Da house ao techno, o DJ Daniel UM é conhecido no underground paulistano pelo seu repertório sofisticado e técnica precisa. Da época em que surgiu com o grupo de amigos-DJs, Underground Minds – daí a origem das siglas U.M. – Daniel discotecou, desde então, ao lado de nomes internacionais como Heiko Laux, Laurent Garnier e Kevin Saunderson, foi residente da noite Technova no extinto Lov.e e comandou o conceituado after-hours Wicked, às sextas, no club Alôca.
Um bom exemplo do seu gosto apurado e da sua pesquisa musical é o deepbeep 26. Gravado com o nome de “Sci-Fi Theory”, o DJ abre num tom atmosférico com faixas que remetem à trilhas de ficção científica, misturadas com clássicos que marcacam sua carreira, até sua fase mais atual de discotecagem.
Quais suas inspirações e referências para gravar este set?
Me inspirei em trilhas de filmes sci-fi que gosto muito. Pra mim uma boa trilha sonora ajuda a contar qualquer história, e é um pouco da minha história que quis contar nesse set. Os primeiros 30 minutos contém algumas faixas clássicas que toquei pelos principais clubs por onde passei, Columbia (Hell’s Club), Alôca (Wicked) e Lov.e (Technova), que foram verdadeiros “laboratórios” musicais pra mim. No restante do set mostro a minha fase atual, mais direcionada pra pista, mas sem esquecer das minhas origens.
Quais são suas 3 trilhas sonoras de filmes preferidas?
– Blade Runner do Vangelis: Sem dúvida é minha favorita. O filme não teria toda aquela atmosfera futurista sem essa trilha.
– A.I. Artificial Inteligence do John Williams: Também é boa, com música clássica em meio a todo aquele universo futurista. Destaco a parte final do filme.
– 2001 The Space Odyssey: Sem comentários. Até o silêncio, às vezes, é uma ótima trilha sonora.
Você é ligado em música desde criança? Conte um pouco sobre sua história e se há fatos curiosos, até o momento em que você começou a discotecar.
Só lá pelos meus 13 anos é que comecei a ouvir as bandas do final dos anos 80. Eu e um amigo pegávamos os discos do irmão dele pra ouvir, álbums do Tears For Fears, Pet Shop Boys, New Order, Depeche Mode e outros. Depois dessa fase comecei a frequentar os clubs da época e aí veio meu interesse pela profissão de DJ.
Entendi a música como forma de expressão, mas não foi fácil: pra treinar tinha que “roubar emprestado” o 3 em 1 do meu pai, levar na casa de um amigo, colocar junto com o dele pra poder mixar os discos piratas sem pitch, no dedo (!), aumentando e abaixando o volume de cada um. Fora a história que inventei pra poder fazer o curso de DJ na Rock & Soul em 1991. Na época só estudava e disse que ia fazer um curso de informática, imagina o final quando descobriram e a festa que fiz em casa que deu umas 50 pessoas. Detalhe que eu nem tinha avisado meus pais… Hoje dou risada lembrando de tudo isso.
O que você tem ouvido ultimamente no trabalho, no carro, em casa, no ipod ou nos clubs?
Durante a semana só tenho tempo de ouvir o iPod no caminho do trabalho. Escuto coisas variadas dependendo do ânimo, de Bowie, Doors à Radiohead passando por música clássica, ambient, drum & bass, house e techno e muitos sets e podcasts de DJs. Hoje, quando vou a algum club eu quero é me divertir, na pista ou tocando. Faixas de house e techno inteligentes é que me fazem continuar acreditando em e-music.
Trilhas:
Johannes Heil – Future Primitive Intro – Kanzleramt
Laurent Garnier – Deep Sea Diving – Fcomm
Vangelis – Blade Runner – EMI (Cult Movie)
Jeff Mills – Metropolis – Axis (Cult Movie)
Surgeon – Force+Form – Tresor
Luke Slater – Score One – novamute
John Beltram – Vienna – R&S
feuloop disse em 28 de julho de 2010
Daniel Um mega respect, vwl db