Senǒide _ Destrinchando Arca e FKA Twigs

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Esqueça os critérios usados nos últimos quinze anos para perceber a Música – o paradigma mudou – estamos num momento de saída do minimalismo, na era da desconstrução do ritmo – descontinuado, dissolvido ou estilhaçado – dos glissandos velozes e aleatórios, dos sons dramáticos e do barroco tribal, do esgotamento dos revivalismos do século 20 e, principalmente, da mobilidade entre o mainstream e o underground, entre o comercial assumido e a arte.

A estrutura da Música mudou para expor as novas energias sociais liberadas neste turbulento começo de década, que acabou por estimular a expressividade em detrimento à tecnologia de ponta. Nesse processo, ainda em desenvolvimento, surge uma nova abordagem das origens do romantismo, uma curiosidade pelo medievalismo que reacende (ou evidencia) temas como a dissolução do ego, a resignação, o misticismo e as dualidades essenciais: corpo e espírito, sagrado e profano, superficialidade e profundidade, realidade e virtualidade, oculto e explícito »

ARCA _ XEN

 

Vem se falando muito da sonoridade inclassificável do Arca e da FKA Twigs, percebe-se que essa nova musicalidade é a confluência de inúmeros gêneros. Por isso chamei seis convidados especializados em áreas relativamente distintas entre si e pedi que selecionassem as músicas que lhes vieram à mente na primeira audição. Ao Francisco Raul Cornejo sugeri que buscasse as raízes da IDM; ao Apolinário, os elementos da cultura pop e da Moda; ao Hisato, a música etérea; ao Jade Gola, referências recentes; ao Bruno Belluomini, o dubstep, o UK garage e o R&B; e ao Alain Patrick, as vanguardas. O resultado, como esperado, é bastante diverso, mas nunca divergente.

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Francisco Raul Cornejo,

apresentador do BOILER ROOM no Brasil,

mediador da UIVO Records

«« É relativamente simples mapear a nascente de qualquer nova vertente até seus mananciais estilísticos. Então, facilitando a compreensão dessa nova musicalidade que ocupa crescente espaço em festivais e na imprensa especializada, assim como adensa uma considerável base de fãs, ouçamos algumas de suas formas ancestrais, com base em alguns princípios básicos que penso serem cruciais para sua originalidade: o caráter etéreo na formação de paisagens sonoras idílicas e complexas, a ritmicidade intrincada com influências não-ocidentais e a sobreposição de camadas temáticas na composição da narrativa. De acordo com cada década:

1970-1980: A Ambient Music e o que se convencionou chamar de New Age estão no cerne do primeiro fator. Temas esparsos, camadas densas de pads e a quase ausência de percussão, sendo um descendente direto da psicodelia sintética da década anterior e aparentado da Kosmische Musik contemporânea »»

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BRIAN ENO _ 1.2 _ (AMBIENT 1 – MUSIC FOR AIRPORTS) _ 1978 _ [POLYDOR]

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KITARO _ MONO-RISM _ (OASIS) _ 1979 _ [POLYDOR]

«« 1990: Os desenvolvimentos posteriores da Ambient foram amplamente promovidos por selos como Warp, Apollo e Rising High nas décadas seguintes e se tornou um gênero cuja autonomia chegou até a eventos exclusivamente dedicados a sua estética ou mesmo setores em grande festivais de música e raves, lançando mão de inúmeras referências étnicas de cepa norte ou centro-africana ou sul e centro-asiática. »»

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PLAID _ ABLA EEDIO _ 1996 _ [WARP]

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SEEFEEL _ CHARLOTTE’S MOUTH _ (QUIQUE) _ 1993 _ [TOO PURE]

«« 2000: A virada do século trouxe profundas mudanças para o universo da música eletrônica como um todo, com uma franca expansão da música teutônica dentre suas esferas mais populares. Selos como Kompakt, no bojo de sua dominação mundial pelo minimalismo, trouxe uma nova abordagem do Ambient, agora com influências harmônicas do pop e uma inovadora forma de apresentar texturas como gancho melódico. Também o momento de glória do dubstep e demais ramos rítmicos fora da curva de extração inglesa, principalmente os que formara a vanguarda encabeçada pelo selo Hyperdub. »»

