MOOing
Cinco anos passam voando, mas passam ainda mais rápido quando se está dançando. Uma das poucas festas com moral de divisora de águas na vanguardista noite brasileira, a MOO, ao longo de suas mais de cinquenta edições entre 2004 e 2010, se tornou o mais importante núcleo a levar para a noite brasileira o lado b do comportamento carioca – uma noite de diversão descompromissada, jovem, urbana e cosmopolita, de quem vive nos trópicos com olho para o que está acontecendo no mundo.
A MOO começou timidamente em 2004, primeiro como noite semanal no Dama de Ferro e depois ocupando espaços diversos pelo Rio de Janeiro. A busca pelo diferente vêm desde quando a festa ainda não havia sido batizada e Eduardo Christoph e Diogo Reis, os organizadores e DJs residentes da casa, convidavam pessoas de fora da órbita normal das festas de música eletrônica da cidade, principalmente gente ligada à artes gráficas, teatro e cinema. Foi nessa época que a dupla se uniu ao amigo Bruno Guinle, que assumiu produção e divulgação da festa. O trio quebrou preconceitos ao apresentar o tech-house da época para um novo público e, conforme a festa foi ganhando espaço, criou um conceito que une música eletrônica moderna e artes visuais, sempre alinhado a um cuidado com iluminação, clareza de som e conforto no espaço, que rapidamente diferenciou a MOO das outras festas do circuito.
Ocupando espaços diferentes como um estúdio fotográfico, um antigo puteiro em Copacabana, o belo MAM-RJ, um casarão cinematográfico no topo de Santa Teresa ou a Casas Franklin – antiga fábrica de tecido no centro velho carioca, que acabou sendo o cartão de visitas das festas – a intenção audiovisual da MOO foi atingida também com a ajuda das belas projeções de Marcos Kothlar e os instigantes flyers, sempre assinados por designers e artistas plásticos próximos ao núcleo. Parte desse legado visual foi registrado na forma de posters e camisetas, vendidos em ocasiões especiais.
O legado musical desses cinco anos de MOO é definido pelos estilos que a festa abraçou. O disco-punk-funk de Diogo e a minimal-tech-house de Eduardo evoluíram para uma mistura festiva e abrangente do melhor da música para dançar. Também é importante a participação de tantos DJs convidados, nacionais e estrangeiros que colaboraram com sonoridades como deep house, nu-disco e electro nesses cinco anos. O status de principal festa eletrônica do Rio de Janeiro que a MOO tem vem muito de produtores norte-americanos, sul-africanos, alemãos, argentinos, espanhois e suecos que passaram pela pista, como Ellen Alien, Todd Terje, Anthony Rother, Osborne, Sneak-Thief, iSolée, Jaques Renault, Efdemin e James Murphy & Pat Mahoney (da banda LCD Soundsystem), Mock & Toof, Darshan Jesrani (do Metro Area), Magda, Barem, Daniel Wang, Phonique e Superpitcher. Alguns dos grandes momentos musicais da MOO que vão ficar na memória da noite brasileira vêm desses convidados, como o maior nome do minimal techno, Riche Hawtin, no salão das Casas Franklin, a rara apresentação de The Modern Deep Left Quartet ou os convidados do projeto FASE – uma série de festas no verão carioca em parceria com os clubs paulistanos D-Edge e Vegas.
Mas a MOO tem sua identidade musical ligada principalmente à pesquisa musical e mixagem sempre precisa de seus criadores e residentes, Diogo Reis e Eduardo Christoph. A abertura musical de ambos fez com que a pista da MOO tivesse, ao longo dos anos, sempre à frente das pistas de música eletrônica no Brasil, indo do techno, house e electro de 2004 às referências neo-disco e ao berço da house music de hoje. Cheia de som e luz e focada em um público que procura diversão junto com informação, a pista da MOO não raro é das mais bonitas e interessantes entre as ótimas festas de eletrônica brasileiras.
Diogo, DJ desde 2002 com pé no rock e pós-punk, caiu para a eletrônica no auge da disco-punk, influenciado por produções de selos como o nova-iorquino DFA. O caminho natural foi a união de clássicos do funk com house music e uma linha que pode muito bem unir techno de Detroit e kraut rock. Seu set unindo house e disco na festa de cinco anos da MOO, é um exemplo de como a pista da festa é animada e intensa. Eduardo, por outro lado, investiu anos em sonoridades ligadas ao techno europeu e acompanhou a evolução natural da eletrônica rumo a o resgate de sons voltados para a pista, sempre fugindo de obviedades. O set dos dois juntos equilibra inteligência e groove, maturidade e diversão.
A MOO fechou 2009, ano de seu quinto aniversário, com 55 eventos eventos para cerca de 15 mil pessoas e mais de cinquenta atrações internacionais, enquanto os DJs residentes da MOO marcaram presença em eventos de relevância nacional como o Vale Open Air, o Claro Cine e o Tim Festival.
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Info Sets

MOO 6 anos – Dezembro 2010
01 – Mirror People – Back To The Future (original version)
02 – Tabularaza – Thing to Break
03 – Superpitcher – Black Magic
04 – Kink & Neville Watson – Metropole
05 – Name In Lights – Eld & Lagor
06 – Cantoma – North Shore (Idjut Boys version)
07 – Mobroder – Rush (Nile Delta remix)
08 – Soul Mekanik – I Am A Mekanik
09 – Tiga – Beep Beep Beep (Headman remix)
10 – Den Haan – Theme From Den Haan
11 – Traks Boys – Yellowbirds
Lula disse em 16 de agosto de 2010
very good