Senŏide entrevista Pilantröpóv

INTRO PILAS 2

Durante décadas nos acostumamos a esperar da cena eletrônica noturna as novidades, a experimentação e as mudanças de rumo radicais. Deixamos de notar que outros meios – performance, happening, videoarte, dança, teatro – poderiam nos abrir para universos musicais inéditos, expressões que não têm necessariamente relação com a massificação da música dos guetos do século 20.

Ao longo do tempo perdemos a percepção de que a vivência da música é quase sempre ritualizada. Quando colocamos uma roupa, ligamos para os amigos, abrimos uma cerveja e saímos para dançar estamos realizando um comportamento muito parecido com o de nossos ancestrais milenares, mesmo que não tenhamos consciência disso. O que Pilantröpóv, Kaloan Meenochite, Diego Monte Alto e seu grupo fazem é revelar as raízes desses comportamentos. Eles incorporam a imagem do nosso Zeitgeist.

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Senǒide _ Destrinchando Arca e FKA Twigs

JK1

Esqueça os critérios usados nos últimos quinze anos para perceber a Música – o paradigma mudou – estamos num momento de saída do minimalismo, na era da desconstrução do ritmo – descontinuado, dissolvido ou estilhaçado – dos glissandos velozes e aleatórios, dos sons dramáticos e do barroco tribal, do esgotamento dos revivalismos do século 20 e, principalmente, da mobilidade entre o mainstream e o underground, entre o comercial assumido e a arte.

A estrutura da Música mudou para expor as novas energias sociais liberadas neste turbulento começo de década, que acabou por estimular a expressividade em detrimento à tecnologia de ponta. Nesse processo, ainda em desenvolvimento, surge uma nova abordagem das origens do romantismo, uma curiosidade pelo medievalismo que reacende (ou evidencia) temas como a dissolução do ego, a resignação, o misticismo e as dualidades essenciais: corpo e espírito, sagrado e profano, superficialidade e profundidade, realidade e virtualidade, oculto e explícito »

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FABRICE LIG 
- The Galactic Soul Odyssey

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Behind the new album’s elements & influences

Fotos: Divulgação

A longa jornada ao velho continente chegava ao fim, e o destino final era a cidade industrial de Charleroi, Bélgica, onde se situava o estúdio do produtor Fabrice Lig. Após passar uma tarde no museu de fotografia de Charleroi (altamente recomendado, por sinal), finalmente nos encontramos. A grande surpresa ocorreu momentos após, no início da noite, quando Fabrice literalmente desmantelou a ideia que tinha de cidade industrial de pequeno porte ao me mostrar a vila de Thuin, na periferia de Charleroi, a cerca de quinze minutos de carro do centro. Situada na confluência entre Sambre e Biesmelle, a vila dava de frente para a maravilhosa torre de defesa de 1638 (chamada por eles de ‘Beffroi’), considerada pela UNESCO patrimônio mundial da humanidade. Habitada desde a era neolítica e com raízes Gallo-Romanas, Thuin fora fortificada no século X para se proteger de ataques invasores. Porem, tanto quanto suas belezas naturais e históricas, Thuin se tornara núcleo de sons desafiadores – mais precisamente vindos dos estúdios de Fabrice Lig, cuja casa se situava no meio da natureza com direito ao mais límpido ar imaginável. Após um café fresquinho, era hora de ouvir – tanto os sons, quanto as histórias. 

It was the closing of a long journey in Europe and the final destination was the industrial city of Charleroi, in Belgium, more precisely the village of Thuin, where Fabrice Lig’s studio is located. After an afternoon spent at Charleroi’s Museum of Photography (highly recommended, by the way), we finally met for the interview. The biggest surprise took place few moments later he found me, at early night when Fabrice dismantled the idea I had in mind of an ordinary small industrial City when he brought me to the place where once was a fortified middle-age village at the periphery of Charleroi, located about fifteen minutes from the centre. Thuin is at the confluence of Sambre & Biesmelle rivers, with a gorgeous 1638 Beffroi (defense Tower) classified as UNESCO World Heritage Center. Inhabited since the Neolithic era and once a Gallo-Roman necropolis, Thuin had been fortified during the Xth Century to prevent itself from attacks.

As much as its natural & historical treasures, Thuin has settled as a place for challenging sounds – more precisely Fabrice’s house in the middle of the nature and the most fresh air imaginable. After a fresh coffee, it was time to hear – Music and stories. 

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Sangria Digital Vol. 28

Puzzleman by Matt Johnson

“Puzzleman” por Matt Johnson

Nesta edição da Sangria Digital, algumas sugestões, caminhos e sensações podem ajudar a escutar, sentir e absorver melhor a seleção musical: abstração, epifania, viagens espaciais, criatividade, alumbramentos,  introspecção, contemplação, imersão, rituais, celestial e profano.  A supremacia das ambiências, semi-dançante, chapação, pulsão sexual, tecnologias do imaginário. Kraftwerk preso no elevador com King Tubby ouvindo algum novo artista inglês. Nuvens.  » Continue lendo esta matéria

♒ senǒid’ aqua ♒

intro

“Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras”. Heráclito (aprox. 535 a.C. – 475 a.C.)

iamamiwhoami _ Hunting For Pearls _ 2014

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