dbmixtape Beth Ferreira

17/05/2010

Mas foi um parto fazer este mixtape para o site bafo deepbeep, que eu adoro. Impossível não lembrar das minhas prévias incursões nas picapes, todas traumatizantes. A primeira foi com o glorioso André Fischer que gentilmente me convidou para discotecar na festa do Mix Brasil no La Cueva, no Rio, em 2005. Eu já tinha rechaçado vários convites para tocar em festas, inclusive na X-Demente, que uma época deu para chamar todo mundo para tocar numa pistinha especial para dummies. Mas no La Cueva eu resolvi ir, já que era pequeno e tal, o vexame seria um pouco menor. E que vexame! Consegui a proeza de mixar uma música para ela mesma, já que eu tinha levado o set pronto de casa, gravado em dois CDs iguais. Olha só que truque mais infame…

A segunda vez foi no Dama de Ferro, quando a Adriana Lima resolveu fazer a pistinha de iPod DJs. Lá fui eu, mais uma vez, feliz como se estivesse indo para a forca. Levei dois iPods e resolvi que ia me soltar, nada de listinhas ou sets pré-gravados. Estava até me animando e tal quando me deparei com o tal mixer de iPods da casa. Seria cômico se não fosse trágico e eu não tivesse chamado apenas o Rio de Janeiro inteiro para testemunhar meu “debut” como iPod DJ. Eu não conseguia mudar as músicas porque eu tinha que segurar os iPods, do contrário eles desligavam. Ai! Passei a noite toda com dor no braço e tocando uns sets de DJs maravilhosos que eu tinha, eu mesma não toquei nem uma música. Fiquei conhecida não como iPod DJ mas como “não pode DJ”…

O último vexame foi no programa Drop Kick, dos pândegas Lennox Hortale e Dani El Souto, os caras do Glocal. Me chamaram para “tocar” e me disseram que não precisava mixar, que tava tudo certo e tal… E eu fui e passei mais uma vergonha com as músicas no iTunes e sem mixar. Mas fui salva pela Cuca Pimentel que dançou enlouquecida uma das músicas que coloquei também aqui neste mixtape, o antológico funk “Play That Funky Music”. O resto do povo saiu de fininho e foi para a cozinha…

É lógico que se eu realmente quisesse ser DJ eu iria aprender a mixar para começo de conversa. Não tenho vontade de ser DJ e por isso nunca tentei, mesmo que esteja escrevendo sobre música eletrônica desde 1997. Na realidade não levo esses convites a sério porque eu acho que é assim que deve ser. Sou amadora na arte de discotecar, então é assim que vou me apresentar, porque de truque esse meio está cheio de tal forma que o público já nem sabe mais como avaliar. O que é um bom DJ? É o cara que sabe mixar ou é o cara que coloca na pista uma seleção de músicas que o público conhece e pode se identificar? Na minha opinião tem de saber mixar sim, e muito bem. Mas tem de mandar informação e entretenimento também. As pistas hoje estão cheias de desinformação, amadorismo e truque e não vou ser eu que vou engrossar esse caldo.

Daí o convite para fazer um mix para o deepbeep. E agora DJ? Bom, dessa vez eu resolvi tomar um pouco de vergonha na cara e baixei o Audacity. Uma vez resolvido o problema da mixagem, que agora com o auxílio luxuoso do software é um problema do passado, resolvi fazer uma seleção do que eu mais gosto de ouvir no momento e do que realmente me faz me acabar numa pista de dança.

É house e disco minha gente, a boa e velha e a nova também. Mas tem mais coisa. Resolvi fazer a minha homenagem particular ao Michael Jackson e também à gravadora Motown. Escolhi também músicas estilo trilha de filmes “blaxploitation” que eu amo e, para completar a ala nostalgia do meu mixtape, umas disco velhas do estilo “oldies but goodies”. Ou seja, muita black music dos anos 70, funk, disco e R&B. Outros dummies vão adorar, com sorte o povo novinho não conhece e os “bedroom DJs” de plantão vão torcer o nariz (mas é só isso mesmo que eles fazem, seja para mim, para outros DJ dummies ou para os hiper mega tops).

Na segunda parte tem uma seleção de faixas recentes de nu disco, alguns hits incontestáveis de 2009 e, para terminar, alguns hinos da eletrônica dos anos 90 como “Big Fun” do Inner City e “Pacific State” do 808 State, este sim o hino das raves na minha opinião e não a manjada “Born Slippy” do Underworld que, sem dúvida, não deixa de ser uma “levanta defunto” em qualquer pista. Espero que vocês gostem, mas por favor, não reparem nas mixagens. É para se jogar no ecletismo e na nostalgia e pensar em como a música negra americana é fertil e continua gerando bons frutos, ontem, hoje e sempre. Enjoy!

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    Andrew disse em 6 de junho de 2010

    Nossa, esse era o tipo de experiência que os “wannabes” deveriam passar pelo menos uma vez na vida! Adorei o texto.

    Está muito mais para “seleção de repertório” do que pra um simples “tracklist”. Muito bom mesmo!

    Tudo de bom!

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    ivi disse em 27 de maio de 2010

    bixaaaaaaa, to me mijando de rir desse texto!!! essas histórias de atacar-de-dj são sempre uma piada!
    beijos, beth!!!

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dbmixtape Beth Ferreira

tracklist

1. Ain’t No Sunshine When She’s Gone – Michael Jackson
2. Across 110th Street – Bobby Womack
3. Expansions – Lonnie Liston Smith
4. Play That Funky Music – Wild Cherry
5. Machine Gun – The Commodores
6. Keep On Dancing – Gary’s Gang
7. Disco Nights – Rock Freak
8. Mood For Dancing feat. Sym – Original Mix – Martin Virgin
9. Yo Drums – Pete Herbert
10. Days Like These – Vocal Mix – Downtown Party Network
11. Look Me Up – Original Classic Vocal – Jay Williams
12. Rimmel – Cecile, Venice
13. With You Forever – Pnau
14. The Way You Love Me feat. Marc Evans – Ron Hall, The Mutha Funkaz
15. Spaghetti Circus – Still Going
16. I Wanna Dancer – Old School House Extended 12′ Mix – Faze Action
17. Move Your Body – Marshall Jefferson
18. Big Fun – Inner City, Kevin Saunderson (Simian Mobile Disco Remix)
19. Pacific State – 808 State

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