db64 XRS Land

21/07/2010

Conhecido como uma das figuras chave responsáveis pela alta visibilidade do drum’n’bass brasileiro, o DJ Michael de Oliveira Nicassio, Xerxes, XRS ou XRS Land, teve sua estréia em 1993, quando venceu um concurso com o remix “Power 2 the People”, uma faixa de hardcore produzida com pequenos pedaços de fita de rolo editadas à mão.

Desde sua primeira apresentação internacional em Nova Iorque, 2001, XRS tocou em praticamente todos os continentes. Como noites memoráveis ele menciona Belém do Pará, “o público mais caloroso do Brasil”, as sessões do Soul:ution em Manchester, o soundsystem perfeito do clube The Womb em Tóquio e a festa da Innerground no The End, em Londres.

Gilberto Gil, Daniela Mercury, Fernanda Porto, Hugh Burrows, Cleveland Watkiss, Vikter Duplaix e Singing Fats figuram entre os parceiros de produção de Xerxes. Como remixer, o produtor transformou faixas de Roberto Carlos, Otto, Marina Lima, Fernanda Abreu, Jorge Ben, Paulinho Moska, Dave Angel, Roy Ayers, Bebel Gilberto, US3 e Tali MC.

Para o deepbeep, o DJ criou “uma viagem através do tempo, como os flashes do seriado Lost”. Por isso, aumente o som e aproveite a viagem.

Como compôs este set? Qual o melhor momento para escutá-lo?

Este é especial. De início, já sabia que iria gravar um set para uma audiência exigente (os sets e mixtapes do deepbeep são muito bons!). Então resolvi torná-lo uma viagem através do tempo, como os flashes do seriado Lost. Daí veio a idéia de começar o set com a faixa da Mama Cass Elliot. Começa soulful, e vai subindo bem devagarinho… gostoso de ouvir como warm up para a balada.

Conte-nos um pouco da sua trajetória como DJ.

O músico veio primeiro. Quando criança, aprendi teoria musical, hinos e saxofone na igreja; aos fins de semana, contrabaixo elétrico, samba e funk com meu pai. No comecinho da adolescência, gravava fitas para os amigos e para levar nos bailes. Usava a pausa do gravador para constuir versões estendidas das músicas. Na seleção de músicas lentas eu, que era muito tímido, acabava sempre dançando com a vassoura. Depois disso, tentei montar uma banda, mas brigávamos muito nos ensaios e nunca saiu nada de útil. Foi quando meu pai apareceu com um gravador cassete multipistas que eu descobri que dava para fazer overdubbing, ou seja, gravar um instrumento, depois gravar outro, e assim por diante. Com quatro canais, eu era o baterista, o baixista, o tecladista e o DJ da banda. Com o deck de rolo fazia loops e usava o toca discos para acrescentar efeitos. Nessa época, eu fazia parte de uma turminha do bairro e a gente se reunia aos finais de semana para fazer festas e falar de música. Resolvi aperfeiçoar e fui aluno do DJ Celsinho Double C na Rock & Soul de Moema. Alguns anos depois, fui convidado pelo DJ Sylvio Müller a dividir a residência do club Aeroanta, em Pinheiros onde fiquei por 2 anos e daí em diante me profissionalizei como DJ.

Você foi um dos responsáveis pelo sucesso do drum ‘n bass no Brasil. Como desenvolveu este trabalho?

Além de DJ do Aeroanta, eu também trabalhava durante o dia como auxiliar de estúdio do DJ Grego. Lá, ele deixava eu usar as horas vagas para experimentar com equipamentos que até então não conhecia, como sampler e sequenciador. Conforme fui aprendendo, tive mais condições de sintetizar a quantidade enorme de informação musical que estava à minha volta. Essa foi a fase hardcore. Com o tempo, fui me refinando e ao mesmo tempo em que ensinava e aprendia coisas novas, fui fazendo novos amigos, como foi o caso do Drumagick. Além do Ramilson, parceiro desde o início, conheci uma infinidade de pessoas geniais, com quem sempre troquei informações, tais como a Fernanda Porto, o Rael Gimenes e o Luís Felipe Oliveira, que considero como meus mentores musicais. A acolhida que tive por projetos como o selo Sambaloco na Trama, a parceria com o Bispo no projeto Cool Bass, no Glitter, as festas de quarta-feira do Jive e o programa de rádio Clubtronic na rádio Energia97 foram fundamentais para difundir a música, que com o crescente apoio que ia recebendo de músicos, DJs, produtores, promoters e público de várias partes do país, ia ganhando forma e identidade própria.  Sou fã do trabalho dos DJs Patife e Marky; além de estimulá-los a produzir as próprias músicas recebi por parte deles um grande suporte. Fico muito feliz de ter tido um papel de destaque em um movimento cultural de tamanha importância para o Brasil como o drum’n'bass. É muito bom ver o estilo continuar a revelar talentos para o mundo afora, o que comprova o imenso potencial de tranformação social do mesmo.

