
Danilo Plessow, o Motor City Drum Ensemble
“Você não acredita! Ele fez um dos sets mais incríveis da história do clube!”, contou o sabe-tudo Chicão a respeito da noite em que Motor City Drum Ensemble se apresentou no D-Edge (SP). Seu nome remete à clássica capital da indústria automobilística, contudo, seu local de nascimento foi uma pequena cidade perto de Stuttgart, na Alemanha. A seu respeito, Chicão emendou: “Também, pudera: Já ouviu o DJ Kicks dele? Um dos maiores da série até hoje”. Verdade, não há dúvidas. A abrangência do tracklist dispensa maiores comentários a respeito do CD mixado do alemão pela série da gravadora K7: ‘Sweet Power Your Embraced’ do James Mason, o mix do Walter Gibbons para ‘I’ve Been Searching’ (Arts & Crafts), além de faixas do Sun Ra, Philipe Sarde, Recloose, Loose Joints, Aphex Twin… Enfim, só voadora no peito.
Danilo Plessow pertence a uma nova geração de talentos com insaciável sede de conhecimento. Para entender como se desenvolveu sua extensa bagagem musical, é necessário saber um pouco mais a respeito de onde cresceu. “No meio do nada, diriam”, diz, a respeito da pequena cidade natal, localizada no sul da Alemanha. “Foi antes do tempo em que a internet se consagrou no mercado musical”, completa ao mencionar o início dos anos noventa. Naquela época, o único acesso que se tinha às músicas estava em lojas de discos genéricas, ou seja, mídia digital e meios especializados, nem pensar. Esclarecido, o jovem gênio revelou os ingredientes de sua trajetória desde os primeiros passos, quando começou a tocar bateria aos seis anos, em 1991. Para a minha surpresa, o que era para ser uma conversa sobre música extrapolou todas as fronteiras possíveis e teve participação especial de Amarantha, sua namorada e incomparável pesquisadora musical.
Como foi este seu início como baterista?
Comecei a tocar em ‘big bands’ de escola, cujo repertório é o que costumo chamar hoje de Jazz entediante, porém, aprendi elementos essenciais, como aprender a tocar um instrumento, interagir em uma banda com outros músicos, e a noção de que a música, independente de quando foi feita ou a qual estilo pertence, nos conecta uns aos outros. Tal fator me levou por exemplo a’ ligação entre o Hip Hop e o Jazz através dos samples como o do Shaft, por exemplo.
Então, você mergulhou fundo neste universo…
Exato. Comecei neste mesmo período a me informar a respeito do Hip Hop. Li revistas, livros, e reconheci que havia toda uma cultura ao redor do vinil e do DJ, e comecei a comprar discos. Dei muita sorte, porque nessa loja comum de discos da minha cidade pude encontrar algumas obras obscuras de alto nível por bons preços naquele tempo (entre 1997 e 98).
Ok. Mas como você chegou especificamente no Hip Hop?
Alguns dos músicos da banda de Jazz onde toquei eram apreciadores, gostavam da cultura dos DJs, Mestres de Cerimônia (MCs), etc. Sempre fui uma espécie de rebelde na banda onde tocávamos. Preferia solos sincopados e funky ao invés da trivialidade, e eles achavam muito interessante o fato de eu não ser um típico músico alemão. O líder era bem tradicional, e eu queria saber de groove, e sentir a música, e não seguir padrões pré estabelecidos. Então, os meus colegas instrumentistas acharam isso bem legal e me apresentaram o universo do Hip Hop, Public Enemy e bandas do gênero, e a partir daí, fui aprender: comecei a tentar criar os meus próprios beats no computador, inspirado no exemplo do Hip Hop e do Trip Hop, na perspectiva do DJ Shadow, por exemplo. Foi quando conheci outros gêneros mais eletrônicos, como House, Nu Jazz e Broken Beats.
Quando isso aconteceu exatamente?
