Baterista e ex-professor de conservatórios, Andre Juliani traz no currículo uma forte ligação com a música orgânica, antes da eletrônica. A paixão pelos sintetizadores e mixers começou em 1994, quando o conhecedor de rock e jazz freqüentou o Hell’s Club, after-hours de São Paulo que, em sua primeira edição (94 a 98), formou uma geração de DJs e amantes da cultura de noite. Foi na pista do Columbia que ouviu techno pela primeira vez, dando os passos iniciais na carreira de disc-jóquei e tornando-se muito conhecido pelo clube do qual foi sócio, o PIX.
Graças à sua história com as picapes, foi indicado seis vezes ao extinto prémio Noite Ilustrada, da jornalista Erika Palomino (Folha de S. Paulo), como melhor DJ de house e tech-house e, este ano, foi indicado como melhor DJ no prêmio Best Brasil, da DJ Mag. Atualmente, além de diretor artístico do clube Vegas, Juliani, 33, também trabalha como produtor: acaba de lançar o EP Rulio (Trusty/ProImusic), com seis faixas que, sem esquecer as influências orgânicas, transitam pelo downtempo, IDM e break. Neste set para o deepbeep, gravado ao vivo na festa Máfia, ele mostra sua faceta de baixos bpms em house e nu-disco.
Fale sobre seu set. Como você o compôs, quais as inspirações, por que escolheu estas faixas?
O set foi gravado ao vivo na edição de novembro de 2008 da Máfia, festa que sou residente no Vegas. Nesta noite fiz um set um pouco diferente do que as pessoas estão acostumadas a me ouvir tocar. Basicamente, house e nu-disco com bpm bem baixo e com elementos acústicos. Eu nunca preparo um set com antecedência pois prefiro “sentir” a pista, acho que fica mais espontâneo. Meu gosto é bastante eclético e levo músicas para as mais diversas ocasiões, sempre com idéia de mostrar algo novo para a audiência.
Você é ligado em música desde criança? Conte um pouco sobre sua história e se há fatos curiosos, até o momento em que você virou DJ e começou a tocar em clubes/festas.
Meu avô foi trombonista da Orchestra Municipal de São Paulo nos anos 40, e tenho a imagem dele ensaiando em casa quando eu tinha seis anos de idade. Meu pai e meu avô tinham juntos uma bela coleção de discos de jazz e soul. Sou músico, baterista: toquei em várias bandas de rock e jazz nos anos 90 e ainda lecionei em alguns conservatórios. Foi uma escola e tanto.
Minha primeira experiência com música eletrônica e clubes foi em 1994, no extinto e lendário Hell’s Club. A convite de um amigo fui escutar o Mau Mau tocar e fiquei impressionado com o que vi. Toda aquela gente totalmente conectada com aquele som completamente inovador. Foi paixão a primeira vista. Logo fiz amizade com o Mau Mau e, em 1997, comecei a discotecar.
Tive uma sorte muito grande porque, quando estava começando o processo interminável de pesquisa musical, ganhei um case com 200 discos do DJ Alfred, que acabara de falecer. Ele era residente do Hell’s e, neste case, vieram muitos clássicos de selos de Detroit e Chicago, o que serviu de base para o meu som. Fui sócio do PIX, um pré-clube que funcionou entre os anos de 1998 e 2004, no qual eu tocava todas as sextas e sábados. Era um lugar bastante intimista (150 pessoas), e que deixou saudades.
Quais seus projetos, festas e/ou parcerias em andamento?
Sou residente do Vegas, na festa Máfia, que acontece sempre no último sábado de cada mês, e toco também, às quintas-feiras, na noite Rockfellas, no mesmo clube, festa na qual abro meu acervo de raridades soul, rocksteady, ska, dub e rock n’ roll. É bem divertido.
Fotos e texto: João Pedro Perassolo
eduardo corelli disse em 16 de março de 2010
set elegante como o dono do mesmo.
Max Underson disse em 4 de julho de 2009
levada funkeada da boa, percusão e groove de responsa.
valeu,ótimo set!
K disse em 7 de junho de 2009
Adoreiiiiii
filou disse em 5 de junho de 2009
ah, got it. it’s ‘sleep deprivation’ (simon baker remix) by simian mobile disco. tune.
:D