db123 Saulo Laudares

12/10/2011

O mineiro Saulo Laudares começou sua incursão no mundo da música em Belo Horizonte, onde participou ativamente do início da cena eletrônica. Mais tarde, já morando no Rio de Janeiro, Saulo mergulhou fundo nas suas duas grandes paixões: música e arte, desenvolvendo um trabalho consistente e premiado como artista sonoro.
Neste bate-papo, Saulo fala sobre sua trajetória, seus projetos e nos oferece uma amostra do seu mundo de sons, onde o seu maior guia é o ouvido. Leia e ouça!

O que você reuniu nesse set e qual o momento perfeito para ouvi-lo?
Fiz esse set para o deepbeep. A maioria das faixas que usei foram produzidas recentemente, mas o clima é o mesmo que permeia meus últimos anos de pesquisa: House, do deep ao tech, com vocais que tentam fugir dos clichês, vários climas vindos de outros estilos e referências ao universo das artes. Tendo a preferir as faixas melódicas mas que tem, em sua estrutura, algum elemento que cause estranhamento no ouvinte. Acho esse set perfeito para um esquenta com os amigos ou pra correr/pedalar escutando!

Você começou a discotecar em BH em meados dos anos 90 e depois mudou-se para o RJ para desenvolver seu trabalho como artista visual. Como se deu essa transição e como foi que você começou a juntar arte com música?
Nasci em Belo Horizonte e participei na formação da cena eletrônica de lá. O contato com Marcelo Marent (excelente produtor e grande amigo, falecido em 2006) foi minha porta de entrada. Em 2000 essa cena já estava fortalecida e eu participava ativamente dela, tocando nas festas que produzia e em eventos corporativos.
Mas faltava alguma coisa e eu tinha a sensação de que, se eu ficasse lá, ficaria limitado ao meu trabalho como DJ local. Pensei, seriamente, em ir pra São Paulo, uma vez que a cena eletrônica é infinitamente maior que em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro e na qual eu já tinha feito algumas participações (toquei numa das primeiras edições do Paradise e tive uma breve residência no projeto Hot Stuff, do saudoso The Cube).
Foi quando alguns amigos cariocas começaram a campanha em favor da minha ida pro Rio. Naquele momento a cidade estava se reerguendo de um abismo econômico e cultural e hoje me sinto feliz por ter participado desse processo de reconstrução.
Posso dizer que as artes (até mais as sonoras) sempre estiveram presentes em meu trabalho como DJ, pois sempre me senti atraído pelas faixas que trazem algum conteúdo além da potencial capacidade de botar a pista pra dançar. Eu amo a letra das músicas, a parte textual delas, mesmo quando são pontuais.
Olhando pra trás percebo que sempre fui artista e que sempre me guiei no mundo muito mais orientado pelo meu ouvido do que pelo meus olhos. O Rio é uma cidade que possibilita o crescimento de ações que considero fundamentais. Esse encontro forte da natureza com o urbano, onde a arte contemporânea se mistura com a rua e ganha força cada vez maior nas ações coletivas, contribui para a minha produção.