Estava com quinze anos no meu primeiro lançamento, em meados do ano 2000. Tinha conseguido de um tio um software de sequenciamento quando me encorajaram ao dizer que era mais apropriado para um jovem como eu fazer música a jogar videogames. Eu estava meio cético no início, porém, hoje lhes sou muito grato, assim como aos meus pais, que me obrigaram a tocar um instrumento musical na infância. Entre dez e doze anos, já tentava samplear trechos de música (95-96) no meu computador com um software chamado Music Maker que era bem simples e barato, mas me trouxe o básico, já que era um bom aprendizado de sampling e me possibilitava pra ser criativo até…
Motor City Drum Ensemble no Mothership (D-Edge) – Foto: Paulo Pereira
E como foi produzir a sua primeira obra?
Foi questão de sorte! Estava com um amigo e estávamos muito loucos, tentando produzir diferentes gêneros, como Hip Hop, House, Trip Hop… algo completamente amorfo, vivendo o momento. Tínhamos várias idéias, queríamos breaks a cada dois minutos nas músicas, misturávamos coisas cujo resultado era meio sem sentido, coisas que fazemos quando somos jovens e sem experiência, e quando ainda não temos muita noção de harmonia, ou do que dá certo em pistas de dança…
E como aconteceu o seu envolvimento com a cultura eletrônica?
Engraçado, não havia maneira de comprar singles de música eletrônica na minha cidade naquela época. Apenas CDs, e ainda assim, era bastante limitado. As únicas coisas que chegavam eram lançamentos da WARP, coisas do Kruder & Dorfmeister e coletâneas de Trance. Mergulhei nos CDs da WARP, gostava muito dos lançamentos do Nightmares On Wax, Two Lone Swordsmen, Plaid… e adorei o álbum do Elecktroids (‘Electroworld’).
“Acho que extremismos acontecem com maior intensidade justamente nos locais onde há menor presença de minorias. Afinal, as pessoas têm medo do que não conhecem. Se não há exposição a elementos culturais diferentes, as pessoas tendem a perder o que há de mais interessante em termos de interação e dão vazão a receios e preconceitos.”
Você fala muito de Hip Hop como uma das suas grandes influências. Como foi a o crescimento que esse estilo teve em um país como a Alemanha?
Essa é uma questão muito interessante, na verdade. Uma das primeiras bandas conhecidas de Hip Hop alemãs tinha um membro de origem negra, outro da Tunísia e um alemão de dress-code bem característico. Um dos seus primeiros grandes hits tinha um título que era ‘Um Estrangeiro Em Seu Próprio País’ a respeito de minorias que, apesar de sua cidadania alemã, eram excluídos e viviam em um mundo a parte.
Um contexto político bem forte, portanto…
Exatamente! Eu ainda não tinha muita familiaridade com essa perspectiva de vida progressista/humanista naquele tempo, porém, achava muito desestimulante aqueles olhares de preconceito das pessoas em relação aos que se vestiam ou tinham atitudes diferentes. Apesar de nunca ter tido conflitos com esses conservadores tradicionalistas, achava que simplesmente não fazia parte do mundo deles – ou dessa sociedade que me via como um ‘estranho maluco’. Estava de saco cheio disso.
Como você acha que a sua geração reagiu a essa questão da coexistência étnica e cultural?
Digamos que, na minha opinião, foi a minha geração que realmente mudou a forma de conviver com as minorias após trinta a quarenta anos de imigração na Alemanha. Fomos uns dos primeiros a nos preocupar e nos solidarizar com eles. Embora tivesse crescido em uma família de perfil liberal para os padrões tradicionais, lembro que ainda havia ainda bastante ressentimento com a questão dos imigrantes. Por isso, acho que extremismos acontecem com maior intensidade justamente nos locais onde há menor presença de minorias. Afinal, as pessoas têm medo do que não conhecem. Se não há exposição a elementos culturais diferentes, as pessoas tendem a perder o que há de mais interessante em termos de interação e dão vazão a receios e preconceitos.
