Senŏide » SUPERCLÁSSICOS 1

herrenchiemseegaleria de espelhos do Palácio de Herrenchiemsee na Baviera

SUPERCLÁSSICOS 1 _ DO ACID HOUSE AO PRESENTE

Melodias que desde a primeira audição se prendem à memória para sempre; timbres que parecem lapidados à seção rítmica; estéticas que condensam uma época e uma história vivida coletivamente. Selecionamos mais de 20 músicas (do acid house ao presente) que nunca deixaram de nos comover – cada uma é a ponta de um iceberg. Pedi ao jornalista Jade Gola que escolhesse metade delas para que a matéria não ficasse tão pessoal.

 

1988 _ VOODOO RAY _ A GUY CALLED GERALD _ [RHAM!]

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Econômica, mas cheia de camadas sobrepostas; feliz e contida ao mesmo tempo. Num único compasso podemos imaginar as cores quentes, a dança larga com os braços e o grande SMILEY :) Tudo espontâneo, original e livre como na época em que surgiu. A TB-303 soa a pequenos raios voodoo!  Para outros acid house dos 80 entre aqui; dos 90, aqui. (Marco)

 

1989 _ PACIFIC 202 _ 808 STATE _ [ZTT]

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Sinta a maresia de Ibiza se deslocando para Manchester no final dos anos 80 » onde mais encontraríamos um saxofone tão bem acoplado ao techno baleárico e acordes atmosféricos? Rimini, Riccione? iQué venga suavecito pela italiana ‘SUEŇO LATINO’ de 1989, na brisa de APHRODISIAC (1990) em ‘Song Of The Siren’ via Nu Groove e além com ‘Smokebelch II’ (1993) THE SABRES OF PARADISE (e Andrew Weatherall)(Marco)

 

1990 _ LFO (THE LEEDS WAREHOUSE) _ LFO _ [WARP]

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As músicas mais radicais da época combinavam ruídos estranhos e desformes à base germano-americana. A começar pelo new beat belga (ARBEID ADELT! (1988) ‘Death Disco’ ou BAZZ (1988) ‘The Drop Deal’), depois o techno inglês (ouça o grave de ‘LFO’ no player) e, claro: UNDERGROUND RESISTANCE » X-101

Em seguida » ‘Fairy Dust’ (1991) SET UP SYSTEM; o remix de KEVIN SAUNDERSON para ‘Stark’ (1990) KGB e o de ‘GO’ (1991) MOBY; a marcha ‘Solid Session’ de ORLANDO VOORN (1991); METALHEADS em ‘Terminator’ de 1992 e mais centenas de outras joias obscuras contemporâneas ao seriado Twin Peaks de David Lynch. Havia um clima de apocalipse noir e, na pista, até as máquinas pareciam enlouquecer. (Marco)

 

1992 _ CAN YOU FEEL IT? (NEW YORK DUB) _ CHEZ DAMIER _ [KMS]

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STRICTLY RHYTHM é o selo que define a estética do house do começo dos 90 até o boom de BASEMANT JAXX (por volta de 1995) – lançou nomes como TODD TERRY, ARMAND VAN HELDEN, DANNY TENAGLIA, ERICK MORILLO, MASTERS AT WORK (Kenny “Dope” Gonzales & Louie Vega), ARMAND VAN HELDEN, …

MAS, é o remix de MARC KINCHEN e DERRICK MAY para CHEZ DAMIER que aparece aqui como representante do nordeste norte-americano » ‘Can You Feel It? (NY Dub)’ é um híbrido imbatível de sonoridades de Chicago, Detroit e Nova York. Boa parte da house que ouvimos na década de 2010 é baseada na música de MARC KINCHEN (que, por sua vez, parece inspirada por STEVE HURLEY). (Marco)

 

1992 _ STELLA _ JAM & SPOON _ [R&S]

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Um dos synths mais ressonantes da história surfa sobre uma base galopante e macia, arpejo de piano sutil e um violão cigano que a fez atemporal (e presente nos sets de Todd Terje e Prins Thomas). Da atmosfera baleárica ao transe cósmico via » ‘AGE OF LOVE’, ‘LOVE STIMULATION’, ‘PARAGLIDER’‘TRANSFORMATION’, ‘CAFÉ DEL MAR’‘KINETIC’‘POSITIVE EDUCATION’, ‘HALCYON’‘FUNK DE FINO’‘MANTRA’ e ‘CAMARGUE’ #LágrimasNaPista (Marco)

 

1995 _ FLASH _ GREEN VELVET _ [RELIEF]

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”Tonight I wanna take you on a tour of Club Bad where all the bad little kids go try to leave their bodies by various means of methods, anything necessary, some things that you quite won’t be accustomed to” _ A proeza de pesar no bumbo e hipnotizar a todos ao mesmo tempo; caixas de escola de samba que simulam luzes estroboscópicas que viram flashes de câmera – é uma piada! » dificilmente alguém se lembraria de fotografar a pista no auge da jogação dos 90.

