Senŏide entrevista Pilantröpóv

INTRO PILAS 2

Durante décadas nos acostumamos a esperar da cena eletrônica noturna as novidades, a experimentação e as mudanças de rumo radicais. Deixamos de notar que outros meios – performance, happening, videoarte, dança, teatro – poderiam nos abrir para universos musicais inéditos, expressões que não têm necessariamente relação com a massificação da música dos guetos do século 20.

Ao longo do tempo perdemos a percepção de que a vivência da música é quase sempre ritualizada. Quando colocamos uma roupa, ligamos para os amigos, abrimos uma cerveja e saímos para dançar estamos realizando um comportamento muito parecido com o de nossos ancestrais milenares, mesmo que não tenhamos consciência disso. O que Pilantröpóv, Kaloan Meenochite, Diego Monte Alto e seu grupo fazem é revelar as raízes desses comportamentos. Eles incorporam a imagem do nosso Zeitgeist.

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Senǒide _ Destrinchando Arca e FKA Twigs

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Esqueça os critérios usados nos últimos quinze anos para perceber a Música – o paradigma mudou – estamos num momento de saída do minimalismo, na era da desconstrução do ritmo – descontinuado, dissolvido ou estilhaçado – dos glissandos velozes e aleatórios, dos sons dramáticos e do barroco tribal, do esgotamento dos revivalismos do século 20 e, principalmente, da mobilidade entre o mainstream e o underground, entre o comercial assumido e a arte.

A estrutura da Música mudou para expor as novas energias sociais liberadas neste turbulento começo de década, que acabou por estimular a expressividade em detrimento à tecnologia de ponta. Nesse processo, ainda em desenvolvimento, surge uma nova abordagem das origens do romantismo, uma curiosidade pelo medievalismo que reacende (ou evidencia) temas como a dissolução do ego, a resignação, o misticismo e as dualidades essenciais: corpo e espírito, sagrado e profano, superficialidade e profundidade, realidade e virtualidade, oculto e explícito »

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♒ senǒid’ aqua ♒

intro

“Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras”. Heráclito (aprox. 535 a.C. – 475 a.C.)

iamamiwhoami _ Hunting For Pearls _ 2014

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Senǒide » A Música no ESPAÇO

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Qual seria o próximo passo para a música? Que barreiras tecnológicas poderiam ser superadas na eletrônica popular e em outras linguagens relacionadas? Certa vez, na Space Of Sound, uma boate gigantesca em Madri (1600 m²), ouvi o DJ mixar uma música que vinha dos confins do galpão e se mesclava à que estava tocando na pista. Demorei para compreender o que acontecia naquele espaço – ”Isso é pós-música!” – comentei com uma amiga, chocado. Eu havia acabado de escutar uma mixagem quadrafônica (em 4 canais), sistema idealizado na década de 1940 que não chegou a se popularizar. Era a música além da estereofonia.

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Senǒide » Música e Política nº 04: DISTOPIA

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Na virada dos anos 70 para os 80, o movimento hippie havia sido completamente fagocitado pelo capitalismo, John Lennon era assassinado; a disco era chutada de volta para os guetos; a amoralidade e a agressividade do punk permitiam que o velho machismo se manifestasse. Khomeini, Thatcher, Reagan; Guerra Fria e ditaduras latino-americanas ainda vigentes; Guerra das Malvinas, Beirute, Irã x Iraque, conflitos na Líbia e no Líbano – os jornais eram bombardeados por imagens de um mundo desesperançoso e clamoroso de morte.

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