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ULRICH SCHNAUSS _ A STRANGELY ISOLATED PLACE _ 2003 _ [CITY CENTRE OFFICES]

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BOLA _ PULA KAPPAS (SQUARE) _ (SHAPES) _ 2000 _ [33 RECORDS]

 

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ARCA _ THIEVERY

 

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Apolinário,

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DJ

«« Se pudéssemos criar uma função matemática para a música e a estética do Arca seria:

ARCA = M . K + H . D – R

onde:

M = Marilyn Manson » vocalista da banda epônima de metal industrial. Seu nome artístico foi formado a partir dos nomes Marilyn Monroe e Charles Manson, um dualismo que ele mesmo considera o mais perturbador da cultura americana.
K = Kizomba » gênero musical e estilo de dança originados em Angola no começo dos anos 1980. ouça um exemplo de pura kizomba aqui.
H = Hood By Air » marca de streetwear novaiorquina. veja em hoodbyair.com
D = Dazed & Confused » revista britânica de estilo e moda. veja em dazeddigital.com
R = Rock
 

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Impossível não lembrar de Marilyn Manson. Arca é uma adaptação mais QUEER e despretensiosamente WEIRD do nosso príncipe das trevas. Me parece claro que os sintetizadores bem desalinhados de The Beautifull People do Manson fizeram algumas noites da juventude de Alejandro Ghersi (Arca) acontecerem. Hoje, esses synths aparecem minuciosamente coordenados pelo ritmo caliente de uma bela kizomba, realçando o apelo ao bom esquisito e não ao esquisito pela esquisitice-de-ser-diferente. Junte àquela equação: Æon Flux, Amanda Lepore e Mulher Pepita… »»

Mulher Pepita dançando FKA Twigs

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JESSE KANDA e as ARTES VISUAIS

Jesse Kanda é um elo importantíssimo entre Arca e FKA Twigs. Ele produz os vídeos e a arte dos álbuns para ambos. Sua estética remete aos artistas que usam o corpo humano em deformação como elemento de linguagem. Selecionei alguns deles para esta matéria.

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Do PROFANO ao SAGRADO

HILDEGARD VON BILGEN, século 12

A obra criada pela monja, mística, teóloga, compositora, poetisa, dramaturga e escritora alemã Hildegarnd Von Bilgen combina com a voz de Tahliah Debrett Barnett (FKA Twigs). Em sua época ela rompeu alguns preconceitos contra as mulheres. Hoje é considerada uma das figuras mais singulares e importantes do século XII europeu e suas conquistas têm poucos paralelos entre os homens mais ilustres e eruditos de sua geração.

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FKA TWIGS _ PREFACE

[...] Sem olhar o vejo, sem lingua, eu sinto
Desejo me largar, e então me vem a sorte
Amo outro, por isso me odeio
Devoro a tristeza, na minha dor, eu rio [...]

trecho de poema de Thomas Wyatt, século 16 
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hisato

Hisato,

trilheiro do circuito da moda e das artes,

DJ

Sobre música etérea: «« O Cocteau Twins conseguiu desenvolver uma identidade sonora própria nos anos oitenta ao usar pedal de chorus (novidade na época) com reverb no talo em seus instrumentos, e assim soar etéreo e agradável. Já o Dead Can Dance produzia melodias espiralizadas, inspirava-se em referências do oriente próximo e eventualmente na música erudita via instrumentos de cordas. »» FOTO: SÉRGIO CADDAH

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COCTEAU TWINS _ LAZY CALM _ (VICTORIALAND) _ 1986 _ [4AD]

* * * * * 
Hisato me fez lembrar que Elizabeth Fraser, a vocalista do Cocteau Twins, participou do single de LIFEFORMS no auge do The Future Sound Of London, em 1994. Sua voz angelical combinada ao ritmo quebrado e às ambiências surreais do FSOL se parecem às novas sonoridades do Arca e FKA Twigs. A dupla inglesa também sampleou Dead Can Dance para “Papua New Guinea”, de 1991.