Era dos compressores e refrigeradores psicomecânicos de FUNK D’ VOIDTHE ADVENT, MARK BROOMREGIS, SURGEON, LUKE SLATER; e num segundo momento pelo selo FINE AUDIO, por JOHANNES HEILALEXANDER KOWALSKI, MARCO CAROLA, DJ RUSHRENATO COHEN, etc. (Marco)

 

1998 _ BEAU MOT PLAGE _ ISOLÉE _ [PLAYHOUSE]

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Hawaii deep, microhouse, glitch, o que importa é que a bela melodia de ‘Beau Mot Plage’ de repente cede espaço a quase três minutos de um interlúdio de rasuras, delays e reverbs que se perdem na mente apenas para te trazer novamente à superfície de uma praia imaginária.

Depois dos antológicos vídeos de ‘Around The World’ (1997) do DAFT PUNKSTARDUST (1998) ‘Music Sounds Better With You’‘Hey Boy Hey Girl’ (1999) dos THE CHEMICAL BROTHERS e ‘Windowlicker’ (1999) do APHEX TWIN, as brumas dos 90s se dissiparam de vez. Além da nova linguagem de videoclipes, uma enxurrada de CDs mixados tomou o mercado, a pista tornou-se bem mais acessível e o mundo virou clubber. (Marco)

 

1999 _ FLAT BEAT _ MR. OIZO _ [F COMMUNICATIONS]

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Um beat flatulento, um clipe e um personagem marcantes e aquela esquisitice viciante de MR. OIZO. ‘Flat Beat’ tem um humor tão necessário à muitas vezes sisuda música eletrônica, pra sorrir na pista e dançar de maneiras que não imaginávamos. Hit que remete àquele fim dos anos 1990 em que tudo que surgia de dance music no pop parecia que ia mudar a ordem das coisas – (e talvez tenha mudado mesmo). (Jade)

 

2000 _ LAURENT GARNIER _ THE MAN WITH THE RED FACE _ [F COMMUNICATIONS]

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A sonoridade dos metais jazzísticos transportado para um dinamismo automotivo e urbano, hit inegável de 11 entre 10 amantes do techno, consolidação de LAURENT GARNIER como o homem da vez. ‘The Man With the Red Face’ renovou o som de Detroit na virada do século com envergadura (musicalidade) e elegância. (Jade)

 

2000 _ IDIOTEQUE _ RADIOHEAD _ [PARLOPHONE]

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A música que sedimentou o RADIOHEAD como os Beach Boys da nossa geração, um crossover entre eletrônica e melancolia post-rock que congela as paredes das pistas em que é tocada, principalmente em sua versão original. O senso de síncope e de breaks do Radiohead aqui é tão particular, e os synths de alma penada caem como luvas para o refrão nonsense e pós-moderno. Seria prepotente até, se não fosse uma das músicas mais bonitas já feitas… (Jade)

 

2001 _ MIURA _ METRO AREA _ [ENVIRON]

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‘Miura’ era um carro futurista do século passado, um pouco alienígina e minimalista. Assim é essa histórica faixa do METRO AREA, cheia de bons humores e blips junto da afirmação de estruturas fundamentais da eletrônica, como o seu clap marcante. Foi a faixa dos anos 2000s para o ResidentAdvisor, de fato um marco da releitura minimalista da música eletrônica, e no contexto houseiro. Preciosa. (Jade)

 

2002 _ SHARI VARI (THE HACKER & VITALIC REMIX) _ A NUMBER OF NAMES _ [INTERNATIONAL DEEJAY GIGOLO]

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O remix de Shari Vari evidencia a fusão do electro80 com o techno, traz de volta o profano, o sexo, o pó, sinaliza a chegada de uma parte do público do rock às pistas, potencializa o retrofuturismo do DAFT PUNK e, ainda, marca a época em que a informação musical tornou-se acessível graças a Discogs, Napster, Soulseek e sites que permitiam, pela primeira vez, interação direta, instantânea e descentralizada. 

*** Um clima de jet lag, champanhe e celebridades instantâneas entrou na música de HELL e FELIX DA HOUSECAT (a princípio era deboche yuppie).

