Considere esta seleção não como uma lista comum, vertical ou cartesiana, que se encerra em si mesma, e sim como uma série de módulos, bolhas, nuvens ou salas. Cada conjunto pode ser desdobrado de acordo com o repertório musical do ouvinte.
O coquetel de abertura da ‘Exibição de Arte Visionária de Detroit’ (Detroit Visionnary Art Exhibit), realizado na abertura do Backpack Music Festival (festival que levanta fundos para a compra de mochilas e material escolar para crianças mais carentes) na primeira sexta-feira de agosto de 2012, reservou uma grande surpresa para todos os presentes. Os apreciadores de artes visuais e música que foram conferir as instalações de fotos, desenhos e pinturas no Al Taubman Center For Design se depararam com os pioneiros do Techno Juan Atkins e Derrick May, o DJ Skurge (UR) e o artista visual Abdul Haqq. Após me apresentar ao sr. Rhythim Is Rhythim, ele disparou: “Me ligue mais tarde, vamos tomar alguma coisa e fazer a entrevista”. Mal podia acreditar que tudo aquilo era verdade, após tantos anos de expectativa, e que aconteceria na sede da Transmat, gravadora e estúdio onde alguns dos grandes clássicos do gênero foram criados, mais de duas décadas atrás.
Cerca de uma hora e meia mais tarde, lá estava eu naquele galpão que parecia abandonado, recebido por um sábio amigo chinês do Derrick que me conduziu escadaria acima ao local sagrado. Finalmente! Era enlouquecedor imaginar que ‘Feel Surreal‘, ‘Icon‘, ‘R-Theme‘ e ‘Kao-Tic Harmony‘ foram feitas ali, entre outras obras-primas, claro. Mayday gentilmente ofereceu um charuto argentino e bebidas, e me apresentou a sacada do prédio, com o símbolo da gravadora pintado na parede. » Continue lendo esta matéria
A singularidade da voz, alimento para a alma. Quando se fala em identidade sonora, não há exemplo mais redundante, porque seu timbre não pode ser reproduzido com exatidão por nenhuma outro vocal, equipamento ou instrumento existente. Vozes marcam fases da vida, épocas, gerações. Na primeira metade dos anos oitenta, quem quer que se intitulasse expert em Disco, Boogie ou Charming R&B, sabia o valor que tinham os artistas da gravadora Prelude. É neste fantástico universo de grooves para as pistas de dança que despontou James D-Train Williams, ícone do período. Os seus singles ‘You Are The One For Me‘ e ‘Keep On‘ chegaram a custar fábulas nos tempos áureos dos bailes Black em São Paulo. “Ele é um dos artistas predominantes da era pós-Disco, pré-House e da música eletrônica dançante, e sua relevância é notória até hoje. Amo o lado artístico e criativo do D-Train!”, diz o artista de Chicago Victor Romeo, responsável pelo clássico de Acid House ‘Love Will Find A Way’. Nós, que sempre primamos pelas raízes do que veio a se tornar a música eletrônica contemporânea, ficamos lisonjeados com a possibilidade de ouvir o cantor. E de saber que, aos cinquenta anos, ainda está com projetos interessantíssimos. » Continue lendo esta matéria
Colecionador de sintetizadores clássicos, o produtor musical e publicitário Arthur Joly passou a construir seus próprios sintetizadores analógicos nos estúdios da Reco-Head. Sua proposta vai além do mero revivalismo tecnológico. Ele questiona a hegemonia da era digital e aponta que, em prol das demandas comerciais, a indústria de equipamento musical foi abandonando algo importantíssimo: a qualidade do som propriamente dito, do timbre. » Continue lendo esta matéria
O homem e o seu cavalo: após três décadas, a R&S continua a brilhar
“Foda-se o mercado!” disparou o fundador do monumental label R&S Records, Renaat Vandepapeliere, durante gravação do vídeo de abertura de sua entrevista para o Electronic Standards. Era noite de evento do label belga no clube Melkweg, e encerramento do Amsterdam Dance Event. Naturalmente que ele não falou do público, e sim, do mercado. São duas coisas diferentes. Enquanto o primeiro espera ser surpreendido, o propósito do segundo é, antes de qualquer coisa, vender. Originado com as iniciais do casal Renaat & Sabine, a R&S está no panteão dos grandes da música eletrônica. “R&S é uma bíblia”, disse Laurent Garnier anos atrás, em uma entrevista. Sua cidade natal Ghent, na Bélgica, se tornou um dos pilares do Techno e da música eletrônica a partir do início da década de noventa. “Quando comecei (1985), o pessoal tinha a mente bastante estreita, não apenas musical, mas politicamente. Vivemos em uma sociedade completamente hipócrita, sempre submersos e dominados por algum tipo de poder financeiro, onde tudo se resume em um fator: grana. Fim de papo. Assim como na política, as pessoas são direcionadas pelos interesses das grandes corporações”, diz Renaat.
Palco de três grandes Catedrais, a saber – St. Peter, St. Baaf e a mais nova e de design gótico St. Nicholas (construída no Sec. XIII), Ghent se tornou passado, presente e futuro. A revolução gerada pela simbiose arte e máquinas triunfou, e seus pilares – a inovação, a criatividade, a tecnologia e a experimentação – formam a matéria prima da R&S Records. » Continue lendo esta matéria