Em 1995, Camilo Rocha passou a se dedicar profissionalmente como DJ. Nestes 15 anos lapidou seu repertório e seus sets são esperados nos principais clubs e festas do Brasil, com destaque para a Discology Vs Bate-Estaca em parceria com a jornalista Cláudia Assef.
Como jornalista, Camilo Rocha já escreveu sobre música eletrônica para veículos como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Época, Bizz, Mixmag e DJ Mag. Sempre incentivando a conexão entre o passado da música eletrônica e o presente, é também editor de música do portal Vírgula e autor do premiado blog Bate-Estaca.
Para o deepbeep, Camilo gravou um set cheio de boas surpresas e deixa para o público a opção de ouvir, dançar ou viajar, confira o tracklist comentado.
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Como foi feita a seleção para este mix?
Uma das coisas que mais curto hoje em dia é montar esses sets com sons e estilos diferentes e fazer algo coeso. Como não estou ali tentando fazer dançar na pista, dá pra viajar bem mais. Acredito que para a maioria será um set mais para ouvir do que dançar, a decisão é toda sua. Bom, depois de atravessar algumas dezenas de músicas para chegar na seleção final, deu para fazer um set muito representativo de coisas que gosto e que foram marcantes em fases diferentes da minha vida. Olha quanta profundidade num simples set de uma hora!
O que acha do momento atual da música eletrônica?
Se a gente olhar para o copo como metade cheio, podemos dizer que vivemos um momento de grandes misturas e possibilidades, de sets e produções criativas, basta saber onde procurar. E aqui eu passo a olhar o copo como metade vazio: o fato de que precisamos procurar bem para achar as coisas legais, indica o quanto de chatice e porcaria está flutuando na superfície. Mas eu sou otimista por natureza. Por pior que as coisas estejam, isso deve é ser de incentivo para se produzir qualidade, não para desanimar.
Quais são as suas influências?
Algumas coisas que foram marcando fases diferentes incluem: disco music, Soft Cell, The Cure, Echo & the Bunnymen, New Order, Chicago house, acid house, Run DMC, MARRS “Pump Up the Volume”, Rolling Stones, techno de Detroit, o espírito original das raves, Prodigy, Altern 8, Leftfield, Orbital, James Brown, Sly Stone, The Doors, Curtis Mayfield, Marvin Gaye, Motown, soul da Philadelphia, technopop inglês, italo-disco… e qualquer coisa nova que eu ouça e diga “Wow!”
Quais são os seus 5 álbuns prediletos?
Ah, essa tem sabor de pegadinha pra mim, já que essa lista sempre será subjetiva e móvel. Mas vamos lá, vou falar de cinco fodásticos que me vêm à cabeça agora:
Os Mutantes (o primeiro)
The Cure – Head on the Door
Lou Reed – Transformer
Serge Gainsbourg & Brigitte Bardot – Bonnie & Clyde
Jamie Lidell – Multiply
Quais são seus planos para 2010?
Fortalecer meu blog Bate-Estaca em sua nova casa, voltar a fazer algumas coisas no estúdio (a primeira é um remix com o Erico Theobaldo para um single do Daniel Peixoto, ex-Montage) e investir num programa de rádio onde dê pra tocar música boa sem cercado nem gaveta. Além disso, continuar tocando e escrevendo por aí, que é a base de tudo que eu faço.
Tracklist comentado
1. Lindstrom & Christabelle – Lovesick (Feedelity, 2009)
O norueguês é o cara! Aqui ele produz um híbrido de R&B com euro-disco sensual que é sensacional.
2. Gorillaz feat. Snoop Dogg – Welcome to the World of the Plastic Beach (Virgin, 2010)
Já ouviu o álbum novo do Gorillaz? Não vacile.
3. Wagon Christ – Electro Gangsta (Peel Sessions, 2001)
Piano house em low BPM achado nas garimpagens blogueiras.
4. Cry Sisco! – Afro Dizzi Act (Escape, 1988)
Clássicão funky-tribal danado!
5. Linda Lewis – Sideways Shuffle (Leftside Wobble Edit) (sem selo, 2009)
Leftside Wobble tem um blog incrível e faz edits de soul e funk vintage como estes que são coisa de louco.
6. Caroline Loeb – C’est La Ouate (Barclay, 1986)
Quem me apresentou esta foi o Mauro Borges, que fez essa faixa francesa cool como Perrier virar um hit de pista do Nation no seu primeiro ano.
