db52 Pornrobot

5 de maio de 2010

Diego Dumont é o nome por trás do projeto Pornrobot. Natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o jovem produtor trilhou seu caminho pela música eletrônica no início da década de 90, quando acompanhou o crescimento da cena eletrônica da região. Há 8 anos em São Paulo, entre as pistas de dança e sua principal atividade, a publicidade, Diego é dono de um estilo carregado de referências regionais e étnicas, fruto da sua convivência entre fronteiras latino americanas.

O set gravado com exclusividade para o deepbeep mostra um pouco dessa característica com “músicas que gosto bastante mas que por ocasionalidades acabo não tendo oportunidade de tocar”, comenta o DJ. Num bate-papo, ainda conversamos com Diego sobre sua história e um pouco do seu gosto musical.

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Fale sobre o mix. Porque você escolheu essas faixas?

Dentro da proposta do site trouxe aquelas músicas que gosto bastante mas que por ocasionalidades acabo não tendo oportunidade de tocar. Ou por não encaixarem, por não me lembrar ou por estar tocando em um horário ou local que não é muito favorável tocar BPMs mais baixos e experimentais.

Procurei trazer faixas realmente diferentes, sejam elas na construção ou nas referências bem esquisitonas de música etnica com instrumentos de corda, sopro, tambores, um pouco de house americano que é minha escola misturado a vocais do oriente médio, africanismo zulu, rs…está uma verdadeira miscelânea cultural bem temperada.

Mas o mais importante de tudo é a essência de todas as tracks. Todas elas são músicas que eu gosto demais, acredito e tenho um grande respeito por todos seus produtores. Acho que mais do que as músicas e o set em si, pra quem gosta de um som nessa linha vale a pena uma pesquisada mais a fundo em cada um desses produtores que tem outras músicas belissimas e um trabalho muito rico a ser explorado.

Você é ligado em música desde quando? Conte sobre fatos curiosos desde que você era criança até quando resolveu se profissionalizar.

Tive uma passagem longa pelo D-Edge nos últimos anos, ora fazendo bookings, promovendo o Mothership ou fazendo outras festas aleatórias no D-Edge Campo Grande. Foi um período muito gostoso e intenso onde pude ter contato e aprendizado com muitos artistas que sou fã.

Mas a realidade que pra chegar ao D-Edge e ficar por tanto tempo com uma afinidade tão grande de ideias minha ligação com a música vem de muito antes. Minha mãe possuia uma grande coleção de vinil do  Kraftwerk, passando por Pink Floyd, chegando a Rick Wakeman. Ela se casou muito nova com um zootecnista (meu pai) que na época estava muito envolvido com leilões e exposições de gado. Meu primeiro contato musical mais a fundo foi justamente quando comecei a fuçar nessa coleção de vinil da minha mãe e acompanhar meu pai até as produtoras de vídeo  quando ele preparava o VT do gado que iria a leilão. A partir dali tive muito contato com sons como Jean Michel Jarre e Vangelis, mas isso eu era muito novinho, tinha uns 5, 6 anos de idade e nem sabia nome de nada. Eu simplesmente amava tudo aquilo pelos barulhinhos eletrônicos gostosos que tinha, enquanto meu pai usava o bom e velho Rendez Vous IV e Equinoxe V em suas trilhas, eu devorava e brincava com o restante dos discos e fita cassetes.

Os anos foram se passando, fiz aula de violão e de bateria ainda no primário, mas tive meus primeiros contatos com a dance music nas pistas por volta de 1994  quando frequentava umas domingueiras pra menores no Rádio Clube de Campo Grande. Em 1997 fui morar no Estados Unidos na casa de um amigo nicaraguense. O drum and bass essa época estava fervendo na Flórida. Eu era viciado em uma rádio chamada Power96, acredito que na época trouxe mais de 50 k7s com gravações da rádio. Apesar de hoje em dia tocar house e techno, eu tenho uma fortissima influência de drum and bass na minha formação.

Mas foi de 1998 até o fim de 2001 que cai de vez na noite com as primeiras raves da época em Campo Grande organizadas pelo Renato (D-edge), Joel (Hot Hot) e outros sócios do clube Garage. Outro fato marcante foi o surgimento do primeiro club na cidade voltado exclusivamente pra música eletrônica, o D-Edge Campo Grande, onde tive a felicidade de acompanhar de pertinho aquele investimento surreal e empirico que o Renato fez na cena local. Acho que serviu como um laboratório pra ele obter esse sucesso que tem hoje como DJ e empresário e ao mesmo tempo foi um grande aprendizado que mexeu com toda uma geração de jovens inquieta da cidade. Gente que se mudou de Campo Grande, foi fazer carreira na música, moda, propaganda, design, arquitetura devido a essa força propulsora que foi o club na vida dessas pessoas. Hoje em dia agradeço muito por poder ter acompanhado, observado e absorvido tudo da primeira fila.

Da onde surgiu a referência etno e regional do som do Pornrobot?

Nasci em Campo Grande MS e é um pouco dificil pra não falar impossível você não ter contato com um monte de costumes regionais, entre eles participar das tradicionais rodinhas de terere no fim de tarde, pescar, fazer viagens aos finais de semana para fazenda com amigos, atravessar as fronteiras do Estado próximas a outro países como Paraguai (Pedro Juan Caballero e Ponta Porã) e Bolívia (Puerto Suarez e Corumbá). E em todas essas idas e vindas a música está presente como uma trilha sonora do momento.

Quem é morador daquela região do Brasil fica vulnerável por bem ou por mal a esse monte de referência. Uns enveredam e vão pro caminho mais lógico que é gostar de moda de viola, sertanejo e gêneros próximos, outros, como é meu caso, vão buscar um contra-movimento ou um movimento alternativo amparado no rock ou no eletrônico.

