db18 Tee

19/08/2009

Tadeus Mucelli, a.k.a. DJ Tee, tem sua trajetória marcada com o surgimento da cena eletrônica de Belo Horizonte e pelo pioneirismo dos netlabels no Brasil. Lançando EPs e faixas por selos estrangeiros ou pelo seu próprio, o digital Conteúdo Records, Tee também é 3nity, projeto de eletrônica que acaba de lançar o primeiro álbum em julho, em formatos digital e físico. Artista e incentivador, ele também está envolvido em projetos na área cultural, como o BPM (Beats Por Mineiros), com shows e oficinas de música eletrônica ao vivo, e o festival de arte digital FAD.

O set gravado para o deepbeep soa como uma trilha sonora atmosférica de landscapes inóspitos e momentos mais alegres com faixas/produtores totalmente desconhecidos – como a clandestina Sebastian de Unknow entre diversos – demonstrando uma profunda pesquisa pelo árido, porém fértil, campo dos netlabels.

Fale sobre seu set. Como você o compôs, quais as inspirações, por que escolheu estas faixas?
Primeiramente, é um prazer participar do deepbeep. Bem, minhas referências em 10 anos como DJ são muito diversas. Inicialmente o set seria bem eclético, com nomes mais experimentais e outros mais pop. Porém, nos últimos 5 anos me dedico a estudar os netlabels que existem pelo mundo. Tentei simplificar, de uma maneira que me represente bem, a forma como sinto e toco música. Eu sempre imagino paisagens sonoras, como DJ ou produtor. Minha escola de discotecagem é clássica.

Para o deepbeep, procurei manter isso, apesar das tecnologias, com mixagens longas ou com um crossfader de texturas.

O set também apresenta somente artistas desconhecidos de netlabels, ainda mais desconhecidos, ao redor do planeta. Dificilmente alguém ouviu falar deles, mas a intenção é mostrar também a variedade, qualidade de personagens ocultos da grande cena mainstream imposta por selos e lojas digitais, entre outras particularidades irrelevantes que várias cenas do mundo inteiro possuem.

Você é ligado em música desde criança? Conte um pouco sobre sua história e se há fatos curiosos, até o momento em que você virou DJ e começou a tocar em clubes/festas.
Sou o caçula de 4 irmãos e a diferença de idade entre nós é considerável, portanto tive diversas e boas influências na minha infância e adolescência. Eu também sempre me candidatei a ser o “DJ” com dois decks de fita K7 na festinhas do primeiro grau no colégio. Fazia o pitch dos decks com uma caneta Bic, além de soltar o “pause” na hora certa das batidas. Conhecia as fitinhas K7 de trás pra frente.

Em 1996, um amigo – Bruno Gabrielli – me chamou para que eu o ajudasse como LightJockey em uma casa noturna, a POP. Observei muita coisa. Já em 97, decidi ser DJ e focar na eletrônica e comecei pelo techno/trance europeu. Ninguém tocava isso na época e muita gente virou o nariz, mas foi minha porta de entrada para a eletrônica e tenho orgulho, mesmo hoje me encontrando no techno. Minha história também se confunde com o surgimento da cena eletrônica de BH. Claro, me incluo como a segunda geração após o pioneirismo do Anderson Noise. Mas os fatos relevantes se iniciaram em 2000, quando junto com o Filipe Forattini decidi fazer uma rave (a Hipnotik) em pleno Aeroporto de Confins em funcionamento. Foi um marco. Até então ninguém tinha colocado 7 mil pessoas à 35 km de BH. Tenho ótimas memórias disso. Casey Hogan era o headliner do evento. Você imagina? Depois disso veio agência de DJs, a terceira do país na época, e muitas festas por segmento musical produzidas pela empresa. Fui residente mensal d’A Lôca durante um ano que agradeço muito, pois muita coisa surgiu dessa época. Trouxe a Lov.e Tour pra BH e toquei em vários lugares do Brasil, com vários DJs do tech-house inglês, onde me dediquei mais e tive a minha maior influência nestes 10 anos.

Quais seus projetos, festas e/ou parcerias em andamento?
Nossa… são alguns. Ao final de 2003 me dediquei a montar um home studio e, com meu amigo Samuel Menorah, aprendi a produzir. Surgiu então o 3nity, primeiro projeto de produção autoral. Meu primeiro release foi pelo canadense Subtropical, do Vicent Casanova, que também ajudou o Pheek a fundar o Epslon Lab. Depois foram mais 4 EPs e um mini álbum, usando o nome Frantznn Krupp. Depois lancei 3 faixas pela nacional URBR do Michel Palazzo, em compilações. Em 2004, conheci o VJ 1mpar em uma ótima coincidência. Já faz 5 anos que fazemos o ADDD, projeto audiovisual que está um pouco parado, mas vamos entrar em estúdio pra produzir um DVD. Ainda na área artística, lancei em julho o primeiro álbum completo do projeto 3nity, com 14 faixas na versão digital e 11 no CD. Me orgulho bem do que montei nesse trabalho. É um grande resumo da história toda até aqui. O disco está sendo resenhado em alguns lugares e estou gostando das respostas.

