db131 Trusty

07/12/2011

O produtor e DJ Trusty, famoso por seus bootlegs, mashups e re-edits, não gosta de se prender a estilos, misturando o clássico e o contemporâneo em fusões originais e inovadoras. Dono de um amplo repertório que passeia pelo Jazz, Soul, Grooves, Hip Hop, Rock, Reggae e Funk e o que mais fizer dançar e agradar seus ouvidos, Trusty diz que se realiza mesmo, é com um pista cheia e animada.
Para este db series, o DJ optou por gravar o set ao vivo numa festa, testando, música a música, sua poderosa mistura dançante.

Qual o clima desse set e onde ele foi gravado?

O set foi gravado ao vivo na Groovelicious, no Lions Nightclub, festa referência nas sonoridades com as quais me identifico. Acredito que minha proposta musical é influenciada pela pista e pela reação do público. Gosto de tocar músicas que me agradam sonoramente sem necessariamente serem conhecidas e muito menos comerciais, mas o público é fundamental para a realização do meu trabalho. Gosto de ver as pessoas dançando e se divertindo. Isso não tem preço!

Conte-nos um pouco da sua trajetória como DJ. Quando começou e como evoluiu até aqui?

Comecei minha pesquisa musical quando tive a oportunidade de morar na Nova Zelândia em 1998. Na época, ouvia de tudo. Não tinha muitas influências mas gostava de música, e isso foi suficiente para alimentar minha curiosidade. Quando notei que a cultura do “digging” e “dust finger ” era muito grande, comecei então a me interessar por novas sonoridades e estilos que, na época, não existiam no Brasil. Nas records shops de lá, tinha acesso a muito material por um preço super honesto, principalmente de discos second hand importados do Japão, um país que tem uma forte influência musical nos mais variados estilos. Quando voltei ao Brasil, em meados de 2000, muitas pessoas que haviam morado fora estavam voltando com as mais diferentes informações culturais, foi aí que começou um novo cenário musical de variedades.
No início, meu foco era a World Music muito influenciado pelo Downbeat, Trip Hop, Dub, Breaks, entre outros. Enquanto muitos estavam preocupados com estilos mais conhecidos e de BPM acelerados como House, Techno, Drum and Bass, eu e alguns poucos nos preocupávamos com a qualidade da música e acreditávamos que todos os estilos eram dançantes. A partir desse momento, levantamos a bandeira e formamos um pequena cena que passava pelos mais diferentes ambientes e situações. Tocamos em diversos Sound Systems montados na rua de forma ilegal. Também tivemos muitas oportunidades nos grandes festivais de música eletrônica open air e ainda em locais super chiques, onde as pessoas chamavam nossa música de lounge music, um termo que nunca gostei, mas que ajudou muito a pagar as minhas contas.
Após essa experiência, cada um de nós evoluiu para um gênero, seguindo aquilo que mais agradava, no meu caso, meu estilo não variou tanto… Acredito que a mudança foi a evolução da própria produção musical. De 10 anos pra cá, os programas e as plataformas evoluiram muito, além dos equipamentos e computadores que se tornaram mais acessíveis, possibilitando uma evolução musical. Os home estúdios estavam também mais acessíveis a todos e não necessitávamos mais das grandes gravadoras, como anteriormente. A troca de informação ficou mais rápida e o sharing fez com que tudo ficasse mais fácil. Antes da internet era muito diferente: para podermos adquirir um disco tínhamos que viajar para a Europa ou América, ou aguardar alguém voltar com novas informações. Hoje em dia, tudo é acessível, mas para mim, ainda tem o gostinho da novidade.

Misturar estilos e épocas, inovando e experimentando novas fusões sempre foi uma preocupação sua. O que tem te influenciado atualmente nas suas pesquisas musicais e quais são as referências que nunca mudaram?

Acredito que a mistura de estilos e épocas foi um processo natural na busca de variedades. Inovar e experimentar fazem parte do trabalho de um DJ. Quando você acredita ter encontrado um estilo ou algo que seja bom o suficiente e para de pesquisar, você está acabado! Vivemos em constantes mudanças, não importa a maneira que a pesquisa é desenvolvida, ela não pode acabar nunca.
É muito engraçado: ultimamente os estilos, mais do que nunca, vem se unificando e se tornando muito mais próximos um dos outros do que em qualquer outra época.
Eu adoro a mistura e a experiência. Sou muito fã de bootlegs, mashups e re-edits. Acho que isso é uma marca registrada do meu trabalho desde o início. As linhas de breaks tiveram uma forte influência da música negra de origem, desde o Jazz, Soul e Funk, até a Disco. E agora também venho notado uma influência muito forte do UK Garage chamado nos dias de hoje de Bass Culture ou Dubstep… É genial o que vem acontencendo!  Se hoje você me perguntar o que tenho tocando, a maneira mais fácil de me descrever seria FREESTYLE.  Não consigo me prender a estilos. A música é muito maior do que qualquer classificação.

E quanto a seu trabalho como produtor? Como se dá seu processo criativo e qual a sua mais nova produção?

Gosto muito de produzir e não somente música. Desenvolvo projetos de cunho artístico, em geral, sempre envolvendo tecnologias de ponta misturada com conceitos manuais. O último deles, o Video Guerrilha, foi focado em tecnologia de mega projeções e mappings 3D. No meio musical já produzi algumas coletâneas e discos solos de alguns artistas. A direção artística é fundamental para a escolha das tracks, na produção das masters e do repertório, sempre um desafio.
Aos poucos estou voltando para minhas próprias produções. Venho trabalhando com o Logic em rewire com Ableton Live e Reason. Descobri novas maneiras de redesenhar o que já havia sido produzido. Acredito que em breve comece a mostrar mais meu trabalho como produdor. Sou muito crítico com tudo que faço e enquanto não estiver da maneira que acredito que pode ficar, prefiro não mostrar muita coisa. Estou testando minhas tracks no meio de sets sem ninguém saber. Acho que é a melhor maneira de descobrir um caminho de sucesso. Não tenho pressa para que isso aconteça, pois a música é minha paixão e nunca vou deixar de fazer o que mais amo. Talvez por isso, não me preocupe em divulgar meu trabalho autoral imediatamente.

Quais são seus projetos em andamento e planos para 2012?

Não costumo planejar muito o futuro. Gosto de viver o presente e deixar as coisas acontecerem no seu momento. Atualmente estou com duas residências fixas: na SOUND PROOF – festa alternativa voltada para sons experimentais - com meus parceiros Rodolfo Tavares e DJ Tamenpi; e agora também na festa 11:11, de curadoria do Rodrigo Fernandes Bento e voltada para a world music, soul, old school funk, entre outros. Acabo de participar de um evento mundial promovido pela Red Bull chamado THRE3STYLE. Além disso, tenho tocando com frequência nas festas GROOVELICIOUS, ON THE ROCKS, JAM OLIDO, CHOCOLATE , BLEND, MARK AND FRIENDS, FUNK YOU, MARACUTAIA, LOW HERTZ, BLEND e ainda em eventos da NIKE, NIXON, STORVO, ULTRA420, que são marcas que vem me apoiando. Para mais infos sobre o meu trabalho confiram o www.trusty.art.br.

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