O humor e a música colorida de Justus Köhncke

Créditos: Christian Kadluba

Ele já é velho conhecido das gays e dos seguidores do minimal de Colônia, e provavelmente você já quebrou a cintura com o som dele. O alemão Justus Köhncke começou a produzir música com 14 anos usando fita K7 e teclado barato. No começo dos anos 90 ele emplacou faixas lendárias de house ao lado de Eric D. Clark e Hans Nieswandt, os outros dois integrantes do grupo Whirlpool Productions. Nesse fim de semana ele é atração do Green Sunset no MIS, do D-edge, e no domingo ainda solta um live no planetário.

No vídeo, Justus é a geisha de sorriso sarcástico que aparece de sombreiro. O artista é esclarecido, e versátil, ele vai de hits coloridos à b-sides minimais e já remixou artistas como Depeche Mode, Hot Chip e Erasure. Quanto ao live, ele tem verve espontânea: cantar, rir, interagir ou até sentar para descansar não está necessariamente fora do programa. O dj set é uma overdose de arrepios diferentes: synthpop, electro, folk, ambiente, house e disco. Na última quarta-feira ele tocou a noite inteira no bar gay Südblock e depois trocou uma palavra com a gente.

Falamos sobre seus 14 anos remotos antes da experiência musical começar. Ele diz que sonhava com estrelas, planetas, foguetes, dinossauros e também com um DIN-45500-HiFi-Stereo. Ele ainda conta que o estado onde ele nasceu, Hessen, tem uma paisagem maravilhosa, mas que infelizmente contrasta com a mentalidade da região, fato que o fez sair correndo de lá assim que teve a oportunidade.

Depois disso ele passou brevemente por Düsseldorf para logo viver 24 anos na cidade de Colônia. Ali nasceu uma amizade como o pessoal da Kompakt, principal selo do produtor até os dias de hoje. Mudou-se para Berlin há pouco tempo e trouxe toda a parafernália sonora com ele. “Nao teve nenhuma razão pra essa mudança. Eu amo a cidade de Colônia, Berlin simplesmente aconteceu.” ele conta.

O trabalho de Justus não para, ele brinca dizendo que se não fosse a música ele provavelmente passaria seu tempo como físico quântico, acelerando hádrons em Genebra. Piadas à parte, seu estúdio já foi prontamente reanimado depois de transferido para a capital alemã, no momento ele remixa vários artistas e dois albuns novos para amigos.

Quanto ao fervo que nos toca, ele ainda embala esporadicamente a festa Erntefest, no Südblock e também fora da Alemanha. Quando ele sobe no palco, afirma que seu objetivo é na verdade o caminho: música, diversão. E ainda completa exclamando “to put a smile in your face!” :).

Depois de comentar suas referências – dentre elas Human League, Softcell, Grace Jones – ele confessa que achou ótima a descrição “colorida” para a música que faz, “Sou extremamente aberto no que diz respeito a som e sexualidade, espero que meus ouvintes também sejam”, ainda diz.

Herr Köhncke nao é só musica, no ano de 2009 ele mostrou pinturas e instalações na exibição solo “I will survive” em Berlin. Além disso já atacou de videomaker para ilustrar sua faixa “Timecode” e até atuou no clipe “Was ist Musik?” dirigido por Claudia Rorarius. Ao falar dos dropouts criativos, ele ainda lembrou “Olha, ainda nao escrevi um livro!”

Pra concluir, um ping e um pong:

- Show inesquecível como público: “Um episódio da turnê ‘Alles Ist Gut’ do DAF no pátio da cidade de Offenbach, em 1981. Eu tinha apenas 15 anos. Foi uma coisa: 2 rapazes, 20 tapedecks e uma ereção prolongada”

- Show inesquecível como artista: “Em 2001 para o álbum “Spiralen Der Erinnerung” em um evento da Kompakt. Sozinho e sob os holofotes do palco, eu me senti como Marlene Dietrich em turnê de despedida.”

Em tempo: O álbum “Spiralen Der Erinnerung” vai ser re-lançado ainda em setembro pelo selo inglês August Day Recs.

avatarEscrito por Marcos B. Oliveira em 10 de setembro de 2011

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