Vários exemplos me vêm a cabeça quando penso em transe coletivo, um deles é aquela ligação psíquica do cotidiano familiar ou profissional: os envolvidos compartilham neuras e se comprometem à horários e hábitos até internizarem o comportamento de cada outro participante, expectativas cruzadas que se transformam em reações intuitivas. Em outro extremo, penso na sincronização energética do culto religioso ou na interação de movimentos improvisados que se repetem pela pista de dança: o conjunto reverbera a mesma força, aplaude, entoa e se movimenta em sintonia, mantendo por horas a amplitude do circuito inteiro. » Continue lendo esta matéria
Aldo Marin, fundador do ‘Cutting Records’, fala de seu selo que se tornou referência em música eletrônica dançante nos últimos trinta anos e de suas experiências como produtor
“Nasci e fui criado no norte de Manhattan, Nova Iorque, em uma vizinhança bastante diversa. Cresci em uma casa de família cubana, e portanto, fui exposto à música daquele país – ou seja, Benny More, Orquesta Aragon, Charanga 76, Celia Cruz, entre outros. O meu irmão dez anos mais velho, Amado Marin, me apresentou o som da Motown de Stevie Wonder, The Temptations, Diana Ross e os Supremes, assim como os artistas da Fania Music (Willie Colon, Hector Lavoe, Johnny Pacheco) e uma variedade de artistas de Rock, como os Rolling Stones, Bread e The Turtles. Quando completei dez anos, meu irmão mais velho teve a oportunidade de comprar uma loja de discos chamada ‘The Music House’ na Rua Dyckman (altura da R. 200). Naquela época, início dos setenta, ia para a loja logo após as aulas para ajudá-lo. Lembro do meu primeiro LP, o ‘Love Is The Message’ do MFSB e das primeiras músicas que ouvi ali – ‘Soul Makossa’ do Manu Dibango, ‘The Mexican’ (Babe Ruth), ‘It’s Just Begun’ (Jimmy Castor), entre outras” – conta Aldo Marin, fundador da Cutting Records, gravadora que transcendeu a barreira dos gêneros. » Continue lendo esta matéria
A nova edição da Sangria Digital aqui pelo deepbeep marca a volta do projeto Sangria Digital, noite que deu origem a esse espaço e que aconteceu semanalmente ao longo de 4 anos no Prefácio Bar. Durante mais de dois anos sem o projeto, essa coluna ocupou o espaço de disseminação das ideias musicais da Sangria e que agora também podem ser escutadas sorvendo uma bebida gelada no espaço Guadalupe em Porto Alegre.
DJ há mais de duas décadas, Xerxes de Oliveira é reconhecido internacionalmente por seu projeto XRS Land e a parceria com o DJ Marky. Mas você sabia que ele também é um dos nossos melhores professores? Numa época em que se acreditava que aprender a produzir música eletrônica era simplesmente dominar o equipamento, Xerxes já sugeria questões mais complexas a seus alunos.
O produtor/DJ fala sobre as opções de ensino musical hoje e como esse aprendizado pode influenciar a nossa eletrônica nacional num futuro próximo. Seu mais novo curso, elaborado por ele mesmo, abrange história, filosofia, matemática, física e teoria musical, e leva a compreensão da eletrônica a outro patamar.
Talvez você não saiba, mas as acappellas de Bernard Fowler, cantor norte americano do Queens, estão entre as mais ouvidas de todos os tempos no universo da música eletrônica dançante. Não é brincadeira, pode acreditar. Seus vocais monumentais influenciados pelo Soul, Gospel e Blues exerceram reinado sobre os quatro cantos do globo, da Post-Disco aos gêneros House, Techno, Drum & Bass, entre outros. E não para por aí: Bernard atuou com uma lista de gigantes que incluiu Herbie Hancock, Larry Levan, Keith Richards, Mick Jagger e Bill Laswell. Está bom ou quer mais? Por isso, aconselho um momento de degustação sonora das obras cantadas por ele na melhor poltrona da sua casa com os fones (ou as caixas de som) dos seus sonhos. Você não vai se arrepender. Enquanto isso, vamos ver o que ele próprio nos diz a respeito dos oitos e oitentas de uma brilhante carreira, norteada pela singularidade.