♒ senǒid’ aqua ♒

intro

“Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras”. Heráclito (aprox. 535 a.C. – 475 a.C.)

iamamiwhoami _ Hunting For Pearls _ 2014

A sueca Jonna Lee satura de temática aquática seu novo álbum Blue, a ser lançado no dia 07/11/14. “O álbum está completamente encharcado de água”, diz ela. “É uma metáfora para o mundo digital e as qualidades da água, como a força que move as coisas para frente. O mundo digital é como um imenso oceano e há muito para se descobrir.”

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MLO _ Aqua _ (1 Hour, 1 Minute, 1 Second – 1994)

Quando o ecstasy chegou ao Brasil a água se tornou a bebida mais reverenciada. Pura, cristalina, transparente e hidratante, fez o álcool parecer desnecessário, e assim foi por uns dois anos. Em algum momento essa mensagem se perdeu.

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The Future Sound Of London _ Cascade 3 _ 1993

Cascata de outra dimensão em câmera lenta.
Da série » Cascade (12” e EP).

oxbow

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The Orb _ Oxbow Lakes _ (Orbus Terrarum – 1995) _ [ISLAND]

Um lago em ferradura (ou oxbow lake em inglês) é um pequeno lago em forma de ‘U’ que se forma na curva de um meandro abandonado de um canal fluvial. Se forma em geral quando o rio corta o “pescoço” de um meandro encurtando seu curso, o que faz com que o antigo canal fique rapidamente bloqueado, e logo se separe do canal. Se só se corta uma curva, o lago formado terá forma de meia lua, enquanto que se ficam isoladas mais de uma curva, o lago terá forma serpenteada.

Tomita _ Gardens In The Rain_ (Snowflakes Are Dancing – 1974)

Claude Debussy compôs Jardins Sous La Pluie (Estampes. III) (Jardins na Chuva) em 1903 para retratar uma tempestade num jardim de Orbec na França, os sons do vento e a fluência de gotas caindo. Setenta anos depois, Isao Tomita revelou a psicodelia fractal de Debussy ao transpor a obra do piano ao sintetizador.

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Eurythmics _ Here Comes The Rain Again _ 1983

Debussy mostrou o caminho e o século 20 repercutiu as sequências de notas repetidas que encharcam o campo sonoro; do minimalismo ao synth pop ao trance.

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Locust _ Summer Rain _ (Morning Light – 1997) _ [APOLLO]

Um micro system, uma toalha colorida, amigos e um vinho qualquer.
 ☁ ☁ ☁ .. chuva rápida para refrescar a grama verde e arco-íris : )

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Moby _ The Rain Falls And The Sky Shudders _ (Move – 1993) _ [MUTE]

Lembra a introdução de Riders On The Storm do The Doors, só que mais delicada, meio japonesa e distante como as ruas de Nova York vista de um arranha-céu; dá para ouvir as buzinas dos táxis.

grace

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Grace Jones _ Walking In The Rain _ (Nightclubbing – 1981)

Poucos sabem que a canção foi originalmente composta e gravada pela banda australiana Flesh & The Pan três anos antes de Grace. Mas é na colocação fria de Jones que a música encontra seu melhor fluxo.

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Blue Pearl _ Naked In The Rain _ 1990

Produzida por Graham Massey do 808 State, Blue Pearl é a pré-Corona que chegou ao 4º lugar dos singles mais vendidos em UK e 5º nos EUA; um rave pop monstro que evoca a dança nua na chuva pela FM » Come and wash away the pain, Step into the blessed rain, Cool the fire in your soul, The rain will make you whole!

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God Within _ Raincry (Submerged) _ 1993

A intricada e hipnótica base percussiva de repente se abre para um canto de chuva africano, grand piano e sintetizadores que parecem descer das alturas para depois se elevarem novamente. R.I.P Scott Hardkiss em 2013. Gratidão!

Drexciya _ Hydro Theory _ (The Journey Home – 1995) _ [WARP]

Ao longo de sua discografia, os detroitenses James Stinson e Gerald Donald desenvolveram uma mitologia própria; segundo eles, os “Drexciyan” são habitantes subaquáticos descendentes de escravas grávidas jogadas ao mar durante a deportação transatlântica, da África às Américas.

