db6 Bruno Belluomini

27/05/2009

Tudo começa em 2006, quando Ollie Jones, um moleque inglês de 20 anos que trabalhou na loja de discos Big Apple – epicentro do UK garage, onde teve contato com produtores como Benga e Hatcha – lança o álbum Skream!. O disco tem a faixa “Midnight Request Line”, uma das essenciais do dubstep, gênero de batidas graves que ressoam na caixa torácica ao misturarem dub jamaicano e linhas de baixo possantes com techno e drum’n’bass. Estavam dados os primeiros passos para que este tipo de som, nascido na cultura underground e urbana de Londres, ao redor da Big Apple Records, da festa FWD>> e de selos como Tempa e Hyperdub (este último, do produtor/DJ Kode 9, um dos pais do movimento), saísse do gueto e chegasse ao mainstream.

Prosseguimos para 2007. Burial causa burburinho no meio musical com o disco Untrue, carregado de tons escuros e sombrios. No ano seguinte, Benga lança o elogiado Diary of an Afro Warrior (quatro estrelas de cinco, no Allmusic.com), com graves e vocais robóticos que estouram as caixas de som. No início de 2009, London Zoo, do inglês The Bug, figura em várias listas: melhor álbum de 2008 da revista The Wire, 38ª posição (de cinqüenta) no site Pitchforkmedia, e primeira no Metacritic.com. O dubstep cresce e atrai mais adeptos.

Por aqui, o coletivo Tranquera, sediado em São Paulo, é o principal agitador do gênero. Fundado por Bruno Belluomini e atuante desde 2005, o projeto Tranquera se divide em audiovisual (Subcut), festa mensal homônima no Vegas Club e podcasts. Como estamos no Brasil, à intersecção de gêneros que formaram o dubstep (grime, garage, drum’n’bass) é acrescentada a bass culture genuinamente local: Deize Tigrona e MC Gi já participaram da Baixaria. “O baile funk é nosso grime e a Deize Tigrona é nossa Warrior Queen”, comenta Belluomini.

Fale sobre seu set. Como você o compôs, quais as inspirações, por que escolheu estas faixas?
Esse mix se chama Caribbean Clash. É uma colisão sonora mesmo. O vôo sai de Kingston e desce em Londres. Mas é uma viagem longa, com escalas em Chicago, Berlim, Bristol, Detroit e São Paulo. Não é dub, não é techno, não é house, não é garage – não é nada disso. É um lance diferente e novo para a maioria das pessoas. É um som grave, feito para ser sentido com o estômago, na frente do sound system. Esse é o som que toco e que me faz sentir vivo.

Escolhi esses sons porque não consigo tocar algo que não faça sentido para mim ou que não tenha alguma relação com meu trabalho. Tudo nessa gravação é vinil, com exceção de um dubplate com produções próprias. Uso um processador de defeitos e um radinho de pilha também, basicamente para disparar samples e criar ambiências – tudo gravado ao vivo mesmo. A maioria dos artistas desse mix conheço pessoalmente. São pessoas que têm um trabalho excepcional e que merecem ser ouvidas.

Você é ligado em música desde criança? Conte um pouco sobre sua história e se há fatos curiosos, até o momento em que você virou DJ e começou a tocar em clubes/festas.
A música é algo que me acompanha desde pequeno – a sonoridade do rádio principalmente, o chiado, o ruído, a interferência, etc. O interesse pelo vinil veio depois, com o hardcore, o punk rock, o DIY. A discotecagem surgiu no final dos anos 90, no momento que parti para os decks com discos de música eletrônica mesmo.

Quais seus projetos, residências, festas e/ou parcerias em andamento?
O Tranquera está no ar desde 2005. Depois veio o Subcut com o Ninguém e o Hugo Frasa – que no momento é nossa festa mensal no Tapas. A noite Baixaria, que rola no basement do Vegas, é uma residência minha e do Felicio Marmitex. Além disso, tenho novas produções que devem sair em breve – algumas delas feitas de forma colaborativa com artistas de outros países. Corto meus próprios dubplates e deixo a masterização para quem entende do assunto. O Xerxes foi quem masterizou minhas últimas faixas.

Como você vê esse crescimento do dubstep de 2008 para cá? Você acha que o dubstep pode se tornar mais comercial, no sentido de atrair mais público e ficar maior aqui no Brasil?
Meu trabalho no momento é oferecer o que há de melhor na bass culture atual. É uma tarefa trabalhosa, cheia de responsabilidade. O dubstep cresceu demais nesses últimos anos e é preciso separar os oportunistas dos nomes que vieram para ficar. Para isso conto com artistas que estão realmente levando o som para frente e se recusam a ficar parados. Alguns deles já passaram pelo Tranquera: Geiom, Elemental, Untold, Helixir.

Na minha opinião, o baile funk é nosso grime e a Deize Tigrona é nossa Warrior Queen. Se, por um lado, a molecada do subúrbio britânico pega o garage e faz dele suas bases instrumentais com poucos recursos, aqui no Brasil os produtores de baile funk fazem o mesmo com samples diversos: o baile funk é canibal, vai se apropriando de tudo e de todos para criar algo local; o grime é a mesma coisa.

É bem provável que um bedroom producer de grime tivesse simpatia pelo trabalho de um moleque do Rio e vice-versa. A Deize Tigrona já trabalhou com o The Bug e o Soul Jazz já lançou um disco com produções colaborativas destes dois artistas. Também tenho um disco (o EP Gent São Paulo) por um selo belga (Unity Trax) que traz os vocais do Jimmy Luv, um dos poucos MCs brasileiros que sabem exatamente o que é grime. Nosso som já foi tocado pelo Kode 9 na Rinse FM, uma das piratas mais importantes da cena grime, dubstep, funky house no Reino Unido.

Fotos e texto: João Pedro Perassolo

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  1. avatar

    sara hera disse em 1 de June de 2009

    big up Bruno!!

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    icaro matias disse em 1 de June de 2009

    baixando :)

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    fueloop disse em 27 de May de 2009

    …tranquera!!

    venho acompanhando o trampo dessa pessoa e só posso dizer coisas boas, inovação e muito bass!!

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    Audioviva disse em 27 de May de 2009

    Negaço!!

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    Caribbean Clash disse em 27 de May de 2009

    [...] Mixtape exclusiva de Bruno Belluomini acompanhada de entrevista para o excepcional Deep Beep. Confira o tracklist e faça o download aqui. [...]

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sugestões de sets

tracklist

01. Digital Mystikz feat. Spen G “Anti War Dub” DMZ
02. 2562 “Greyscale” Tectonic
03. Geiom & Spamchop “Geile Zwazo” Berkane Sol
04. Headhunter “Locus Lotus” Tempa
05. Marc Ashken “Size 3 (Skream Remix)” Leftroom
06. Moody Boyz vs. Prince Fatty “Milk And Honey” Mr. Bongo
07. Toasty “Reflect” Destructive
08. RSD “Over It” Tectonic
09. Benga “Flame” Big Apple
10. Ghost “Lyrical Tempo” Tempa
11. Kode 9 vs. Badawi “Den Of Drumz” Roir
12. Bruno Belluomini “Emboscada” Dubplate
13. Burial “Pirates” Hyperdub

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