
O que começou com 30 DJs e 100 interessados em 1996, este ano recebeu 140.000 visitantes de 62 países diferentes, e, mesmo comparado ao ano passado, o evento foi amplificado significantemente na sua décima-sexta edição. Além de estender a capacidade para 52 locais e 800 acts, o evento ainda fortificou a programação intelectual com o programa ADE University, mais um espaço para palestras e entrevistas por profissionais experientes da indústria criativa.
Diferente dos festivais mais distrativos como Sónar, WMC e Berlin Music Days, o Amsterdam Dance Event é precisamente voltado para o entendimento da criação e do mercado musical. O plano geral de conferência contou com a participação de Soundcloud, Pitchfork, Ableton, Pioneer, Dave Clarke, Boy George, Sven Väth, entre outros. Diversos tópicos foram abordados, desde os contrastes das funções sociais da música móvel e local até as atuais relações do áudio com o cinema e a publicidade. Segue um compacto de alguns dos temas relevantes:

O Brasil teve destaque especial esse ano, a iniciativa foi consolidada por NL EVD International, uma agência do Ministério de Assuntos Econômicos holandês. Matchmaking foi o encontro de uma seleção de profissionais holandeses com convidados brasileiros ativos no mercado da música. Luiz Eurico Klotz (3plus), Edo Van Duyn (3plus), Conti (Warung) e Renato Ratier (D-Edge) fizeram parte da seleção que discutiu os mecanismos da música eletrônica brasileira e suas oportunidades de negócios.
O desenvolvimento da EDM no Brasil é fundamentado pelo crescimento de clubes e festivais no país, bem como o de uma audiência pronta para isso. Richard Zijlma, diretor do Amsterdam Dance Event, comentou sobre o painel: “o mercado brasileiro da dance music está bombando, e a rápida extensão da classe média no país representa um vasto mercado de entretenimento. O projeto Matchmaking é focado principalmente nos realizadores de clubes e festivais, bookers e promoters envolvidos. O nosso objetivo principal é criar, fortalecer e extender a ligação entre o Brasil e a Holanda”.
O produto final de bens e serviços brasileiro está prestes a ser listado como o sexto maior do mundo, há alguns anos a evolução econômica abre nichos de mercado promissores também para a indústria global, isso inclui a nossa demanda por cultura e diversão. Ademais, ela equilibra os recursos creativos dentro do país, alavanca a capacidade de auto-suficiência e emana o nosso potencial para o resto do mundo – D-Edge, Rio Music Conference, Gui Boratto e Click Box não são só referências brasileiras, fazem parte da cultura eletrônica mundial.

O painel moderado pelo DJ e produtor Tommie Sunshine debateu paralelos comuns da produção musical: comercial vs. independente. Mas desta vez, eles giravam em torno das divergentes interpretações da palavra “autenticidade” no tocante a qualidade técnica e criativa, tanto para os produtores populares quanto para os guerreiros da subcultura.
Os convidados R3hab, Sander van Doorn, Goldie e Carl Cox reconheceram a importância dos termos que sustentam o significado de autenticidade – compromisso, sinceridade, devoção e intenção. A partir daí, todos automaticamente analisaram o quão autêntico é o próprio processo de criação, e em escopo maior, até que ponto a consciência de mercado nos influencia e passa a moldar o produto final.
As conclusões concordaram que a música eletrônica é extensa em gêneros, os paradigmas comerciais não só variam entre estilos e artistas, mas mudam também de acordo com a faixa em si – as estratégias de comercialização digital por exemplo, tornaram-se incertas, de modo que um hit dificilmente pode ser previsto. Outro ponto que anula a divisão comercial/indepentente no processo de criação, é que a excelência das obras não mais dependem da quantidade de dinheiro investida, a qualidade de uma faixa produzida em estúdio maior também pode ser alcançada com um PC.

O redimensionamento das possibilidades de distribuição em rede junto com a saturação do mercado transpôs a atividade comercial também para o artista, principalmente para aqueles que ainda podem ser definidos como independentes. Sabemos que isso requer novas táticas de promoção e muitos de nós, fluentes na publicação online, já nos adaptamos de modo pessoal.
No entanto, o painel sobre os melhores métodos para o comércio direto sugeriu ritmo e estrutura para a aproximação de maneira geral. O guia é plano de Shamal Ranasinghe, fundador da plataforma Topspin Media (líder atual de software e serviços para o marketing online) e por anos, o responsável pelo desenvolvimento interativo de MusicMatch Jukebox, do portal Yahoo. Além da ideia constante de desenvolver o lado auto-marqueteiro explorando as maravilhas da mídia social, os sobreviventes do intercâmbio na rede ainda podem considerar os métodos:
Conexão – Estabeleça links de comunicação com apreciadores, colaboradores e negociantes de maneira descomplicada – streaming incluído no corpo da mensagem é uma das opções mais rápidas.
Cultivo – Alimente as conexões com uma criação pequena semanalmente e outra mais ressonante a cada mes. Chame a atenção para o seu trabalho de um jeito moderado e original.
Distribuição – Distribua seu trabalho por lojas virtuais, lance um álbum a cada dois anos, compartilhe e colabore com outros profissionais.
Ellen Allien – Bpitch Control @ Sugar Factory
Carl Craig – Planet E @ Melkweg
Who Made Who – Kompakt @ Rabozaal
Richie Hawtin @ Boiler Room
Plastikman 1.5 @ Heineken Music Hall
fueloop disse em 15 de novembro de 2011
..otima matéria Marcos, ainda quero ver todos os videos!