Marco Andreol começou a produzir há quase 15 anos e viu nascer vários momentos da música eletrônica em São Paulo. No começo fez músicas e sets exclusivamente para seus amigos, foi desenvolvendo o seu trabalho e lançou nesse ano seu primeiro CD, o projeto Camp, em parceria com Manoel Vanni. Marco já trabalhou com Cláudia Wonder nos anos 90, e agora também faz música para videoarte. Quase todo seu tempo livre é dedicado à pesquisa da música alternativa, do novo, do desconhecido e do esquecido.
Além de seu set inédito, o deepbeep disponibiliza pela primeira vez uma música para download: Mirror Ball Jet, do seu projeto Camp (clique aqui para baixar). O set aqui disponível é daqueles para seguir escutando em muitas festas, sempre em alto e bom som.
Qual o melhor momento para ouvir este set?
O melhor momento possível seria ouvi-lo na savana africana, sem roupa, com amigos e colocón. Depois uma chuvinha, e volta o Sol. Mas dá pra fazer parecido num chill-out bem animado em casa. O set tem músicas de diferentes períodos e vai sempre dialogando com as músicas mais atuais. No começo dos anos 90, acho que os DJs de música eletrônica tinham que misturar os gêneros para fazer um bom set. Aos poucos eles foram se especializando em subgêneros. De repente, na contracorrente, tudo virou um revival sem fim. Serviu, principalmente, pra “desanarcisar” a cena. Hoje, com a música se redirecionando aos poucos para o presente, já é possível mesclar o leque de referências anteriores com o que há de mais contemporâneo sem datar demais, pelo contrário: na dose certa o set se torna mais atemporal, sem ficar descartável. A grande maioria dos novos gêneros ainda remete a outros momentos da música, porém, diferentemente do começo desta década, existe um amadurecimento técnico. Algumas faixas foram construídas com 3 ou 4 músicas. Todas as músicas foram bastante manipuladas e editadas no Logic 8, nenhuma está igual à versão original. Também acrescentei outros elementos às músicas.
Quando e como você começou a produzir?
Comecei a experimentar com um sampler em 1995, o ASR-10. Mas descobri a música eletrônica alternativa em 1991, quando ouvi o remix de Joey Beltram para Dominator: completamente diferente do que havia escutado até então. Com o tempo, comecei a freqüentar semanalmente o Velvet Underground, que veio a se transformar logo em seguida no Hell’s Club, em 1994. Tive aulas com o Xerxes de Oliveira, que me ensinou o essencial para se produzir música eletrônica, e cursei o IAV. Cheguei a fazer uma dupla com a Cláudia Wonder, em 1998, em que ela cantava e eu compunha. Depois mudei pra Madri, fiquei uns anos sem produzir, e retomei tudo em 2004. Em dezembro de 2006, conheci o Renato Patriarca que me apresentou o Manoel Vanni, ex-M4J, e durante mais de dois anos ficamos produzindo uma série de músicas para o projeto Camp. O CD acaba de sair pela Lua Music e é meu primeiro trabalho lançado. Também este ano, realizei a concepção musical da videoinstalação “O Paciente Circular” de Carlito Contini, exposição que aconteceu em agosto e setembro na Casa Triângulo.
O que você tem escutado atualmente?
Além da nu-disco de Prins Thomas, Padded Cell, etc, o que mais gosto são os produtores turcos (Istambul) que vivem em Berlim, como Tolga Fidan, Onur Özer e Ahmet Sisman, esse último principalmente. O modo como eles processam esses sons do oriente, gerando novos sons, surreais, é fascinante. Há camadas de som, profundidade, transparências, uma música riquíssima. Na verdade, um desdobramento da música do Ricardo Villalobos, só que mais rítmica e étnica. Diferentemente da nu-disco que, pela própria estética, busca uma sonoridade mais vintage e usa timbres mais comuns, que já existem na memória. Essas características ficam mais perceptíveis ao fazer o download do set, que tem melhor definição de áudio do que no player da rádio (Ahmet Sisman no começo, e nu-disco no final com Mental Overdrive, In Flagranti, Padded Cell). Também venho escutando muito o período 1987/1992 de house, techno, e seus híbridos. Há centenas de músicas e produtores interessantes.
