CHYMERA
- Sentimento Melódico
 (Irlanda)

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Arauto das emoções, mestre nas melodias: Chymera

Brendan Gregoriy, o  Chymera - nome herdado da criatura mitológica grega que cospe fogo com três cabeças de animais diferentes: leão, cabra e serpente - está em sua primeira tour no Brasil (já se apresentou em São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro e segue para sua última gig, dia 14 em Birigui).
Mas que significado isso tem para quem nunca ouviu falar dele? Em primeiro lugar, o artista pertence ao seleto grupo de talentos da música eletrônica de clubes que a partir da segunda metade dos anos dois mil, cravou seu nome graças a uma discografia com notabilidade e identidade (cada vez mais raras de se ver), alem de sofisticada percepção musical. Em segundo, conseguiu preservar a tal continuidade artística, com seguidos singles lançados bem recebidos pela crítica e pistas de dança. Em terceiro, sua obra causou impacto suficiente para ganhar versões de nomes importantes como Funk D’Void, Fabrice Lig e Orlando Voorn.

Ainda antes de sua viagem para o Brasil e graças a sua receptividade, aproveitamos para um bate papo afim de compartilharmos algumas informações interessantes sobre suas origens, música e carreira, com direito a algumas surpresas, é claro. A começar porque, apesar de muito adepto de belas melodias, foi no Rock pesado que Chymera herdou uma de suas principais influências. A partir de agora, ele tem a palavra.  » Continue lendo esta matéria

Sampling [Parte 2] – Matthew Herbert

Matthew Herbert disse uma vez que o mundo é o piano mais completo que existe. Acostumado a subverter padrões, criar seus próprios e recriá-los tempos depois, ele publicou um manifesto, em 2005, listando as novas regras de seu processo criativo: não usaria mais baterias eletrônicas, sintetizadores ou presets. Tudo deveria ser feito com sons gravados por ele mesmo. 

Na primeira parte de Sampling, conversei com Trus’me sobre a arte de fazer música com músicas que já existem. Herbert, porém, vê a confecção de samples como processo tão autoral quanto a composição e a produção. O álbum “Bodly Functions”, por exemplo, captou sons de diferentes órgãos do corpo humano – a percussão da faixa de abertura é o som de um bebê na barriga da mãe; “One Pig” é feita com sons de um abate de porcos; e a não menos controversa “The End Of Silence” usa um único sample de cinco segundos, gravado pelo fotógrafo Sebastian Mayer, de um avião de Gaddafi arremessando uma bomba na cidade de Ra’s Lanuf, na Líbia – e que Herbert transformou em três músicas inteiras. Tudo é pensado milimetricamente – a posição dos microfones, a data da gravação, o número de batidas por minuto. Herbert parece ver o mundo como ele é: um aglomerado de significados, passíveis de interpretações tão diversas quanto redutíveis se enclausuradas em padrões pré-estabelecidos.    » Continue lendo esta matéria

Sangria Digital Vol.24

sangria 24
A Sangria Digital vol.24 foi feita em especial para celebrar a 2ª edição da festa Sala deepbeep, que acontece no próximo dia 22 no Centro Cultural São Paulo, e é uma parceria do deepbeep e CCSP, com o apoio da Cerveja Proibida. Lá estarei representando esta coluna, tocando as músicas que venho apresentando por aqui há mais de dois anos, entre outras cositas… » Continue lendo esta matéria

MARK ARCHER (Mr. Nex) – Altern8/Nexus 21

WATCH YOUR BASSBINS I’M TELLIN YA! 

mark archer

trauma eterno da noite divisora de águas em que você não esteve. Todo mundo tem os seus. Me lembro até hoje dos relatos de um grande amigo sobre o LM Music em que Moby e Altern 8 se apresentaram em São Paulo, nos idos de 1993. Catarse profunda que mudaria as cabeças de uma geração para sempre. Por sorte, ter sido cercado de faixas de Jam & Spoon, 4Hero, Urban Hype, Prodigy, Liquid, Moby, Altern 8 e T99 desde o início da década de noventa fez com que não precisasse necessariamente ter ido ao evento em questão para entender o que significava aquela nova era musical. Mas a verdade é que esta noite será para mim uma lacuna para sempre. Quem não esteve na LM como eu teve que esperar o evento do Iraí Campos no Galpão Ferrovia em 2006 para poder ver ao vivo uma apresentação de Mark Archer (um dos membros do Altern 8) no Brasil, desta vez ao lado de Mark One nos célebres uniformes e máscaras. A entrada da dupla carregada pelos seguranças em um colchão foi mais um episódio que não sairá da memória.
O destino costuma nos pregar peças, algumas muito boas. Acabei me tornando próximo do Mark, e tive a honra de estar ao seu lado nas suas tours a partir de 2007. Quando viajamos para Fortaleza na primeira delas, me disse uma tarde enquanto caminhávamos na praia: “quero retomar a minha jornada na música como DJ e produtor.” A julgar pela sequência, foi profecia consumada.  » Continue lendo esta matéria

AFRIKA BAMBAATAA (ZULU NATION)

ONE NATION UNDER THE SUPREME FORCE
ELECTRONIC STANDARDS / MR GROOVE / TRUE SCHOOL / BAN EMC

Afrika Bambaataa (Electronic Standards) - Photos - Playing

Afrika Bambaataa (Electronic Standards) - Photos - Zulu Nation (Title)Era o início da noite de quarta, todos os compromissos tinham sido desmarcados. Afinal, às 19h30, se apresentaria na Ban Electronic Music Center a lenda do Bronx, Afrika Bambaataa, um dos catalisadores do Hip Hop, Electro e ícone das batidas quebradas – eletrônicas e orgânicas. A expectativa era enorme, principalmente porque fiquei sabendo por acidente que este evento aconteceria. Tudo começou quando liguei um dia antes para o Oswaldo da Mr. Groove com o intuito de planejar a próxima edição do podcast do Electronic Standards em parceria com a True School do Sylvio Müller e a Mr. Groove, cujo tema seria lentas. Subitamente, contaram que no dia seguinte o convidado seria o Afrika Bambaataa no programa, e sugeri que fizéssemos a entrevista juntos. Pronto. Vinte e quatro horas de correria para preparar tudo, e lá estávamos. Eram tantas perguntas que tinha em mente. “Quem são suas principais influências? Quais seus solos de bateria favoritos? Como era o Bronx dos anos setenta?”, e por aí vai. O evento aconteceu na Ban EMC, com direito a grandes convidados nos toca-discos, do Oswaldo ao Celsinho Double C e M Flash. Muitos convidados trouxeram vinis originais do Afrika Bambaataa com o Soul Sonic Force para assinar, e relembraram os tempos em que era necessária uma verdadeira Cruzada para encontrar os singles, EPs e LPs importados (confira a extraordinária coleção de vinis que o Bambaataa doou a’ universidade Cornell com direito a preciosidades de Jimmy Castor Bunch, Kraftwerk, Lonnie Liston Smith, entre outros clássicos). 
Já passava das dez da noite, e nada do Afrika aparecer. Será que tinham se perdido? Estaria adiado o sonho de conversar com o ícone? Cerca de meia hora após, ele chegou, e cumprimentou a todos, de forma bastante atenciosa. Subimos no local da apresentação e o Sylvio, empolgadíssimo, disparou a primeira, enquanto ainda instalavam os equipamentos: “Pergunta para ele o que ele tem para falar do DMC, Cash Money, etc…” Até eu me embaralhei, tamanha a ansiedade. E foi assim que começou…  » Continue lendo esta matéria