E o mundo em choque » ELLEN ALLIEN (Berlim)ADULT (Detroit), DAVID CARRETTA (Marselha), LEGOWELT (Holanda), MU (UK)SAVAS PASCALIDIS (Alemanha/Grécia), ADRIANO CANZIAN (Bolonha)NO PORN (SP) e, claro, o ELECTROCLASH de Nova York. Depois vieram híbridos poderosos como o remix de EWAN PEARSON para ‘Beat The Bush’ do ALTER EGO (2005), o auge de TIEFSCHWARZ e uma boa leva de STEPHAN BODZIN, entre elas » ‘Caligula’ de 2005 e ‘Atlas’ (2006) com Marc Romboy(Marco)

 

2003 _ DEXTER _ RICARDO VILLALOBOS _ [PLAYHOUSE]

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Através do álbum ‘Alcachofa’ (2003) e seus EPs lançados na primeira metade da década pela PERLON, CADENZA e PLAYHOUSE, Villalobos resolve a equação da melodia extremamente concisa (descendente do pós-punk, new wave) + house, techno e um tempero de musique concrète [mais evidente neste remix para SVEN VÄTH]. No ano anterior, o mix ‘Groovetechnology v1.3′ (2002) do SWAYZAK acrescia nuances melódicas ao conceito ”menos é mais” de RICHIE HAWTIN em ‘Closer To The Edit’ (2001), que é a popularização da música de WOLFGANG VOIGT » principalmente sob o cognome STUDIO 1.

Paralelo a Villalobos (e um pouco mais dramático) » MATHEW JONSON – ‘Marionette’ (2005) é seu carro-chefe. Mais tech house do que minimalROBAG WRUHMEDOMINIK EULBERG e TRENTEMØLLER. Dos selos, o KOMPAKT de Voigt e o M_NUS de Hawtin. (Marco)

 

2003 _ PASS THIS ON _ THE KNIFE _ [RABID]

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Tem algo de distópico, brega e viciante nos synths do THE KNIFE. Um pouco como aquelas faixas românticas dos anos 80, de lua de mel no Caribe. Essa subversão fabulosa do kitsch synth-pop, junto de imagéticas fabulosas e de gore adocicado mudaram os rumos do pop eletrônico do nosso século – eis aí dezenas de bandinhas witch house querendo ser, em vão, o novo The Knife. A ideia da banda em acabar no auge só cristaliza o seu legado. (Jade)

 

2004 _ ALIEN IN MY POCKET _ LINDSTRØM & RUNE LINDBÆK _ [MODAL]

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Os noruegueses renovaram a DISCO, de fato – depois de LINDSTRØM, TODD TERJE, PRINS THOMAS, RUNE LINDBÆK, DISKJOKKE, MENTAL OVERDIVE e BJØRN TORSKE não se pode mais afirmar que o gênero morreu nos anos 70 ou se transformou definitivamente em house. Momento para o voo-da-phoenix de BLACK DEVIL DISCO CLUB, além de RICHARD SEN, BOTTIN, ICHISAN e mais sons orgânicos de CARIBOUIN FLAGRANTI, MICKEY MOONLIGHT, ERIC DUNCANTUSSLE, etc. Mais do que um gênero bem definido, o INDIE DANCE que veio depois é a senha para a música livre de qualquer limitação timbrística e resgata o KRAUTROCK mais eletrônico dos anos 70.

Em 2012 chegamos ao pote de ouro com ‘Inspector Norse’ do TODD TERJE e em 2013 com o remix dos PACHANGA BOYS para ‘Come Save Me’ do Jagwar Ma(Marco)

 

2006 _ CLAUDE VONSTROKE _ WHO’S AFRAID OF DETROIT? _ [DIRTYBIRD]

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Claude VonStroke foi irônico ao questionar quem tem medo de Detroit? Ao que parece, esse nativo do midwest americano entende a paisagem sonora e urbana do electro de seu país, fazendo jus à techno city nessa música de synths industriais naturalizados em ritmo humano, movimento criado aqui de forma desengoçada e petulante, o que não é comum no conservador Detroit techno. (Jade)

 

2006 _ RHYTHM & SOUND _ POOR PEOPLE MUST WORK (CARL CRAIG REMIX) _ [BURIAL MIX]

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Outro estudioso da distopia urbana de Detroit, CARL CRAIG cria hipnose e dança ao narrar a miséria humana, fato que talvez passe despercebido em pistas, ambientes muitas vezes burgueses. A maneira como ele processa os vocais assustados junto da base progressiva e paranóica nos leva a um estado de torpor, de loucura, que é a própria alienação do techno (e das drogas) em forma de música. (Jade)

 

2008 _ TOWNSHIP FUNK _ DJ MUJAVA _ [THIS IS MUSIC]

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Esse achado africano da WARP foi apenas um hit pontual de 2008, mas sua síncope polipercussiva lutando com o synth hipnótico mostram uma organicidade no fazer eletrônico que é a pura concepção do continente-mãe – IT BEGAN IN AFRIKA. (Jade)

 

