db48 Jonty Skrufff

07/04/2010

Jonty Skrufff já viajou o mundo apresentando seus sets para 25 países, entre eles China, República Checa, Espanha, Japão, Croácia, Ucrânia e Inglaterra onde se consagrou como DJ. Seu estilo underground causa impacto não apenas pelo visual, em 2009, Jonty passou a se dedicar à produção de músicas, sendo elogiado por nomes como Chemical Brothers, Soulwax e a revista alemã Electronic Beats.

O DJ e produtor inglês dedica-se também ao seu site de comportamento, o Skrufff-E, no Amsterdam Dance Event é moderador e entrevistador e na Indonésia é consultor do Jakarta Music Event. A versatilidade de Jonty é percebida no set gravado para o deepbeep em que misturou faixas de diferentes épocas e gêneros como clássicos do Bauhaus, Gary Numan e Depeche Mode com Franz Ferdinand e A-ha.

***

Fale sobre este mix, como o compôs?
Como inspiração, eu olhei as muitas, muitas faixas que eu amo e, em particular, selecionei aquelas que provocam memórias, emoções e me transportam de volta para as experiências que mais se destacam na minha vida. Tentei incluir uma variedade de faixas de diferentes épocas e gêneros misturando algumas faixas mais obscuras com outras eletrônicas e ainda clássicos da música pop para que os ouvintes possam reconhecer algumas faixas, enquanto apreciam as músicas que talvez nunca tenham ouvido antes.

Imaginei o público do deepbeep ouvindo este set presos no trânsito de São Paulo e espero que este mix possa transportá-los do engarrafamento para a música. Espero que todos gostem deste mix, escutem-no repetidamente e recomende aos seus amigos. E que depois venham me ver na próxima vez que eu tocar no Brasil em junho. E com seus amigos ;-) Apesar de eu não tocar muitas destas faixas, tocarei muito electro-techno novo.

Como surgiu o seu interesse por música?
Eu sempre amei música desde a minha infância e construí a minha vida ao seu redor, seja nos clubs, no trabalho, no amor, a música está praticamente ligada a tudo o que eu faço. Música me faz feliz. Quero compartilhar o meu entusiasmo com relação à música com outras pessoas e tornar isso mágico e é o que eu faço como jornalista, DJ e agora produtor.

Como está a cena eletrônica em Berlim?
Eu vivo em Berlim atualmente e não estou com tanta freqüência na Inglaterra embora eu tenha muitos contatos e acompanhe a cena de perto. Acredito que Londres abandonou o que teve de melhor e agora está seguindo o mesmo caminho que Nova Iorque tomou, perdendo sua força criativa e tornando-se um playground para os ricos. Berlim é, sem dúvida, a cidade mais criativa do mundo.

Eu recomendo a todos os brasileiros que venham à Europa para ficar em Berlim. Com certeza é um lugar economicamente em conta e mais emocionante  além das ruas estarem repletas de pessoas alternativas e punks que de alguma forma estão achando uma forma alternativa e criativa de vida.

Londres é uma cidade cara e muito mais perigosa que Berlim, além de estar saturada de cocaína e da cultura de celebridades.

Qual é o momento ideal para ouvir este set?
Em um engarrafamento… no iPhone em um trem ou avião… antes de sair… a todo instante.

Quais são seus planos atuais e futuros?
Agora estou focado na produção (o meu mais novo remix de Dare & Ghost Machine Haste está recebendo elogios de Sasha, Laurent Garnier e DJ Pierre) e no verão tenho apresentações como DJ. Tenho datas marcadas para tocar em festivais na Bósnia , Suécia  e Sérvia além de outras apresentações internacionais (a confirmar). Eu também estou animado em voltar ao Brasil em junho, para tocar no Club Vegas (SP) na festa Discology do Camilo Rocha no dia 5 de junho.  Com outras datas a serem confirmadas.

Estou também estruturando o blog Skrufff com novos colaboradores como o maravilhoso e único Alisson Gothz. Sou um grande fã do Alisson e estou muito contente de tê-lo na equipe como colaborador do site, publicando seus textos semanais sobre a vida noturna de São Paulo.