Como eu não consigo fazer uma coisa só, infelizmente, e viver de arte é sempre difícil, desde o ano de 2003, trabalho na área cultural, com projetos de cunho estritamente culturais. Um é de música eletrônica ao vivo, com shows e oficinas, chamado BPM (Beats Por Mineiros), e o outro voltado às novas tecnologias, o FAD, que acaba sendo um festival de arte digital. Ambos rolam anualmente e já estão em sua terceira edição.

Além destes dois projetos tento um tempo pra tocar o Conteúdo Records (um dos netlabels pioneiros no Brasil), que fundei junto com Menorah e Duduart. Começou como netlabel e hoje é também um selo digital, possuindo dois catálogos: um gratuito e outro pago. Já lançamos releases de alguns artistas Brasileiros como Clickbox, Max Underson, Menorah, 2 Divided by Zero, Mimi, Tobé Pecini, Alvinho L. Noise. Hoje toco o selo sozinho, mas com o site novo, que sairá em breve com loja e tudo, pretendo voltar a lançar mais releases por mês. Mas o foco é longe dos top 10 de hoje em dia.

Como produtor, quais suas expectativas em relação a comercialização de música na internet? O mercado e o público consumidor ainda têm muito a crescer/amadurecer?
No Brasil, existe um deserto a se percorrer. O catálogo gratuito do Conteúdo Records é baixado em mais de 80% por usuários da Europa, Ásia e América do Norte. Conteúdo digital seja áudio ou vídeo só existe em celular no Brasil, e mesmo assim é outro perfil de produto e consumidor. Para se ter idéia do absurdo, falei pro Max Underson que do Brasil só duas pessoas tinham comprado as faixas do álbum dele. Isso em muitos downloads.

O brasileiro, queira ou não, vai ter que se habituar a pagar pelo que consome. E não sou eu que digo, mas a internet daqui para frente. Seja à la carte ou mensalidades em planos, a vez do teste e tudo free acabou. Vai da política das empresas daqui em diante. Por isso manteremos no Conteúdo, por exemplo, a opção do catálogo free, além do pago, mas são outros formatos e outra filosofia sobre o conteúdo destinado à ele.

Como artista, vejo a comercialização digital de forma promocional quase. Mas mesmo com tanta coisa pirata hoje em dia, o publish continua, e isso é algo que dá dinheiro, como colocar uma música em coletâneas e produtos segmentados específicos, físicos ou digitais.

Eu tenho uma boa perspectiva sobre arte, internet e comercialização. Porém não me esqueço nunca que arte sempre precisou de incentivos, patronos, mecenatos e que nunca na história se sustentou sozinha. Eu não me iludo.

Fotos: Sillas Henrique

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    dino vicente disse em 20 de August de 2009

    maravilha o set!e o cara tem energia p tocar varios projetos culturais…
    parabéns!

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    Sillas disse em 19 de August de 2009

    O Tee me surpreende cada dia mais.
    Me surpreende com sua técnica como dj, como o mega produtor que é e com seu feeling com a musica.
    Falar o que..o cara é foda.

    Sucesso sempre Tee..

    Sillas

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    dAlbergaria disse em 19 de August de 2009

    Esse cara é FODA! Poucas pessoas fazem o que ele fez pelo techno e pela arte eletrônica!

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    dani disse em 19 de August de 2009

    Não conhecia o trabalho dele…adorei!
    Delícia de set :)

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    Leo Lima disse em 19 de August de 2009

    Parabéns Tee, excelente set!

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sugestões de sets

tracklist

01 – Kabana – Tetramodule (Cism label)
02 – Le Cantin – Granny (Bit Wonder)
03 – Console – One more day (DplNet)
04 – Gorgeous – Amos (unknow)
05 – Noraj Cue – Sugar, lime, cachaça & crushed ice (Foem)
06 – Maas – What If (Eastern)
07 – Sensual Physics – Cold sweat (Epslon Lab)
08 – Thomas Lauren – Red glow (Foem)
09 – Omara – The trip (Dickstars)
10 – Unknow – Sebastian (Elektronische)
11 – Dosem – Koderpad (Antiritmo)
12 – Danny Blackbelt Andersen – Ninjastjerne (Heavy Industries)
13 – Rozengracht – Einklang (Pulsar)
14 – Peripherique – Short spin (unknow)
15 – kiorda Daekin – Pastforce future (Bit Wonder)
16 – Simex – Under the ocean [SA Fred Rmx] (Heavy Industries)
17 – Frank Molder – Firefox (Bit Wonder)

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