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THE FUTURE SOUND OF LONDON _ LIFEFORMS (PATH 4) _ 1994 _ [ASTRALWERKS]

 
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Jade Gola,

curador do deepbeep,

jornalista

«« Acho que hoje grande parte da música eletrônica e do pop negro, do R&B, estão em simbiose explícita, embaralhando ainda mais as tênues distinções entre underground e mainstream. Vejo que nomes como Arca e FKA Twigs entendem, enxergam e bebem de valores comuns que permeiam artistas tão diferentes como Aphex Twin, Beyoncé e Oneohtrix Point Never: um estranhamento de estéticas (originalidade “radical”), experimentalismo com as formas pré-concebidas e muita, muita imagética. »»

 

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APHEX TWIN _ MINIPOPS 67 [120.2] [SOURCE FIELD MIX] _ (SYRO) _ 2014 _ [WARP]

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ONEOHTRIX POINT NEVER _ NASSAU _ (REPLICA) _ 2011 _ [MEXICAN SUMMER]

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BEYONCÉ _ NO ANGEL _ 2013 _ [COLUMBIA]

«« Beyoncé leva o pop a um novo patamar, é uma feminista não muito valorada como tal, enquanto o Oneohtrix é o protótipo da genialidade esquisitona e de musicalidade inata. E Aphex Twin também, com uma ruidosidade que vem cada vez mais se humanizando. Acho que Arca e FKA Twigs trabalham nesses limiares e formam assim um som e identidades líquidas que são bem a cara dessa metade dos indefiníveis anos 2010 (já notou que essa década nem tem um “nome” direito?) »»

 

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FKA TWIGS _ VIDEO GIRL

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Alain Patrick,

colunista do deepbeep:

ELECTRONIC STANDARDS

 
 

«« FKA Twigs está, assim como raras exceções, “revolucionando a parada.” É uma das artistas que mescla conteúdo musical singular com uma imagem intransferível ao incorporar ‘a música de natureza pessoal ao que há de irresistível em matéria de tecnologias de audio e visual, a tal ponto que sua persona musicale foi capaz de transpor a barreira do ‘alternativo’ e conquistar grandes audiências, o que é normalmente pouco provável em artistas tamanha ousadia. Vamos falar de duas obras cujos elementos podem ter influenciado a artista do ponto de vista de abordagem estética, técnica ou de conteúdo. Se vocês estão esperando ouvir joias raras de Soul ou R&B, esqueçam – e talvez se surpreendam com o que ela própria considera como influências em declarações dadas nos últimos meses. Afinal, as toneladas de reverbs, a perspectiva de natureza hipnótica, os efeitos de modulação, a densa imagem estereofônica e os experimentos sonoros não estão presentes na sua música a toa. »»

 

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KRZYSZTOF PENDERECKI _ KOSMOGONIA _ 1970 _ [PHILIPS]

«« É impossível categorizar alguém com a obra musical da FKA Twigs e que tenha sido influenciada por música eruditaPrince e X-Ray Spex. Mas, quando se trata de especular o que pode ter servido de referência para esta artista, há algumas pistas. “Coisas estranhas podem ser sexy”, disse certa vez, em um depoimento. Da mesma forma, afirmou que suas propostas sonoras são “compatíveis com a música erudita”, e que “se fosse loira e branca e frequentasse a igreja o tempo todo falariam sobre o aspecto dos ‘corais de vozes’ em sua música.” Portanto, resolvemos radicalizar com esta obra do Krzysztof Penderecki de 1970 de abordagem sombria, estranha e temerosa de belos rompantes instrumentais, acordes profundos, reverbs naturais de grande duração e coro misto de vozes, já que ela mesma declarou não gostar de nada ‘genérico’ ou ‘rotulável’. »»

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PHILIP GLASS _ THE PHOTOGRAPHER (ACT 1 – VOCAL) _ 1983 _ [CBS]

«« É justamente esta abordagem hipnótica dos coros de vozes e sons sintéticos que ressaltamos na segunda escolha. Não no sentido de se reinventar necessariamente o tradicional Gospel ou os seculares Cantos Gregorianos, mas em uma estética mais repetitiva e ao mesmo tempo sutil. Poucas vezes esta combinação foi tão bem aplicada quanto nas obras-primas do genial Philip Glass, como em ’Dressed Like An Egg’‘The Photographer’ e até mesmo ’Music In Twelve Parts’. »»

