db161 Maurício Lopes

01/08/2012

Um dos pioneiros da cena eletrôncia do Rio de Janeiro, Maurício Lopes soube criar uma identidade sonora sem se prender a estilos e padrões. Curtindo o momento mais democrático e sem divisões rígidas das pistas, o DJ segue experimentando, se recriando e dando a sua cara ao seus sets e long sets, pelos quais tem um carinho especial.

Convidado a abrir a programação especial de aniversário do deepbeep, Mau Lopes começou de mansinho com um set viajante e hipnótico, “bom pra cabeça e pros pés”. Confira a entrevista e comemore com a gente!

O que você reuniu nesse set especial que abre a comemoração dos 3 anos de deepbeep? Quais foram as inspirações, o clima e o critério de escolha das faixas?

A ideia foi fazer um set bem diferente dos que eu já tenho disponíveis pra download, que são todos gravados ao vivo em alguma festa. Sem o compromisso de tocar pra uma pista, eu quis fazer um set focado nos detalhes, com músicas longas e mixagens mais calmas, sem cortes bruscos e sem “apelo imediato”. Não é um típico set promocional, nem é aquele set que vai “bombar” a festinha da galera, é mais introspectivo, mais “chapado”, pra quem gosta de fechar o olho e embarcar. Entre faixas mais novas (como uma do último EP do Cobblestone Jazz que saiu pela Wagon Repair – um dos meus selos preferidos) e outras mais antigas (como a do Luca Bacchetti, também da Wagon Repair) eu escolhi músicas que, além de compridas, tivessem elementos e detalhes bons pra um set mais viajante e hipnótico. Fiquei bem feliz com o resultado, bem o que eu queria, bom pra cabeça e pros pés. Hehe

Você é um dos pioneiros da cena eletrônica brasileira, atuando desde 1992 e participando da consolidação do segmento e das transformações que aconteceram no caminho. Com que olhos você vê o atual cenário e o para onde você acha que a música eletrônica está caminhando?

Eu vejo a música eletrônica sempre em movimento e, através de estilos novos ou revisitados, sempre se renovando. Eu gosto bastante desse momento atual, bem menos segmentado que há alguns anos, em que a linha divisória entres os estilos está (de modo geral) menos nítida, com mais músicas “no meio do caminho”, tocadas tanto por DJs de techno como de house, por exemplo. A pista de techno e a de house estão bem mais próximas hoje em dia. Acho legal ver que mais DJs tem se preocupado menos em se rotular e em se encaixar nesse ou naquele estilo, e mais em abrir o leque do repertório, fazendo sets um pouco mais flexíveis, na medida do possível e da disposição de cada um.

Falando especificamente do Rio de Janeiro, quais lugares mais legais hoje para escutar boa música e se divertir na sua opinião? Você pode traçar um roteirinho básico?

O Fosfobox é um dos poucos clubes cariocas que aposta na música eletrônica underground e, apesar de ter uma programação bem eclética, tem festas ótimas de eletrônico que se revezam na programação da casa. E núcleos de produtores, novos e antigos (Molotov 21, La Folie, Rio Cabana, Tropical Beats, entre outros), individualmente ou em parcerias, tem feito algumas festas bem legais (Blend, noon, Me Gusta, entre outras), trazendo caras novas pras pistas do Rio, renovando tanto os DJs quanto o público.

Você é famoso por seus long sets, que chegam a ter até 8 horas. Como é tocar tanto tempo seguido? Tem alguma preparação especial? Como você gerencia esses sets?

Eu adoro fazer long sets. É quando dá pra “passear” com mais calma pelo repertório e mudar o clima aos poucos, podendo às vezes construir pequenos sets dentro de um set maior. Esse que eu gravei pro deepbeep é um bom exemplo de um desses momentos que eu criaria dentro de um long set. Adoro essa possibilidade de poder escolher com calma que direção dar pro set, e de alternar momentos diferentes, com climas diferentes, coisas que não dá tempo de fazer (aos poucos) num set curto. Acho que o que muda, entre um set mais curto e outro longo, é o volume de músicas que eu vou tocar e a forma como eu vou dar sequência a elas, mas a preparação é a mesma, a pesquisa é a mesma, dá tanto trabalho quanto.