Como não acho de todo um mal gostar de toda essa regionalidade acabei incorporando nos meus sets um pouco delas e buscando referências em outras culturas de pessoas que passaram um dia pela minha vida, seja em viagens pelo Brasil ou fora dele, intercâmbio, relacionamentos virtuais, etc. Acho que tenho uma facilidade de carregar comigo um pouquinho de cada pessoa e situação vivida.

Claro que alguns artistas que sou fã declarado como Lucien Luciano e Ricardo Villalobos ajudaram a quebrar muito o paradigma de gente que falava que música com percussão era cafona e bate cabelo, que música com vocal latino era brega. Sinceramente não sei se teria tanta coragem pra levantar essa bandeira se não fosse eles, mas ainda encontro muita resistência e cara feira de gente que canta “put your hands up in the air”, “one, two, three”… mas que torce o nariz quando ouve a primeira palavra em português ou espanhol.

Quais são seus produtores e DJs favoritos? Se fossemos fuçar no seu MP3 player, o que acharíamos de interessante?

Atualmente meus artistas favoritos sem dúvida são Ricardo Villalobos, Luciano, Derrick Carter, DJ Sneak e Reboot. Mas isso não quer dizer que eu os ouço o tempo inteiro durante a semana, pelo ao contrário, no meu MP3 player exatamente hoje você encontraria coisas bem diferentes como Sany Pitbull, DJ Marky, Medeski Martin & Wood, o RA do Thomas Fehlmann, Michael Jackson, Afrika Bambaataa, Balkan Beat Box, o deepbeep do Mr.Spacely, a trilha Sonora do filme Soul Kitchen e Almir Sater, hahaha.

Quais seu projetos em andamento, novidades e planos para o futuro próximo?

Não tenho como desvencilhar completamente da minha carreira formal na propaganda. Sou publicitário e profissional de rádio e TV de formação e trabalhar com comunicação continua sendo a atividade principal, que coloca as coisas dentro de casa e ajuda a bancar o sonho da música. Lógico que um dia sonho poder viver só da música, mas ao mesmo tempo tenho minhas dúvidas se conseguiria. Ficar nesse paralelo de escritório e pista de dança me faz um bem danado, ajuda a me dar equilíbrio e a lidar com mundos, entendendo pessoas e situações tão distintas.

Como DJ quero continuar tocando em lugares que nunca toquei antes, esse é um grande desafio pessoal. Levar a minha música para pessoas que nunca a ouviram ao vivo. Recebo e-mails muito bacanas de gente de tudo que é lugar do Brasil falando que baixou o set, ouviu falar bem do set por um amigo que foi em uma festa open air ou a um club. Meu maior desafio é chegar até essas pessoas pessoalmente e continuar desbravando fronteiras virtuais com os sets gravados.

Falando em produção musical 2010 ainda não vai ser um ano que vou parar e sentar a bunda na cadeira em um estúdio pra produzir algo exclusivamente autoral, porque não encontrei o meu timing com de uma pessoa que possa operar e que tenha a sinergia pra traduzir aquilo que estou pensando e transformar em música do jeito que imagino. Mas tenho um projeto interessante para ser lançado como uma variante do Pornrobot, que é o UncleRobot. É um projeto de transformar clássicos da disco, da house e do techno em canções de ninar no estilo da coletânea “Lullaby Songs Rock a Bye Baby”. Durante o ano deve sair algumas coisas novas com o Wender A também, mas serão trabalhos muito pontuais.

Pretendo também retomar o projeto que já vinha fazendo ano passado, o Sonido Sin Frontera, que é um projeto de música, tecnologia, mobilidade e redes sociais. Resumidamente o projeto consistia em sempre chamar um artista convidado pra tocar junto na noite e ter o tracklist inteiro dos sets transmitidos em tempo real pelo user de Twitter do artista, provocando uma interação imediata da pista com o músico e levando informação de maneira diferente e imediata para o público que está na pista ou pra quem acompanha de casa. Mas agora a ideia é de que o projeto possa ir para um próximo nível integrando além da música e informação via Twitter, trazendo algum tipo de benefício para os convidados utilizando também a plataforma de foursquare.

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  1. Ana Kreutzer

    Ana Kreutzer disse em 22 de março de 2011

    Digão parabéns querido! E obrigada por me trazer tantas lembranças daquele tempo naquela cidade. Das arpas e violas passsando pelas festinhas techno e o D-edge CG,era muita diversão, aliás continua sendo …

    Amei a matéria !!!!

  2. Renato Tulux

    Renato Tulux disse em 1 de junho de 2010

    Classe A.
    Congratz, Digazz

db52 Pornrobot
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sugestões de sets

tracklist

01 – Abglanz – Pantha du Prince
02 – Chain of Fools – Aretha Franklin
03 – Bongosonic – DJ Sneak
04 – Good Time – Bodymovin (Martinez remix)
05 – Marimbaby – Ryan Crosson & Guti
06 – La Tulipe – Marcelo Rosselot
07 – Nasty Things – Atlantic Conveyor
08 – Safety Meetings – Guillaume and The Coutu Dumonts
09 – Hehehe (feat Firetongue) – Masomenos
10 – Mountain Ride – Wareika
11 – Continuo – Avishai Cohen (Reboot & Ricardo Villalobos edit)
12 – Fran Left Home – Luciano
13 – Sweet Life – Wender A & Rods Novaes
14 – Spell of Love – Rico The Wizard
15 – Colorado BB – Andrew Grant
16 – Horses Eat Mostly Grass – Jacob London
17 – In For Da Kill – Electric Jones (Jamie Jones edit)
18 – El Rall – Danny Fiddo & Ronro
19 – Pielgrzym – Niemen

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