
O inverno está no ar! Contrastando com as temperaturas geladas, a Sangria Digital apresenta um set quente, ao mesmo tempo arrastado e profundo, aconchegante e cerebral, um licor de pré-hibernação pronto para estimular as mentes mais frias a cair nos braços de Morfeu.
Esse set representa o que é a coluna Sangria Digital, músicas que dificilmente poderiam ser tocadas em uma pista de dança, reunidas de forma a transmitir emoções que não sejam a euforia de uma pista enfumaçada às 4 horas da manha.
Sangria Digital Vol.12
1 – Bibio – Prententious
2 – SBTRKT – Wildfire ft. Yukimi
3 – Maddslinky – Further Away ft. Tawiah (Falty DL Remix)
4 – George Lenton vs Al Green – Simply Beautiful
5 – Appleblim & October – Fountains of Paradise
6 – Bullion – It You Want To Reach Me Gwilym (Gwilym Remix)
7 – Ulysses – Lullaby
8 – Gil Scott-Heron & Jamie XX – My Cloud
9 – Gadi Mizrahi & Deniz Kurtel & Charles Levine – Stay Home
10 – Ilija Rudman – More Than a Memory
11 – Locussolus – Little Boots (An Emperor Machine Special Edit Version)
12 – Crowdpleaser – Nenekri
13 – Who Made Who – Every Minute Alone (Michael Mayer Remix)

Renato Lopes completa neste mês 25 anos de uma carreira brilhante como DJ, uma trajetória que está sendo comemorada em vários eventos e entrevistas. Relembre agora suas músicas mais emblemáticas como residente em clubes históricos de São Paulo.
Comentários por Renato Lopes.

Genialidade contemporânea: Sam Shepherd A.K.A. Floating Points
“Bem, você sempre esteve muito apegado ao passado, então creio que essa sua preocupação deva ser uma auto reflexão sobre isso.” Foi o que me disse um grande amigo ao saber do meu interesse em entrevistar Samuel Shepherd, o Floating Points, para o Breakbeats & Electronic Standards. Mas é isso mesmo. Embora o projeto tenha como objetivo falar das influências históricas para a música eletrônica e os breakbeats, a idéia de se ter um personagem que tenha absorvido as boas influências do passado e as traduzido em uma obra consistente e de forte identidade nos dias de hoje é igualmente interessante.

A sonoridade mais intrigante que surgiu nos últimos anos via blogosfera, sem nenhuma dúvida foi esse tal de Witch House ou Drag music, seja qual for o rótulo usado, a certeza é que a música tem um efeito profundo se escutado com atenção, e na caverna certa.
A origem direta dessa nova cena vem do Hip Hop feito pelo DJ Screw em Houston, um herói local que repicava e reduzia o pitch de clássicos do rap, pulverizando pela cidade famosas mixtapes. Embalado pelo purple drank, uma mistura de xarope pra tosse (carregado em codeína e outros sedativos), sprite e caramelos, o licor era o acompanhamento ideal para o screwed rap, cantado em verso e prosa em diversas musicas, a relação da droga com o gênero é tão importante como a maconha para o reggae.
Esse particular Hip Hop sulista tocado em slow motion e sedado de purple drank, foi o molde perfeito para os pioneiros do Salem, que processaram a técnica, e introduziram elementos novos, dando uma cara mais ruidosa e distorcida, com referências soturnas e góticas, mas com uma pitada de melancolia poética que os torna acessível.
Os artistas que compartilham dos mesmos ideais e inspirações é de uma proporção considerável, e de exposição cada vez maior, uma espécie de seita que circula por blogs obscuros e comercialização preferida via CD-R. A escolha dos nomes também é um fator de distinção, caracteres que dificultem sites de busca, são muito bem vistos.
O gênero não se resume as trevas góticas industriais, uma aura mística ronda a estética Witch (bruxa), rituais pagãos de celebração a terra, ocultismo, pentagramas, todos os símbolos da bruxaria de alguma forma adaptados por garotos geeks, que fazem de feitiço a tecnologia de estúdios baratos, experimentação e chapação deliberada como ingrediente vital nessa poção de xamanismo eletrônico.
A estética visual que acompanha a cena evoca o caráter DIY de uma contracultura musical que ainda respira os ares do underground, muitos encartes dos CD-Rs de divulgação são acompanhados de ilustrações feitas à mão, as fotos e os vídeos clipes são colagens que exaltam toda essa estética apocalíptica psicodélica.
A subversão do pop também é uma ferramenta corriqueira na Drag music, ícones da música pop são sujeitos ao “witch touch”, tendo suas músicas amaldiçoadas por distorções e destruição de estruturas. Um dos selos mais importantes desse movimento, a Tri Angle records lançou uma coletânea de versões witch house das canções de Lindsay Lohan, desconstruindo os originais por pura paixão a música pop.
A segunda música do set é uma versão de Lindsay Lohan, Laurel Halo – Something I Never Had, é uma prova de que a paixão pelo pop é seria e funciona melhor que o original. O set não é exatamente purista, ele flerta com chillwave, lo-fi eletrônica, estilos que também tem uma ligação com uso de efeitos e distorção e com os bpms lentos.
A mesma Tri Angle records, é um dos convidados para apresentar seus artistas no mais conceitual festival de música eletrônica do mundo, o Sónar, em Barcelona no próximo mês de junho. Exemplo de que o hype chega para todo mundo que tem algo de significativo a mostrar. A prova de fogo é saber se com essa superexposição, o inverso da subversão vai acontecer, e se estaremos em breve escutando versões de witch house by David Guetta e Will.i.am.
1 – Mater Suspiria Vision – Welcome To The Witch House (ft. Shazzula)
2 – Laurel Halo – Something I Never Had
3 – Becoming Real – Closer (Stalker Remix)
4 – Salem – Water
5 – White Ring – King
6 – LAKE R▲DIO – Never
7 – H∆UNT3D HOUS3 – Witch Way
8 – GR†LLGR†LL – 2200 LuLLaby
9 – Holy Other – YR Love
10 – ETHEREA – Eye One Two
11 – Raw Moans – I’ve got mail
12 – oOoOO – Mumbai

Lançado pelo selo Tranzmitterno dia 14 de abril (2011), e passando dos 4.000 downloads já na primeira semana, o álbum Mata Viva de Jaime Bmind (com o trompetista Roger Brito) consolida Atibaia como segundo pólo da música alternativa no estado de SP. Um movimento que tem como denominador comum músicos experimentais, independentes da cidade de São Paulo.
Visitei Bmind em Atibaia para entrevistá-lo, e ouvir a mata viva de perto.