E como a coisa evoluiu da sua geração pra cá? Ainda se ouve falar de casos de racismo contra jogadores de futebol estrangeiros?
Comparado com outros locais da Europa, não acho que estejamos entre os piores atualmente. Sem dúvida, temos uma história muito específica, um peso do passado nas costas, não acho que haja desdobramentos e preconceito como naquela época. Evoluímos bastante, prova disso está no fato que muita gente quer se mudar para cidades tidas como liberais, tais quais Berlim. Claro que ainda há racismo, e existe no mundo todo. Porém, em comparação com setenta anos atrás, tivemos uma trajetória que faz com que me sinta satisfeito pela evolução ocorrida na mentalidade dos alemães desde então.
Três lançamentos imperdíveis de Danilo Plessow, na sequência: ‘Get Slapped Up’ pela Compost (2007),
‘Lonely One’ (2009) e o sensacional mix da série DJ Kicks da K7 (2011)
Voltando às categorizações musicais, de que forma você se viu naquele mundo de super proliferações e segmentações de gêneros dos anos noventa?
Você tem que entender que, quando ingressam na cena com gêneros pré-definidos, os jovens querem fazer parte ou se sentir parte de algo, pertencer a um segmento. Naquela época, o Techno, por exemplo, estava rotulado como ‘música de máquinas com batidas retas ‘quatro-por-quatro’ de cento e quarenta BPMs’. Hoje, é possível entender que Elecktroids, Cybotron e Drexciya também são Techno, mas na época, não havia essa percepção.
A sua reputação como apreciador de Spiritual Jazz é notória. Conte-nos um pouco mais a respeito, já que sabemos que os seus fundamentos tiveram grande impacto na sua essência artística.
Isso mesmo! Sou bem conhecido por apreciar – e grande parte da minha coleção pessoal é prova disso – este universo do Spiritual Jazz. Certamente, menos conhecido da maioria dos artistas, o gênero tem uma de suas raízes em Detroit. “Amo a Tribe Records!”, exclama Danilo, referindo-se à gravadora do gênero situada na Motor City. O seu conteúdo político e engajado fez-se presente desde as capas com suas mensagens subliminares aos textos de contra capa e, é claro, o repertório de cada um dos lançamentos da gravadora. Foram discos bem conhecidos dos experts de Detroit e hoje, há quem pague altas fortunas pelos poucos releases existente da discografia. “Os lançamentos tinham muito mais significado, pois miravam algo bem mais artístico e estético do que muitos dos standards de Jazz-Funk e labels como Black Jazz (ver mais abaixo o seu depoimento para ‘Gemini’ de Marcus Belgrave, uma de suas obras favoritas).
De que forma você traduziria em poucas palavras este feeling dos compositores e músicos deste universo de Spiritual Jazz?
Transcende-se os problemas que se enfrenta na vida cotidiana. Acredita-se na beleza e virtuosidade eternas, no ato de procurar ser sempre correto, de ser solidário e fraterno como filosofia de vida. Trata-se de um sentimento puro e universal, no sentido de se buscar um mundo melhor.
Infelizmente, a realidade aponta para um quadro bem diferente…
Assista aos noticiários e você verá que só tem opressão, ódio e sofrimento em todo lugar no planeta. Muitos dos dramas são similares, então, qual a reação natural? Olha-se para algo fora desta realidade, e por isso o Espaço Sideral é o lugar!
E de onde vem esse interesse tão grande pelo Cosmos?
Amarantha: Acho que muitas destas pessoas vivem às margens da sociedade, então, concordo com o Danilo. Trata-se de superar a situação em que se encontra buscando um ideal estético e ao mesmo tempo com conteúdo político. Significa também uma forma de comunicação através da música, e não só um ideal de ‘encontrar o seu lugar no Universo’.