2009 _ OAR003-B _ ONI AYHUN _ [ONI AYHUN]

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Onze minutos de sentimentos à flor da pele que mostram como o sentimento exacerbado do P.L.U.R. humano (ou do ecstasy) ainda são um belíssimo mote romântico da dance music. A delicadeza emotiva aqui é tamanha que passa até desapercebida pra muita gente que ONI AYHUN é o Olof Dreijer, o irmão da Karin e responsável pelo synth-pop disforme e tão celebrado do The Knife. (Jade)

 

2009 _ AZARI & III _ HUNGRY FOR THE POWER _ [I'M A CLICHÉ]

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Junto a HERCULES & LOVE AFFAIR, HARD TON e STORM QUEEN, ‘Hungry For The Power’ trouxe de volta e definitivamente a sonoridade de Chicago dos 80, seus rimshots, e synths staccato (similar a COM TRUISE). Depois vieram ART DEPARTMENT e SOUL CLAP. O que torna ‘Hungry For The Power’ mais especial é que nela também se nota a aridez presente em REBOLLEDO, MATIAS AGUAYO, DJ KOZE, DJ QU, LEVON VINCENT, etc. (Marco)

 

2010 _ TENSNAKE _ COMA CAT _ [PERMANENT VACATION]

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Dance music e a moda têm algo em comum: o glamour. Assim como uma roupa incrível, uma faixa fina de disco/house tem que ser bem ajustada no groove, trazer um som que instigue na forma e um clima colorido e luxuoso de exacerbação do bom gosto. ‘Coma Cat’ é tudo isso, e reverberou aos céus a carreira de TENSNAKE, do selo PERMANENT VACATION e da piano house tão palatável e já histórica. (Jade)

 

2010 _ FOUR TET _ PLASTIC PEOPLE _ [DOMINO]

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É tão bonita a maneira como FOUR TET salpica formas delicadas em barulhos, ritmos e arritmias sisudas e automatizadas. É a tão desejada e pouco alcançada perfeição da simplicidade da música eletrônica. E ‘Plastic People’ tem ainda aquele estado dreamy que é tão caro à sua música. (Jade)

 

2013 _ MADE TO STRAY _ MOUNT KIMBIE _ [WARP]

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A arte de tocar bem um sintetizador é criar sons elásticos que, adicionados de groove, beats e percussão, criam música que faz o corpo responder imediatamente ao ritmo. ‘Made to Stray’ traz esse talento desde o seu primeiro segundo e ainda tem fofura vocal indie, coisa que britânico gosta e gera termos como “indietronica”. O único defeito dessa música é ela só ter 4 minutos de duração. Tão boa que nem DJ KOZE conseguiu fazer um remix à altura do original. (Jade)

 

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MENÇÕES HONROSAS

Quando pensamos numa lista tão restrita somos obrigados a deixar muitas coisas de lado – Sinto a ausência » de ‘The Bells’ (1996) do JEFF MILLS (eternizada em sua apresentação no Liquid Room de Tokyo); de ‘Wisdom To The Wise’ (1994) do DAVE CLARKE(criada para ocupar todo o espaço do clube); do repertório de AUTECHRE e APHEX TWIN – ¿essas seriam muito duras ou complexas demais para transitarem por qualquer pista? – ‘Eutow’ (1995) é exceção (1)

 

■ dos deep que dizem mais aos ouvidos elegantes, como o Maurizio Mix de ‘Domina’ e ‘At Les’ de CARL CRAIG (que repercutiu no Brasil principalmente depois do X-MIX de Mr. C), ambas de 1993; KIRK DEGIORGIO na vanguarda como AS ONE (1991) ‘AMALIA’; ou ANDREW WEATHERALL em ‘Glide By Shooting’ de 1996. ╠ no segundo momento do deep house com ‘My Beat’ (1998) do BLAZE e MATTHEW HERBERT (‘Close To Me’ de 1998, p. ex.). o deep em suas variadas formas é o subgênero mais atemporal (2)

 

■ de inúmeras vertentes da HOUSE: o soul de MOODYMANTHEO PARRISH; de FRANKIE KNUCKLES em ‘The Whistle Song’ (1991) ╠ o groove funkeado de BARADACASSIUSTODD EDWARDS ╠ a disco de ASHLEY BEEDLESILICONE SOUL; CLAUDIO COCCOLUTO ╠ o jazz de ST GERMAIN em ‘Rouse Rouge’ de 2000ENDANGERED SPECIES (1992) ╠ o peso de Chicago por K’ALEXI SHELBYSTEVE POINDEXTERL.B. BADRON TRENT ╠ o tech house nos 1990′s por IAN POOLEYGLENN UNDERGROUND; e nos 2000′s por GUY GERBERGUIDO SHNEIDER ╠ o início do progressive house pelos selos LIMBOGUERILLA, em ‘Passion’ (1992) Gat Decor‘Slumberland’ (1993) SOLITAIRE GEELEFTFIELD em ‘Song Of Life’ de 1992 ╠ o hard house da TRADE com THE MONTINI EXPERIENCE (1995) ‘My House Is Your House’ (3)

