Jornalista, empresário e DJ. Multimídia é um termo que define melhor Eneas Neto, envolvido há mais de 20 anos no universo eletrônico. Desde a época das matinês do Tênis Clube em Santo André e do seu programa de rádio – o Zensor, transmitido pela 97 FM no começo dos anos 90 – Eneas é um dos principais responsáveis pela divulgação de gêneros alternativos como o industrial, EBM, new beat e synthpop no Brasil. Seu finado selo, o Cri Du Chat Disques, também foi o primeiro a lançar artistas de música eletrônica no país, com um catálogo que inclui nomes como Simbolo, Harry, LoopB, Lassigue Bendthaus, Pink Industry, entre outros.
Hoje, além de produzir as festas Machina, Hotzilla, Silvertape e Trash 80’s, o incansável DJ ainda comanda o FiberOnline, portal que funciona como vitrine para que produtores, dos mais diversos gêneros da eletrônica, divulguem seus trabalhos. Em julho o site completou 12 anos de vida com direito à festa e lançamento de sua versão 3.0, disponível em breve com grandes novidades para seus usuários. Em clima de comemoração, Eneas gravou para o deepbeep uma seleção que vai do synthpop obscuro ao electro-disco-pop “descarado”, marcando a versatilidade de suas diversas fases musicais.
Fale sobre seu set. Como você o compôs, quais as inspirações, por que escolheu estas faixas?
Desde que recebi o convite fiquei pensando num set e, como sempre, saiu na hora sem nada pré-estabelecido. Como toco em diversas festas, com temáticas díspares, tentei pegar a essência de todo esse percurso e ficou essencial pop. Do synthpop clássico à disco. Tem várias fases minhas neste set. Um pouco de Madame Satã, outro tanto de Retrô e Zensor, pitadas de Hotzilla e FiberOnline e até mesmo da Trash. Optei por mixar as que achei que mereciam e respeitar fades de outras.
Analiso esse set como a minha trajetória, do obscuro, cool, sintético ao pop melodioso cheio de alegria. Um set despretensioso, sem pós-produção ou efeitos. Apenas músicas que sempre gostei de ouvir e nunca tinha colocado numa sequência como esta.
Você é ligado em música desde criança? Conte um pouco sobre sua história e se há fatos curiosos, até o momento em que você virou DJ e começou a tocar em clubes/festas.
Música faz parte da minha vida desde os primórdios, das vitrolinhas portáteis tocando trilhas de novela, coletâneas disco e muito soul. Na adolescência, o lado alternativo tomou meu corpo e negava tudo que era considerado popular. Isso influenciou diretamente a minha discotecagem, na década de 80 tocando pós-punk e industrial no (Madame) Satã e Retrô, hip-hop nas festas do Espaço Mambembe, de synthpop à rock indie nas matinês do Tênis Clube de Santo André. Hoje em dia, me encontro na fase mais light e pop, querendo menos coisas complicadas e mais diversão.
Música virou negócio pra mim, criei selo, tive programa de rádio e, agora, sites. Tentei ficar um tempo longe das picapes, mas não durou mais do que poucos meses. Depois dos 40, ainda toco ao menos 3 vezes por semana.
Quais seus projetos, festas e/ou parcerias em andamento?
Os núcleos de festas atuais são: Hotzilla (com Bezzi e Luis Depeche – indie rock/synth/electro), Silvertape (com Luis Depeche – eletronices), Machina (industrial/EBM) e Trash 80’s (com DJ Tonyy – 80’s e cafonalha). Fora isso, comando festas com outros parceiros como a Fever (mensal), Absurdinha (mensal) e dezenas de outras que sou convidado/contratado.
Você já desenvolveu diversos projetos, de gravadoras independentes à festas. Qual foi a motivação para a criação do FiberOnline há 12 anos e a que você atribui o sucesso do portal?
O FiberOnline nasceu exatamente após o break que quis dar no meio musical e não consegui, em 1997. Trabalhava para um portal que estava começando e tinha deixado a Cri Du Chat (gravadora) e Muzik (loja de discos). A intenção era falar sobre novidades musicais que eu continuava em contato, críticas de discos, entre outros. Comecei a apoiar alguns projetos nacionais colocando MP3 gratuitos para download. A procura cresceu e hoje temos mais de 3 mil projetos/produtores hospedados. Nos últimos anos, o trabalho aumentou demais e o pobre FiberOnline sofreu as consequências, mas finalmente a nova versão toma corpo nas próximas semanas e será um ótima plataforma para experimentar novidades eletrônicas.
1. Cath Carroll – Moves Like you (Remix)
2. Pink Industry – What I Wouldn’t Give
3. Dominatrix – The Dominatrix Sleeps Tonight
4. Lykke Li – Everybody But Me (Christoffer Remix)
5. Röyksopp – Happy Up Here
6. Depeche Mode – Halo
7. Anoraak – Sunday Night Fever
8. Air France – Never Content (Friend’s Tropic Thunder Edit)
9. New Order – Shame Of The Nation (12″ mix)
10. Human League – (Keep Feeling) Fascination (12″ mix)
11. Empire of The Sun – We Are The People (Jimmy2Sox Remix)
12. MGMT – Of Moons, Birds & Monsters (Holy Ghost! Remix)
13. Sébastien Tellier – Kilometer (A-Trak Extended Dub)
14. Voyage – Scotch Machine
carol disse em 6 de agosto de 2009
muito muito muito bom!
Filipe disse em 3 de agosto de 2009
Da melancoliazinha 80s ao hipsterismo atual… amei! ;)
Fabio Spavieri disse em 1 de agosto de 2009
Culpado por eu estar hoje em dia trabalhando com buati e musica eletronica ! Rs.
Adorei !
Alex N.obody Else disse em 1 de agosto de 2009
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…a primeira vez que escutei Zensor quase tive um ataque cardíaco…
eu ficava me conformando com algumas músicas alternativas que se tocava na 89FM,
mas sempre senti falta dos eletrônicos, mesmo sempre a gostar de pop ou seja lá qual for o rótulo. música é música, para mim.
no início dos anos 90 participei de uma banda, Vanishing Point, que fez parte da Cri Du Chat e
foi minha entrada no mundo da música eletrônica que ficava timidamente ativa desde meados dos anos 80.
numa época quando muitos não tinham dinheiro para comprar CDs ou mal conheciam música eletrônica o programa Zensor foi a saída da maioria.
a pena é que nunca tive um playlist assim numa pista naquela época.
caraca, nem preciso ficar a falar aqui.
todos sabem que o Eneas é o cara. merece todo o respeito.
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Luis Depeche disse em 30 de julho de 2009
Ninguém melhor que você para fazer essa ponte entre o novo com cara de clássico e o clássico com cara de novo. Quando eu era moleque me disseram que música é vida, e eu concordei plenamente. Escutando este set me sinto mais vivo que nunca. Bravo!!!