7. Risqué – Starlight (Polydor, 1982)
Disco holandesa suave e caramelada. De um romantismo bonito que chega a soar adolescente.
8. 6th Borough Project – Do It to the Max (Instruments of Rapture, 2009)
Slo-funk de valente, editando sem dó uma faixa boogie de 82 do Xavier. O 6th Borough é Craig Smith e Graeme Park, também conhecido como The Revenge.
9. Cage & Aviary – Television Train (Dissident, 2007)
Dupla inglesa que fez uma espécie de indie-disco neste lançamento para o selo do Andy Blake.
10. M – Pop Muzik (Cage & Aviary remix) (Echo Beach, 2009)
E se precisar de mais confirmação do talento do Cage & Aviary tome este remix transformador de “Pop Muzik”.
11. Orange Juice – Rip It Up (Sell By Dave’s 4th Dimension) (sem selo, 2009)
Favoritaça minha dos anos 80, de uma banda escocesa que merecia ser mais lembrada. O vocalista Edwyn Collins tem um trabalho solo interessante também. O edit é do inglês Sell By Dave.
12. Ashford & Simpson – Babies (Dub Version) (Capitol, 1984)
Casal prodígio que surgiu na Motown nos anos 60 e seguiu até os anos 80 fazendo soul elaborado e moderno.
13. 6th Borough Project – Cadillac (Jiscomusic, 2008)
A dupla chega roncando o motor outra vez, agora reprocessando uma faixa do Hot Chocolate.
14. Clubhouse – Good Times/Superstition (A&M, 1983)
Covardia! Duas de minhas faixas preferidas mescladas de maneira brilhante num groove só pelos italianos do Clubhouse.
15. Fat Larry’s Band – Act Like You Know (WMOT, 1982)
Disco-funk cheia de luz e energia.
16. Västkustska Ryggdunkarsällskapet – Town Out of Order (Dunka, 2007)
Aqui caímos numa pegada mais rock com este impronunciável projeto sueco, especializado em edits de bandas obscuras.
17. Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot – Bonne and Clyde (DJ Apt One Edit)
Singela mas empolgante mistura de cafajestagem e sensualidade, bagaceirice e glamour, música e cinema, enfim, Gainsbourg e Bardot. Preciso dizer mais?
18. Tensnake – Holding Back My Love (Running Back, 2009)
A melhor música do ano passado, ponto. Palavras me faltam para descrever o êxtase que isso representa.
19. Lovelock – Maybe Tonight (K7, 2008)
Clima de rádio FM às quatro de manhã em 1983. Frequência de classe.
1. Lindstrom & Christabelle – Lovesick (Feedelity, 2009)
2. Gorillaz feat. Snoop Dogg – Welcome to the World of the Plastic Beach (Virgin, 2010)
3. Wagon Christ – Electro Gangsta (Peel Sessions, 2001)
4. Cry Sisco! – Afro Dizzi Act (Escape, 1988)
5. Linda Lewis – Sideways Shuffle (Leftside Wobble Edit) (sem selo, 2009)
6. Caroline Loeb – C’est La Ouate (Barclay, 1986)
7. Risqué – Starlight (Polydor, 1982)
8. 6th Borough Project – Do It to the Max (Instruments of Rapture, 2009)
9. Cage & Aviary – Television Train (Dissident, 2007)
10. M – Pop Muzik (Cage & Aviary remix) (Echo Beach, 2009)
11. Orange Juice – Rip It Up (Sell By Dave’s 4th Dimension) (sem selo, 2009)
12. Ashford & Simpson – Babies (Dub Version) (Capitol, 1984)
13. 6th Borough Project – Cadillac (Jiscomusic, 2008)
14. Clubhouse – Good Times/Superstition (A&M, 1983)
15. Fat Larry’s Band – Act Like You Know (WMOT, 1982)
16. Västkustska Ryggdunkarsällskapet – Town Out of Order (Dunka, 2007)
17. Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot – Bonne and Clyde (DJ Apt One Edit)
18. Tensnake – Holding Back My Love (Running Back, 2009)
19. Lovelock – Maybe Tonight (K7, 2008)
RodrigoSM disse em 22 de janeiro de 2012
Muito bom! Só uma coisa: nada de 2011?