Kenzo Tominaga sempre teve o costume de ouvir música clássica desde criança. Entre Mozart e Bach, o paulistano estudou piano por 6 anos e mais tarde se deparou com a música eletrônica underground. Hoje, aos 24, Kenzo é apontado como o principal representante da microhouse no Brasil, gênero que mistura o minimal techno mais harmônico com uma pegada funky.
Metade DJ, metade produtor, Tominaga – ou Tominugen, pseudônimo que costuma usar para lançar algumas de suas faixas – já coleciona diversos lançamentos por netlabels e o EP “Sapukai” pela italiana Sunplay. Em 2009 fez discotecagens elogiadas ao lado de grandes nomes minimalistas como Sammy Dee (Perlon) e Akiko Kiyama (Contexterrior/District of Corruption/Lick My Deck), e no início de 2010 embarca para mais uma tour européia, desta vez em Londres e Berlim. O set gravado para o deepbeep mostra um lado menos conhecido do DJ, como uma espécie de lado B, como ele mesmo define.
Fale sobre o seu set. Por que escolheu estas faixas, quais foram suas inspirações, referências?
Escolhi essas faixas pensando onde as pessoas que baixam do deepbeep iriam escutar. No carro, à noite antes de sair com a galera… Imagino que cabe em várias situações. As faixas foram pensadas uma a uma pra tentar levar os ouvintes à uma viagem musical dentro de todas as variações da minha vertente. São 12 faixas, uma delas de minha autoria e ainda não lançada, as outras são de artistas e gravadoras que me identifico há muito anos. Escutem alto!
Como começou sua relação com a música eletrônica? Você se lembra do primeiro club, ou do primeiro disco que mexeu com você?
Minha relação com a música eletrônica começou por causa de um pai de um amigão meu, o Juliano Kurban, que sempre dava de presente uns CDs sinistros que ele escutava. Aí começamos a escutar e nunca mais paramos, a gente tinha uns 11 anos ou menos… O primeiro grande club que fui não lembro, devia ter uns 14 anos, era muito precoce porque tinha amigos mais velhos que me levavam. Lembro de ir na OZ, Floresta… foi aqui em São Paulo mesmo. Daí parei de sair. Mas perto dos 18 anos fui viajar para Suíça e França e aí conheci grandes clubs de música eletrônica, como Oxa e Rex, que me lembro. Tinha muita rave na Suíça, elas são fodas, a galera lá tem muito bom gosto pra música.
O disco que mudou minha vida, e que sem dúvida nunca vou cansar de falar, é o Thé Au Harem D´Archimède do Ricardo Villalobos, pela Perlon. Pra mim ele é o melhor disco que o Ricardo já fez, claro que gosto de outros, mas esse disco e essa época trazem boas memórias.
Qual sua opinião sobre música eletrônica produzida no Brasil atualmente? Quais são os artistas que mais chamam sua atenção? O que temos de sobra no nosso mercado e o que deixamos a desejar?
Creio que a cultura da música eletrônica no Brasil ainda está em fase de crescimento, temos pouca experiência como um todo comparado a países como Inglaterra e Alemanha, onde a cultura da música eletrônica ja é algo presente há mais tempo. Lá você pega um táxi e o taxista já fez uma participação com o Daft Punk. Não podemos esquecer dos fatores que condicionam o crescimento da música como um todo em países subdesenvolvidos ou com alto índice de pobreza como o Brasil. Sem dúvida a porcentagem de pessoas que têm ensino fundamental em países desenvolvidos é maior e com isso vem o estudo básico da música, gerando um senso comum por apreciar a música, entendê-la.
Porém isso não tira dos brasileiros o talento, a nossa natureza tropical, o swing e nossa motivação que, sem dúvida alguma, vem das entranhas para celebrar a vida. O povo brasileiro é muito especial e com isso coisas especiais podem surgir, existe muita coisa boa vindo por aí feita por brasileiros que seguem um estilo diferente do que vemos na Alemanha, pode soar parecido porém o entendimento é diferente, vão surgindo estilos próprios. O brasileiro é um povo de personalidades múltiplas. Artistas como os meninos do Clickbox, Fabiano Zorzan (Propulse) sempre me chamaram a atenção, me ensinaram muito, apoio e entendo o trabalho deles. De sobra temos sets imaturos, cachês absurdos por pouco conteúdo. Deixamos a desejar no comprometimento incondicional com a música, talento e qualidade.
Como foi o ano de 2009 pra você? Quais seus planos para 2010?
No final do ano descansei na Bahia e acertei os preparativos para a viagem que vou fazer agora em janeiro. Em agosto do ano passado, tive o previlégio de tocar com o Sammy Dee (mentor da Perlon) no D-Edge, era o momento de fazer o meu melhor. Tinha acabado de voltar de uma pequena tour na Europa divulgando meu EP lançado pela Sunplay (Itália) e tava com o case cheio. Depois disso o Sammy Dee me convidou para tocar na Weekend em Berlim no aniversário dele, dia 22 de janeiro. Embarco dia 15 para Londres onde tenho Fabric e Egg para serem confirmados, além de outras datas já fechadas pela Inglaterra. 2010 é ano de foco, tenho feito muita música e creio que será o ano de me afirmar em labels em que acredito. Quem sabe lançar a minha própria label.
1 – King’s Child (Ricardo Villalobos Remix)
2 – Rattlesnake Suitcase (El Lechero Bastigrub Remix)
3 – Baby I’m For Real (Nima Gorgi Remix)
4 – Frauen Und Blumen (DJ Sneak Instrumental Remix)
5 – Dark Glasses (Original Mix)
6 – La Safa (Original Mix)
7 – Bolivian (DJ Wild Remix)
8 – Los Navegantes (Original Mix)
9 – Harare (Original Mix)
10 – Cala Mare (Sabb Remix)
11 – Put It Back (Original Mix)
12 – Canals (Original Mix)
13 – My Caulk (Original Mix)
14 – Supertrain (Original Mix)
Daniel Lucas disse em 4 de setembro de 2010
Amei ja desde o inicio
parabens Kenzo
Motor disse em 1 de abril de 2010
#amazing