Saulo Laudares por Pedro Victor Brandão


Um de seus projetos artísticos é o SoundSystem, em parceria com Franz Manata, que ganhou o prêmio Interferências Urbanas com o projeto AFTER: Nature. Conte-nos um pouco a respeito dessa parceria e do projeto.
Eu conheci o Franz em 1995. Enquanto ele começava seu percurso como artista, curador e professor da Escola Guignard (MG) eu tocava e produzia. Sempre fui muito interessado no encontro entre arte, cultura eletrônica e tecnologia, e ele também. Depois de um tempo percebemos que tínhamos muitos questionamentos e inquietações em comum. Eu sempre dava palpites em seus trabalhos mas me mantinha distante, como coadjuvante, sem “assumir” a parceria artística. A mudança para o Rio, mais tarde, foi fundamental para essa compreensão.
O SoundSystem é meu projeto mais antigo e a menina dos nossos olhos. Nele, investigamos a interface entre arte contemporânea e música eletrônica através do uso de diversas mídias e procedimentos (áudio, vídeo, performances, intervenções urbanas, ações, workshops, etc). Com ele pude levar o trabalho pra vários países e vivenciar culturas diferentes.
Sempre me interessei por intervenções urbanas, pois são ações que levam arte para além dos espaços oficiais e encontra com a vida. Nesse sentido, o AFTER:Nature é o trabalho que mais me traz prazer em realizar. Ele, basicamente, é um convite para desacelerar. Construímos uma trilha com cantos de vários pássaros e outros animais silvestres e reproduzimos em tweeters escondidos na copa das árvores, no fim de tarde. É delicioso ver a reação das pessoas.

Quais são suas maiores influências na arte e na música?
Nas artes, as práticas de Cildo Meireles, mentor e amigo, Lygia Clark e Hélio Oiticica me conduzem. Lá de fora, o trabalho da canadense Janet Cadiff e seu companheiro George Bures Miller, La Monte Young e Marian Zazeela, John Cage e Marcel Duchamp me inspiram e valem uma conferida.
Na música, a pesquisa de Matthew Herbert – o show dele em 2005 no teatro abril foi uma das apresentações mais incríveis que já vi! – e seu estatuto de composição é uma fonte de inspiração. Admiro Richie Hawtin pelo seu obcecado e talentoso trabalho aperfeiçoando as ferramentas de trabalho para nós, DJs e produtores e, historicamente, gosto muito do Brian Eno e seu legado com a Ambient Music.

E as festas GANG BANG. Ainda estão rolando?
A GANG BANG é uma delícia. Eu e meus dois sócios e amigos, André Amaral e Icaro Santos, começamos a ideia da GANG – como todo bom projeto de festa – para os amigos, pra ter um lugar pra encontrar e reunir os interessados em arte, música e diversão. Começamos com residência no Fosfobox e depois vieram as versões PRIVATE onde ocupamos casas e ateliês de artistas amigos, aí foi tudo…rs. Agora, estamos nos preparando para a entrada do verão com uma nova edição e fazendo participações em eventos que achamos interessantes.

Quais os projetos em andamento e os planos para 2012?
Eu e o Franz estamos finalizando um trabalho sonoro para uma exposição no Itaú Cultural no fim desse mês e preparando a edição de 2012 do workshop ARTE SONORA, que desenvolvemos juntos desde 2009 no Parque Lage e ano que vem será maior, pois convidamos vários artistas e grupos que trabalham com arte e música para participar. Vamos continuar com a GANG BANG e quero abrir meu ateliê. Além de mil outras coisas rolando ao mesmo tempo! ahaha

Fotos: Pedro Victor Brandão

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    niura disse em 13 de outubro de 2011

    Saulinho!!! Sucesso! Arrasou! Beijinhos, Niura

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    kati Pinto disse em 12 de outubro de 2011

    Saulo querido,super!!!arrasou!!beijoka

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tracklist

01. Kai Alce – Power Thru pt3 (Original Broke Down Dub)
02. Axel Boman – Naomi
03. Hosh and Stimming – My Shadow
04. App – Mr Moustache feat. The French EdgE (Kiki Remix)
05. Iron Curtis – Peoples (Ekkohaus Down With the Sax Mix)
06. Italoboyz & Blind Minded – Bekeke
07. Ralph Falcon feat. Alex K & Alan T – Whateva (House Mix)
08. Pitto – Ceiling in Paris
09. Lahib Alekozei – Behind Closed Doors
10. Nina Kraviz – W Bleu
11. Gwen Maze. Jek K and G – Rom Number 6
12. Rampa – Meggy S Desire
13. David Mayer – Blank Sheets
14. Pezzner – Not A Good Idea (Original Mix)

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