XRS, Xerxes, XRS Land, Sys-X e Kapitel 6 são alguns dos pseudônimos que já usou. Qual o significado e a importância que carregam?

Xerxes, ‘o longa-metragem que deu origem à série’, é o nome de um toca-discos de alta-fidelidade inglês que (à contragosto) virou meu apelido na escola. Por causa das fitas e dos bailes, virou DJ Xerxes. XRS Land é meu projeto de fusão de Jazz com música eletrônica, iniciado em 1996. Na turnê de 2001 para o Sònar ganhei o nome XRS na festa Swerve, em Londres. Gostei e passei a usar como meu nome de DJ. O Sys_X é meu laboratório musical, onde experimento técnicas, equipamentos e idéias novas. Kapitel 6 é o título do capítulo 6 do manual de instruções do meu sequenciador, que ficou “lost in translation”. Será, a partir do ano que vem, o nome da parceria que venho desenvolvendo com a artista Heliponto em um projeto de house/techno.

O que escuta em casa?

Aqui vão alguns dos artistas que sempre estão tocando: Blue Six, Laub, Liszt, Minnie Riperton, Rachmaninoff, Skatalites, Tosca, Alcione, Azymuth, Beto Strada, Egberto Gismonti, Elis Regina, Eumir Deodato, Max de Castro e sets/podcasts de outros DJs e produtores.

Quais são suas influências?

Em essência são Dub, House, Jazz-funk e Samba. Dentro da Dance são o selo Naked Music, programas de rádio entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, como o Nova Dance do DJ Renato Lopes (Nova FM), o Novas Tendências do José Roberto Mahr (89 FM) e o Radio Flight do Julinho Mazzei (Jovem Pan), além de artistas de hardcore / drum’n'bass como Shut up and Dance, Wax Doctor, 4Hero e Rob Playford.

Quais são seus projetos atuais e em vista?

Hoje meu selo em parceria com a Luciana, o Tupy, já está no lançamento número 23 e temos agregado a ele projetos fantásticos de breaks, house e lounge. Ao longo de dois anos desde que foi criado, nós temos trabalhado para definir a identidade musical do selo e os projetos especiais que fazem parte dessa proposta. Neste ano, o XRS Land se despede do drum’n'bass e volta às origens, mais musical e envolvente. Em agosto, lanço o EP Solitude com 4 faixas de deep house. Já estou com um setup de live/set pronto para apresentá-las junto com trabalhos que tenho recebido de outros selos e produtores do gênero, além de experimentar novos sons ‘on-the-fly’. Em Outubro, lanço o Dragster (part 2: the final run), com meus últimos trabalhos de dnb e o ciclo se fecha; mais novos desafios após grandes conquistas.

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    Xerxes disse em 21 de julho de 2010

    obrigado pelo feedback, pessoal! ^^)

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    Mari Rossi disse em 21 de julho de 2010

    Adoro!!!

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    renato p. disse em 21 de julho de 2010

    mto bom.

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    L_cio disse em 21 de julho de 2010

    listening e adorandooooo

    teacher!!!!! cada contato um aprendizadoooooo!!!!!

    brigadão Deepbeep!!!! brigadão Xerxes!!!

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    Marco Andreol disse em 21 de julho de 2010

    Grande mestre :)

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db64 XRS Land
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tracklist

01. Make your Own Kind of Music – Mama Cass Elliot
02. Jack Talking – Dave Stewart & Spiritual Cowboys
03. Seventh Heaven (Larry Levan remix) – Gwen Guthrie
04. Goddess – Wai Wan
05. Sao Paulo High Society (Joystick Jay Edit)  – Almir Ricardi
06. Rosa (Rodney Hunter Version) – Tosca
07. The Perfect Heart – XRS Land & Heliponto
08. She’s Gone – James Johnston ft. Bill Withers
09. 24K – Morgan Geist
10. Solitude – XRS Land
11. The Way – Matthias Vogt

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