Björk _ Oceania _ (Medúlla – 2004)

a um suspiro da mãe Oceania
seus pés ágeis deixam impressões em minhas areias
você tem feito o bem para os seus próprios
desde que deixou meu abraço molhado e rastejou na praia
todo menino é uma cobra é um lírio
toda pérola é um lince é uma menina
como doce harmonia transformada em carne
você dança junto a mim, crianças sublimam
você me mostra continentes, eu vejo as ilhas
você conta os séculos, eu pisco meus olhos
falcões e pardais correm em minhas águas
raias estão flutuando pelo céu
pequenos, meus filhos e minhas filhas
seu suor é salgado
eu sou o porquê

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Marli _ Enchente (Lagosta Tóxica Remix) _ 2013

Em 2013 Marli revelou seu lado seapunk no álbum Maremotrix, dedicado às águas nervosas » enchente, água parada, tsunami, baleias e piratas. Aceite que ela é a precursora do vaporwave no mundo, uma década antes do termo existir.

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Uakti / Philip Glass _ Paru River _ (Águas Da Amazônia – 1999)

Composta originalmente por Philip Glass para um balé do Grupo Corpo (MG) e executada pelo grupo instrumentista brasileiro Uakti. Cada música do álbum representa um rio do Amazonas.

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Seahawks _ Pyramid Lake _ (Aquadisco – 2012) _ [OCEAN MOON]

Todos os álbuns e 12”s da dupla contém biossistemas da Era de Aquário. 

Intrusion _ Seduction _ 2009 _ [ECHOSPACE]

A interpretação do coletivo de videomakers alemão The29Nov para este dub techno é inspirada na arte do álbum. Imagem e música combinados para o máximo de frescor.

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Brian Eno & Daniel Lanois _ Sirens _ (Music For Films 3 – 1988) _ [OPAL]

Nas palavras de Eno » “Se eu tivesse que dar uma única definição para a música ambient diria que se trata de música imersiva, mais que narrativa.” Além de Sereias, outra de Eno que poderia integrar esta lista é a mágica Little Fishes de 1975.

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James Bernard _ Mars Rain _ (Atmospherics – 1994) _ [RISING HIGH]

Paisagens interplanetárias e a forte influência de Brian Eno na primeira metade da década de 90… ❂ ❂ ❂ Ouça a atmosfera nos graves ❂ ❂ ❂

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Dreamfish _ Under Water _ 1993 _ [FAX +49-69/450464]

Dois mestres do ambient em parceria » Peter Kuhlmann & Mixmaster Morris.
Nada é mais profundo do que um peixe imaginário.

Meditation Y.S. _ Aqua Grey _ (The Divine Comp. – 1995) _ [APOLLO]

* * * uma crise hídrica tão intensa e desgastante que depois de superada mudará o nome do planeta para Água e determinará o fim do territorialismo * * *

Apollo, o subselo do grande belga R&S oferece uma vasta antologia de temas aquáticos, aéreos e etéreos » http://www.discogs.com/label/683-Apollo

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Gater _ Water _ (Larry Tee presents Electroclash Comp. Vol. 2 – 2003)

consequência da ganância e da alienação »
we turn our backs, when they cry we play blind [...]
save yourself, fuck your friends until they die [...]
DON’T TOUCH THE WATER, DROWNING IN DISORDER !!!

earth

Fred Wesley – 
DOING IT TO DEATH!

