ADE – Amsterdam Dance Event 2011

O que começou com 30 DJs e 100 interessados em 1996, este ano recebeu 140.000 visitantes de 62 países diferentes, e, mesmo comparado ao ano passado, o evento foi amplificado significantemente na sua décima-sexta edição. Além de estender a capacidade para 52 locais e 800 acts, o evento ainda fortificou a programação intelectual com o programa ADE University, mais um espaço para palestras e entrevistas por profissionais experientes da indústria criativa.

» Continue lendo esta matéria

THOMAS FEHLMANN (SUI/ALE) E A Arte Conceitual

Encontro histórico: Thomas Fehlmann tem uma história que vai do Palais Schaumburg…

Finalmente havia chegado o dia. De passagem por Berlim, conseguira marcar uma entrevista com o gigante da música eletrônica alternativa nascido na Suíça e Berlinense de coração – Thomas Fehlmann. Eram tantas perguntas por fazer: os tempos de Palais Schaumburg, banda alternativa da Neue Welle onde foi membro, sua carreira solo, suas parcerias ao lado de Alex Patterson (The Orb) e da dupla Max Loderbauer e Tom Thiel do Sun Electric, a era Kompakt, e por aí vai. Se você tem menos de trinta anos, muito provavelmente o fato que mais te chamará a atenção é a conexão do artista com o label Kompakt. Todavia, estamos falando de uma carreira de mais de três décadas, o que nos dá uma vaga dimensão de sua amplitude.
Sugerido pelo artista, nos encontramos no charmoso restaurante Sachs, em Charlottenburg, com direito a um cardápio de tradicionais refeições da cidade. Ocasião perfeita para um brainstorm cultural.

» Continue lendo esta matéria

MOTOR CITY DRUM ENSEMBLE (ALE): Espiritualidade Musical À Frente Do Seu Tempo

Danilo Plessow, o Motor City Drum Ensemble

“Você não acredita! Ele fez um dos sets mais incríveis da história do clube!”, contou o sabe-tudo Chicão a respeito da noite em que Motor City Drum Ensemble se apresentou no D-Edge (SP). Seu nome remete à clássica capital da indústria automobilística, contudo, seu local de nascimento foi uma pequena cidade perto de Stuttgart, na Alemanha. A seu respeito, Chicão emendou: “Também, pudera: Já ouviu o DJ Kicks dele? Um dos maiores da série até hoje”. Verdade, não há dúvidas. A abrangência do tracklist dispensa maiores comentários a respeito do CD mixado do alemão pela série da gravadora K7: ‘Sweet Power Your Embraced’ do James Mason, o mix do Walter Gibbons para ‘I’ve Been Searching’ (Arts & Crafts), além de faixas do Sun Ra, Philipe Sarde, Recloose, Loose Joints, Aphex Twin… Enfim, só voadora no peito.

» Continue lendo esta matéria

Eletrônica em Israel

Por Guy Gerber, YosTek e Shiri Rosen.


Alfonso Pantisano e Lovegang live @ Gordon Beach – Tel Aviv

Menos de 24 horas depois do estado de Israel ser proclamado, os exércitos regulares do Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o país, forçando a nação a defender a soberania que acabara de reconquistar em sua pátria ancestral. Mesmo vencendo a primeira guerra, Israel combate há 63 anos a luta amarda e o terrorismo, legítimo ou não, o fronte contra a libertação da Palestina inevitavelmente influencia todas as faces da cultura local, dentre elas, o desenvolvimento da música eletrônica.

Grosso modo, a boemia techno do país concentra-se no eixo Tel Aviv – Jerusalém. Fora dele, as festas consagram o trance, ainda o estilo mais popular, legado deixado por nomes conhecidos do psy trance israelense – Astral Projection, Infected Mushroom, Skazi. A cena em Tel Aviv é cosmopolita, litorânea e possui a mentalidade mais aberta de Israel. Jerusalém, por sua vez, divide-se em turismo, catarse estudantil e, por encapsular os extremos do sionismo e da auto-determinação palestina, também em censura – casas noturnas são fechadas, incendiadas, apedrejadas.

Considerando o histórico tenso da nação, a ideia do post é investigar as opiniões de três gerações diferentes de produtores, a saber:
Guy Gerber – figura expoente do techno israelense, acompanhou todo o progresso do gênero no país e é peça essencial na analogia deste com o resto do mundo;
YosTek – produz desde 1994, é professor de composição musical e cresceu em Jerusalém, capital do judaísmo ortodoxo;
Shiri Rosen – estudou música em Tel Aviv antes de se mudar para Berlim, serviu o exército feminino israelense e participou ativamente na desocupação da Faixa de Gaza em 2005.

» Continue lendo esta matéria

Sangria Digital vol.14

A Sangria Digital primaveril está no ar, servida em jarras e saboreada através dos ouvidos. Nos meus delírios, é recorrente a imagem de um mundo em que o nosso cotidiano fosse sonorizado, e não me refiro a solitários ipods socados nas orelhas e baixas compressões de mp3. Um mundo em que um DJ supremo e onipresente (God is a DJ?), do alto não sei da onde, sempre acertaria na música, e ao caminharmos pela rua, estaríamos envoltos e acompanhados da trilha ideal para o específico momento vivido. Obviamente tudo bem equalizado e com subgrave.
Essa mixtape é a minha interpretação de como poderia ser a trilha para esses dias, especialmente os que estão chegando, dias otimistas em que as ruas são invadidas por insinuantes vestidos esvoaçantes. Dias propícios para longas jornadas de bicicleta pela orla do Rio Guaíba, rio este que na verdade é um lago. Pós- dubstep, modern funk, synth-pop, experimentos eletrônicos, a trilha desse tempo (aqui nesse espaço) é preguiçosa, e um pouco misteriosa, envolvente nas batidas, sutil e lasciva nos vocais. Música entorpecente, música crocante, ardente e afiada.
Sinestesia beat!

» Continue lendo esta matéria