É de São Paulo um dos nomes mais quentes do techno brasileiro atual. Max Underson, o DJ, trilhou um conhecido caminho da cena eletrônica da capital: house e acid house no fim dos anos 80, techno na década de 90, até começar a tocar em clubes no início dos anos 2000. Max Underson, o produtor, que se apresenta e compõe sob o pseudônimo Modern Process, traz na bagagem EPs e tracks lançadas por selos brasileiros e portugueses – o quarto e mais recente EP, Orquídea, recém saiu pelo netlabel Motronic, que disponibiliza gratuitamente trabalhos de artistas brasileiros e internacionais de minimal techno/house.
Gravado originalmente em março de 2009 com o título de Sensores, o deepbeep5 traz uma seleção de alto nível que vai do ambient ao IDM, passando pelo deep e dub techno, numa atmosfera diferente da que caracteriza os sets de Underson quando toca em clubes.
Fale sobre seu set. Como você o compôs, quais as inspirações, por que escolheu estas faixas?
Procurei fazer a seleção de algumas músicas que gosto de escutar em casa ou quando estou me locomovendo pela cidade. O set tem um contexto experimental, foge um pouco da linha de house e techno que costumo tocar em clubes. Eu queria que as pessoas sentissem a música sendo os “sensores” do set, daí o nome, que acontece como uma trilha sonora passeando por momentos calmos, melancólicos e tensos, uma mistura de IDM, ambient, techno, eletrônica e acústico, destacando a melodia e a emoção das faixas. Uma das inspirações começou algum tempo atrás, numa pesquisa musical onde encontrei o netlabel Sutemos e me interessei a pesquisar mais sobre essa sonoridade vasta de eletrônica.
Você é ligado em música desde criança? Conte um pouco sobre sua história e se há fatos curiosos, até o momento em que você virou DJ e começou a tocar em clubes/festas.
Desde criança escutava bastante música através dos meus pais, que gostavam de rock, pop e black. A eletrônica, especificamente, começou em 89, quando eu acompanhava a Nova FM, que era uma rádio com programação predominante de dance e house music. Nos anos seguintes a coisa ficou mais underground, foi uma paixão natural que seguiu e perdura até hoje. Comecei a tocar em 1994 mas, profissionalmente, em clube, minha primeira apresentação foi n’A Loca, em 2000. Na época, me apresentei num campeonato de onde saíram alguns DJs que estão em destaque atualmente. Desde então passei por clubes e festas nas quais tive o prazer de tocar ao lado de todos os grandes DJs que eu sempre admirei e tenho respeito.
Quais seus projetos, residências, festas e/ou parcerias em andamento?
Tenho um projeto de produção de música eletrônica chamado Modern Process, já com alguns EPs digitais lançados pelo selo Benthic, de Portugal. Por selos brasileiros tenho um álbum que saiu pela Conteúdo Recordings (Belo Horizonte) e uma faixa pelo selo Puzzle Heads. Saiu agora em maio um EP chamado Orquídea, pelo netlabel Motronic. No momento continuo com a discotecagem pelos bares, festas e clubes de São Paulo e outras cidades; quero ainda futuramente realizar um projeto de live e outro de audiovisual.
Como funciona seu processo de criação, das inspirações até a produção final?
Meu processo de criação tanto em DJ set ou na produção de uma faixa começa pela minha pesquisa musical, das sonoridades que estou escutando no momento, dos amigos que me mostram outros sons ou de uma saída na noite escutando algum DJ ou live que me chame atenção – essas coisas me inspiram e em algum momento procuro fazer um trabalho temático pra não ficar repetitivo. Eu acredito muito no fator de identidade e coerência, ao menos acho que estou conseguindo manter, estou tentando, é uma questão difícil. (risos)
Dos selos, DJs e produtores que existem por aí, quais são seus favoritos?
Na linha do set gosto muito do selo Ghostly International. Sutemos, também, é um dos que aparecem mais no set, eles tem uma visão bem vanguarda na música eletrônica, com bons lançamentos e novos artistas. Eu diria que tenho favoritos de tempos em tempos. Para citar alguns nomes, teve época que escutei muito Apparat, Anders Ilar, Lusine, Deru, entre outros…, sempre escuto Repair, Worm is Green, M83, Hauschka, a doce voz de Ella Blixt e seu projeto Bobby Baby. Mais recentemente tenho escutado o álbum da banda Faunts.
Fotos: Thiago Ribeiro
Texto: João Pedro Perassolo
01. Klimek – The Ice Storm (Kompakt)
02. Anders Ilar – Rain In All Familiar Places (Unreleased)
03. Leftover – Unprotected (Statik Entertainment)
04. Ezekiel Honig – Transportation Application (Microcosm Music)
05. Joel Tammik – AEG (Sutemos)
06. Sun Electric – Toninas (Fehlmann / Meteo Remix) (Shitkatapult)
07. Sleepy Town Manufacture – Tokyo Doesn’t Love Us Anymore (Sutemos)
08. John Beltran – It Was All Beautiful (Exceptional)
09. Worm is Green – Morning Song (Arena Rock Records)
10. Lusine – Ask You (Ghostly International)
11. The Album Leaf – Red Eye (City Slang)
12. Sepia Hours – Complaint Breathing (Sutemos)
13. Nancy Elizabeth – How Can I Stop (The Leaf Label)
14. Lackluster – Thor’s Magic Bathtub (Sutemos)
15. Lusine – Flat (Lusine Remix) (Ghostly International)
16. Solcofn – Janus (Corpid Label)
17. Peter Benisch – Waiting For Snow Part XI (Fax +49-69/450464)
18. Lusine ICL – Neon (Hymen Records)
19. Rec Overflow Vs Eedl – Listen Through Da Window (Sutemos)
20. Apparat – Solaris (Neo Ouija)
peri disse em 20 de maio de 2009
nossa, que amor de set!!!!!!!!!!!!
:)
daydreamer…
carol disse em 20 de maio de 2009
é bom bonito o som dele… gostei muito.
Foncati disse em 20 de maio de 2009
que set lindo! (2) esse conhece muito. presença garantida pelas caixas de som daqui. valeu Max e deepbeep. um podcast melhor que outro.
Dênis disse em 20 de maio de 2009
que set lindo!
Orn disse em 20 de maio de 2009
Max está entre os melhores produtores da atualidade. Boa entrevista.
ps. o site está ótimo.