Que impressionante! Quando os entrevistei, Lonnie Liston Smith e Leroy Burgess também falaram a respeito de música como ‘forma universal de comunicação’.
Danilo: Temos plena consciência de que, apesar de não sermos parte de minorias e não sermos alvos diretos de preconceitos, vivemos todos em um mundo injusto, então, você tem de certa forma que encontrar o seu ‘abrigo’.
Amarantha: O fato de não ter sentido tudo isso na pele não nos impede de pensar o quanto estes artistas visionários quiseram ‘transferir’ ou traduzir esses sentimentos em termos estéticos. Temos a sensação de captar essas mensagens.
Danilo: Afinal, essa é a idéia, não? Quanto mais pessoas tiverem acesso, mais chance de se transformá-las.
Na loja Disco7, com Danilo Plessow (MCDE), Carlinhos e Chicão
A quais fatores vocês atribuem essa massificação da música nos tempos mais recentes? Acham que tem se tornado cada vez mais descartável em grande parte?
Amarantha: Concordo totalmente! Antigamente, podia-se ouvir música de boa qualidade nas rádios. Por outro lado, ao pensar como as coisas se massificaram tanto, creio que se trata de um reflexo da sociedade, porque arte também representa isso.
Danilo: Tenho uma crença muito forte no futuro. Até o apogeu do formato mp3, havia muito dinheiro circulando na indústria musical. Após isso, continuou o segmento ultra comercial, ditado pelas grandes gravadoras e rádios, porém, há uma revolução em paralelo: todas as boas produções independentes, os incontáveis fenômenos de acessos em sites como o youtube, a exemplo do Burrell e o Dubstep… Acho que já foi pior, hoje a informação está mais acessível. Estamos no limiar de uma grande mudança em relação à submissão perante as grandes corporações. Sempre houve ícones de pop descartável, mas isso não reflete essas mudanças, há muito potencial atualmente!
“Percebi o quanto aquele ambiente de ‘supressão’ criou e estimulou a criatividade daqueles artistas. Quando você vive em uma dura realidade como aquela, há a necessidade de um escape intelectual e artístico.”
Engana-se quem pensa que Danilo discorreu a respeito de clássicos do universo club quando pôs-se a falar das suas obras-primas favoritas. Ao invés, mencionou algumas obras ‘obscuras’ de Jazz que teve a oportunidade de encontrar na loja de discos da sua pequena cidade natal, responsáveis por mudar o curso da sua trajetória musical. “Descobri graças às capas, que eram diferentes das demais”, relembra. Singularidade na forma, singularidade no conteúdo. Foi assim que Motor City Drum Ensemble acabou mergulhando no universo de ‘Jazz espiritual’, cuja espinha dorsal é conhecida por muito poucos, entre os quais estudiosos e artistas do calibre de Gilles Peterson.
The Awakening – Mirage LP (Black Jazz /1973) – “Uma das primeiras descobertas realmente influentes foi este LP do selo Black Jazz. Era algo incrível, porque a perspectiva de Jazz desta obra era tão rústica – algo que nunca tinha ouvido antes e que sempre quis tocar na Big Band de Jazz do colégio, mas que nunca tive liberdade para fazê-lo. Tinha solos incríveis de breaks de batera, muita influência de Soul nos metais, e ao mesmo tempo, uma estética muito funky. Este álbum ainda me toca muito e me traz grandes memórias daquela época em que o descobri.”