***

Faixa a faixa

Body Count “Roast Pork”

“Body Count sempre me lembra de quando eu ficava completamente louco no Glastonbury Festival no início dos anos 90 depois de uma noite de jogação deliciosa em algum sound system ilegal que conseguiam enfiar dentro do local. Na época o Glastonbury era um festival efetivamente gratuito porque dezenas de milhares de ravers pulavam a cerca e, nesse período, os organizadores do Glastonbury eram completamente relutantes em relação à dance music. No entanto, grupos undergorund de sound systems como Sugar Lump conseguiam entrar sem permissão no local e faziam festas incríveis, que eram absurdamente selvagens, brilhantes e fora de controle.
Na manhã seguinte, eu dirigia de volta a Londres (e à realidade) e me consolava estourando os alto-falantes do carro com o ultra-violento álbum do Body Count, para o desconforto dos hippongas cuzões de fim de semana. Bons tempos.”

Altern 8 “Move My Body”
“Outro clássico das raves ilegais: esse me lembra de quando eu dirigia pelo sul da Inglaterra em mini-comboios procurando raves. Virtualmente ninguém tinha celulares na época então achá-las era uma missão. E uma aventura. Fiquei amigo de Camilo Rocha nessa época e viramos melhores amigos de rave. Tenho lembranças vívidas dele pulando em um rio numa manhã quente de domingo uma vez, só pra sair correndo de volta já que o rio era extremamente frio. Ele não tinha percebido que uns vinte de nós estávamos olhando todo o processo dele e nos acabamos de rir quando ele saiu da água. Camilo era e contiua seriamente hardcore. Uma lenda.”

Gary Numan “Are Friends Electric”
“Um hit clássico do synthpop que continua maravilhoso hoje. Entrevistei Gary algumas vezes e ele é excêntrico, interessante, gente boa e pé-no-chão. Uma verdadeira estrela eletrônica da Inglaterra.”

Depeche Mode “Never Let Me Down Again”
Entrevistei Dave Gahan uma vez, logo após ele deixar a heroína, quando eu ainda me jogava fundo nas raves e virava a noite pelo menos uma vez por semana. A gente se deu bem de cara e ele me deu uma entrevista fascinante e incrivelmente dark, falando honestamente sobre o que é quase morrer em um flat por causa da heroína e das dificuldades de lidar com a vida quando todos os seus sonhos se tornam realidade e ainda assim você se sente um merda. Essa faixa, particularmente a extended que está aqui, consegue captar a mais pura essência dark do Depeche Mode. Gênios.”

Bauhaus “Bela Lugosi’s Dead”
“Como você deve perceber pelas fotos, eu flertava bastante com o gótico no passado, e não só porque eu sempre curti garotas góticas e suas roupas de tela, maquiagem pesada, black lace… hummmmmm. Na verdade eu adorava tanto as roupas delas que eu mesmo vesti essas peças muitas, muitas vezes, e ocasionalmente ainda o faço.
Despretensiosa, viajante e raivosa, “Bela Lugosi’s Dead” soa decididamente contemporânea (numa maneira minimal techno de Berlim). Ela está também em um filme bem legal de vampiros chamado “The Hunger” (nota do tradutor: “Fome de Viver” no Brasil) com David Bowie (mais sobre ele abaixo).”

A-ha “Sun Always Shines On TV”
“Taí uma faixa matadora que sempre dará certo para encerrar um set, mandando os maiores carões da pista pro espaço. Eu toquei essa música no Secret Island Festival na Suécia ano passado assim que o sol apareceu, logo após um furacão ter destruído várias barracas de pessoas que estavam no festival. Cafona, mas absolutamente fabulosa (e bem fácil para mixar com qualquer coisa por causa do synth sem batida do início).”

John Foxx “Underpass”
“Assim como Gary Numan, John Foxx é outro pioneiro da música eletrônica e esse foi seu primeiro single solo, logo após ele deixar o Ultravox (quando eles ainda eram bacanas). John é absurdamente legal – um gênio e visionário, embora toda vez que eu ouço essa faixa parece que ele está cantando ‘Underpants’.”

Mateus Bazaar
“Meu bom amigo Sergej, um DJ e promoter de Zagreb, fez este bootleg de um clássico italo e eu simplesmente me apaixonei pelo mix. Animado, cheio de energia e com aquele vocal absurdo. Gay, mas de um jeito másculo dos Balcãs (e Sergej é casado e pai de dois filhos, embora quando nos conhecemos ele me levou para o Queer Festival de Zagreb em 2004).”

