db134 Felipe Venancio

28/12/2011

O DJ carioca Felipe Venancio tem história nas pistas do Brasil e do mundo. Com 25 anos de carreira, ele já tocou para príncipe, top model, em reality show e nas mais diversas e badaladas festas e eventos. Com o house correndo em suas veias, o DJ diz que o importante mesmo é manter a pista se movendo com informação, feeling e generosidade, sem baixar o nível, é claro!

Para este db series, Felipe pega carona na bem vinda onda retrô e traz um set que passeia por gerações e conta a história de suas pistas. Leia a entrevista e curta o som!

Qual a história deste set?
Não tem uma grande história, mas talvez pensando nessa vibe retrô e old-fashioned que estamos vivendo agora, através de novos produtores, pensei em contar um pouco das pistas que vivi. Aliás, nem me fale em história, depois de 25 anos (data do meu primeiro cachê, mas já fazia festinhas em “playgrounds” antes) sendo DJ, se tem algo que posso dizer, são histórias. Diria que a história de cada um, seja DJ, wanna be DJ ou interessado, vem do grande momento que se teve em alguma pista. Não vale dizer que alguém te levou em algum lugar porque assim não é um grande momento. Se foi no Hell’s, seu momento começa techno e isso explica tudo que vem depois, das mixagens, atitudes e etc. Se foi nas ruas ouvindo d’n'b ou o que vinha do núcleo trance, isso explica timbres, hypes, DJs e roupas, claro. O mesmo pra quem veio da pré-house, “SALVE TUTA AQUINO”, ou de qualquer outra variação, sei lá. Hoje, por exemplo, quando todos querem ser DJs temos uma nova geração se apaixonando pela prog house, que ao meu ver se descolou, abriu portas e anexou variações e mudou sua história que vinha do Leftfield, Tenaglia, Deep Dish, e foi parar no talentoso Avicii. Acho que no fundo: that’s house e temos que manter a pista se movendo com informação, feeling e genorosidade (sem baixar o nível, hein?).

Quais foram suas inspirações e o clima que você quis criar?
É engraçado, você sabe que vida noturna funciona por ciclos… A pista muda, e nós, DJs, ficamos. Me inspirei em pistas passadas e presentes. Tem gerações que me conheceram quando me mudei do Rio pra SP, na Lôca, que aliás amo e fui muito feliz com o DJ Zozó e nosso “amigo-de-pista-favorito-enquanto-não-estava-tocando” DJ Edu Corelli. Outra, me ouviu abrindo o clube Lov.e, nas sextas que eram de pura house, e também, na Disco onde teve uma história soulful, no Sirena onde o verdadeiro espírito de Ibiza pousou em nossas praias, e no meu passado, é claro, no Rio através da Dr.Smith e Val-Demente.

Qual o momento perfeito para ouvi-lo?
Em festas Sunset, diria. Esse momentinho nacional está super do bem. Não precisamos de um clima arena todo o tempo, nem de hits todo o tempo, nem de camarotes todo o tempo e nem de paparazzi (nesse caso, hora nenhuma). Nos sunsets que tenho tocado o dresscode é desmontado e descontraído.

Sua trajetória se mistura com a história da música eletrônica no Brasil. Depois de tanto tempo tocando, tantas experiências e desafios, como você definiria o DJ e produtor Felipe Venancio de hoje?
Terapia, hein? Sei lá, diria “solo”. Sou de uma geração que queria mostrar as músicas que existiam. Onde donos de baladas eram apenas donos de baladas e quando se queria ouvir o som de alguém, se ligava pra esse alguém. Não acho ruim o hoje. Adoro não pagar mais R$ 40 por apenas uma track em vinil que talvez nem toque.

Você é figura comum nas pick-ups de eventos badalados no Brasil e no mundo. Qual foi o lugar mais incrível e/ou inusitado que você já tocou?
Tem um warm-up pro Soul II Soul em Portugal, a Ku de Ibiza (Privilége) em 98 onde minha perna tremeu (não entendi até hoje por que), Cannes tocando pro lançamento do filme Madame Satã, mas talvez o maior momento tenha sido o Tony Humphries tocando em NY um acetato da Bebel Gilberto “Sem Contenção” que tinha feito. Êpa, faltou o Todd Terry mandando um “big shout” pra mim ao microfone antes de tocar no finado Skol Beats. Mas inusitado mesmo, respondendo finalmente a sua pergunta, foi quando fui tocar em Moscou na semana de moda, e, com um convite de última hora feito por um promoter russo, fui parar no clube First. Nessa noite troquei o cachê por um camarote cheio de vodka e champagne onde eu e a trupe fashion brasileira, que tinha ido, nos jogamos.

Quais são suas principais influências na música e o que você tem escutado de novo que recomenda?
Minha história começa em 78. Mundo de Jimmy “Bo’ Horne e “Look at Her”, do Barry White. Tomo uma certa noção em dance music em 84, com Jimmy Ross com o single “First True Love Affair”, que pra mim se chamava “Melô da Bundinha” porque os DJs da época pra não liberarem o nome das faixas (Shazam nem em pensar), inventavam apelidos. Fico totalmente doente pelo que chamariam de up tempo com “Body Music” do povo da West End e depois vem Tony Humphries, que pra mim é mentor no que diz, toca e faz, e me apresenta ao “jersey sound”. Como disse acima, talvez este tenha sido meu grande momento de pista. Momento que trago até hoje a cada noite que toco, mesmo sendo arenas e tendas pra 5 mil pessoas, como na festa do Patrão no interior de SP. Dos novos produtores que estou gostando tem essa onda retrô, que é muito bem vinda, através dos meninos do Subb-an. Tem duas deles no set, acho.

Quais os projetos em andamento e as novidades para 2012?
Paula Lima e algumas tracks.

Agradecimento: Marcela Andrade
Fotos: Rodrigo Marques

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  1. avatar

    DJ Acácio Moura disse em 20 de abril de 2012

    Sou fâ, e adoro o Venas, sempre carismático, um anfitrião

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    Degasperi disse em 15 de março de 2012

    Som muito bacana!!

  3. avatar

    Mauro disse em 1 de janeiro de 2012

    Valeu Felipe é a tua cara – Mauro

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db134 Felipe Venancio
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tracklist

01 – Surkin – “Ultra Light”
02 – Tedd Patterson – “Remote Control”
03 – Todd Terry – “Disco”
04 – Uap – “Bimac”
05 – Subb-an – “This Place”
06 – Kerri Chandler – “Heaven”
07 – Frankie Knuckles – “Baby Wants to Ride”
08 – Steffi – “Yours”
09 – Cajmere – “Brighter Days”
10 – I.D.
11 – Roul – “Gita”
12 – I.D.
13 – Karizma – “Good Morning”
14 – Steal Vybe – “Passion”
15 – Human Life – “In it Together”
16 – Daft Punk – “Voyager”
17 – K Scope – “Star Light”

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