Roteiros, tópicos e desafios de uma entrevista
De’Sean Jones (D3/UR), feliz com seu retorno ao Brasil (foto: Bruno Pinho e Xandão Yokoyama)
“Sim, há um grande legado de Jazz e história musical em Detroit”. A frase é de De’Sean Jones, saxofonista do D3 - Detroit Trio que, ao lado do tecladista Jon Dixon, do DJ Mark Flash e do Manager Cornelius Harris, faz parte do Underground Resistance. O trio fez grande apresentação na Festa da MD/A no Teatro Mars, São Paulo, no início de fevereiro deste ano (as fotos oficiais feitas por Cuca Pimentel estão aqui).
Durante a passagem de som dos artistas, sabíamos que era nossa única chance para tentar extrair um pouco das ricas raízes musicais e pensamentos dos Techno-Jazzists sobre temas tão interessantes. O tempo era escasso, a agenda, corrida, e faltavam poucas horas para o evento. Porém, com paciência e tato, conseguimos conversar com eles. A ideia era tentar ir um pouco além das triviais perguntas sobre o Underground Resistance, Mad Mike, High Tech Jazz e a tão reverenciada postura discreta do coletivo. Buscávamos um conteúdo relativo às essências de cada um, e ao mesmo tempo desfragmentar o fundo do iceberg musical deles. » Continue lendo esta matéria
A lenda do Techno britânico fala de suas músicas favoritas, hoje e ontem.
A luta continua! Kirk Degiorgio (A.R.T, Inglaterra), firme na batalha pela boa música (foto: Catherine Siófra Prendergast)
Ícone do Techno inglês desde o início dos anos noventa, Kirk Degiorgio permanece inabalável na defesa dos pilares que considera essenciais na sua vida, entre os quais: 01) A criação artística; 02) A plataforma Applied Rhythmic Technology, gravadora por onde são lançadas suas produções e de outros talentos; e 03) O compartilhamento da sua inesgotável pesquisa musical através de seus DJ sets e programas como o ‘Sound Obsession‘ no Red Bull Music Academy Radio onde você ouve especiais de Miles Davis, Michael Jackson, King Tubby, Stevie Wonder e trilhas sonoras de cinema dos setenta. Por todos estes motivos, resolvemos dedicar este capítulo ao artista-empreendedor. » Continue lendo esta matéria
Transmat – Detroit, EUA
O coquetel de abertura da ‘Exibição de Arte Visionária de Detroit’ (Detroit Visionnary Art Exhibit), realizado na abertura do Backpack Music Festival (festival que levanta fundos para a compra de mochilas e material escolar para crianças mais carentes) na primeira sexta-feira de agosto de 2012, reservou uma grande surpresa para todos os presentes. Os apreciadores de artes visuais e música que foram conferir as instalações de fotos, desenhos e pinturas no Al Taubman Center For Design se depararam com os pioneiros do Techno Juan Atkins e Derrick May, o DJ Skurge (UR) e o artista visual Abdul Haqq. Após me apresentar ao sr. Rhythim Is Rhythim, ele disparou: “Me ligue mais tarde, vamos tomar alguma coisa e fazer a entrevista”. Mal podia acreditar que tudo aquilo era verdade, após tantos anos de expectativa, e que aconteceria na sede da Transmat, gravadora e estúdio onde alguns dos grandes clássicos do gênero foram criados, mais de duas décadas atrás.
Cerca de uma hora e meia mais tarde, lá estava eu naquele galpão que parecia abandonado, recebido por um sábio amigo chinês do Derrick que me conduziu escadaria acima ao local sagrado. Finalmente! Era enlouquecedor imaginar que ‘Feel Surreal‘, ‘Icon‘, ‘R-Theme‘ e ‘Kao-Tic Harmony‘ foram feitas ali, entre outras obras-primas, claro. Mayday gentilmente ofereceu um charuto argentino e bebidas, e me apresentou a sacada do prédio, com o símbolo da gravadora pintado na parede. » Continue lendo esta matéria
BROOKLYN, NYC, USA.

