Todo mundo se acostumou a ver e ouvir Oscar Bueno já pela manhã, no after hours Paradise. Mas faz tempo que Oscar se joga na noite e nem sempre tão tarde (ou cedo) e isso vem desde antes do Hell’s Club, primeiro after brasileiro. De top clubber, ele virou DJ, promoter e até sócio de clube (Stereo, onde hoje é o D-Edge). Como DJ, Oscar é bastante eclético – vai do minimal ao electro, passando por diversas vertentes da house, que ele apresenta Brasil afora e na Europa. Depois do sucesso longevo do after hours Paradise, há 11 anos na ativa, agora ele vai passar a apresentar os muitos estilos da house music na festa LA Back to House, no clube Glória (a primeira festa rola dia 11/11/09). Ouça o set gravado no club D-Edge, durante uma manhã no Paradise, e saiba mais o que pensa esse grande nome da música eletrônica brasileira.
Você tem um repertório bastante abrangente, uma época ficou mais electro, em outra fase ficou mais house, e já se embrenhou no techno. Hoje vale tudo para divertir a pista de dança? Qual a sua opinião sobre o atual estágio da música eletrônica?
Acho que a minha história é a mesma de outros DJs que são da época quando não existiam bons CD players no mercado e o profissional para ser respeitado e reconhecido era obrigado a tocar disco de vinil. A única saída eram as bolachas negras, o que limitava o artista a um ou dois estilos de música por não conseguir comprar tudo que gostava ou que gostaria de tocar. O vinil pra gente aqui no Brasil saia e sai caro e os DJs compravam só o que tinham certeza que iam tocar. Arriscava-se e experimentava-se menos.
Hoje, acabado esse preconceito e com as mídia virtuais, o artista pode trabalhar com vários estilos de música, abriu-se o leque, ficou mais barato e mais facil adquirir, armazenar e transportar música. Acabou aquele egoísmo que rolava em torno das faixas, agora os DJs trocam músicas. Quando vou tocar levo comigo cerca de 200 CDs, o que é muita coisa, antes levava apenas um case com 80 vinis. Tenho de lounge a techno passando por deep house, house, techouse, minimal, electro, funky, jazzy, breakbeat. O DJ bom é aquele que tem feeling e material pra mudar totalmente o set se não estiver rolando bem.
No Brasil a música eletrônica vai bem, ao que me parece. Nunca vi tantos produtores, DJs, promoters, festas e entendidos em e-music. Parece que vivemos uma espécie de utopia techno atrasada, tem muita gente descobrindo o ecstasy e se jogando em rave. Coisa que em outros lugares do mundo já não rola mais, perderam a inocência. Brasileiro gosta de bagunça, vamos aproveitar esse final de festa até desligarem o som.
O que te levou a tocar back-to-back e criar os projetos MooM (com Jeremy) e Bueníssimos (com Jean)?
O MooM nasceu do amor ao techno e o “Bueníssimos” do amor a house. Os projetos são uma intensa troca de infos e idéias que tenho com esses dois supertalentosos artistas sobre música. Nosso dialogo é através da apresentação back to back. Cada um coloca duas músicas e apresenta um pouco de si. Um sempre tenta surpreender o outro com uma música melhor e quem ganha é a pista. A atuaçaõ é no minimo divertida. Eu gosto porque dá para dançar enquanto o outro toca…
Com a sua alta quilometragem de festas e loucurinhas, desde Hell’s, Lov.e e muitos outros clubs e festas, o que está in e o que está out na noite paulistana atualmente?
In é saber aonde pisa. Sair de casa informado sobre o lugar que você está indo e não ter surpresas desagradáveis depois que já está lá dentro. Dar uma olhada nos sites das casas e saber quem toca, por exemplo, funciona. Caso não conheça o DJ que vai tocar e está na dúvida, dê uma pesquisada. Out é ser paraquedista, cair na balada sem saber o que rola e ainda reclamar do som. Fazer a louca desinformada não dá, né?
Onde você estará realmente no verão?
Eu quero e vou estar junto com meus amigos na Bahia em tour com o “Paradise”, que começa no Universo Parallelo, passa por Trancoso e Arraial e termina em Salvador.
Como promoter do after hour mais descolado do Brasil, qual a receita para se jogar num after sem fazer feio?
Passar na padaria antes de ir pro clube e tomar um café da manhã substancioso. Nem pense em chegar bêbado ou cansado que é mico total.
Texto e entrevista: Ivi Brasil
Fotos: Paulo Otero
1 – Autistic Disco – Niko Schwind
2 – Tessio – Ramon Tapia rmx
3 – Street Lady – Gramophonedzie
4 – Mama Queen – Shonky
5 – Superskank – Livio & Roby
6 – Mosquito – Channel X
7 – Growing – Fabio Gianelli
8 – Sax Track – Sebo K / Reboot rmx
9 – I Tele You Boo – Okaim
10 – Why Don´t You – Gramophonedzie
11 – You Have To Dance – Noze
12 – Panik Funk – Dj Gruja
13 – Grand Final – Livio & Roby
14 – Pitch & Toss – Jay Haze rmx
15 – El Baladre – Danny Fido
16 – What is Funk – Neighbour
17 – Disco Hamster – Loko
Dinho Costta disse em 10 de novembro de 2009
Esse figurinha surpreende sempre tem uma vibe incrivel adoro, desde The Cube com os braços sempre abertos.
saludos desde barcelona
ivi disse em 9 de novembro de 2009
oscar, eu sempre consulto meu dealer antes de ir ao paraíso, digo, ao paradise
Ney Faustini disse em 9 de novembro de 2009
Muito bom e ótima entrevista também, compartilho 100% com o que ele respondeu na primeira questão.
E na última tbm, dentro do possível…rs
mauricio disse em 8 de novembro de 2009
maraAmore!!! :) sempre arrasa!!
edu corelli disse em 8 de novembro de 2009
Sempre elegante Mrs. Oscar , eu amo se som ; é uma ida e volta ao Mar ou Marte , amo ele desde que conheci no The Cube.