dblive Atum

18 de julho de 2009

DJ Atum? Mas quem seria esse cara com nome de peixe? Soava estranho, mas era só o nome, o som dele me levou pra pista de dança. Todo mundo se divertindo. A primeira impressão é a que fica, né? E isso continua se repetindo faz tempo, desde uma noite no lendário Susi em Transe, finado club-buraco do centrão de São Paulo que recebeu até Ellen Allien, quando eu e Nenê Krawitz rimos muito e nos jogamos mais ainda ouvindo DJ Atum. Depois disso peguei uma noitada no clube Sugar Factory, em Amsterdã, onde Atum descolou umas faixas de pop pra misturar com minimal techno. Just to bring groove to the dancefloor.

A mistura musical equilibrada, com surpresas como velhos hits pop-house no meio de sets de minimal e electro, faz a diferença. Depois saquei que Atum – William Atum é seu nome real – gosta de coisas muito diferentes entre si, como Larry Levan e Maria Bethânia ou Magda e Daft Punk. Primeiro, ele era ligado com a cena electro paulistana do começo dessa década, tocando em várias festas no também finado ampgalaxy, reduto de electroclashers, ao lado de Princess Superstar, Beroshima, Roussia, John Taylor (Punx Soundcheck) e Princess Julia. Logo, Atum abriu o leque de referências, influências e confluências e é um dos DJs mais versáteis em São Paulo atualmente.

Abaixo ele conta mais sobre o set que você está ouvindo aqui no deepbeep – gravado na festa Tapa na Pantera, n’A Lôca – e sobre a vida, as inspirações e os gostos.

Este seu set foi gravado na Lôca, como você o compôs, quais as inspirações?
Para essa noite do projeto Tapa na Pantera preparei o case com faixas bem oldschool. Escolhi um repertório groovado, com levadas bem funky, graves potentes, um pouco de disco e uma pitada de acid e chicago house. O set é composto por faixas produzidas entre 1980 e 1987, com exceção de duas músicas atuais – “Pleasure For Your Treasure” e “Color Correction” – que soam completamente atemporais.

Você é de uma leva de DJs que começou a aparecer no começo dessa década, quais as suas influências musicais mais fortes e os DJs que te inspiram?
Curto transitar por diferentes estilos, dependendo da festa e da ocasião. Os meus sets têm influência forte de electro, justamente porque quando comecei profissionalmente esse estilo vivia um momento muito fértil. Adoro rock, disco, techno, acid, chicago, soul, hip hop, pop. Os DJs daqui que me inspiram são Julião, Leiloca Pantoja, Mau Mau, Maurício Lopes, Mauro Borges e Renato Lopes. Entre os gringos: Magda, Seth Troxler, Joakim, Chloé, Ewan Pearson… Nos anos 90 eu adorava ouvir o programa de rádio Novas Tendências do DJ carioca Zé Roberto Mahr. Foi uma escolinha à distância. Depois de anos, finalmente conheci Zé Roberto e ficamos amigos. Foi um prazer tocar na mesma festa que ele. Outras influências fortes foram as noitadas nos clubes Toco e Overnight, quando eu era adolescente.

Conte pra gente uma ou duas gigs que marcaram sua carreira e porquê?
Foram as duas vezes em que fui convidado para tocar nos clubes mais legais de Amsterdã, o Melkweg (2005) e o Sugar Factory (2007). O que pra mim caracteriza reconhecimento e valor no que eu faço.

Você tem muitos discos clássicos de MPB, que tipo de influência a música brasileira exerce no seu gosto musical?
Amo e pesquiso muita música brasileira. Meu primeiro disco da vida foi o do Secos & Molhados de 1973, e ainda continua sendo meu disco de cabeceira. Teve uma vez que fechei um set com “Sangue Latino”, faixa desse disco, e a pista enlouqueceu. Em outra festa toquei “A Rã”, do João Donato, e a resposta da pista foi muito positiva. Mas tem a hora e local certo de tocar.

Além da própria música, que outras áreas exercem influência ou te dão referência.
Me ligo bastante em estética e cultura de massas. Busco referências no cinema, na moda, na literatura, na tecnologia e nas artes de maneira geral. Procuro ficar atento e ligado em tudo o que acontece ao meu redor. Pra mim, informação é uma ferramente essencial.

Onde você toca em julho e agosto?
Toco nas minhas duas residências mensais no Clube A Lôca: Tapa Na Pantera na primeira terça do mês, e Atomik no segundo sábado de cada mês ao lado do DJ Luca Lauri. Neste mês de julho, no dia 18, Luca e eu convidamos o DJ Darko, de Bruxelas, para dividir a cabine conosco para tocarmos sets inspirados em David Bowie. Em julho ainda toco no Cio, dia 22 no D-Edge, e no Supersonique, dia 29 no Sonique.

Texto e entrevista: Ivi Brasil

comente

  1. Serginho

    Serginho disse em 9 de setembro de 2009

    Adoro as velhinha!! Luxo!

  2. ivi

    ivi disse em 29 de julho de 2009

    ADOGAY, AS USUAL

  3. Ney Faustini

    Ney Faustini disse em 22 de julho de 2009

    Ótimo set!

  4. dani

    dani disse em 22 de julho de 2009

    dj maravilhoso, sets sempre maravilhosos! :)

    *morri de rir com a camiseta “tuna”!

dblive Atum
ouça na radio

sugestões de sets

tracklist

01 – Taana Gardner – Heartbeat
02 – Prince – Bob George
03 – First Touch – Pleasure For Your Treasure
04 – Cameo – Word Up
05 – Lisa Lisa & The Cult Jam – Let The Beat Hit’ Em
06 – Straffe – Set It Off
07 – Gallifre – House Rhythm
08 – X-District – Color Correction
09 – Loose Joints – All Over My Face
10 – Bush Tetras – You Can’t Be Funky
11 – Kurtis Blow – The Breaks

acompanhe