Nas – Illmatic LP (Columbia/1994) – O álbum favorito de Hip Hop em todos os tempos para o artista alemão. “Me tocou no coração, faz parte daquela época que gosto tanto. A excelência com a qual foi produzido, os seus arranjos e samples… pura perfeição! Nestaépoca (1996-2000), havia um grande potencial na cena alemã de Hip Hop, você tinha que estar lá para entender. As pessoas tinham a mente muito aberta, havia interação entre o Break Dance, a música, o Grafitti. Claro que já se ouvia falar de bons singles e LPs desde o fim dos anos oitenta, mas, neste nível de consolidação…”
Elecktroids – Elektroworld – (WARP/1995) – “Um dos lançamentos da WARP que considero altamente influenciador para mim foi o ‘Elektroworld’, que me expôs ao universo do Techno, muito embora não o considerasse como tal, já que as batidas eram quebradas e não sabia como denominá-lo naquele tempo. Neste mesmo período, havia a consolidação da cena de Techno na Alemanha com eventos como Love Parade e as grandes festas e clubes. Apesar de não considerar este álbum na mesma perspectiva que as produções de Techno da época, havia algo de ousado nele. As sonoridades eram Techno, mas as batidas eram diferentes e não havia aquele standard de pista de dança de bumbos retos e pulsantes. Ao invés disso, ‘Elektroworld’ tinha perspectiva bem mais livre e funky.”
John Coltrane – Lush Life (ft. Johnny Hartman), Impulse!/1963 e A Love Supreme, Impulse!/1965- “Entre as obras primas que me influenciaram e que até hoje considero brilhantes, John Coltrane não pode ficar de fora. O difícil é escolher qual: ‘Lush Life’ ou ‘A Love Supreme’. Realmente prefiro as produções dele 1959 e 1964. Trata-se do perfeito exemplo (referindo-se ao ‘A Love Supreme’) de algo extremamente bem trabalhado e elaborado que, ao mesmo tempo, é muito fácil e agradável de se ouvir. Algo como uma música que eleva, que toda vez que se ouve, encontra-se algo novo, você jamais se cansará de ouvir.”
Marcus Belgrave – Gemini – Tribe (1974) – ‘Space Odyssey‘ é uma das maiores obras até hoje, como uma jornada espacial sem precedentes. Naquela época, os artistas ainda tinham coragem de abrir com um minuto de introdução cósmica de sonoridades malucas, e depois alterar momentos diferentes, de groove, swing, etc. Sensacional!
Há que se mencionar o meio ambiente e o contexto em que foram lançadas os discos da gravadora em questão, a Tribe. O conteúdo era inquestionavelmente militante e político em torno da luta pelos direitos civis e da igualdade por parte dos negros americanos. Não sou negro e não posso sentir na pele o que aquelas pessoas passaram, porém, ao ler os textos das contra-capas, percebi o quanto aquele ambiente de ‘supressão’ criou e estimulou a criatividade. Quando você vive em uma dura realidade como aquela, há a necessidade de um escape intelectual e artístico, como a estética futurista-espacial do Sun Ra, por exemplo. Aqueles artistas tinham preocupações com o Criador, com todo aquele sentido de poder do Universo… traduzido musicalmente em perspectiva pura e abstrata. Muitos deles pela ótica muçulmana, quando esta era sua religião. Durante os anos setenta, havia um sentimento verdadeiro acerca de tudo isso.
Para a minha surpresa, a entrevista que aconteceu em um bar nos Jardins também teve direito a participação da namorada do artista, Amarantha Groen, tão culta musicalmente quanto o próprio Danilo. “Para mim, as obras representam muito mais pelo feeling que se tem delas, as vezes fica difícil descrever”, disse. Para a nossa alegria, o seu Top Five não deixou absolutamente nada a desejar ao do namorado.
Yusef Lateef – Love Theme From Spartacus – Prestige (1961) - “Há muitas versões para essa música, mas essa é a que gosto mais! A obra é tremendamente emocional, me remete a todo o meu amor e minhas decepções. Muito tocante!”
