dblive Spark

12 de novembro de 2010

DJ Spark, raro representante do techno no Brasil, faz seu début no deepbeep com set live gravado na festa Trust, que pelas mãos dos produtores Rosina Lobosco, Cau Lopez e Maurício Lopes traz novos ares para as sextas-feiras do club carioca Dama de Ferro. Neste set, Spark faz o que gosta e faz bem: passeia por diferentes meandros do techno enaltecendo cordas, metais e vocais.

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Fale um pouquinho deste set. É possível defini-lo?

Uma coisa líquida, como sempre. Sem um estilo dominante, gosto de visitar vários lugares. Ando curtindo essa coisa meio instrumental clássica (cordas, metais) que se misturaram aos ritmos bem básicos do minimal techno, e esses vocais nessa coisa tech-house/techno estranho que o Seth Troxler faz, por exemplo.

Recentemente você começou a tocar utilizando o Traktor. O que tem achado mais bacana no uso desta plataforma?

Depois que migrei do vinil para o CD, há uns 3 anos, senti que fazia muita falta a parte da memória olfativa, tátil do vinil, onde eu pegava o disco, sabia o lugar no case onde ele estava, isso ajudava a sedimentar a música, memorizar o tempo, aonde ela ficava boa tocando. Com o CD gravado, tudo ficou com a mesma cara, e isso se refletiu um pouco na música. O Traktor me reanimou por conseguir juntar a interface da mixagem com vinil, o acesso fácil às músicas, criação das tracklists, histórico do que foi tocado, facilidade de gravação, etc, etc. Essa foi a primeira vez que toquei e vi que tenho que pegar mais intimidade com isso, pra mixagem ficar mais solta, poder usar mais decks, brincar mais.

Do presente para o passado. Do que sente mais saudades dos tempos do vinil?

Como falei, a questão da mixagem, de encontrar o pitch, eu peguei de volta com o Traktor, mas o pequeno número de releases tornavam cada música mais especial. Acho que isso é uma coisa incongruente. Hoje em dia tenho acesso a TUDO o que sai, o que não me impede de sentir falta do HIT do mês. Algumas músicas eu toquei por mais de um ano. Talvez até dois… Algo impensável no mundo digital de hoje.

Ao longo destes 16 anos de carreira você teve grandes momentos em Florianópolis, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O que mais te atrai em cada uma destas cenas?

Cena em Floripa? hehehe Lá sempre foi um baita faça-você-mesmo e, duas dúzias de amigos, às vezes, iam às suas festas. Os próprios DJs produzindo as festas. A única coisa que me dá saudade mesmo, pois mudou a maneira de muita gente ver a música eletrônica, é o extinto Órbita e seus donos Juliet (hoje de volta à Inglaterra) e Sérgio, que faleceu há um mês, aproximadamente. Foi um TAZ, um momento bem especial lá, que todo mundo lembra com carinho, em 96. O Rio de Janeiro me acolheu com carinho, já tinha alguns amigos aqui da br-raves e quem me trouxe para a cidade foi um desses amigos, o Quark. Em 2003/2004, acho, tinha duas residências no RJ, na Bunker94 e aos domingos no Galeria. A Bunker, apesar de todos os inúmeros problemas, era um clube grande, acessível, que tinha essa coisa do carioca de misturar todo mundo, herdada dessa cultura da praia. Ainda assim, os maiores DJs da cidade eram residentes lá: Mau Lopes, Ricardinho NS, Nepal, Edinho. Já Belo Horizonte tem a cena mais ‘underrated’ do país. Nem eles enxergam direito que são o povo mais divertido, animado, louco, feliz, sensual e bonito da noite. É um saco ver o pessoal de lá dizendo ‘ah, mas não é o Rio…’, quando eles têm 8 clubes de música eletrônica, e aqui no RJ, apenas dois.

Conta pra gente um pouquinho sobre o Válvula, coletivo de DJs e produtores que integra ao lado de Saduh, Mika, Miravalles, Carol G e Ivan L. O que os levou a formar o coletivo e o que vocês tem feito?

O que leva a criação de qualquer coletivo: idéias em comum, amizade, vontade de agitar algo. E temos conseguido isso! De festinhas no GIG, até sermos convidados para festas maiores, diferentes, passando pela festa de um ano na Lapa, num lugar que ninguém tinha feito festa ainda. Todo mundo ficou impressionado com o espaço. Daqui para a frente, o selo, mais festinhas, e, claro, o cerne de tudo isso, os podcasts, que só vão esquentar!

Projetos atuais e planos futuros?

Os projetos do dia (desenvolvimento de interfaces) seguram um pouco a onda da noitada, mas desenvolver esse som que tenho tocado, fazer algumas coisas com os milhares de loops que guardo, viajar um pouco mais para tocar em outros lugares, tudo é possível.

Fotos
Eduardo Magalhães

Agradecimentos
Taciana Abreu, Rosina Lobosco, Cau Lopez, Maurício Lopes

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sugestões de sets

tracklist

01 – GCF – Gabriel Ananda & Daniel Mehlhar
02 – On Its Axis – Grinser
03 – Triton (Gaiser’s Trial Tone Remix) – Marc Romboy vs Stephan Bodzin
04 – Vampire Night Club feat. Seth Troxler – Art Department
05 – Sick – Basti Grub & Komaton
06 – Subtle Paradise – Pär Grindvik & Tim Xavier
07 – INSUFFICIENT DATA – RADIO GUIDANCE
08 – Architectural 03 Intro – Architectural
09 – Mystical Rhythm (Vocal Mix) – Naomi Thompson & Vince Watson
10 – Shadowchaser – Funk D’void
11 – Dawns Highway – Simon Wish, Cruz & Lati
12 – Eclipse (Loco Dice Remix) – Onur Ozer
13 – Without You (Extended 12” Mix) – Art Department
14 – Grow (Marek Hemman Remix) – Britschmalro
15 – Puka Haole – Heartthrob & Troy Pierce
16 – No Pain – Adam Port
17 – Locus Pocus – Jichael Mackson
18 – Square Knocking – Art Of Tones
19 – Groove Theory – Aux 88 feat. Black Tokyo
20 – 1000 Pictures (Dub Mix) – Yousef
21 – Square One – Heartthrob & Troy Pierce
22 – Deep Inside Your Eyes – Savas Pascalidis
23 – Politeness Protocol – Heiko Laux & Steve Rachmad
24 – Berliner – Mihalis Safras
25 – Casino Capitalism – Roland M. Dill
26 – Piano Fever – The Timewriter
27 – Gaberdine (Truffle Shuffle’s Epic Stoner Mix) – Walls
28 – Out Run – Ludovic Vendi
29 – Tamarind – Marcin Czubala
30 – Envy (Queen Atom S Sunrise Edit) – Maetrik
31 – Where Is It? (Steve Bug’s 9 Minutes Of Freedom Remix) – Will Saul, Tam Cooper
32 – Around And Around – Grinser
33 – Made (Kjofol Ritornello Remix) – Kisk
34 – A Snake In Da System – Jichael Mackson
35 – Ice Lips – We Love

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