 

■ 1993 é um ano especial para clássicos. só de TRIBAL temos: Richie Hawtin como PLASTIKMAN em ‘Spastik’‘Plastic Dreams’ de JAYDEE,  ‘20 Hz’ de CAPRICORN, o melhor álbum de BANDULU » ‘Guidance’, etc. (4)

 

■ lembramos-nos das que determinaram uma época muito particular, como ╠ ‘Sunglasses At Night’ do TIGA (2000) (o hino do revivalismo 80s – ou seria ‘1982’ de MISS KITTIN & THE HACKER de 1998?);╠ do remix de JAMES HOLDEN para ‘The Sky Was Pink’ (2004) (uma evolução do minimal que, junto a ‘Mandarine Girl’ (2005) do Booka Shade, fez surgir o termo neo trance); ╠ do wonky techno de CRISTIAN VOGEL e NEIL LANDSTRUMM, disseminado pelo TRESOR nos mid 90s; ╠ do primitivismo futurista de ‘Papua New Guinea’ do THE FUTURE SOUND OF LONDON (1991) e sua antecessora ‘Radio Babylon’ (1990) MEAT BEAT MANIFESTO; ╠ do hoover sound de ‘Mentasm’ do JOEY BELTRAM (onipresente em 1991 e 1992, junto a HUMAN RESOURCE); ╠ e mais dezenas de batidas hardcore/rave essenciais na virada dos 90s por THE PRODIGY, ALTERN 8, BIZARRE INC, ORBITAL, SHUT UP & DANCE, LIQUID, etc. ╠ o jungle,drum ‘n’ bass e seus vários subgêneros precisariam de um capítulo a parte, encabeçado por GOLDIE, 4 HERO e SQUAREPUSHER (5)

 

■ e das longas e hipnóticas para os iniciados nas profundezas da pista, como ‘Rez’ do UNDERWORLD (1993) (conhecida em SP como a música do caminhão da ultragaz numa época em que a informação sobre música alternativa era muito limitada)‘Acid Tracks’ do PHUTURE (1987) (totalmente alienígena quando apareceu em 1985, segundo dizem); em 2007 com THE FIELD; e nas jam sessions espaciais de MINILOGUE ╠  nos climas que transcendem a pista de BOARDS OF CANADATHE ORBBASIC CHANNEL, SEAHAWKS (mais recentemente) e a singularidade de NICOLAS JAAR em ‘Space Is Only Noise If You Can See’ (2011) (6)

 

■ também consideramos as que ainda não foram largamente assimiladas para serem superclássicas, como as de ANDY STOTT e do ARCA ╠ no dubstep e pós-dubstep via BURIAL (para começar) ou SHACKLETON (ouça os EPs recentes lançados pelo selo ‘Woe To The Septic Heart!’ e perceba uma nova música surgindo) ╠ e nas que rompem definitivamente as fronteiras entre Europa e ÁFRICA (7)

 

■ no trip hop (que agradou gerações na faixa dos 20 e dos 30) via Bristol por MASSIVE ATTACK e PORTISHEAD. ╠ NICOLETTE e o excelente remix de PLAID (1995) ‘No Government’ ou ‘Eyen’ (2001) ╠ no acid jazz e cercanias do hip hop por SOUL II SOUL, DE LA SOUL, INCOGNITOJAMIROQUAIP.M. DAWN BEATS INTERNATIONAL de Norman Cook AKA Fatboy Slim ╠ em MORCHEEBA e GOLDFRAPP ╠ em vozes excepcionais como as de RÓISÍN MURPHYGNARLS BARKLEYAMY WINEHOUSEELISABETH FRASERANTONY HEGARTY CESARIA EVORA ╠ em MARLI e em como BJÖRK dissolve qualquer barreira entre o experimental e o mainstream em mais de 30 anos de carreira ╠ no melhor álbum de GAL COSTA desde ‘Vaca Profana’ » ‘Recanto Escuro’ (8)

 

■ pensamos em dar uma passada pelo rock, pop rock e indie dos 90 com NIRVANA, PRIMAL SCREAMR.E.M., BLUR, PULP e SUEDE ╠  nos híbridos eletrônicos com alma roqueira (às vezes psiodélica) do séc. 21: !!!LCD SOUNDSYSTEMMGMTNEON INDIANARIEL PINK’S HAUNTED GRAFFITITAME IMPALAPANDA BEAR; na evolução do synthpop por RÖYKSOPPARCADE FIREHOT CHIP, JUNIOR BOYSTRUST e JOHN MAUS ╠ e no neofolk de CONNAN MOCKASIN (9)

