Claudio Lemes, ou simplesmente Lemes, trilhou seu caminho pela música eletrônica no final dos anos 90, quando se misturou dentro do universo underground da house music de São Paulo. Aluno da primeira turma de DJs do Lov.e Club – onde teve a oportunidade de se profissionalizar – Lemes começou discotecando techno groove italiano e depois caiu no gosto da melodia da deep house e do techno minimalista. “Essa nova roupagem me deu a oportunidade de dividir a noite com grandes nomes como Renato Lopes, Renato Cohen, Mau Mau, Daniel Um, Carsten Jost, Jan Krueger, Marco Carola, Technasia, Christian Smith, Lee Von Downski e também de tocar em grandes clubes como D-Edge e Lov.e”.
O seu set gravado para o deepbeep funciona de maneira progressiva. Uma história que começa introspectiva e se desenvolve de maneira atemporal, com referências de dub techno e deep house. Para ser ouvido durante muito tempo.
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Como começou seu envolvimento com música eletrônica? Fale sobre fatos curiosos, como você começou a discotecar, comprar discos, influências, festas e clubes.
Fui daqueles adolescentes que ao invés de ir jogar bola ficava gravando programas de radio, em fitas cassete, inclusive tenho todas guardadas com muito carinho. O som que me fazia ficar horas na frente de um radio na época era House Music, na maioria das vezes tocadas pelas mãos de Ricardo Guedes, que de tanto gostar do som dele fui obrigado a me aventurar nas matinês da época quando ele costumava tocar. O engraçado que dessa época era que eu não conhecia música underground e mesmo assim, já flertava com sonoridades diferentes, e ficava esperando exatamente este momento do set. A história não para por aí: no finalzinho dos anos 90 me aventurei na antiga Nation, foi quando descobri esse mundo underground. Nunca vou esquecer da primeira música que ouvi lá, ela esta cravada na minha memória, IF – I Do Because I Couldn’t Care Less, impossível esquecer também do DJ, que pra minha sorte era o Renato Lopes. Hoje fico muito honrado de dividir algumas noites com ele.
I-F – I Do Because I Couldn’t Care Less
Depois que descobri esse mundo, fui cada vez mais me apaixonando por sons não comerciais e não perdia nenhum evento que envolvia música underground, assim chamado na época. Um fato engraçado era atravessar São Paulo inteiro para participar do “Lov.e por São Paulo”, um evento patrocinado pela Prefeitura de SP e Lov.e Club sempre com a presença de um TOP DJ, e foi graças a este evento realizei meu sonho de me tornar DJ. Fui aluno bolsista da primeira turma da escola de DJs do Lov.e Club. Daí em diante me dediquei até conseguir o espaço que tenho hoje. No começo foi bem difícil, tocava com discos emprestados nas festas que aconteciam no primeiro Susi in Transe lá no centro de São Paulo e também no Juke Joint na Frei Caneca. Aos poucos fui conseguindo montar meu case italiano. Chamo de italiano, porque no inicio eu tocava Techno Groove, e praticamente todos os produtores do meu case eram italianos. Meu som mudou pra valer quando um grande amigo meu, o Henrique, me apresentou duas músicas que são muito especiais pra mim: Johannes Heil – Cherubin e James Holden – The Wheel. Depois disso mergulhei de corpo e alma nas música mais melódicas.
Johannes Heil – Cherubin
James Holden – The Wheel
Conte um pouco sobre o set. Por que escolheu essas faixas, qual foi a sua inspiração?
Meus sets são sempre progressivos. Eu curto contar a história com sons mais introspectivos e aos poucos envolvendo quem está ouvindo, até ficar um som mais direcionado pra pista. Foi exatamente este clima que construí no set. Basicamente são dois estilos com algumas variações, deep house e dub techno, procurei escolher músicas que acho atemporais, pra serem ouvidas durante muito tempo.
O que acharíamos hoje no seu case ou no seu mp3 player?
Olha no case você vai achar muita coisa dos selos Tribstoff, Plastic City, Drumpoet, Dessous, a lista é grande (risos). No mp3 vai achar um som bem variado, tem sets de amigos, MPB, rock clássico, r&b em geral…
Fale sobre seus planos atuais como DJ, datas, projetos.
Meus principal projetos para este ano é sair um pouco de São Paulo e divulgar meu trabalho por outros estados. Além disso pretendo desenvolver também um novo site onde será divulgado meu material de trabalho, músicas, sets, conteúdo multimídia e blog.
1. Thomas Fehlmann – Berliner Luftikus
2. Move D, Benjamin Brunn – Velvet Paws
3. Rico Casazza – Waving, Surviving
4. Fluxion – Perfuse
5. Nadja Lind – Voyage
6. STL – Silent State
7. Move D, Benjamin Brunn – Honey
8. Kink – E79
9. Gabor Schablitzki – Hodgkin Mopp
10. Audision – Red Sky
11. Marino Berardi – Best Intention
12. Simple – Easy Slip
13. The Nautilus Project – Forgotten Shiploads
14. Mark Thibideau – Blurred
15. Joshua Collins – Without You
16. Counterplan – 90 Degrees
17. Play Paul, Nicos Marcos – Breathe
Maurício disse em 15 de junho de 2010
Adoro o som do Lemes
Fernando Nandruz disse em 11 de junho de 2010
Delicioso set. Ótimo ouví-lo enquanto trabalho.