A Majestosa Jornada Musical do Trombonista, Compositor e Líder dos J.B.’s (The Majestic Musical Journey Of The Trombonist, Composer & J.B.’s Leader) 

Fred Wesley Interview - Photos - One

Como amante de música, você já deve ter ouvido as obras-primas de Fred Wesley durante a era em que foi líder da lendária banda do James Brown – os J.B.’s. O extraordinário trombonista, cuja jornada de praticamente meio século cruzou as fronteiras dos grooves, do Jazz ao Soul e Funk (ele também chegou a ser arranjador e líder da banda de Count Basie), desembarcou no Brasil em setembro com seu novo projeto Generations para duas maravilhosas apresentações no festival Jazz na Fábrica, no SESC Pompéia. Tão importante quanto saborear as maravilhas musicais que aqueles shows puderam proporcionar, tratava-se de uma oportunidade única de conversar com este personagem essencial da música e fazê-lo falar do “período de ouro do Funk e do Soul”. Tempos em que esteve ao lado de James Brown, Maceo Parker, Clyde Stubblefield, Lyn Collins, John Jabo Starks, entre outras feras e gravou álbuns atemporais, de onde vieram obras super sampleadas que todos conhecemos, de ‘Blow Your Head’ a ‘House Party’ (a lista é gigantesca), seja através das originais ou dos samples alojados em hits de pista dos mais diversos gêneros desde então. Ao invés das tradicionais perguntas e respostas, resolvemos deixar o sereno artista falar.   » Continue lendo esta matéria

Copenhagen is calling: uma visita ao Strøm Festival 2014

Screen Shot 2014-08-27 at 2.36.11 AM

 Fotos: Flemming Bo Jensen
Vídeos: Chico Dub

Era um frio sábado de verão em Copenhagen, capital da Dinamarca. O resto da semana havia sido bem mais tranquilo, na faixa dos 18, 19 graus. Mas Murphy costuma operar sua lei de forma maligna. E justamente durante o principal dia do Strøm Festival, a chuva caía fina (ao menos isso), fazendo a temperatura baixar para uns 14 graus. De casaco de capuz, sentado no gramado do Enghaveparken – um parque público localizado praticamente ao lado da fábrica da gigante cervejeira Carslberg – puxo papo com um cara sentado ao meu lado enquanto a Cooly G não subia ao “Grass Stage”. Papo vai, papo vem, o alemão inicia uma conversa sobre sua wish list dos festivais. Ele sonha com Coachella e Burning Man. Eu rebato dizendo que iria feliz em qualquer um dos dois, mas que ambos estão bem abaixo das minhas prioridades. Explico ao (surpreso) alemão que um festival hoje em dia, pelo menos para a minha pesquisa pessoal, precisa de 3 pontos: um bom line-up (óbvio); atrações espalhadas pela cidade – de preferência misturando locações site specific com venues clássicos, dessa forma acaba se conhecendo uma cidade visitando o festival; e, finalmente, a criação de projetos inéditos, criados especialmente para o evento.  » Continue lendo esta matéria

100 Deep Electronic Music Classics – Part II

Essential Compilation Of Deep Electronic Music Classics, Contemporaries & Influences 

[Link para a primeira parte aqui]

011-020

11. Louis & Bebe Barron – Forbidden Planet (1956)
12. Delia Derbyshire – Dr. Who Theme – BBC (1963)
13. George Duke – North Beach – MPS/BASF (1974)
14. Manuel Gottsching – E2 E4 – (1981)
15. 808 State – Pacific State – Creed (1989)
16. Vision – Other Side Of Life – Interface Records (1990)
17. Amorphous Androgynous – Mountain Goat – Quigley (1993)
18. Ferrer & Sydenham Inc. – Sandcastles – Ibadan (2003)
19. Vladislay Delay – Recovery Idea (Andy Stott Remix) – Semantica Records (2008)
20. Leyland Kirby – Breaks My Heart Each Time – Apollo (2014)


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Senǒide » A Música no ESPAÇO

auralização - hemi_anech - 640

Qual seria o próximo passo para a música? Que barreiras tecnológicas poderiam ser superadas na eletrônica popular e em outras linguagens relacionadas? Certa vez, na Space Of Sound, uma boate gigantesca em Madri (1600 m²), ouvi o DJ mixar uma música que vinha dos confins do galpão e se mesclava à que estava tocando na pista. Demorei para compreender o que estava acontecendo naquele espaço – “Isso é pós-música!” – comentei com uma amiga, chocado. Eu havia acabado de escutar uma mixagem quadrafônica (em 4 canais), sistema idealizado na década de 1940 que não chegou a se popularizar. Era a música além da estereofonia.

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