
Inspirado pelo anúncio de que no dia 17 de dezembro será lançado o filme Tron Legacy com a trilha assinada pela dupla Daft Punk, resolvi fazer uma compilação de trilhas cinematográficas que de alguma forma sintetizam as sonoridades vigentes nesse blog.
Já vazaram algumas faixas dessa trilha, muitas creditadas coma falsa, então para preservar a autenticidade deste post e também respeitar o tempo do lançamento resolvi não incluir nenhuma delas.
O set é composto por uma mistura de soundtracks (trilha sonora) e música original (Score), a diferença entre elas é às vezes confusa, resumindo: A trilha sonora é uma compilação de canções que não necessariamente são feitas para o filme, podendo aparecer ou não na película, e geralmente refletem o espírito da obra, ou simplesmente lançadas para promover comercialmente o filme.
A música original é composta especialmente para o filme, quase sempre orquestrada ou eletrônica, serve de pano de fundo para as ações, identifica personagens, contribui de uma forma mais direta na dramaticidade das cenas.
Arte da Sangria Digital by Landosystem.
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Forbidden Planet (Planeta Proibido) -1956
Louis and Bebe Barron – Robby, The Cook, And 60 Gallons Of Booze
Casal pioneiro na experimentação da música eletrônica. A trilha desse filme é considerada a primeira inteiramente eletrônica na história do cinema, composta através de traquitanas criadas pelos próprios, em uma espécie de circuit bending. As composições refletem sons de um mundo e de objetos inexistentes, tornando o processo e o resultado muito mais criativo. Antes de o homem pisar na lua lançaram a pedra fundamental para o som do mundo sci-fi.
Greenberg – 2010
James Murphy – People
Um dos melhores filmes do ano para mim. James Murphy (LCD Sound System) assina a trilha, aparece no filme e deve ter dado pitaco no roteiro, visto que o filme tem um ar hipster nova-iorquino forte. A música transita entre low-fi pop, chillwave, como se um cara de Nova York estivesse fazendo música na Califórnia, exatamente a mesma migração que o Ben Stiller faz no filme.
The Beach (A Praia) – 2000
Moby – Porcelain
Quem não quis fazer essa aventura do Leo DiCaprio? Tailândia, Full Moon Party, campos verdes, praias… Mas nem tudo é alegria quando se fica muito doidão. A música do Moby é linda, mas não seria a minha escolha, como a música e o filme são contemporâneos da pra se entender.
Cool World (Mundo Proibido) – 1992
The Future Sound of London – Papua New Guinea
Essa seria minha música perfeita para a cena da praia sendo descoberta no filme acima! Mas o filme é outro, e contem uma Kim Basinger cartum em grande momento sexy. A música é uma pérola, progressiva, exótica, dub, ambient. Pra mim está no top 5 das melhores de todos os tempos.
A Clockwork Orange (Laranja Mecânica) – 1971
Wendy Carlos and Rachel Elkind – Title Music from A Clockwork Orange (from Purcell’s Music for the Funeral of Queen Mary)
A obra de arte de Stanley Kubrick, uma odisséia visual e musical sobre tudo e mais um pouco. A trilha composta por Walter Carlos que logo depois viria a se tornar Wendy Carlos é uma grande tentativa de transpor o mundo erudito em notas de sintetizadores, e pelo visto conseguiu. A música título é dramática e épica assim como a abertura do filme.
Taxidermia – 2006
Amon Tobin – Taxidermia
Essa obra Húngara é um dos filmes mais bizarros de que tenho lembrança. Personagens estranhos e uma estética apurada, costurada por uma trilha original soturna. O brasileiro de nascimento mestre em batidas experimentais foi a escolha perfeita para transpor musicalmente a demência do filme.
Snatch (Porcos e Diamantes) – 2000
The Herbaliser – Sexual Women
O submundo londrino que já virou até gênero, uma boa diversão pop. A música é um guia sussurrado de experiências sexuais e comportamento entre quarto paredes, acompanhado por uma batida arrastada e uma contra baixo que é tão sexy quanto a letra.
Ocean’s Eleven (Onze Homens e um Segredo) – 2001
David Holmes – Gritty Shaker
Refilmagem de clássico dos anos 60 que originou uma série de três filmes, esse é o melhor deles. Mas é um caso em que a trilha sonora supera o filme. Acid Jazz da mais alta estirpe.
Amarelo Manga – 2002
Lucio Maio/Jorge Du Peixe/Pupillo/Jr. Areia – Defunkt
O representante brasileiro nesta seleção não deixa por menos, drama que expõe de forma poética os anseios de seus personagens e a podridão de Recife, tendo como um dos condutores da historia a cor amarela. A trilha composta por integrantes da Nação Zumbi contrapõe a crueza das imagens com uma sonoridade arrojada e moderna.
