Ana Flavia é importante figura nos clubes e festas do circuito eletrônico de São Paulo. Discotecando profissionalmente desde 1999, Ana é hoje residente em projetos como a Máfia, no clube Vegas e Ladies Night, no clube ICE. Ela ainda toca projetos paralelos como o Rockfellas e Hannas Sisters, faz trilhas para desfiles e eventos de moda, tudo em nome da música que se diz apaixonada.
Seus sets não se restringem ao techno ou a house: sempre que possível ela exercita seu gosto pessoal que vai desde a soul music, até o pop oitentista e o rock. Este, gravado recentemente no clube D-Edge, mostra um lado mais ousado e despretensioso da DJ. “Tem alguns edits, raridades e fecha com uma música do Apparat muito diferente do resto do set.” comenta.
Fale sobre seu set. Como você o compôs, quais as inspirações, por que escolheu estas faixas?
Esse set foi gravado no D-Edge, em um coquetel de um navio e uma revista. Tava todo mundo chegando e bebendo no bar, a pista tava vazia e eu aproveitando pra gravar pro deepbeep. :-) É uma homenagem a blogs de música como o d-i-r-t-y e o Disco Devil, misturando com alguns dos meus vinis. A seleção vai de deep a flash house, sem seguir nenhuma lógica, tudo despretencioso e divertido. Eu amei gravar porque são músicas que ficam na cabeça enquanto você está na fila do banco ou passeando pela cidade.
Você é ligado em música desde criança? Conte um pouco sobre sua história e se há fatos curiosos, até o momento em que você virou DJ e começou a tocar em clubes/festas.
Eu sempre amei música e festa. Nas festinhas de criança em casa sempre tinha alguma apresentação horrível da gente dublando o trio Los Angeles ou o Balão Mágico. Uma vizinha conta que eu andava com os discos do Roberto Carlos da minha mãe dentro do meu carrinho de boneca pra cima e pra baixo. Meu pai sempre comprou muito disco nos anos 70. Lembro até hoje quando ele chegou com o Bad Girls, da Donna Summer, de capa dupla e um povo muito estiloso na foto do encarte. Nos anos 80 curti de tudo, nos anos 90 rock e trip-hop até virar clubber, largar um negócio rentável e me jogar na noite com cara e coragem. Minha estreia foi no projeto Cio, no antigo clube Stereo. A Gláucia chamava os amigos pra tocarem músicas dos anos 80 e nessa noite eu ia dividir a cabine com a Marina e a Adriana, mas elas desistiram de última hora e a Gláucia foi comigo. A gente só tocou nossos vinis da adolescência e viramos uma dupla além da residência no projeto. Passamos alguns anos tocando juntas e depois cada uma seguiu seu rumo dentro da música eletrônica. Atormentei muito a Paula, o Andre Juliani e o Mau Mau pra me ensinarem a tocar e não desisti enquanto não aprendi. Vivi a loucura dos vinis em uma época que ninguém tocava CD e só comprava disco na Galeria Ouro Fino. Meus ídolos e amigos estavam sempre lá esperando a nova leva chegar da Europa e eu colava neles. Vi o quanto amava demais tudo isso e não parei mais. Daí tive projetos no Lov.e, Ampgalaxy, Mood e mais um punhado de lugares que já fecharam. Já toquei muito em restaurantes, festas de empresas, lounges e chillouts até engrenar. Entrei na Smartbiz e comecei a levar a sério. A Red Bull Music Academy foi muito importante também por me levar pra outros países.
Quais seus projetos, festas e/ou parcerias em andamento?
Hoje meus projetos são a Máfia, no Vegas com o Juliani, a Paula Chalup e o Dubstrong, que é mais eletrônico. O De Polainas, um coletivo com mais 8 amigas, que vai começar no Glória em breve e vai tocar de tudo: pop, rock, coisa velhas e novas. O Hannas Sisters, no bar 8 com a Nega Nervous é um projeto mais soul. Além disso, sou residente mensal da festa Ladies Night no clube ICE, em Santana e do Rockfellas, também no Vegas. E também faço parte do cast da Smartbiz.
Fotos e texto: João Pedro Perassolo
01 – The Ting Tings – We Walk (intro)
02 – Black Santa – Feline 9’s Love the Pussy Mix
03 – Nitro Deluxe – Let’s Get Brutal
04 – Mickey Moonlight – Interplanetary Music
05 – Phil Weeks – Where I’m From
06 – Knight Action – Single Girl
07 – Housemaster – What You Want
08 – Gay Cat Parker – I’m a Vocoder
09 – Jason Nabbs – Reality Agent
10 – Elvis Presley – Craw Fish (Pilooski Edit)
11 – The Might Bop vs Blackjoy Dub – Bang Bang
12 – Der Zyklus – Formenverwandler
13 – Captain Comatose – Say CC Say
14 – Discodeine – Joystick
15 – Metronomy – Trick or Treatz
André Costa disse em 5 de abril de 2011
O desequilíbrio no volume que me fez desistir de escutar… :-(