Linda Tillery – Don’t Pray For Me – Olivia Records (1977) - “Um dos discos que descobri através do Danilo foi esse! A música diz respeito a uma lésbica cuja canção é um pedido ‘as senhoras cristãs que não rezem por ela. Imagine só a perspectiva desta música através da sua autora, uma mulher negra e lésbica – que tipo de atmosfera de exclusão ou marginalização isso sugere. São dois alvos de preconceito, portanto, porque estamos falando dos anos setenta, então havia o preconceito racial contra os negros e o familiar, que desprezava o homossexualismo. É uma obra incrível! Tem tanta força, e ao mesmo tempo, muito inspiradora artisticamente.”
Norman Connors – Butterfly Dreams – Cobblestone (1973) - “Composta por Stanley Clarke, a obra tem Herbie Hancock no piano elétrico, Gary Bartz no sax e o próprio Norman na percussão. “Amo muito essa composição. Ela não tem letras, apenas vocais… algo realmente espiritual, belíssimo. Ouvimos tantas vezes (referindo-se ao Danilo), entramos em uma espécie de transe… Esse é o Trance de verdade!”
Starcrost – Quicksand – Fable Records (1976) - “Acho que a maioria dos experts pesquisadores preferem ‘False Paradise’ neste álbum, porém, a minha escolha é ‘Quicksand’. Tem uma letra magistral nesta canção, melancólica e uma história tão diferente. É mágica! Estou na busca de uma cópia do original há anos, não será fácil. Achamos no Japão uma vez, por cerca de novecentos Euros!”, diz Amarantha. O namorado complementa: “A gravadora, Fable Records, é do Texas! “Há outro release extraordinário dela – 47 Times Its Own Weight. O catálogo é minúsculo e deve ter tido no máximo duas mil cópias de cada release.”
Lou Bond – To The Establishment – We Produce Records (1974) – “A última é do Lou Bond”, diz Amarantha, quando é interrompida pelo Danilo que exclama: “Falei pra você na loja que ela gostava dessa!” (Achamos o álbum em questão na parede da loja de raridades Disco7, no centro de SP, pouco antes da noite em que os entrevistei). “Como explicar uma maravilha dessas?”, perguntou ela, enquanto Danilo replicou instantaneamente: “Jogue-se da janela porque você está tão deprimido e ao mesmo tempo transbordando de boas emoções!” (risos). Ela retoma: “O autor foi redescoberto com o relançamento deste álbum, e o Lou sequer sabia que sua obra tinha se tornado tão valorizada, foi às lágrimas quando lhe contaram. Ainda vive em condição bem humilde, essa foi a sua única obra”.
cresceu com uma vasta bagagem musical que abrange música clássica, experimental, Jazz, Soul, Funk, Disco, Hip Hop, charming R&B, Kraut Rock e Música Eletrônica. Em sua vida profissional, trabalhou em veículos de comunicação na årea de música incluindo websites e revistas, entre os quais a Revista Beatz, cujo Conselho Editorial integrou em 2004. A partir de 2005, atuou em diferentes agências de artist management, onde teve a oportunidade de ter contato com artistas do porte de Kenny Larkin (EUA), Mark Archer (Altern8/ING), DJ Pierre (EUA), Vince Watson (ESC), Legowelt (HOL), Marcel Dettmann (ALE), Satoshi Tomiie (JPN/NYC), Gramophonedzie (Servia), Orgue Electronique (HOL), Alden Tyrell (HOL), entre outros em suas tours no Brasil.
Danee disse em 23 de outubro de 2011
Ótimo Alain, parabéns pela entrevista e pela matéria toda.
Rodrigo disse em 22 de outubro de 2011
Ótima entrevista, porém, ali no top 5 da amarantha, na descrição, tem dois iguais! :-)
deepbeep disse em 23 de outubro de 2011
Ops! Corrigido!
Muito obrigado, Rodrigo! ;-)
Luísa Viscardi disse em 22 de outubro de 2011
Ahaaaaaaaaaaaaazou francês!
vivian penzes disse em 22 de outubro de 2011
Genial!
Sergio Brinatti disse em 21 de outubro de 2011
I love this guy, great interview folks…