Alexandre Tahira é um dos principais nomes no Brasil quando se fala em discotecagem com influências de black music, jazz, soul, funk e sonoridades latinas. Seu repertório é eclético e faz juz à sua fama de pesquisador musical, misturando Mathew Herbert com Herbie Hancock e clássicos da disco.
O DJ de lounge mais requisitado da atualidade tem passagem por clubs na Alemanha e Finlândia, além dos principais clubs brasileiros e eventos como a Virada Cultural de São Paulo, ao lado de Greg Wilson. Em entrevista para o deepbeep, Tahira fala sobre o seu selo, o EBS Diggin, achados em sebos, gêneros musicais e sobre as festas que aconteciam no club Jive, em SP.
Quais suas inspirações e referências pra gravar este set?
Na verdade foram duas ideias que tive durante a gravação. A primeira é que meu nome sempre foi ligado à música mais orgânica, soul, jazz, afro, brazuca e 70’s funk, ou seja, música negra em geral. Foram poucas vezes que pude tocar algo mais sintético ou deep. Acho esses lances ligados à Detroit bem legais, e a cidade também não deixa de ser uma “vertente” da música negra, então resolvi mostrar um pouco desse lado.
A segunda idéia é que sou um DJ eclético. Gosto de fazer sets de 3 a 4 horas que transitam por diversos estilos e épocas, misturando o novo e o velho constantemente. Aqui meu set foi curto, com menos de 50 minutos, então dei uma passeada básica. Começa downtempo, depois algo de Detroit, soul, deep e fechando mais feliz na pegada boogie.
O que você tem escutado ultimamente ?
– Estou muito viciado em Floating Points.
– Saíram algumas coisas novas do Damn Funk, que, pra mim, foi a revelação do ano passado.
– Tenho escutado umas bandas de jazz do Japão, como Soil Pimp, Quasimode e Kyoto Jazz Massive.
– Esses dias fui no sebo esses dias e comprei um disco de um trio de samba jazz chamado Jorge Autuori Trio.
– O álbum de um duo de beatmakers aqui de SP, o Mental Abstrato.
– O álbum novo do Quantic and His Combo Barbaro.
– Muita coisa do Mr. Scruff, como sempre.
– Também saiu um som novo do Greenwood Rhythm Coalition, de NY, que mistura música latina com dubstep. Chama-se Cubano.
– Também voltei a ouvir muito Robson Jorge & Lincolm Olivetti, e o primeiro álbum da Erykah Badu.
Cite os três artistas mais marcantes para você.
Stevie Wonder – Um dos melhores artistas de todos os tempos. A discografia do cara é muito foda! A pegada de soul que ele tem nas músicas me assusta, consegue fazer qualquer estilo e deixar sua marca. É uma lenda viva, detalhista ao extremo e um puta músico. Não é a toa que é um dos artistas mais sampleados e regravados da história.
Gilles Peterson – Me influenciou musicalmente por muito tempo, acompanhei o trabalho dele desde os anos 90. Inventor do termo acid jazz, foi diretor artistíco dos selos Acid Jazz e Talkin Loud e hoje do Brownswood Basement. Tem seu programa de rádio Worldwide que é transmitido para mais de 10 países. É um grande pesquisador e ajudou muitos estilos e artistas a se estabelecerem no mundo da música. Alguns dizem que ele é o substituto do John Peel, se isso é verdade eu não sei, mas aprendi muito ouvindo o programa dele, principalmente sobre personalidade de repertório e pesquisa musical.
4hero/Carl Craig/Mr. Scruff – Sem ordem de preferência. Os três fazem parte da cultura DJ (não gosto do termo música eletrônica) e têm background musical parecido. São incríveis pesquisadores e apesar de terem suas influências musicais parecidas, fazem um som bem diferente e original. Acho que eles não se preocupam muito com a moda dos clubs, fazem clássicos. Daqui a 10 anos estarei escutando os álbuns deles com a mesma empolgação da época que comprei.
Quais seus próximos passos?
Em outubro viajo para o Europa pelo terceiro ano consecutivo para discotecar. Ainda estou fechando algumas datas (França, Alemanha, Estonia são os confirmados até agora), mas o outro objetivo da viagem é a movimentação do meu selo, o EBS Diggin, que ficou parado no ano passado. Retomei recentemente e vou apresentá-lo na Womex, pra selos e artistas europeus.
Fiz um remix com o Fernando TRZ (tecladista do Lavoura e Cerebro Eletrônico) que também sairá em outubro pelo selo NYTrust, para o Greenwood Rhythm Coalition de NY, um projeto do Monk-Onem DJ. Ele é pesquisador e colaborador da revista Wax Poetics, considerada a bíblia dos apreciadores de funk, soul e jazz. É um dos primeiros passos na produção musical e fiquei bem contente com o resultado.
Quando voltar em janeiro, continuarei com minhas residências no Tapas (nos domingos, tocando dancefloor jazz, funk, afro, samba, boogie na festa Soulfire), Criolina (música negra em geral e world music), no bar Skye (na cobertura do Hotel Unique) e no Wiener de Jundiaí. Em ambos faço um lounge eclético de quatro horas, tocando soul, jazz, afrobeat, 70’s funk, house, nu-jazz, boogie, house, hip hop e nu-soul.
Quero voltar a ter uma noite com uma proposta musical eclética, que vá desde os anos 60 até hoje. Fiz isso em 2000 no Jive com o Marcos Guzman e o China Mothership, mas era algo muito avançado pra época. Tivemos alguns bons momentos, tocávamos James Brown, Chateau Flight, Jamiroquai, Theo Parish, Jorge Ben, ÂME, Marcos Valle, St. Germain, OJays, MAW, LTJ Bukem, entre outros. Infelizmente ainda não tem algo assim em São Paulo, apesar de já ser muito comum na Europa e nos EUA. Acho que precisamos abrir um espaço para essa opção de discotecagem na noite.
01 – Gagle – Snow Revolution (Dj Mitsu Remix) (Mukatsuku)
02 – Simbad – Fever (Raw Fusion)
03 – Fudge Fingas – Getting together (Firecracker Rec)
04 – Floating Points – Love Me Like These (Nonsense Dub)(R2)
05 – Incognito – Out of Storm (Carl Craig Remix) (Talkin Loud)
06 – Big Bang – Neptune´s Rising (Arision)
07 – Deee Lite – What Is Love ? (Elektra)
08 – ÂME – Tonight (Dub) (Sonar Kollektiv)
09 – Toney Lee – Reach Up (Dub)(Radar)
10 – Jazzy Dee – Get On Up (Situation Edit) (Disco Deviance)
11 – Jimmy Bo Horne – Spank (TK Recs)
12 – Canyons – Apples & Pears (Hole In The Sky)
13 – Rossano Snel – Her Dance (EBS Diggin)
gabi disse em 16 de dezembro de 2009
Mto chic!