db155 Konrad

20/06/2012

Conrado Christiansen, ou Konrad, leva a música a sério. Desde o berço foi influenciado pelo pai e irmão mais velho, amantes de música clássica. De lá cá, os gostos se ampliaram, modernizaram e a cabeça abriu para sonoridades mais sintéticas, cuja pesquisa intensa, principalmente em selos independentes, evoluiu para um gosto apurado, cheio de profundidade e fora do mainstream.

Para este db series, Konrad procurou fazer um set atemporal, “deep e smooth”, e te aconselha a estar aberto para novas experiências e trocas. Enjoy!

Quais foram as inspirações para esse set que você preparou? Qual o clima e o que você procurou reunir?

A inspiração nada mais é do que meu dia a dia, quem eu realmente sou e o que estou me tornando nesses quase 10 anos de pesquisa. Também não poderia deixar de lado o esforço para homenagear o nome deepbeep, busquei trazer um clima atemporal.
O clima é bem deep e smooth, trouxe faixas que escuto fora da pista, aos poucos vou subindo a temperatura e termino um pouco mais apimentado, buscando sempre a brisa e o frescor.

Qual o momento perfeito para ouvi-lo?

O momento perfeito é quando você busca parar o tempo, relaxar e se abrir a novas experiências e trocas, sozinho ou com os amigos, no momento em que você estiver confortável.

Como se deu sua formação musical? Quais foram suas principais influências e que caminhos percorreu para chegar no seu som de hoje?

Minha formação musical veio de infância, influenciado pelo meu irmão mais velho que sempre foi amante de música clássica, bossa nova, mpb, jazz e soul, e sempre que podia colocava faixas de artistas iconoclastas para eu ouvir quando criança. Até hoje, meu pai faz isso com meus irmãos recém-nascidos, colocando música erudita no berço dos bebês na hora de dormir. Minha mãe também teve um papel importante pois era uma mulher que sempre esteve à frente de seu tempo, seja tocando piano ou escutando músicas new age que eram muito avançadas para a época – o que fez com que ela fosse chamada de ‘maluca’ por alguns amigos próximos (risos). Para chegar até aqui peguei esse background de infância e procurei me modernizar, me abrindo para o novo, para o conceitual, pesquisando artistas, sons, estilos e texturas que estão fora do mainstream. Uma das minhas principais fontes de inspiração surgiu quando eu e o Hems (Henrique Matias) nos conhecemos, e juntos entramos de cabeça na pesquisa de selos independentes, principalmente os distribuídos gratuitamente: os chamados netlabels. Já a parte técnica evoluiu naturalmente de maneira auto-ditada e também das trocas que sempre ocorrem nas sessões da Monada*, através de muita observação, treino e experimentalismo, passando por diversas configurações de set-ups ( atualmente estou apenas com vinyl + CDs, sem computador no setup ).

* Monada é um coletivo de amigos focado em auto-desenvolvimento através de frequências sonoras. A maioria dos nossos releases são de club music, apesar do fato de estarmos crescendo em sonoridades ambient e experimental.

Quais os ingredientes que formam a pista ideal?

A pista ideal é aquela em que o público está aberto para receber a música, sem preconceito com o novo ( que às vezes é bem velho, diga-se de passagem ) e com o diferente. Acho que quando existe uma confiança e uma conexão sincera entre o artista e o público, abre-se um portal para atingir limites muitas vezes desconhecidos, inclusive para o próprio artista, e é exatamente aí que a mágica acontece.

Em tempos competitivos quando “todo mundo é DJ”, você acha que a profissão perdeu um pouco da sua função educadora e lançadora de novidades e tendências, cedendo maior espaço somente ao entretenimento?

Não compartilho dessa visão, acho que por mais que a profissão seja muitas vezes banalizada por ‘aspirantes a DJ’ ou por ‘aspirantes a flashes’ (risos), isso acaba atraindo certa atenção do grande público no sentido de pessoas que não fazem parte da cultura eletrônica acabarem voltando a sua atenção para isso. Acho muito positivo pois abre-se uma possibilidade enorme de fidelizar um público novo. Por mais pop que seja o gosto no início do ‘namoro’ algumas pessoas sempre acabam indo além, tanto na pesquisa quanto no refinamento do gosto musical, e por fim, acabam acessando um universo novo e apredendo a apreciar música de qualidade. Também acho que os oportunistas não se sustentam no longo prazo, da mesma forma que sobem rápido, somem rápido, basta ver os DJs-celebridades e diversos outros personagens construídos pela mídia que já não estão mais em evidência. Tenho plena convicção de que quem é realmente sincero tem o seu espaço garantido e sempre estará em evidência se assim desejar, já que a conexão musical é real, e tudo que é real acaba permanecendo.