Quais são seus planos futuros?
Estou com um estúdio em casa, dando aulas de produção para iniciantes, ou para DJs que queiram fazer música. Também mixo e produzo as faixas de outros produtores. Estou super aberto para contatar os que desejam começar. Sei muito bem como ainda é difícil produzir música eletrônica em SP, por falta de um direcionamento apropriado, principalmente. Penso que os produtores teriam que se comunicar mais entre si, remixar as faixas uns dos outros para se promover e criar um meio musical mais sólido em SP.
– 00:00 Briga de galo em Bali
William Orbit – The Monkey King (1993)
The Art Ensemble Of Chicago – Illistrum (1973)
John Paul Jones – 4 Minute Warning (1988)
(+) percussão e efeitos
– 02:51 Ahmet Sisman – Esraj (2009)
– 07:04 Ahmet Sisman – Buiya (2008)
– 11:31 Ahmet Sisman – Candela (2009)
– 17:25 Quenum – Mokossa (2008)
– 19:20 David K – Mayann (2007)
– 22:00 Yakine – Atan (2008)
– 26:13 Minilogue – Mr. Mustafa [a] (2009)
– 29:52 Sascha Funke – Mango Cookie (DJ Koze Remix) (2008)
The Future Sound Of London – Among Myselves (1994)
The Future Sound Of London – Vertical Pig (1994)
(+) sintetizador
– 32:34 Dearboy – Greyclouds (Amboseli Mix) (1992)
– 35:53 Radio Slave – Screaming Hands (Cosmo Vitelli Remix) (2007)
– 39:16 Pherox – Hey (2008)
– 40:49 Hugo – Pimpin’ Ain’t eEsy (2009)
(+) chimbau
– 42:22 Dirty Bee – Work For Me (2009)
(+) folclore búlgaro (coro feminino) [looping]
– 46:04 Luke Solomon – Out Of Control (2008)
– 49:06 Jay Haze ft. Lil’ Dirrty Ghetto Bastard – Riddim and Bass (2008)
Steve Hurley – Jack Your Body [sample] (1986)
Yazz – The Only Way Is Up [sample] (1988)
(+) sintetizador
– 52:17 Deepchord Presents Echospace – Abraxas (Album mix) (2007)
Dreamfish (Peter Kuhlmann) – Underwater (1993)
Gong – Castle In The Clouds (1973)
Brian Eno – Sirens (1988)
(+) efeitos
– 53:18 Gianni Visnadi – Racing Trax (Indianapolis Drive mix) (1993)
– 56:00 Mental Overdrive – Original Material (2007)
– 58:38 In Flagranti – A Little Something Extra (2009)
– 62:02 Padded Cell – My Children Sleep Next To The Echo Chamber (2008)
– 64:20 Arpadys – Monkey Star (1977)
guta fasano disse em 13 de novembro de 2009
grande marco adorei muito rafinado…
kiko baruffini disse em 29 de outubro de 2009
Chique, atemporal, um henry mancini dos dias de hoje. Totalmente atemporal, luxuosíssimo, referências absurdas, e um time preciso. Parabens, o máximo……….
kiko disse em 29 de outubro de 2009
Nossa, que luxo, luxo mesmo. Rico , chique, sofisticado, atemporal, me lembra um Henry Mancini de hoje, entende? Maravilhoso,
kiko disse em 29 de outubro de 2009
Uau, 20 x uau. Nossa que luxo, maravilhoso, chiquérrimo, absurdo de bom, muito, mas muito legal mesmo. Sabe bom gosto ao extremo? Que bom né alguem com tantas referências, parabens de novo, arrasou, achei super digno……………
Tiago disse em 24 de outubro de 2009
lindo! quero em floripa.