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Bruno Belluomini,

dono do selo TRNQR,

pioneiro do dubstep no Brasil

 

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SHACKLETON _ MAJESTIC VISIONS _ 2006 _ [SKULL DISCO]

«« O aspecto étnico da cadência percussiva de THIEVERY do ARCA lembra o trabalho de Sam Shackleton no selo Skull Disco. Ele foi pioneiro em explorar esse tipo de característica de forma praticamente integral, menos asséptico que El-B, Kode 9 ou qualquer outro que estivesse tentando misturar elementos rítmicos primitivos ao UK Garage naquela época. »»

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EGYPTRIXX _ RECITAL (B VERSION) _ (BIBLE EYES) _ 2011 _ [NIGHT SLUGS]

«« É impossível não lembrar dos synths cacofônicos do Egyptrixx em “Bible Eyes” ao ouvir NOW YOU KNOW do ARCA. É difícil também não lembrar de uma das primeiras colaborações entre o Kode 9 e o Spaceape: a grave e praticamente beatless “Sign Of The Dub”, de 2004. »»

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GROOVE CHRONICLES _ STONE COLD _ 1997

«« O R&B sempre acompanhou o UK Garage: do hino underground “Stone Cold” à pop “21 Seconds” do So Solid Crew, de 2001. Os vocais estão ali. »»

* * * * *

 

(+ + +) EFEITOS SONOROS DO CINEMA HOLLYWOODIANO PARA TEMPERAR

 

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para melhorar o áudio clique na barra à direita em DETALHES e converta a QUALIDADE de AUTOMÁTICA para 720p ou 1080p HD (depois do play)

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agradecimentos: Isaac Ebner e Carlito Contini

♒ senǒid’ aqua ♒

intro

“Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras”. Heráclito (aprox. 535 a.C. – 475 a.C.)

iamamiwhoami _ Hunting For Pearls _ 2014

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Senǒide » A Música no ESPAÇO

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Qual seria o próximo passo para a música? Que barreiras tecnológicas poderiam ser superadas na eletrônica popular e em outras linguagens relacionadas? Certa vez, na Space Of Sound, uma boate gigantesca em Madri (1600 m²), ouvi o DJ mixar uma música que vinha dos confins do galpão e se mesclava à que estava tocando na pista. Demorei para compreender o que estava acontecendo naquele espaço – “Isso é pós-música!” – comentei com uma amiga, chocado. Eu havia acabado de escutar uma mixagem quadrafônica (em 4 canais), sistema idealizado na década de 1940 que não chegou a se popularizar. Era a música além da estereofonia.

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Senǒide » Música e Política nº 04: DISTOPIA

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Na virada dos anos 70 para os 80, o movimento hippie havia sido completamente fagocitado pelo capitalismo, John Lennon era assassinado; a disco era chutada de volta para os guetos; a amoralidade e a agressividade do punk permitiam que o velho machismo se manifestasse. Khomeini, Thatcher, Reagan; Guerra Fria e ditaduras latino-americanas ainda vigentes; Guerra das Malvinas, Beirute, Irã x Iraque, conflitos na Líbia e no Líbano – os jornais eram bombardeados por imagens de um mundo desesperançoso e clamoroso de morte.

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Senǒide » Música e Política nº 03: A pista CONCLAMA!

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Capa do 12″ de Liberation

 

POLÍTICA VIRA METAFÍSICA

Não há período mais utópico para a música ‘eletrônica’ do que o começo dos 90 – principalmente por volta de 92/93. O ecstasy brindava a aliança musical entre Europa e EUA, a ‘eletrônica’ negra e branca se entrelaçavam; Reagan, Thatcher e URSS saíam de cena, caía o Muro de Berlim e aquela estética bélica dos anos 70/80 perdia o sentido; Mandela era libertado, o computador pessoal chegava às casas e a consciência ecológica dava um salto considerável. Essa onda de otimismo podia ser ouvida na música de Jam & Spoon, CJ Bolland, Humate, Orbital, Underworld, Gypsy, Leftfield, X-Press 2, e dezenas de one-hit wonders. Tudo apontava para cima » UPLIFTING (elevado, planante) era o termo que melhor descrevia o movimento das simples estruturas musicais que subiam progressivamente e lá permaneciam.

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