Você é co-fundador e residente do C1RCU5, movimento de arte e música avançada independente. Fale um pouco sobre os objetivos e propostas desse projeto.

A C1RCU5 surgiu de um grupo de amigos, DJs e produtores que estavam cansados da mesmice da cena tradicional e das festas que só surgem para arrecadar dinheiro rápido e enfraquecer a cena eletrônica nacional. Para contrapor essa questão, procuramos criar um festa autêntica, democrática e acessível, cujo foco é um só: música de qualidade. Procuramos inovar de todas as formas possíveis. Como você mesmo disse, existem tantas festas e DJs que se colocam na posição de “herois” ou “artistas” e isso acaba confundindo o público iniciante. Nossa proposta não é ser heroi nem artista, nossa proposta é sermos nós mesmos. Nas primeiras edições passamos por inúmeras dificuldades, assim como manda o “manual da festa underground”, e mesmo assim, ainda estamos felizes e prosseguindo. Tivemos belíssimos line-ups e lindos trabalhos de artistas como Bruno Capella, Conrado Zanotto e Pedro Ricci que nada mais são do que amigos de infância da “nossa turma”, trabalhando exatamente da forma em que acreditam, com a maior liderdade possível para se expressarem. Ver o Kapella pintando direto na parede durante a primeira edição na famigerada Trackers enquanto o som rolava, foi simplesmente emocionante. Quem acompanhou os últimos flyers do Pedrinho também ficou de boca aberta. Como pode ver, aos poucos vamos formando uma família sólida e dando mais massa pro bolo. Acreditamos na continuidade e evolução de cada um, por isso escolhemos nossos artistas a dedo sempre pensando no longo prazo, e ficamos tristes todas as vezes que não temos espaço para repetir as boas apresentações, ou quando nos cobram resultados imediatistas.

Quais são as próximas gigs, projetos em andamento e planos futuros?

No último fim de semana, acabou de rolar a C1RCU5 9th. edition que, além da clássica dobradinha Konrad/ Augusto Merli, contamos com o Tahira que é sempre uma caixa de surpresas. Também vão rolar outras apresentações no Mothership (projeto o qual sou parte integrante desde 2006), além de outras datas que ainda estão sendo confirmadas pela D-Edge Agency (que me absorveu depois das inúmeras gigs que fiz no club). Acompanhem a minha agenda na minha fanpage.
Os projetos atuais são continuar tocando, que é a minha maior paixão/diversão, não só no Brasil mas também lá fora. Principalmente na Europa, que é um lugar que tenho muitas amizades feitas através da música (isso sem contar o Hems que está expandindo a Monada em Londres). Também quero avançar nas minhas produções musicais, que é o meu maior foco no momento. Os planos futuros são concluir todos esses projetos e soltar um EP, ou quem sabe até um álbum em parceira com outros produtores e, finalmente, lançar o selo da Monada em escala global.

Fotos Audioviva

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  1. avatar

    L_cio disse em 22 de junho de 2012

    #MND feelings!

  2. avatar

    Leiloca Pantoja disse em 21 de junho de 2012

    Delícia…! ;D

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tracklist

1. Hold It Down – Moodymann
2. Soft Wide Waist Band – Iron Curtis
3. Horn Awakening – The Florian Muller Project
4. Jam At Haystack – Ifume
5. Red Moon – Frankman
6. Survival – Delano Smith
7. In Dub We Trust – Maurizio
8. Incredible – Inspirian
9. Sopor – Dark Vibrations
10. Counterflow – CVBox
11. Truths About Days – Bruno Pronsato
12. Sambumix – Juan Matus
13. Chakra – Dee Bufato, Funk:en
14. Unvexed Dub – Steve Kasper
15. Beyond The Limits – Max Underson
16. Tiefseetauchen – Peripherique
17. Deo – Roman Fluegel
18. Tabernacle – Gleen Underground
19. Pulsed Deflection – Studio
20. Night Pictures – Double Trouble
21. Neverending – Bergen
22. Lady B’s Plea – Jozif

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