 

■ no revivalismo ULTRAPOP de MADONNA, que levou ‘Vogue’ (1990) para o mundo depois de MALCOLM McLAREN (1989) ‘Deep In Vogue’; ou DEEE-LITE por trazer a estética do P.FUNK aos 90; direto dos swinging sixties com BETTY BOOSAINT ETIENNE e PIZZICATO FIVE; na nouvelle vague de DIMITRI FROM PARISSTEREOLAB e AIR; na bossa de BEBEL GILBERTO e os remixes de 2001 (10)

 

■ mais todas as as cores do dance pop com M|A|R|R|SBOMB THE BASS, S’EXPRESSTECHNOTRONIC, THE KLFSNAP!BLACK BOXC+C MUSIC FACTORY, CRYSTAL WATERS, ROBIN S, NOMADADAMSKI, THE SHAMEN e, principalmente, INNER CITY :) [dezenas mais aqui] (11)

 

■ e nas que são tão, mas tão clássicas e presentes, que é preciso cuidado para não banalizá-las, como ‘Strings Of Life’ (1987) DERRICK MAY (e seu piano uberclassic)‘French Kiss’ de (1989) LIL’ LOUIS (copiadíssima até hoje), e até mesmo ‘Knights Of The Jaguar’ (1999) THE AZTEC MYSTIC. Na verdade, qualquer música, por mais maravilhosa que seja, precisa do descanso/esquecimento necessário para que o novo surja. (12)

 

■ é uma pena constatar que muitas foram (quase) esquecidas pelo caminho, mas nada nos impede de reintroduzi-las » o santo graal dos tapes by PSYCHICK WARRIORS OV GAIA (1989) ‘Exit 23’ ╠ o bleep techno que veio do dub via Brooklyn por FRANKIE BONES e LENNY DEE em ‘Inject The Beat’ (1990) Looney Tunes, p. ex. ╠ o único álbum do PROPELLERHEADS (1998), descendente do big beat de THE CHEMICAL BROTHERS ╠ ou DAVE ANGEL

… e mais TANTAS, TANTAS OUTRAS!

AJUDE-NOS A LEMBRAR E A EXPANDIR ESTA LISTA »

 

Sənōide _ Bruno Palazzo revela o SOM como matéria primordial

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obra de José Parlá
 
Às vezes nos esquecemos de que a Música é livre para ser qualquer forma, que ela não deve se limitar às estruturas já existentes, que somente através do questionamento ou negação de certos aspectos antecedentes ela pode evoluir e expressar o tempo vigente  E que o instrumental eletrônico é a real possibilidade de se produzir qualquer combinação de sons imaginada.

O gênero é uma barreira (como bem sabe Genesis P.Orridge) que vem sendo quebrada pela profusão de música “abstrata” lançada, principalmente, nos últimos dois anos. O experimentalismo radical está sendo integrado tanto pelos nomes mais inventivos do pop, como The Knife e Björk (sempre!), como na pista pelos selos Tri AngleHoundstoothBrainfeederWarp (claro!), entre muitos outros.

Sintonizado a essa NOVA ABERTURA, Bruno Palazzo explora o SOM como matéria plástica primordial e sua aplicação nas artes. » Na próxima sexta e sábado, Bruno apresenta a oficina SOBRE RUÍDO no Sesc Pinheiros. Segundo ele, a oficina será bastante prática; mostrará desenhos de “paisagens” sonoras e terá audições de sons e música. Ele pretende gravar e manipular sons ao vivo e levar o ouvinte a pensar como desenvolvê-los no ESPAÇO.
 
Segue a entrevista »

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Você trabalha o som em diversos modos. Fale sobre isso.

Pensando o som num campo expandido, eu trabalho captando sons da realidade, colecionando-os para um possível uso via estúdio, mas também, em vez de transformar esses sons em arquivos de áudio e guardá-los num biblioteca, posso, por exemplo, captar os sons no espaço, transformá-los, processá-los e devolvê-los para o mesmo espaço em tempo real, no caso das instalações.

Costumo levar o gravador comigo para registrar os sons da cidade e da natureza. Guardo esses sons em coleções, depois eu posso levá-los ao estúdio e processá-los para fazer algum trabalho de publicidade, de cinema, de artes plásticas: vejo tudo isso de modo misturado, penso o som num campo expandido.

Então seu trabalho é embasado na biblioteca de som que você criou?

Sim.

Como você coleta esses sons?

Com microfones tipo zoom, às vezes até com o celular. Logo depois de gravados eu os organizo.

