db180 Jaloo

24/01/2013

por Jade Augusto Gola

Pará, terra de fartura e boa música. Rios, águas, Marajó. Maniçoba, o Tapajós, açaí e tucupi. Castanha, guitarrada e carimbó. E também tecnobrega e melody, a música eletrônica da periferia paraense que ainda é muito desdenhada, mas que passa um processo de assimilação cultural além de suas origens, processo similar ao que já aconteceu em escala global com o funk carioca.

Um interessante personagem dessa desmarginalização do tecnobrega é Jaime Melo, o Jaloo, moço de 25 anos de Castanhal que vive agora há 1 ano na cidade de São Paulo buscando vida nova com a música, mas sem esquecer suas origens sonoras. “Eu sou filho de lá, gosto da história, o movimento é muito louco, mas quero usar aquilo ao meu favor, e não me apoderar totalmente. Ele ainda chega a ser o principal elemento, mas acho que em algum momento vai sair um pouco de cena”, explica. Este atual momento de Jaloo, que funde tecnobrega em novas estéticas e composições, é o mote do mix que você ouve agora aqui no deepbeep.

Jaloo é fruto do brega e também da Internet. Seu nome emergiu na rede por volta de 2010 com remixes melódicos e de suingue tropical criados, via Fruity Loops, para músicas que ele gostava – principalmente cantoras de pop e eletrônica. “Cada uma delas representa uma coisa pra mim, sabe? M.I.A., teve uma época que eu ouvia muito Donna Summer, a Robyn… Tive fases de intimidadezinha com cada uma delas. A Björk eu xingo quando ela faz cagada porque ela é muito pirada, entrar na vibe dela é complicado”.

A fase do burburinho com os remixes passou, época em que cada versão bombava com comments e downloads no mundo todo, e selos como Mad Decent postavam sobre as versões. Jaloo finalizou este momento remixer com um EP próprio, “Female & Brega“, reunindo as versões para download. “Quem era amante de tecnobrega sempre dizia ‘isso não é tecnobrega!’. Eu também não estava a fim de emular tecnobrega”, comenta, ainda sobre sua identidade sonora.

Sem fazer parte de coletivos ou aparelhagens, Jaloo levou sua música ao universo de clubes e DJ sets, mas isso também foi uma fase. “Eu até que acreditei que era DJ no começo. Me preocupava muito com a mixagem. Agora não me penso tanto em acertar BPM, me preocupo mais com a maneira como eu vou mostrar o meu trabalho. “

Jaloo ficou até os 24 anos sem sair do Pará, quando arranjou um trabalho no Fábricas de Cultura, projeto musical no Itaim Paulista, rincão da Zona Leste, e se mudou para SP. No Sudeste tudo começou a acontecer de uma vez: festas e apresentações em clubes e inferninhos, novas parcerias, amigos de Belém também vindo para SP e convites para festivais em lugares como Recife e Brasília. “No Invasão Paraense de Brasília eu percebi que dava certo cantar e tocar ao mesmo tempo”. Tanta novidade amplificou os approachs de Jaloo, que já desterritorializava o brega. Naturalmente sintético e às vezes bastante cerebral, o som do rapaz passa pelo electro 8-bit e tem o DNA das cumbias e de outros ritmos latinos, numa fusão que ele costuma chamar de “sci-fi brega”.

Deize Tigrona ft. Jaloo – Prostituto

“2012 foi um ano bem decisivo pra isso, eu fazia muito som que começava e terminava em brega. Agora estou ouvindo novas coisas e o que encaixa no BPM eu quero experimentar, às vezes dá certo. Tem o negócio do trap, que é um filho do hip hop só que com mais gravão. Na parceria com a Deise eu vi que o trap encaixava muito.”

A evolução do som de Jaloo vai ainda no ritmo de suas investidas técnicas, mostrando que músicas criadas em ambientes e softwares simples podem carregar versatilidade e riqueza sonora, fator que bota fogo no bafafá de um gênero que costuma ser rotulado como pobre – inclusive por muitos paraenses letrados. “A última coisa que eu posso é dizer que tecnobrega não é música. Tem linha de baixo, é melódico, não dá pra só botar tátátá e cantar!”, responde, sem se abalar com o assunto. “Não gostam porque é popular, igual funk. Eu vi muito isso como funk aqui em SP. É idêntico! Se repete”, compara, lembrando também que uma de suas musas recentes, a Grimes, criou o álbum “Visions” no GarageBand, o enxuto software musical que vem embutido em máquinas Apple.

“Não sou cantor. A voz passa por um monte de filtro para sair audível. Eu acho que isso é o barato. O Fruity Loops funciona ao vivo. Tudo que eu produzo ele faz as automações ao vivo”, explica, sempre didata. “Por exemplo tu liga o autotune, programa a tonal da nota de cada música e canta. Se tu não atingir as notas de maneira satisfatória, ele vai lá e dá uma corrigida final”. Este método de voz + software, que Jaloo chama de vocalizar, é o mote de um EP com músicas próprias que deve sair até abril e que já tem certa demanda de produtores e figuras da indústria musical. Para o fim do ano deve vir um álbum completo, e as primeiras vocalizações deste novo tecnobrega de Jaloo podem ser ouvidas aqui no set para o deepbeep.

“Eu já me encontrei na hora de compor. Produzo de ouvido e descobri que toco um instrumento: o autotune. Crio acordes básicos, aí coloco a tonal do autotune para esses acordes, aperto o REC, e começo a vocalizar umas coisas. Depois fecho e vejo o que ficou bom. e, com a melodia fechada, trabalho na letra”. Tecnobrega ou não, Jaloo é dono de sua música, quem conhece vai perceber que ela ainda está lá. “Meu som sempre foi meio chapadinho, camadas com filtro. O que enlaça tudo é porque sou eu que produzo. É meu som. 

http://soundcloud.com/jaloo
https://www.facebook.com/JalooMusic

Fotos anashio
Stylist Vitor Nunes

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    Alves disse em 27 de maio de 2014

    Manda muito Jaloo! Curto seu trabalho, está de parabéns!

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    jackson araujo disse em 24 de janeiro de 2013

    aqui tem um remix lindo do Jaloo para a track CHUVA, de Gaby Amarantos. Para free dwd. https://soundcloud.com/jacksonaraujo/chuva-tropic

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db180 Jaloo
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tracklist

Jaloo – Cira, Regina e Nana (Lucas Santtana live Cover)
Jaloo – Oblivion (Grimes Cover)
Björk – Hyperballad (Jaloo Remix)
Gaby Amarantos – Chuva (Jaloo Remix)
Jaloo – Não Me Ame Tanto (Karina Buhr live Cover)
Jaloo – Crimewave (Crystal Castles Cover)
Jaloo – Composite2

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