A singularidade da voz, alimento para a alma. Quando se fala em identidade sonora, não há exemplo mais redundante, porque seu timbre não pode ser reproduzido com exatidão por nenhuma outro vocal, equipamento ou instrumento existente. Vozes marcam fases da vida, épocas, gerações.
Na primeira metade dos anos oitenta, quem quer que se intitulasse expert em Disco, Boogie ou Charming R&B, sabia o valor que tinham os artistas da gravadora Prelude. É neste fantástico universo de grooves para as pistas de dança que despontou James D-Train Williams, ícone do período. Os seus singles ‘You Are The One For Me‘ e ‘Keep On‘ chegaram a custar fábulas nos tempos áureos dos bailes Black em São Paulo.
“Ele é um dos artistas predominantes da era pós-Disco, pré-House e da música eletrônica dançante, e sua relevância é notória até hoje. Amo o lado artístico e criativo do D-Train!”, diz o artista de Chicago Victor Romeo, responsável pelo clássico de Acid House ‘Love Will Find A Way’. Nós, que sempre primamos pelas raízes do que veio a se tornar a música eletrônica contemporânea, ficamos lisonjeados com a possibilidade de ouvir o cantor. E de saber que, aos cinquenta anos, ainda está com projetos interessantíssimos. » Continue lendo esta matéria
Ghent, BEL
O homem e o seu cavalo: após três décadas, a R&S continua a brilhar
“Foda-se o mercado!” disparou o fundador do monumental label R&S Records, Renaat Vandepapeliere, durante gravação do vídeo de abertura de sua entrevista para o Electronic Standards. Era noite de evento do label belga no clube Melkweg, e encerramento do Amsterdam Dance Event. Naturalmente que ele não falou do público, e sim, do mercado. São duas coisas diferentes. Enquanto o primeiro espera ser surpreendido, o propósito do segundo é, antes de qualquer coisa, vender. Originado com as iniciais do casal Renaat & Sabine, a R&S está no panteão dos grandes da música eletrônica. “R&S é uma bíblia”, disse Laurent Garnier anos atrás, em uma entrevista. Sua cidade natal Ghent, na Bélgica, se tornou um dos pilares do Techno e da música eletrônica a partir do início da década de noventa. “Quando comecei (1985), o pessoal tinha a mente bastante estreita, não apenas musical, mas politicamente. Vivemos em uma sociedade completamente hipócrita, sempre submersos e dominados por algum tipo de poder financeiro, onde tudo se resume em um fator: grana. Fim de papo. Assim como na política, as pessoas são direcionadas pelos interesses das grandes corporações”, diz Renaat.
Palco de três grandes Catedrais, a saber – St. Peter, St. Baaf e a mais nova e de design gótico St. Nicholas (construída no Sec. XIII), Ghent se tornou passado, presente e futuro. A revolução gerada pela simbiose arte e máquinas triunfou, e seus pilares – a inovação, a criatividade, a tecnologia e a experimentação – formam a matéria prima da R&S Records. » Continue lendo esta matéria
cresceu com uma vasta bagagem musical que abrange música clássica, experimental, Jazz, Soul, Funk, Disco, Hip Hop, charming R&B, Kraut Rock e Música Eletrônica. Em sua vida profissional, trabalhou em veículos de comunicação na årea de música incluindo websites e revistas, entre os quais a Revista Beatz, cujo Conselho Editorial integrou em 2004. A partir de 2005, atuou em diferentes agências de artist management, onde teve a oportunidade de ter contato com artistas do porte de Kenny Larkin (EUA), Mark Archer (Altern8/ING), DJ Pierre (EUA), Vince Watson (ESC), Legowelt (HOL), Marcel Dettmann (ALE), Satoshi Tomiie (JPN/NYC), Gramophonedzie (Servia), Orgue Electronique (HOL), Alden Tyrell (HOL), entre outros em suas tours no Brasil.