The Virgin Suicides (As Virgens Suicidas) – 1999
Air – Ce Matin la
O longa de estréia de Sofia Coppola retrata o fim da inocência e a explosão de sexualidade adolescente. Desde seu primeiro longa o esmero com a trilha já era notável, sendo o Air um colaborador frequente em seus filmes. Essa música faz parte da trilha sonora oficial do filme e representa bem a leveza das virgens.
Trainspointting – 1996
Leftfield – The Final Hit
Um clássico clubber feito no meio da década de 90 capta a aura junkie e perdida do Reino Unido pós Thatcher. A trilha sonora do filme foi considerada umas das 10 melhores do cinema, e com razão. The final Hit é uma trip de IDM, Ambient, Dub, terrenos onde a dupla inglesa transita com maestria.
Tron – 1982
Wendy Carlos and London Philharmonic Orchestra – Tronaction
A inspiração mor para todo esse post, filme de ficção cientifica em que o jovem Jeff Bridges é digitalizado para dentro de um computador e uma vez dentro trava batalhas cor de neon com gráficos 3D da pré-história. Mais uma trilha de Wendy Carlos, executando Moog e outros synths em companhia da Orquestra Filarmônica de Londres.
Suspiria – 1977
Goblin – Suspiria
Horripilante e belo, cenas de assassinato como poucas já executadas no cinema. A trilha criada como uma peça única foi feita antes do filme ser rodado, o que mostra a afinidade do diretor Dario Argento com a banda. È o caso típico em que a música contribui para o climax das cenas, dividindo o crédito pelas sensações causadas.
Hackers – 1995
Massive Attack – Protection
Um thriller adolescente cheio de referências ao novo mundo virtual que chegava com tudo, internet, hackers, geeks, festas e música boa. Protection embala um momento romântico de Angelina “Acid Burn” Jolie e o sick boy Crash Override.
Escape from New York (Fuga de Nova York) – 1981
John Carpenter – The Duke Arrives/The Barricades
Uma homenagem para um dos filmes que mais gosto de um dos mestres do horror/sci-fi, diretor e compositor de dezenas de filmes e trilhas. Um tributo a ninguém menos que Isaac Hayes, o “Duque de Nova York”.
A Scanner Darkly (O Homem Duplo) – 2006
Thom Yorke – Black Swan
Baseado no conto de 1977 de Philip K. Dick o filme mostra o consumo desenfreado de drogas e as paranóias decorrentes disso, controle excessivo do governo em um futuro totalmente vigiado. Feito com uma técnica de animação inovadora vista somente nos filmes em que o estúdio criador da técnica libera a patente. A música é do álbum solo de Thom Yorke (Radiohead) The Eraser.
The Science of Sleep (A Ciência do Sonho) – 2006
Jean-Michel Bernard – Generique Debut
A incrível fábrica de sonhos de Michael Gondry. A única música do set que não possui nenhum elemento eletrônico, mas por um dos melhores diálogos que já escutei no cinema “this is not Duke Ellington this is Duck Ellington” ele merece fechar os trabalhos.
J.T. Cevallos disse em 29 de agosto de 2010
(continuação…)
Os meus destaques foram para:
* David Holmes – Gritty Shafer [Ocean’s Eleven (Onze Homens e um Segredo) – 2001]
* Air – Ce Matin la [The Virgin Suicides (As Virgens Suicidas) – 1999]
* Wendy Carlos and London Philharmonic Orchestra – Tronaction [Tron – 1982]
* Jean-Michel Bernard – Generique Debut [The Science of Sleep (A Ciência do Sonho) – 2006]
Este último filme me despertou muito o interesse. Por acaso tu não terias um link/Torrent para baixar…hehehe…
Parabéns e continue nos brindando com este tipo de seleção.
Um grande abraço, do tio
Cevallos.
= JTC/jtc =
J.T. Cevallos disse em 29 de agosto de 2010
Oi Gabriel,
Excelente idéia e excelente post!
Trilhas sonoras são normalmente ignoradas pelo espectador casual. Eu mesmo não presto muita atenção na "soundtrack", para depois surpreender-me quando o meu filho (que gosta e coleciona CD/música de filmes) me chama a atenção para esta ou aquela passagem.
A música desempenha um grande papel no cinema, contribuindo em muito para o desempenho da narrativa. Ela acentua uma cena, antecipa um clímax, cria suspense e relaxa na hora certa. A seleção de trilhas/filmes ficou muito boa. Eu vi a grande maioria deles e, é claro, que nem me liguei na música. Fico grato pelo teu trabalho de garimpagem destas "pérolas". Deu vontade de ver os filmes de novo, agora prestando atenção na trilha sonora.
Os meus destaques foram para:
(continua no comentário seguinte…)
Marco Andreol disse em 27 de agosto de 2010
Que ótimo! Pra salvar nos favoritos!
Gabriel Lucas disse em 27 de agosto de 2010
Muito Bacana! Ótimo post!