Como você organiza esses arquivos?

As pastas têm o nome do lugar onde o som foi gravado e a data. Depois nomeio o arquivo, por exemplo, um dia passei uma noite num hotel de beira de estrada, no fim da tarde gravei o som de um grilo, à medida que eu meu aproximava do grilo, o gravador produzia uma interferência, um ruído estranho que dialogava com o grilado – isso gerou um som bastante único e especial que está na biblioteca.

Um som assim já sugere uma composição?

Nesse caso, sim, porque é um som bem sui generis, seria o princípio para uma composição. Há outros exemplos, como o trem que passa às 4h da madrugada na cidade em que mora um amigo – os sons da buzina e da máquina reverberam por toda a cidade.

 

ANALOG live mix do Bruno Palazzo

Quais tecnologias você indica para gravar sons no espaço?

Hoje em dia é mais fácil. Até com o celular você consegue qualidade, mas sua faixa de frequência é limitada para a voz humana. Existem empresas que vem produzindo microfones estéreos, condensadores com captação aberta, mais equilibrada, e que você pluga no próprio celular – uma solução barata. Ou usar os microfones da Zoom ou Tascam, que funcionam com bateria. Outros já têm cinco gravadores embutidos, o que permite a você posteriormente transformar o registro em 5.1.

Você também participa de uma banda industrial ou noise chamada Cão. Como se relacionam os ruídos colecionados, as instalações e a banda?

Todos os integrantes do Cão são artistas plásticos: o Maurício Ianês trabalha muito com performance, o Ricardo Carioba com videoinstalação e som, a Dora Longo Bahia é diretora de filmes e pintora.

A prática da coleta de som e as instalações são mais solitárias. Por isso não consigo deixar de tocar com outras pessoas. O som pra mim é extremamente físico – quando você bate a mão numa guitarra e ela soa é o seu corpo fazendo uma ação num objeto e aquilo enche o ambiente de frequência. Tocar com outros músicos é construir algo no tempo, ir levantando e direcionando em grupo algo que está no ar – é uma experiência coletiva.

Com o DJ Paulo Tessuto você produz techno.

Produzimos uma faixa e remixamos outras. Também as masterizei »

 

Outros projetos?

Dia 20 de junho eu vou me apresentar com o Ricardo Carioba na CASA TOFIQ. A performance se chama Pesadelo Para Piano e Bateria – eu vou tocar um piano de cauda que vai ser processado, o som desse piano será captado no espaço da sala e reverberado no quarto dos fundos. Carioba vai usar os sinais desse som de piano processado e compor com uma bateria eletrônica. Em suma, queremos que o som desse piano dialogue com o espaço da casa.

Essa apresentação se encaixa mais no contexto de um show de música, das artes plásticas ou não importa?

Um pouco dos dois ou o meio termo. Primordialmente é música, mas com o intuito de ampliá-la e levá-la para outros lugares. 

Sexta e sábado próximos (dias 12 e 13 de junho), Bruno Palazzo apresenta a oficina SOBRE RUÍDO, no Sesc Pinheiros. Será bastante prática, com desenhos de paisagens sonoras e audições de sons e música.
Não é necessária a inscrição. Retirar o ingresso UMA HORA ANTES na

Rua Pais Leme, 195. 
3095.9400

OFICINA SOBRE RUÍDO: O som na Arte Contemporânea
Pretende investigar a utilização do som como matéria plástica na prática artística contemporânea. Seu objetivo é estimular os participantes com exercícios que exploram aspectos da linguagem sonora aplicada às artes plásticas.

Conteúdos: 
Ponderar acerca das diferentes possibilidades de utilização do som nas obras de arte. Estimular a percepção para os múltiplos aspectos semânticos e simbólicos do som. Exercitar a inventividade por uso de captação, processamento e aplicação de ruídos diversos.

Módulo I _ Paisagem sonora: escuta e representação
Breve apresentação do percurso artístico pessoal relacionando com os trabalhos da exposição (trilha sonora e desenho de som para cinema, instalações, objetos sonoros e performance).
Prática 1: desenhar mapa sonoro do espaço. Gravação de campo com microfone portátil, comparação com os desenhos. Relacionar os desenhos com percepção acústica (características do ouvido humano, espectro de frequências, fenômenos acústicos).
Prática 2: gravação de sons a partir de objetos encontrados em aula. Criação de uma sonoteca a partir de um único objeto. Gravar sons de papel, chaves, roupas, objetos comuns trazidos espontaneamente pelos alunos.
Gravação pelo ar (microfone dinâmico e condensador). Gravação pelo contato (microfone de contato, piezo elétrico). Montagem multicanal dos materiais gravados. Audição e discussão do materiais produzidos em conjunto com os participantes.

