, antes de receber um rótulo. Esse rótulo também não consegue se sustentar por muito tempo, pois o processo de experimentação é incessante.” Renato Lopes.

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LOV.E (1998-2008)

“O período no Lov.e foi bem especial. Foi um club impactante na época pela decoração e a qualidade do som.
Seu espírito foi uma derivação do Hell’s Club, e ele cumpriu o papel que cabe hoje ao D-Edge: incentivador de novos talentos, residência de nomes consagrados na cena brasileira e convidados internacionais de peso.
Não fui residente de nenhuma noite, mas um convidado regular de várias. A vibe era muito boa para tocar. Musicalmente para mim foi um momento de techno e tech-house. Os timbres eram plásticos, quase não havia revivalismos.”

BEROSHIMA _ DEEBEEPHUNKY _ 1997 _ [MÜLLER RECORDS]

“Minha admiração por Frank Müller começou com um outro single de seu primeiro selo: Acid Orange – esse selo existiu por dois anos apenas. Em seguida, Frank começou o Müller Music, e toquei muitos de seus discos. Frank Müller simboliza para mim o começo de uma relação mais próxima com a Alemanha, quando conheci a cena de Berlim e fui muito bem recebido várias vezes. Deebeephunky foi um single que toquei muito nos tempos do Lov.e.
Era super bem recebido pela pista.”

HEIKO LAUX _ SOULDANCER (A2) _ 1998 _ [KURBEL]  

“Também dos tempos do Lov.e, e de uma de suas festas de aniversário que aconteceu num teatro na avenida Brigadeiro Luis Antonio, quase no centro. A palavra de ordem era derreteção.”

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MERCADO MUNDO MIX

DJ HELL _ BERIMBAU _ (MUNICH MACHINE _ 1998) _ [DISKO B]

“Conheci DJ Hell quando ele veio pela primeira vez para SP tocar numa das festas do MMM no galpão da Barra Funda. Tempos de uma movimentação tão grande e instigante da cena em SP. Já conhecia outros singles dele, mas essa música do álbum Munich Machine foi muito marcante. Giorgio Moroder meets Bahia.” lol 

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ISOLÉE – BEAU MOT PLAGE _ 1999 _ [PLAYHOUSE]

“Outro caso de amor com o som alemão, e também com o selo Playhouse. Num momento em que minimal ainda não era um conceito tão explorado e esgotado. Essa faixa é delicada, nostálgica e me faz imaginar alguma praia no Mediterrâneo. Marcou para mim o inicio de noites em diversos lugares, não mais em residências nos moldes que experimentei nos anos 90.” …

*Imagem - Damien Hirst

avatarEscrito por Marco Antonio Androl em 27 de maio de 2011

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    Saulo DaDa disse em 27 de maio de 2011

    Mestre Renato, sempre uma aula de elegância musical, fantástico DJ, ótima pessoa, um exemplo!! RESPECT!!

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    Deejay Lemes disse em 27 de maio de 2011

    Parabens .. esta iincrivel !!!!

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    Edgar Oliveira disse em 27 de maio de 2011

    ao mestre com carinho!

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    Pejota Fernandes disse em 27 de maio de 2011

    Escola!!!!!!!!!!!!!!

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    Led Groove disse em 27 de maio de 2011

    Mais que um bom dj, uma postura exemplar.

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