O DJ Gustavo Miranda gravou esse set durante apresentação no club Hot Hot (SP), onde é residente. Agitar as noites do club é apenas uma dentre suas várias responsabilidades. Apesar da pouca idade que tem, Gustavo Miranda desempenha tarefas de gente grande: além de DJ ele também é produtor, dono de selo e empresário, organiza festas no interior paulista e é residente em vários outros projetos.
Numa de suas empreitadas mais recentes, criou o pseudônimo Victor Humboldt, com o qual assina as faixas de sua autoria.
Na entrevista que fizemos com o Gustavo Miranda você pode conferir tudo isso em detalhes – enquanto curte esse set animado e repleto de nudisco, house e suas vertentes.
Como foi a gravação desse set? Como é a festa?
Este set foi gravado na edição da Voyage (minha festa com meu parceiro/sócio Johnny) em parceria com a Danceteria de agosto! A Danceteria é a festa que rola todas as 5ªs feiras no Hot Hot e que começou com a idéia de uma festa que misturasse diversos tipos de público sempre trabalhando com grandes nomes da música eletrônica nacional, os quais fazem sempre sets especiais para a festa numa linha mais pop/old school tocando grandes clássicos da dance music dos 70′s/80′s e 90′s. Até por isso este meu set varia entre funk breaks, disco, nudisco, house e até fidget house!
Por ser uma festa às 5ªs feiras, temos que trabalhar bastante para amarrar o público e o som tem que ser o mais dançante possível, para fazer o público se estender mesmo em dias de semana! Aprendi muito tocando por lá desde o começo do ano até setembro, quando foi a nossa última edição em parceria com a Danceteria (agora fazemos a Voyage às sexta-feiras em parceria com a Check IN), justamente pelo fato de ter que trabalhar um lado mais pop/dance em meus sets, mas sempre mantendo novidades e músicas boas no set, não comerciais. Foi um desafio nas primeiras vezes mas depois de três noites tocando já peguei o jeito de manter um set bem para cima, a cara da festa e que não fosse apelativo.
Você é ligado em música desde criança? O que mais o influenciou?
Sempre. O primeiro CD (CD mesmo, vinil e k7 já tinha outros, obviamente) que eu ganhei na vida, dado pelo meu pai, foi a compilação do Garage 70 vol.2 do Ricardo Guedes – ainda tenho ele mas não tem a data no encarte – mas nessa época eu devia ter uns 9 anos de idade – antes disso eu escutava muito rap e dance na rádio. Meu pai sempre foi muito fã de música também, e já foi DJ de Disco quando moleque, só de brincadeira, e obviamente com o tempo ele passou a escutar house music. Meu pai foi influenciado pelo meu avô, que escutava e ainda escuta MUITO jazz e bossa nova, de quem eu peguei muita influência também. Então eu e meus irmãos crescemos escutando dance music em casa desde que nascemos, o que fez com que meu irmão mais velho já escutasse música eletrônica desde muito cedo e eu também, por consequência. Aliás, o motivo da escolha do CD do Garage 70 pelo meu pai foi justamente porque meu irmão mais velho, que já devia ter uns 12 anos de idade na época, já escutava muita música eletrônica. Desde então minha história com música foi sendo traçada neste sentido! Aos 10 anos, quando comecei a ter mais independência no que escutava, me interessei muito por rock e jazz, gostava muito de rock progressivo e fui estudar violão e guitarra, que toquei até os meus 15 anos de idade mais ou menos quando voltei a escutar mais música eletrônica mas de forma idependente da minha família ou amigos; obviamente me interessei mais pela house, que me era familiar. Lembro que o primeiro CD que comprei com meu dinheirinho guardado aos 11 anos de idade foi o Traveling Without Moving do Jamiroquai em edição dupla, em um CD era só remixes house de “Cosmic Girl”, o qual também tenho ainda hoje!
Fale um pouco sobre o seu trabalho como Victor Humboldt.