Space “Magic Fly”
“Escolhi essa música para meu grande amigo e Skrufff DJ Benjamin Ferreira, disco clássica e futurista dos anos 70 que ainda soa formidável (e futurista) hoje em dia. Benjamin, meus cumprimentos. Beijos.”

Dr. Who “Tardis”
“Uma espetacular DJ tool que vai servir muito bem se algum DJ de hard trance fizer o warm up para você na República Tcheca (existem MUITOS).”

Metallica “Enter Sandman”
“Já vi o Metallica umas dez vezes e os entrevistei algumas vezes também (chegando à conclusão de que eles são meio idiotas, infelizmente). Essa é a melhor faixa deles, uma música perfeita para encerrar um set e fazer amizade com os seguranças (e fazendo com que eles alegremente te permitam tocar ‘mais uma’. E mais várias).”

Franz Ferdinand “Take Me Out”

“Nunca entendi o Franz Ferdinand muito bem, embora esse remix do Daft Punk seja maravilhoso. Gosto da letra também; a velha fórmula ‘one-night-stand’ do rock – yeah baby!”

David Bowie “Rock & Roll Suicide”
“A última faixa do seminal e brilhante álbum Ziggy Stardust, de David Bowie, e a última faixa do meu set: Bowie é DEUS, e, de longe, o mais importante e influente rock star de todos os tempos, para a cultura queer e alternativa. Amo essa faixa (e inúmeras outras dele), o jeito que ela vai crescendo, crescendo, crescendo com emoção, força, profundidade e desespero. ‘Wonderful’.”

aixa a faixa

Body Count “Roast Pork”

“Body Count sempre me lembra de quando eu ficava completamente louco no Glastonbury Festival no início dos anos 90 depois de uma noite de jogação deliciosa em algum sound system ilegal que conseguiam enfiar dentro do local. Na época o Glastonbury era um festival efetivamente gratuito porque dezenas de milhares de ravers pulavam a cerca e, nesse período, os organizadores do Glastonbury eram completamente relutantes em relação à dance music. No entanto, grupos undergorund de sound systems como Sugar Lump conseguiam entrar sem permissão no local e faziam festas incríveis, que eram absurdamente selvagens, brilhantes e fora de controle.

Na manhã seguinte, eu dirigia de volta a Londres (e à realidade) e me consolava estourando os alto-falantes do carro com o ultra-violento álbum do Body Count, para o desconforto dos hippongas cuzões de fim de semana. Bons tempos.”

Altern 8 “Move My Body”

“Outro clássico das raves ilegais: esse me lembra de quando eu dirigia pelo sul da Inglaterra em mini-comboios procurando raves. Virtualmente ninguém tinha celulares na época então achá-las era uma missão. E uma aventura. Fiquei amigo de Camilo Rocha nessa época e viramos melhores amigos de rave. Tenho lembranças vívidas dele pulando em um rio numa manhã quente de domingo uma vez, só pra sair correndo de volta já que o rio era extremamente frio. Ele não tinha percebido que uns vinte de nós estávamos olhando todo o processo dele e nos acabamos de rir quando ele saiu da água. Camilo era e contiua seriamente hardcore. Uma lenda.

Gary Numan “Are Friends Electric”

“Um hit clássico do synthpop que continua maravilhoso hoje. Entrevistei Gary algumas vezes e ele é excêntrico, interessante, gente boa e pé-no-chão. Uma verdadeira estrela eletrônica da Inglaterra.”

Depeche Mode “Never Let Me Down”

Entrevistei Dave Gahan uma vez, logo após ele deixar a heroína, quando eu ainda me jogava fundo nas raves e virava a noite pelo menos uma vez por semana. A gente se deu bem de cara e ele me deu uma entrevista fascinante e incrivelmente dark, falando honestamente sobre o que é quase morrer em um flat por causa da heroína e das dificuldades de lidar com a vida quando todos os seus sonhos se tornam realidade e ainda assim você se sente um merda. Essa faixa, particularmente a extended que está aqui, consegue captar a mais pura essência dark do Depeche Mode. Gênios.”