Módulo II _ Áudio plástico: som no espaço
Apresentação de referências – alguns artistas e trabalhos que utilizam som.
Prática 3: Gravação de ruídos a partir da voz. Criação de uma sonoteca pessoal a partir de gravações com a voz.
Prática 4: Captação de sons produzidos por um rádio AM/FM. Processamento dos sons gravados durante a oficina.
Prática 5: Captação de sons feitos por pequenos instrumentos eletrônicos, ou trechos de sons presentes nos celulares dos participantes.
Montagem multicanal dos materiais gravados. Apresentação dos sons produzidos como peças autônomas ou instalações, trilhas para vídeos, objetos sonoros. Discussão dos trabalhos e fechamento.

 
► http://coletor.org/acoes/bruno-palazzo-som-sobre-nada/

Front 242 ‘De L’Autre Côté Du Front’

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- Histórias que marcaram a jornada da maior banda de EBM - 

Eram três da manhã de uma noite de inverno no fim dos anos oitenta, e os pneus do Gol GTS de um amigo cantavam na 23 de maio a caminho da casa de uma das meninas. Voltávamos de uma festa e a velocidade era alta, irresponsável, com direito a uma trilha que não poderia ser mais apocalíptica - Commando Mix‘ (1985) dos belgas do Front 242gravado em uma fitinha K7 do LP ‘No Comment’. O grupo estava em grande evidência na noite paulistana por conta dos hits ’Headhunter V.3.0′ e ‘Welcome To Paradise’, que tocavam nas principais pistas de dança e nas rádios. Era a porta de entrada de toda uma geração para o Electronic Body Music, gênero musical que foi por eles catalisado anos antes, no início dos oitenta. Não por acaso, a música era ousada, viril e enérgica.

Porém, para os grandes pesquisadores e aficcionados, a descoberta deste som inovador dos belgas veio alguns anos antes, em lojas e revistas especializadas, ou através das pistas de clubs como Rose Bom Bom e Cais, comandadas pelo DJ Magal: comecei a tocar Front no Rose Bom Bom em 1987. O Alex Atala me levou o disco e disse que não havia gostado. Na hora, ouvi ‘Don’t Crash‘ no fone, gostei e toquei. E a reação da pista foi imediata. Virou hit! Depois, no Cais, toquei ‘Commando Mix’ e ‘Funkahdafi’. Mais tarde vieram ‘Masterhit’, ‘Quite Unusual’, ‘Take One‘ e ‘Controversy Between‘.”
Após um memorável show no final de 2003, o Front 242 retornou a São Paulo para o Original Music Concert Tour no Clube Juventus. Tivemos a chance de conseguir que dividissem conosco algumas histórias sobre a fase inicial da sua impressionante trajetória. 
 
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Senŏide entrevista Pilantröpóv

INTRO PILAS 2

Durante décadas nos acostumamos a esperar da cena eletrônica noturna as novidades, a experimentação e as mudanças de rumo radicais. Deixamos de notar que outros meios – performance, happening, videoarte, dança, teatro – poderiam nos abrir para universos musicais inéditos, expressões que não têm necessariamente relação com a massificação da música dos guetos do século 20.

Ao longo do tempo perdemos a percepção de que a vivência da música é quase sempre ritualizada. Quando colocamos uma roupa, ligamos para os amigos, abrimos uma cerveja e saímos para dançar estamos realizando um comportamento muito parecido com o de nossos ancestrais milenares, mesmo que não tenhamos consciência disso. O que Pilantröpóv, Kaloan Meenochite, Diego Monte Alto e seu grupo fazem é revelar as raízes desses comportamentos. Eles incorporam a imagem do nosso Zeitgeist.

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Senǒide _ Destrinchando Arca e FKA Twigs

JK1

Esqueça os critérios usados nos últimos quinze anos para perceber a Música – o paradigma mudou – estamos num momento de saída do minimalismo, na era da desconstrução do ritmo – descontinuado, dissolvido ou estilhaçado – dos glissandos velozes e aleatórios, dos sons dramáticos e do barroco tribal, do esgotamento dos revivalismos do século 20 e, principalmente, da mobilidade entre o mainstream e o underground, entre o comercial assumido e a arte.

A estrutura da Música mudou para expor as novas energias sociais liberadas neste turbulento começo de década, que acabou por estimular a expressividade em detrimento à tecnologia de ponta. Nesse processo, ainda em desenvolvimento, surge uma nova abordagem das origens do romantismo, uma curiosidade pelo medievalismo que reacende (ou evidencia) temas como a dissolução do ego, a resignação, o misticismo e as dualidades essenciais: corpo e espírito, sagrado e profano, superficialidade e profundidade, realidade e virtualidade, oculto e explícito »

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