Victor Humboldt é um projeto que ainda está em construção, que segue as mesma sonoridade que sempre trabalhei. As primeiras faixas boas estão sainda agora e já vão ser lançadas em breve pelo nosso selo, o Voyage INC. Records! Minhas intenções com ele são bem claras e simples, fazer o maior número de músicas boas trabalhando loops de antigas tracks de pista em re-edits ou até produções mais trabalhadas e várias outras produções originais mais para a linha deep/tech house, fazendo com que o projeto tenha a minha cara, mais eclética, como meus dj sets, mas sempre nessas linhas já citadas, tendo tracks com uma pegada mais old/school e outras bem mais contemporâneas mais tech mesmo.
Em breve, quando tiver algumas tracks já lançadas e com algum reconhecimento, pretendo tocar só como Victor Humboldt e então me firmar como um produtor.
Quando não está pesquisando ou produzindo, o que costuma escutar?
Como já você já deve ter percebido, escuto muitos tipos de música diferentes, sou muito eclético, se for colocar cada coisa que escuto aqui não acabo nunca, mas dentre as coisas que mais escuto são: muita música popular brasileira, principalmente bossa nova, tropicalismos, muitos músicos baianos (Caetano, Maria Bethânia, Gil, Dorival Caymmi), samba; também muito jazz, música jamaicana no geral mais dub, ska e early reggae, música negra americana (R&B, soul, funk), rock progressivo dos 60′s e 70′s, shoegaze, e muito folk de diversos lugares do mundo. Mas escuto muito, para fazer diversas atividades, nujazz e lounge music!
Comente seus projetos atuais e futuros.
Como produtor de eventos venho trabalhando full time na minha agência, a Voyage INC., na qual temos um sistema de agenciamento (bem interessante) que nos permite trabalhar com diversos gringos sem ter que apelar para o mais comercial possível! Isso nos possibilitou trazer e/ou bookar nesses 2 anos nomes como: Troy Mclean (Fort Knox Five), Neighbour, Frank Cueto (All Good Funk Alliance), Sticky Buds, Jazzy Eyewear, Stipé, Bjorn Wilke, Manuel Sahagun, Christian Malloni. Foram muitos, até posso ter esquecido algum nome, mas estou muito feliz em poder fazer esse trabalho e trazer esses nomes para o pessoal ver em festas que a gente sempre faz. Pensamos, SEMPRE, muito no nosso público e na forma de fazê-los se divertir ao máximo, mas sem fugir do nosso conceito inicial que tivemos 3 anos atrás: de fazer festas trabalhando sempre com música boa e na linha que mais gostamos – lounge, downbeats, nujazz, grooves, disco e house!
Além da produtora/agência também acabamos de abrir nossa própria label, a Voyage INC. Records, que vem dando oportunidade a novos e promissores nomes da house music nacional, mas que já conta com EPs com lançamento previsto ainda para este ano, com grandes nomes internacionais, como Neighbour e Christian Malloni!
Além da Voyage INC. pretendo crescer ainda muito como DJ (mixer mesmo, não tenho grandes ambições em sentido de fazer lives e etc., gosto muito de mixar as coisas na mão). Espero que logo eu tenha dinheiro suficiente para poder comprar só 12 inches originais e tocar com eles e, claro, quero investir muito em minhas produções e ganhar reconhecimento neste sentido.
Gosto muito de estudar, com 23 anos estou fazendo minha 2ª graduação porque não aguento ficar sem frequentar uma instituição de ensino, e, mesmo estando feliz com os resultados que já obtive, espero que eu continue tendo essa animação para crescer profissionalmente sempre!
Fotos
Audioviva
Desculpe, tracklist não disponível.
Audioviva disse em 30 de October de 2010
gosto do que ouço e tb do que vejo.
djbernardocampos disse em 30 de October de 2010
Esse mulek é baum!
Daniel Lucas disse em 30 de October de 2010
Boa Gu
parabens pela entrevista e pelo set meu caro!
Tamo junto !
Hero 0 disse em 29 de October de 2010
boa Gusta :]
set fino pra carai brotha!
[]'s
HZ
leonardo ruas disse em 29 de October de 2010
BOA Gu, talento de sobra….