Bauhaus “Bela Lugosi’s Dead”

“Como você deve perceber pelas fotos, eu flertava bastante com o gótico no passado, e não só porque eu sempre curti garotas góticas e suas roupas de tela, maquiagem pesada, black lace… hummmmmm. Na verdade eu adorava tanto as roupas delas que eu mesmo vesti essas peças muitas, muitas vezes, e ocasionalmente ainda o faço.

Despretensiosa, viajante e raivosa, “Bela Lugosi’s Dead” soa decididamente contemporânea (numa maneira minimal techno de Berlim). Ela está também em um filme bem legal de vampiros chamado “The Hunger” (nota do tradutor: “Fome de Viver” no Brasil) com David Bowie (mais sobre ele abaixo).”

A-ha “Sun Always Shines On TV”

“Taí uma faixa matadora que sempre dará certo para encerrar um set, mandando os maiores carões da pista pro espaço. Eu toquei essa música no Secret Island Festival na Suécia ano passado assim que o sol apareceu, logo após um furacão ter destruído várias barracas de pessoas que estavam no festival. Cafona, mas absolutamente fabulosa (e bem fácil para mixar com qualquer coisa por causa do synth sem batida do início).”

John Foxx “Underpass”

“Assim como Gary Numan, John Foxx é outro pioneiro da música eletrônica e esse foi seu primeiro single solo, logo após ele deixar o Ultravox (quando eles ainda eram bacanas). John é absurdamente legal – um gênio e visionário, embora toda vez que eu ouço essa faixa parece que ele está cantando ‘Underpants’.”

Mateus Bazaar

“Meu bom amigo Sergej, um DJ e promoter de Zagreb, fez este bootleg de um clássico italo e eu simplesmente me apaixonei pelo mix. Animado, cheio de energia e com aquele vocal absurdo. Gay, mas de um jeito másculo dos Balcãs (e Sergej é casado e pai de dois filhos, embora quando nos conhecemos ele me levou para o Queer Festival de Zagreb em 2004).”

Space “Magic Fly”

“Escolhi essa música para meu grande amigo e Skrufff DJ Benjamin Ferreira, disco clássica e futurista dos anos 70 que ainda soa formidável (e futurista) hoje em dia. Benjamin, meus cumprimentos. Beijos.”

Dr. Who “Tardis”

“Uma espetacular DJ tool que vai servir muito bem se algum DJ de hard trance fizer o warm up para você na República Tcheca (existem MUITOS).”

Metallica “Enter Sandman”

“Já vi o Metallica umas dez vezes e os entrevistei algumas vezes também (chegando à conclusão de que eles são meio idiotas, infelizmente). Essa é a melhor faixa deles, uma música perfeita para encerrar um set e fazer amizade com os seguranças (e fazendo com que eles alegremente te permitam tocar ‘mais uma’. E mais várias).”

Franz Ferdinand “Take Me Out”

“Nunca entendi o Franz Ferdinand muito bem, embora esse remix do Daft Punk seja maravilhoso. Gosto da letra também; a velha fórmula ‘one-night-stand’ do rock – yeah baby!”

David Bowie “Rock & Roll Suicide”

“A última faixa do seminal e brilhante álbum Ziggy Stardust, de David Bowie, e a última faixa do meu set: Bowie é DEUS, e, de longe, o mais importante e influente rock star de todos os tempos, para a cultura queer e alternativa. Amo essa faixa (e inúmeras outras dele), o jeito que ela vai crescendo, crescendo, crescendo com emoção, força, profundidade e desespero. ‘Wonderful’.”

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  1. avatar

    Jonty skrufff disse em 28 de janeiro de 2012

    where's the 'play' button: i can't find it!;-(

    • avatar

      deepbeep disse em 29 de janeiro de 2012

      Hi Jonty! The ‘play’ button is right under the photo. it’s the dark gray box where is written ‘ouça na radio’ = listen on radio. ;-)

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db48 Jonty Skrufff
ouça na radio

tracklist

Body Count – Roast Pork
Altern 8 – Move My Body
Gary Numan – Are Friends Electric
Depeche Mode – Never Let Me Down Again
Bauhaus – Bela Lugosi’s Dead
A-ha – Sun always Shines On TV
John Foxx – Underpass
Mateus Bazaar
Space – Magic Fly
Dr Who – Tardis
Metallica – Enter Sandman
Franz Ferdinand – Take Me ut
David Bowie – Rock & Roll Suicide

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