db30 Augusto Merli

db30 Augusto Merli

O DJ paulista Augusto Merli é conhecido pelos seus sets que mixam house, deep, minimal, detroit e funky techno. Com passagens pelos principais clubs do país, em 2005 ele também foi um dos selecionados para o Red Bull Music Academy, que aconteceu em Seattle. O deepbeep30 é para elevar o espírito – como Merli coloca – numa elegante transição entre hip-hop, IDM, house e dubstep. Também estão no set faixas de Brendon Moeller, Pezzner, Ribn e Shed.

Fale sobre o mix, por que escolheu essas faixas e produtores, e qual seria o melhor momento para ouvi-lo?
Este mix é bem eclético, bastante coisa que tenho pesquisado e ouvido nos últimos meses. No começo tem um pouco de hip-hop e IDM mais experimental. Depois já entra um lance pouco mais pista, músicas com melodias e atmosfera que são coisas que sempre procuro. Música eletrônica evolui muito rápido, mas você sempre acaba encontrando uma essência comum em diferentes estilos e maneiras de se produzir. Resumindo, são músicas que gosto e quero compartilhar, na verdade o mix poderia ser muito mais longo.

Não acho assim que existe um momento ideal para se ouvir. Trabalhando, no trânsito, em casa, em club. É onde eu gostaria de ouvir tudo isso. Na verdade, ouvir música pra mim, muitas vezes, é uma maneira de entrar em contato comigo mesmo e de elevar um pouco o espírito, por isso meus sets acabam sendo mais introspectivos.

Como surgiu seu interesse pela música eletrônica? Você se lembra da primeira música ou festa que esteve?
Interesse por música na verdade, rola desde criança. Sempre fui muito curioso em relação a música. Eu meio que deitava no chão com a cabeça do lado da caixa para sentir o grave das músicas. Meu pai tinha um “aparelho de som” que você podia colocar mais de um disco e eles iam caindo pra tocar, eu achava aquilo lindo. É o receiver que uso até hoje para tocar em casa. Conheço algumas pessoas que são verdadeiras bíblias de música, na verdade eu diria que tenho até uma certa dificuldade pra guardar nome de músicas, mas o que me vem na memória agora são coisas como Technotronic, Snap, KLF, New Order, Depeche Mode e etc. Acho que a primeira referência das músicas pra “bailinho” que tenho são estas. Na época até cheguei a ir em galeria, comprar discos, tinha lá os Djs Ricardo Guedes, Irai Campos e Cuca que costumava ouvir no rádio, curtia, gravava as fitinhas cassete mas na época não cheguei a frequentar nenhuma “danceteria” rs.

Nos anos 90 entrei numa fase rock ‘n roll, dava um jeito de alugar em uma locadora perto da escola uns 5 CDs por semana, gravava em fitas, imprimia capinhas, tenho tudo aqui até hoje. A MTV, também confesso, foi uma referência, muita coisa que vi lá em programas como Lado B e AMP acabava correndo atrás e descobrindo outras em efeito cascata. Desta época Radiohead, Jamiroquai e Sonic Youth são coisas que ainda ouço até hoje.

Música eletrônica mais underground, eu diria que Jamiroquai, Chemical Brothers e o drum ‘n bass do Marky foram que meio a porta de entrada. Daí, procurando onde ouvir algo parecido com isso achei a U-Turn, Lov.e e Manga Rosa. Na verdade, começando em 1999 acabei passando muitas sextas e sábados da minha vida nestes clubs, especialmente no Lov.e. Depois vieram as festas da Circuito, o D-Edge e por ai vai até hoje.

Quais as três gigs ou apresentações mais memoráveis para você?
1. Red Bull Music Lounge Sónar 2007 em Barcelona.
2. 31/05/2008 Mothership @ D-Edge com Tommy Jacobs e Mau Mau: nessa noite eu tinha sido roubado na porta de casa, montei outro case com os discos e resolvi ir tocar mesmo assim, uma mistura de sentimentos rolou na hora de tocar.
3. 21/03/2009 Mothership @ D-Edge com Daniel U.M. e Claro Intelecto.

Fale sobre seus projetos atuais e futuros.
Projetos? Na verdade tenho um com os amigos Max Underson, Daniel U.M. e Mauricio U.M. Está no papel ainda. É uma idéia de apresentar música eletrônica e arte até mesmo digital de uma maneira mais abrangente não apenas no formato pista de dança como a gente já conhece. Um pouco de vontade de tirar um pouco esse rótulo de que música eletrônica é fútil. Agregar um pouco de arte digital, fotografia, moda e cinema. Trazer novas pessoas para o nosso universo. Durante a Red Bull Music Academy que participei em 2005 e no Sónar em Barcelona (durante o dia) em 2007 tive bastante contato com isso. O desafio é fazer tudo isso caber no espaço de um club – ou não necessariamente – e conseguir apoio e patrocínio. Tem também o projeto de conquistar mais espaço para tocar e outro seria ter produções próprias com uma cara mais profissional e minha identidade.

comente

  1. L_cio

    L_cio disse em 18 de novembro de 2009

    muito bom Merli!!!!!! adorei a seleção!

    valeu Deepbeep!!!!!!!!!!!!

    :)

  2. Ney Faustini

    Ney Faustini disse em 18 de novembro de 2009

    Repertorio fino, foda e variado como sempre.
    Big respect bro!

  3. Bruno Belluomini

    Bruno Belluomini disse em 18 de novembro de 2009

    Ótimo Merli! Joy Orbison e Peverelist são meus favoritos! Scuba e Pinch sabem o que fazem!

  4. Max Underson

    Max Underson disse em 18 de novembro de 2009

    ae Augusto legal vc aqui tbm,já imaginava como sairia bom esse set, é isso aí mans! espero que um dia ainda possamos realizar nossas paradas. Abração

  5. Vivian Penzes

    Vivian Penzes disse em 18 de novembro de 2009

    Esse é o Merli…
    Introspectivo na medida.Admiro isso.
    Identidade musical é oque não falta!