Copenhagen is calling: uma visita ao Strøm Festival 2014

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 Fotos: Flemming Bo Jensen
Vídeos: Chico Dub

Era um frio sábado de verão em Copenhagen, capital da Dinamarca. O resto da semana havia sido bem mais tranquilo, na faixa dos 18, 19 graus. Mas Murphy costuma operar sua lei de forma maligna. E justamente durante o principal dia do Strøm Festival, a chuva caía fina (ao menos isso), fazendo a temperatura baixar para uns 14 graus. De casaco de capuz, sentado no gramado do Enghaveparken – um parque público localizado praticamente ao lado da fábrica da gigante cervejeira Carslberg – puxo papo com um cara sentado ao meu lado enquanto a Cooly G não subia ao “Grass Stage”. Papo vai, papo vem, o alemão inicia uma conversa sobre sua wish list dos festivais. Ele sonha com Coachella e Burning Man. Eu rebato dizendo que iria feliz em qualquer um dos dois, mas que ambos estão bem abaixo das minhas prioridades. Explico ao (surpreso) alemão que um festival hoje em dia, pelo menos para a minha pesquisa pessoal, precisa de 3 pontos: um bom line-up (óbvio); atrações espalhadas pela cidade – de preferência misturando locações site specific com venues clássicos, dessa forma acaba se conhecendo uma cidade visitando o festival; e, finalmente, a criação de projetos inéditos, criados especialmente para o evento.  » Continue lendo esta matéria

100 Deep Electronic Music Classics – Part II

Essential Compilation Of Deep Electronic Music Classics, Contemporaries & Influences 

[Link para a primeira parte aqui]

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11. Louis & Bebe Barron – Forbidden Planet (1956)
12. Delia Derbyshire – Dr. Who Theme – BBC (1963)
13. George Duke – North Beach – MPS/BASF (1974)
14. Manuel Gottsching – E2 E4 – (1981)
15. 808 State – Pacific State – Creed (1989)
16. Vision – Other Side Of Life – Interface Records (1990)
17. Amorphous Androgynous – Mountain Goat – Quigley (1993)
18. Ferrer & Sydenham Inc. – Sandcastles – Ibadan (2003)
19. Vladislay Delay – Recovery Idea (Andy Stott Remix) – Semantica Records (2008)
20. Leyland Kirby – Breaks My Heart Each Time – Apollo (2014)


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Senǒide » A Música no ESPAÇO

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Qual seria o próximo passo para a música? Que barreiras tecnológicas poderiam ser superadas na eletrônica popular e em outras linguagens relacionadas? Certa vez, na Space Of Sound, uma boate gigantesca em Madri (1600 m²), ouvi o DJ mixar uma música que vinha dos confins do galpão e se mesclava à que estava tocando na pista. Demorei para compreender o que estava acontecendo naquele espaço – “Isso é pós-música!” – comentei com uma amiga, chocado. Eu havia acabado de escutar uma mixagem quadrafônica (em 4 canais), sistema idealizado na década de 1940 que não chegou a se popularizar. Era a música além da estereofonia.

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Sangria Digital Vol. 27

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Imagem: Josef Albers

Você está prestes a escutar a Sangria Digital volume 27: synths baratos, efeitos vintage, vocais obscuros, beatless e poesia, improvisações gravadas e cortadas em músicas de poucos minutos, refinamento jazzy, future beats, neosoul, breakbeat nervoso, rave revisitada, ritmos esquizofrênicos, loops travados, BPMs ligados. Tem tudo isso, play!  » Continue lendo esta matéria

Vamos falar de pop: Lusine

lusine

Foi escrevendo sobre uma apresentação dos Pachanga Boys que o termo visceral surgiu – e fez real sentido – pela primeira vez na minha mente. Aquela era a palavra ideal para descrever a música intensa, repetitiva e viajante da dupla. Eis que me deparo novamente com o termo, mas agora, num release qualquer sobre Jeff Mcllwain, nome por trás do Lusine. A música dinâmica e cheia de vocais dele me parecia tudo, menos visceral. Resolvi passar mais umas boas horas escutando a obra dele – principalmente The Waiting Room, um dos álbuns que mais girou no meu playlist em 2013 – pra ver se entendia melhor. 

Natural do Texas e produtor há mais de 20 anos, Mcllwain passou um tempo na Califórnia antes de se mudar para Seattle, onde mora até hoje. Em L.A., estudou sound design e fez contatos que renderam trilhas para filmes como em Joe, deste ano, com Nicolas Cage. Nesse tempo, passou de IDM para techno para pop eletrônico. Ou avant-pop, como dizem por aí, essa mistura deliciosa do gênero com motivação avant-garde. Experimental ao máximo, dentro dos limites estreitos da estrutura do pop.  » Continue lendo esta matéria