De jaqueta jeans, cabelo desgranhado e camiseta preta, Matias Aguayo entrou na cabine do LAB mais parecendo o guitarrista de uma banda de indie rock do que um DJ de música eletrônica. Mas ele é assim, não é como um DJ comum de música eletrônica. E isso é ótimo.
As uma hora e quarenta minutos de música que você está prestes a ouvir são a prova definitiva (se é que ainda precisamos de uma) de que música boa é música boa – rótulos são só perfumaria. Quando você percebe isso, vê que techno e cumbia, por exemplo, são ritmos muito mais próximos do que o oceano que separa Europa e América do Sul sugere. Aguayo mixa uma coisa com outra e, sem perceber, você já rodou meio mundo numa mesma pista de dança.
Ele inicia os trabalhos só com a bateria da bomba “Dance Machine”, que serve de base para uma espécie de rap em espanhol que Aguayo manda ao vivo na hora. Ué, mas DJ de música eletrônica canta? Aguayo sim. O microfone, na verdade, é vital na sua performance (palavras dele). Depois entra a faixa de fato, um de seus maiores hits, acompanhada dos primeiros de vários gritinhos do público na noite. Os elementos de “Dance Machine” sintetizam bem o som antropofágico do chileno de 37 anos: vocais em inglês, um riff que arrasaria nas festas de aparelhagem no Belém do Pará e um sintetizador arpegiado 100% Moroder.
O segundo petardo é uma versão de “Native Love”, da escatológica Divine, anabolizada por gritos de guerra latinos e percussão extra. Em seguida é a vez do comparsa de Aguayo, o mexicano Daniel Maloso, com a já clássica “Discoteca Cavernícola” e seu indefectível break, quando entra a melodia de “Things That Dreams Are Made Of”, do Human League (outra que facilmente cairia nas graças do tecnobrega). Vez ou outra a voz ecoada de Aguayo dá uma temperada na massa sonora com shhh, shhh, shhhs e cha, cha, chas.
Assim como suas produções e as produções do seu selo Cómeme, o set de Aguayo abrange praticamente todos os gêneros musicais dançáveis. Agrada gregos e troianos, playboys e clubbers. É, acima de tudo, boateiro, de boate mesmo. Quem conhece os códigos da dance music de ontem e hoje, é claro que vai degustá-lo mais e melhor, apreciando todas suas camadas; quem não, tudo bem, vai rebolar igual. Falando em rebolar, não podia faltar também no tracklist o senõr Rebolledo, também parte do clã Cómeme, com a ácida “Super Vatos”, de seu último álbum homônimo. O juízo final fica a cargo de “Rollerskate”, do próprio Aguayo.
O DJ diz que aprendeu muito sobre ser eclético e coerente ao mesmo tempo na BumBumBox, festa com ares de happening que ele produziu em diversos cantos do mundo até pouco tempo. Chegava numa esquina qualquer como quem não quer nada, dava play no boombox e os transeuntes vinham chegando. Agora é a sua vez. Chega mais.
Texto: Millos Kaiser
Agradecimentos: LAB Club, Elaine Ela, Denis Hadler, Jeff
Fotos: Donald Christie/Divulgação
LAB Club
R Augusta 523 | São Paulo
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Tracklist não disponível.
ricardo disse em 3 de dezembro de 2011
set muito bom!! emocionante