Lucio Carrara a.k.a Lucio Ka-hara é publicitário, designer gráfico e DJ. Há alguns anos produz e toca em festas com propostas diferentes do circuito mainstream de Porto Alegre, como a Neon e a Wow!. É ele o responsável por trazer nomes internacionais como Greg Wilson, Lopazz e Pantha du Prince para discotecar na capital gaúcha. Além da noite, o DJ também dedica boa parte do seu tempo à pesquisa, através do seu blog de música, o Base Eletrônica.
O set gravado para o deepbeep abre com uma faixa dos Mutantes, que segundo o próprio, “ficou irreconhecível, mas gostei do efeito final”. Ka-hara ainda mostra algumas de suas influências oitentistas, além de referências mais atuais da house e de uma agrádavel surpresa: um edit de Don’t Stop ‘Til You Get Enough, de Michael Jackson.
Fale sobre seu set. Como você o compôs, quais as inspirações, por que escolheu estas faixas?
Acho que todo DJ tem no computador ou iPod uma pasta com aquelas músicas que gosta, mas que não teve coragem de tocar ou que esqueceu. Acontece comigo e acabo deixando muita coisa de lado. Fora isso, sou muito influenciado pelos anos 80, pra mim foi uma década de descobertas incríveis. Por isso estou sempre procurando um remix novo da época ou de artistas influenciados por ela.
Também fiz uma brincadeirinha com a música dos Mutantes, Panis Et Circenses, em cima da Iko-Iko do Glass Candy, no começo do set. Tem faixas de disco como a versão de Don’t Stop ‘Til You Get Enough, do Michael Jackson, feita pelo T&T. Tem um funk meio dub-break, da La Roux, que usei numa versão mais calma do Mad Decent. Não é new rave, não estou nessa praia. Outra influência forte dos 80 vem na faixa do Fernando (Silver City), que é um mix de Kick In The Eye do Bauhaus. Ainda tem In Flagranti, Chaz Jankel, Tomas Barfod, WhoMadeWho, entre outros.
Você é ligado em música desde criança? Conte um pouco sobre sua história e se há fatos curiosos, até o momento em que você virou DJ e começou a tocar em clubes/festas.
Sempre gostei muito de música. Minhas tias costumavam me levar na Sundey, uma festa da paróquia que acontecia nos domingos à tarde. Tocava muito disco e ali que começou tudo. Por mais estranho que pareça, meu primeiro vinil foi do AC/DC, influenciado pelo meu irmão que era roqueiro. Aos poucos fui me apaixonando por Kraftwerk, que na época era considerado de outro planeta, pra muita gente. Quase furei o The Man Machine de tanto ouvir. Por aí foi até chegar na house, nos anos 90.
Eu também costumava fazer compilações e colocar som em 3 em 1 com vinil e fitas K7 nas festas dos amigos. Acho que foi aí que começou a surgir o interesse pela profissão de DJ. Nos anos 90 começei a frequentar clubes como o Taj Mahal, Ocidente e Fim de Século, em Porto Alegre. Fiz amizades com DJs e assim tudo começou, a long time ago, em uma galáxia distante…
Quais seus projetos, festas e/ou parcerias em andamento?
A Neon, festa mensal no Cabaret do Beco, na qual tenho o DJ Cevallos como sócio. Começou às quintas-feiras de verão, mas agora é sempre no segundo sábado do mês. Já tem 1 ano e 7 meses e todas as edições são sempre muito cheias. Como sou designer gráfico, a identidade visual da festa também é por minha conta. Já tocaram artistas como Ben Mono, Greg Wilson, Lopazz, Pantha du Prince, Database, Boss in Drama, Edu K e Donatinho, que fez um set eletrônico com fortes influências de house, disco e electro.
Também temos a Wow!, outro projeto que acontece no coração do Bom Fim, bairro boêmio de Porto Alegre, com o DJ Lucas Rocha como residente. A estréia foi em abril, na Casa do Lado e ficamos muito contentes com o sucesso. A segunda edição foi ainda mais cheia e acabou virando uma noite fixa, no último sábado de cada mês. A proposta é diferente da Neon, o som é mais 4×4.
Como você vê a cena eletrônica em Porto Alegre? Ela já foi muito forte, no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 (Fim de Século, NEO), e depois deu uma esfriada e misturou bastante com festas de rock/eletrorock, sobretudo no Cabaret do Beco. As raves diminuíram e algumas casas dedicadas ao gênero, como a Spin e o Laika, fecharam. Como analisa essas mudanças? Acha que ela pode voltar a crescer?
Muita coisa mudou. Raves só de psy-trance. Recentemete o Laika fechou, mas vai reabrir onde era a Spin. Acho que faz parte da renovação, com algumas exceções como o Ocidente, que está aí há muitos anos. Mas assim como o eletrônico esteve em alta, agora é a vez do rock, são ciclos. Agora eletrônico é underground e eu estou adorando, mas ao mesmo tempo é estranho, porque produzo uma festa eletrônica num clube que é praticamente roqueiro, e é umas das festas mais cheias. Acredito que existe público desde que você ofereça um produto interessante.
1 – Glass Candy – Iko! Iko! & Os Mutantes – Panis et circenses
2 – La Roux – Quicksand (Mad Decent Remix)
3 – T&T – Don’t Stop (T & T Version)
4 – WhoMadeWho – The Plot (Muzzle Flash Remix)
5 – Disco Deviance – Magnificent Disco (BC Edit)
6 – Pierce – GoodFriends
7 – Alan Parsons Project – I Wouldn’t Want To Be Like You (The Twelves Re-Edit)
8 – Chaz Jankel – You’re My Occupation (Fromage Remix)
9 – Tomas Barfod – 1995
10 – In Flagranti – Sounds Superb – Abash Crock – Rock The Casbah Remix
11 – Fernando (Silver City) – Kick in the Eye (Vocal Mix)
12 – Mock & Toof – Big Hands For A Lady
13 – Lenka – Trouble is a Friend (Eli Escobar Mix)
14 – Gui.tar – Love Started To Shine
15 – Fancybeat – Funk In – Telespazio Remix
rodney andrade disse em 1 de novembro de 2009
Vc sabe tudo !!!! Seu set é incrível !!! Parabéns!!! Adoraria ouvi-lo numa pista para dançar muito……
paula disse em 2 de agosto de 2009
La Roux – Quicksand (Mad Decent Remix)Fino!!!!!!!!!!!!!!!!!
Eskar disse em 16 de julho de 2009
meu DJ preferido desde tempos, ele e o Malt
ELEGANTES sem camisa!!!
maltchique disse em 10 de julho de 2009
diliça!
carol disse em 6 de julho de 2009
arrasou! muuuito bom.