Sangria Digital vol.14

A Sangria Digital primaveril está no ar, servida em jarras e saboreada através dos ouvidos. Nos meus delírios, é recorrente a imagem de um mundo em que o nosso cotidiano fosse sonorizado, e não me refiro a solitários ipods socados nas orelhas e baixas compressões de mp3. Um mundo em que um DJ supremo e onipresente (God is a DJ?), do alto não sei da onde, sempre acertaria na música, e ao caminharmos pela rua, estaríamos envoltos e acompanhados da trilha ideal para o específico momento vivido. Obviamente tudo bem equalizado e com subgrave.
Essa mixtape é a minha interpretação de como poderia ser a trilha para esses dias, especialmente os que estão chegando, dias otimistas em que as ruas são invadidas por insinuantes vestidos esvoaçantes. Dias propícios para longas jornadas de bicicleta pela orla do Rio Guaíba, rio este que na verdade é um lago. Pós- dubstep, modern funk, synth-pop, experimentos eletrônicos, a trilha desse tempo (aqui nesse espaço) é preguiçosa, e um pouco misteriosa, envolvente nas batidas, sutil e lasciva nos vocais. Música entorpecente, música crocante, ardente e afiada.
Sinestesia beat!

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ES Releases – ‘The Teac Life’ – Legowelt, Independente


Legowelt em novo álbum: lançamento independente

Aquela máxima que diz que determinada música representa o escape espiritual/mental/intelectual dos difíceis problemas do dia a dia se aplica formidavelmente ao ‘The Teac Life’, novo álbum do holandês Danny Wolfers (Legowelt). Por mais que se façam citações às influências do Techno de Detroit ou ao Acid House da Windy City, Legowelt sempre soube traduzir seu background em perspectivas pessoais. ‘The Teac Life’ tem, indiscutivelmente, uma herança de ‘Dark Days 2′: é espacial, introspectivo, com atmosferas etéreas que dialogam com as obscuras. Porém, ao mesmo tempo, parece levá-la a outro patamar.

Dono de uma discografia que inclui lançamentos pelos labels Crème Organization, Bunker, Clone, Cocoon e Strange Life (seu próprio), Legowelt poderia ter dado continuidade ao seu excelente labelfolio em seu novo álbum. Ao invés disso, preferiu lançá-lo de forma independente, desvinculado de gravadoras, disponível para download gratuito. Sinal dos tempos? Talvez. O fato é que mais uma vez, Danny vestiu a camisa do underground, em forma e conteúdo.

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ES Releases – The Third Man – Future Tense EP

Talento inesgotável: Toby Leeming, conhecido por ‘The Third Man

Gênio da música eletrônica dançante, Toby Leeming possui inexorável talento para harmonias brilhantes e atmosferas sedutoras. Prova disso é o seu novo lançamento ‘Future Tense‘ pelo Applied Rhythmic Technology (A.R.T.), label pelo qual saíram verdadeiros tesouros nos últimos meses, incluindo a própria ‘Tangier‘, do mesmo autor, anunciada tão calorosamente por Laurent Garnier como uma das faixas de 2010. Cidadão de Londres, Toby adquiriu grande bagagem musical na vizinha Escócia, onde estudou durante quatro anos e pode fazer contatos importantes com outros artistas.

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Guy Gerber: Entrevista + Amostra Grátis

Guy Gerber é atração do D-Edge dia 29, e do Rock in Rio na sexta-feira do dia 30. Ele ainda faz um set prolongado no Chile e vem para a Espanha no domingo encerrar o verão europeu @ Space, Ibiza. Natural de Tel Aviv, é um moço talentoso e emotivo, o tipo de dj que mixa com o coração e investiga os efeitos disso no coração alheio. O background dele tende para disco e rock, já o estilo presente… ahm, deep-progressive-tech-house? Ajuda. A definição do próprio produtor é: “Sensual, nostálgico e atual ao mesmo tempo”. E é por aí mesmo: passional, às vezes dark, mas definitivamente dançante:

Guy Gerber – Sea of Sand – 2007

Guy Gerber – Timing – 2009

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ES Releases – Andy Stott – Passed Me By – Modern Love (2011)

Slow-Motions de atmosferas profundas, sujas e hipnóticas: Passed Me By

Dono de inconfundível perspectiva dubby, minimalista e espacial, Andy Stott está entre a nova geração de talentos de Manchester. Parte da crew que lançou pelo conceituado label Modern Love ao lado de Claro Intelecto, Bitstream e Demdike Stare, Andy Stott não é muito dado a rótulos ou descrições de si mesmo. Tampouco gosta de se apoiar em figuras ou personagens. Há muito pouca informação online a seu respeito, e se você procurar por suas declarações ou entrevistas no youtube, não irá encontrar. Para artistas como ele, a música deve falar por si só, e se não o fizer, há certamente algo errado.
A partir do meio dos anos 2000, Andy despontou com o sensacional álbum ‘Merciless‘ (2006) após uma série de excelentes EPs que ganharam muitos elogios por parte da crítica. Sem precisar se apoiar em imagem, tutores ou em relação com a mídia, construiu sólida reputação musical, o que lhe rendeu a oportunidades como o remix para ‘Recovery Idea‘ do Vladislav Delay, uma das grandes obras dançantes de 2008. Neste ano, retornou com o costumeiro potencial criativo em Passed Me By entre outras novidades, e ainda faltam alguns meses para o ano acabar.

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