Thomash

Thomash – Sónar SP 2012

Thomash veio dar só uma passadinha no Brasil há seis anos e acabou virando o alemão mais paulistano de São Paulo. Um dos idealizadores do coletivo de festas Voodoohop, o DJ se apresenta no segundo dia de Sónar e aquece os motores com esse set especial, carregado de psicodelia, amigos e com toques de identidade brasileira.

Você toca no palco Sónar Hall depois de Alva Noto e Ryuichi Sakamoto. Quais são suas expectativas e o que você está preparando para a ocasião?

A maior parte do meu set vai ser entre KTL e Alva Noto e Ryuichi Sakamoto. Eles fazem sons extremamente finos e viajantes sem quase nenhum beat. Vai ser um desafio tocar minhas ‘breguices’ entre artistas tão avançados e meticulosos. Estou pensando em tirar todo grave e jogar um monte de delay nas músicas e daí pronto, até “As Patotinhas” viram avant-garde.
Eu gosto muito de tentar me adaptar à situação que vou me apresentar. Isso me permite expandir minha pesquisa e descobrir novos estilos. Fazia tempo que estava afim de explorar o lado ambient um pouco mais, e essa é uma super oportunidade para apresentar sons sem muito beat. Acho um saco os DJs que têm uma fórmula pronta e tocam o mesmo set em qualquer situação. Também acho muito difícil preparar um mix com antecedência porque o clima na hora é quase sempre diferente do esperado. Já toquei numa festa que só me salvei porque tinha um disco de sertanejo na minha pasta de downloads.

Fale um pouco sobre este set exclusivo. O que você reuniu aqui?

Sempre enfrento um problema quando gravo sets: gosto de muitas coisas diferentes e quero colocar tudo. Daí vira um bagunça sem linha. Mas isso é meio que o conceito da Voodoo, e prefiro os DJs imperfeitos que me surpreendem do que DJs que escolhem as músicas para fazer mixagens perfeitas. Tentei incluir uma identidade brasileira nesse mixtape, brincando com barulhos psicodélicos. Também queria colocar produções musicais próprias e de amigos que ainda estão bem crus. Assim, acrescento um pouco de identidade, mas por outro lado, sacrifico a busca da perfeição.
Durante a gravação do mixtape, dois pombos enormes pousaram na janela e olharam para mim. A gatinha estava se escondendo no banheiro por causa dos barulhos das caixas e nem percebeu. Daí cheguei à conclusão que consegui criar o clima certo.

Você é idealizador de uma das festas underground mais legais de São Paulo, a Voodoohop. Como surgiu o projeto e a que você credita seu sucesso?

A Voodoohop é uma criatura que nasceu e cresceu organicamente no centro de São Paulo, quase sozinha. A gente, na verdade, está só abrindo espaços e fazendo uma curadoria básica para o público poder se expressar. Começou na Rua Augusta, no Bar do Netão e nos puteiros, e continua crescendo. Aos poucos começou a aglomerar uma galera de parceiros, vertentes da arte, o website aumentou, mas principalmente, manteve-se a  improvisação temporária nos espaços.
A cada festa ficamos surpreendidos com a criatividade dos participantes. Tentamos garantir que a programação sempre seja bastante experimental e divertida.

Há 6 anos você veio visitar o Brasil e acabou ficando. O que te atraiu nesse país e mais especificamente na cidade de São Paulo?

No momento, São Paulo é uma cidade cheia de energia e oportunidades. É um lugar com uma energia bem própria. É difícil explicar mas tem um lance muito impessoal, prédios grandes, muitos carros, o centro decadente meio Detroit… Mas ao mesmo tempo, embaixo de toda coisa feia (e alienante) tem um calor brasileiro fervendo.

Na sua opinião, o que é mais legal em tocar em um festival desse porte? Tem algum show em especial que você queira muito ver?

O interessante de tocar num festival com atrações tão inovadoras da música eletrônica mundial, é que o público vai para ouvir música mesmo. Tocar em balada tem seu próprio charme mas o foco é diferente. Na balada, as pessoas vão para se divertir e a música é o meio que leva a isso. Como vou tocar entre artistas muito finos, vou poder fazer uma seleção de música mais profunda. Não preciso fazer as pessoas dançarem.

Fora o Justice, acho todos os artistas muito interessantes. Vou assistir com certeza o Psilosamples, Flying Lotus, Mogwai, Modeselektor, MF Doom, Gang do Eletro e John Talabot.

Thomash Sónar Podcast
1. Geinoh Yamashirogumi – Doll’s Polyphony
2. Nicolas Jaar – Encore
3. The Sabres of Paradise – Wilmot
4. Wilmoth Houdini – Black but Sweet
5. Alipio Martins – Garota
6. Chuck Norris – All That She Wants
7. Psilosamples – O Principe da Roça (Thomash Slow-Motion)
8. Pocket Pet – Heightspaces
9. Gilberto Gil + Caetano Veloso – Cada Macaco no seu Galho (Tom Croose Dub Edit)
10. Pollyester – Voices (Baris K remix)
11. Carmen Miranda – Pra Você Gostar de Mim (Taí)
12. Der Dritte Raum – Swing Bopp (Acid Pauli Remix)
13. Thomash, Psilosamples, Sergio e a Macaca – Crick Crack Cardiac
14. Thomash – Candomble
15. Luke Vibert – I Love Acid
16. Boards of Canada – Olson (Midland Edit)
17. Jefferson Airplane – Today (Thomash Voodoohop Remix)
18. Neu! – Hallogallo (Beyond the Wizard’s Sleeve Edit)
19. Piri – Reza Brava

Escute outros sets do Thomash clicando aqui.
Fotos e arte: Pedro Falcão e Ana Shiokawa

6 comentários para Thomash – Sónar SP 2012

  1. Paulo Tessuto

    Muito bom!

  2. Sula Cavalheiro

    Adorei!!! Quero ouvir esse som no meu carro, tem disponível para download esse set?

  3. Samsung

    Oi Sula, o download não é possível, mas você pode escutar esse mix aqui no canal Samsung/Sónar quantas vezes você quiser! =)

  4. Jef Martins

    Muito bom, parabéns ao Thomash e ao Deepbeep, deu vontade de ir no Sónar!

  5. Christian Salvanha

    Set maravilhoso!

  6. MADDOX

    Keep Rocking brO!

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