db15 Eneas Neto

db15 Eneas Neto

Jornalista, empresário e DJ. Multimídia é um termo que define melhor Eneas Neto, envolvido há mais de 20 anos no universo eletrônico. Desde a época das matinês do Tênis Clube em Santo André e do seu programa de rádio – o Zensor, transmitido pela 97 FM no começo dos anos 90 – Eneas é um dos principais responsáveis pela divulgação de gêneros alternativos como o industrial, EBM, new beat e synthpop no Brasil. Seu finado selo, o Cri Du Chat Disques, também foi o primeiro a lançar artistas de música eletrônica no país, com um catálogo que inclui nomes como Simbolo, Harry, LoopB, Lassigue Bendthaus, Pink Industry, entre outros.

Hoje, além de produzir as festas Machina, Hotzilla, Silvertape e Trash 80’s, o incansável DJ ainda comanda o FiberOnline, portal que funciona como vitrine para que produtores, dos mais diversos gêneros da eletrônica, divulguem seus trabalhos. Em julho o site completou 12 anos de vida com direito à festa e lançamento de sua versão 3.0, disponível em breve com grandes novidades para seus usuários. Em clima de comemoração, Eneas gravou para o deepbeep uma seleção que vai do synthpop obscuro ao electro-disco-pop “descarado”, marcando a versatilidade de suas diversas fases musicais.

Fale sobre seu set. Como você o compôs, quais as inspirações, por que escolheu estas faixas?
Desde que recebi o convite fiquei pensando num set e, como sempre, saiu na hora sem nada pré-estabelecido. Como toco em diversas festas, com temáticas díspares, tentei pegar a essência de todo esse percurso e ficou essencial pop. Do synthpop clássico à disco. Tem várias fases minhas neste set. Um pouco de Madame Satã, outro tanto de Retrô e Zensor, pitadas de Hotzilla e FiberOnline e até mesmo da Trash. Optei por mixar as que achei que mereciam e respeitar fades de outras.

Analiso esse set como a minha trajetória, do obscuro, cool, sintético ao pop melodioso cheio de alegria. Um set despretensioso, sem pós-produção ou efeitos. Apenas músicas que sempre gostei de ouvir e nunca tinha colocado numa sequência como esta.

Você é ligado em música desde criança? Conte um pouco sobre sua história e se há fatos curiosos, até o momento em que você virou DJ e começou a tocar em clubes/festas.
Música faz parte da minha vida desde os primórdios, das vitrolinhas portáteis tocando trilhas de novela, coletâneas disco e muito soul. Na adolescência, o lado alternativo tomou meu corpo e negava tudo que era considerado popular. Isso influenciou diretamente a minha discotecagem, na década de 80 tocando pós-punk e industrial no (Madame) Satã e Retrô, hip-hop nas festas do Espaço Mambembe, de synthpop à rock indie nas matinês do Tênis Clube de Santo André. Hoje em dia, me encontro na fase mais light e pop, querendo menos coisas complicadas e mais diversão.

Música virou negócio pra mim, criei selo, tive programa de rádio e, agora, sites. Tentei ficar um tempo longe das picapes, mas não durou mais do que poucos meses. Depois dos 40, ainda toco ao menos 3 vezes por semana.

Quais seus projetos, festas e/ou parcerias em andamento?
Os núcleos de festas atuais são: Hotzilla (com Bezzi e Luis Depeche – indie rock/synth/electro), Silvertape (com Luis Depeche – eletronices), Machina (industrial/EBM) e Trash 80’s (com DJ Tonyy – 80’s e cafonalha). Fora isso, comando festas com outros parceiros como a Fever (mensal), Absurdinha (mensal) e dezenas de outras que sou convidado/contratado.

Você já desenvolveu diversos projetos, de gravadoras independentes à festas. Qual foi a motivação para a criação do FiberOnline há 12 anos e a que você atribui o sucesso do portal?
O FiberOnline nasceu exatamente após o break que quis dar no meio musical e não consegui, em 1997. Trabalhava para um portal que estava começando e tinha deixado a Cri Du Chat (gravadora) e Muzik (loja de discos). A intenção era falar sobre novidades musicais que eu continuava em contato, críticas de discos, entre outros. Comecei a apoiar alguns projetos nacionais colocando MP3 gratuitos para download. A procura cresceu e hoje temos mais de 3 mil projetos/produtores hospedados. Nos últimos anos, o trabalho aumentou demais e o pobre FiberOnline sofreu as consequências, mas finalmente a nova versão toma corpo nas próximas semanas e será um ótima plataforma para experimentar novidades eletrônicas.

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  1. Vanessa

    Vanessa disse em 11 de agosto de 2009

    Obrigada, Enéas, por trazer tanta coisa boa para a cena musical de SP e do Brasil. Sem o seu trabalho, estaríamos ainda lá atrás…