A fotografia também é uma paixão? Costumávamos acompanhar há alguns anos seu fotolog, flickr… Você possui uma estética com muitas linhas, texturas, padrões, e com um sentimento nostálgico e por vezes bucólico. Você acha que esse olhar também se reflete no seu som? Ou melhor, você pode traçar algum paralelo/contraponto entre sua estética áudio e visual?

Eu adoro tirar fotos. Mas sempre foi um hobby, nunca levei tão a sério, no sentido de praticar pra me aperfeiçoar tecnicamente. É mais instintivo do que calculado, tenho mais “olho” pra ver coisas legais do que a técnica pra fazer as fotos delas. E acho que existe um paralelo, sim. Não sei dizer aonde exatamente, mas tem um lugar onde a música que eu toco e as imagens que eu registro se encontram. Dependendo da música, ela pode trazer determinada emoção e sugerir determinada imagem. Acho que a “cara” que eu vejo em certas músicas é determinante pra que ela entre num set, pra que ela seja tocada, e isso obviamente reflete na cara que esse set vai ter. Aliás, acho que esse set pro deepbeep também é um bom exemplo disso, de músicas que trazem essas texturas, padrões e linhas mencionadas na pergunta, e que tanto individualmente quanto “costuradas” transmitem sensações/emoções diferentes e sugerem nova imagens.

Quais são os artistas que você acompanha desde o começo de sua carreira e quais são os novos nomes que você tem escutado bastante?

Outra coisa difícil é apontar produtores e DJs preferidos. Sem dúvida o DJ que mais me influenciou e que abriu os meus ouvidos foi o Laurent Garnier. Os sets dele que eu vi no Rio e em São Paulo em 95, foram fundamentais pra eu ver a importância que a técnica e a pesquisa de repertório tem pro trabalho do DJ. Atualmente tem muita gente produzindo muita coisa boa, mas não consigo deixar de pagar pau pro Mathew Jonson e pro irmão dele, Nathan (Hrdvsion), que fazem umas músicas de chorar, de tão fodas.

Quais são seu projetos atuais e quais os planos e novidades para os próximos meses?

Muita coisa boa pra rolar nos próximos meses e outros planos à longo prazo, mas prefiro falar sobre eles à medida que forem deixando de ser só planos. Por enquanto estou fazendo a MAU, a primeira festa que produzo com a responsabilidade de montar os line-ups e (o prazer, é claro) de chamar quem eu quiser pra tocar comigo. A princípio, produzimos a primeira de uma série em abril, mas o que exatamente será, vai ser resolvido também aos poucos. É uma noite com a minha assinatura, e a partir disso já dá pra ter alguma ideia da direção musical que a festa vai tomar. Como sempre, vou tentar dar uma cara pro que eu faço, mas não existe uma fórmula ou um formato pré-definidos.

Fotos: Ian Kirszberg

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    Michael disse em 5 de janeiro de 2013

    excelente!

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      Mau Lopes disse em 5 de janeiro de 2013

      Obrigado! :)

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    Renato Weiss disse em 28 de agosto de 2012

    Parabéns Maurício, mais um trabalho para admirar e nesse em especial para se maravilhar. Bem foda!

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    Andrea disse em 27 de agosto de 2012

    ídolo forever!!!

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tracklist

01. Kris Wadsworth – Mainline (Jimmy Edgar Remix)
02. Franck Roger & Terence:Terry – Hustling Peoples
03. Matthew Dekay & Lee Burridge – Für Die Liebe
04. Butane – We Long To Move The Stars To Pity
05. Cobblestone Jazz – Who’s Future
06. Luca Bacchetti – Rolling Brooklyn (Lee Van Dowski Remix)
07. The Mole – Gameface
08. Hrdvsion – Forever
09. Cottam – Deep Deep Down
10. Sasha & James Teej – As You Fall 

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