The Human League entre nós

De “Hysteria” ao “Credo” dançante dos dias de hoje, ícones do synth-pop voltam a São Paulo
Por Jade Gola

Seis anos depois de um memorável show no Anhembi que levou fãs às lágrimas, o grupo inglês The Human League retorna a São Paulo para mais uma apresentação, dia 06 de abril no Via Funchal. É a turnê quentinha do disco “Credo”, primeiro lançamento depois de 10 anos destes pioneiros do synth-pop que, se não criam mais sucessos há muitos anos, ao menos não perderam sua relevância e portam ainda uma apresentação empolgante comandada por baterias eletrônicas, rajadas de synths e a presença e a voz inconfundível de Phil Oakley e das backing vocals Joanne Catherall e Susan Ann Sulley.

Emblema dos anos 80, o synth-pop do Human League surgiu na verdade ainda nos anos 70, quando uma rapaziada de Sheffield encantou-se com as possibilidades apresentadas por Kraftwerk, arrancou um nome qualquer de um jogo de RPG e, com o auxílio de alguns sintetizadores velhos, começou a lançar música sob o codinome The Human League. Celebrados por uma pequena horda underground nos 2 primeiros discos (“Reproduction” e “Travelogue”), o grupo encontrou o estrelato ao azeitar sua fórmula musical na receita pop de “Dare”, de 1981, que só surgiu com a saída dos músicos e criadores do grupo Martyn Ware e Ian Craig Marsh, e com a inserção de duas backing vocals quase adolescentes e bonitas. Phil Oakley era o homem da vez na banda e, na onda de Visage, Gary Numan e Depeche Mode, um dos grandes nomes dessa nova música inglesa, apontada à época por gente do porte de David Bowie e Elton John como a música do futuro. É de “Dare” sucessos como “Don’t You Want Me” e “The Sound of the Crowd”.

Anos, décadas e incansáveis álbuns e hits passaram sem que a banda nunca parasse de fato. E das origens futurísticas e experimentais da música eletrônica novidadeira, foi mesmo no pop dançante que o Human League encontra seu porto seguro. O recém-lançado álbum “Credo” confirma isso e é mais um compêndio de bom electro animado, sem muita viagem e conceitos humanos e de alguma era – Oakley e sua trupe tem como credo dançar, sair à noite, rebolar ao som de música robótica e repetitiva. “Night People”, o primeiro single, sintetiza bem isso.

“Credo” foi lançado a pedido da Wall of Sound, nome irreprensível entre as gravadoras britânicas e casa de gente como Grace Jones, Röyksopp, Tiga, Stuart Price, Mogwai e tantos outros. E por mais que o synth-pop e a música 80s continuem ativos em grande parte pelo saudosismo de uma era que parece não ter acabado (isso acontece, vá lá, também com o heavy metal e vários nichos da música negra), a importância do Human League é corroborada hoje em dia por fontes confiáveis do espectro cultural, tanto como a Wall of Sound e o Sónar, festival importante de Barcelona que os convocou como headliners para a edição 2011. Tem também as influências diretas, por exemplo como o Ladytron, Fischerpooner e o electro-pop no geral, para sempre marcados pelo jogo entre synths, versos fáceis e inconsciente underground que o Human League criou. Dá para afirmar que Human League, ao lado do Depeche Mode, ajudou a criar os fundamentos do techno de ontem e hoje, desde coisas como Model 500 até Simian Mobile Disco. Do outro lado, ouvidos mais espertos vão perceber que as construções indomadas de David Bowie e a aura maestral de Brian Eno influenciaram Phil Oakley e companhia.

A liturgia em torno do Human League é farta, só reparar na quantidade de fan-sites extra-oficiais, trabalho de anos de paixões inveteradas pelo synth-pop e pelas figuras da banda (três exemplos: league-online.com, blindyouth.co.uk e leaguefans.com). A BBC produziu em 2009 o documentário “Synth Britannia”, uma pérola para entender o som desta época, onde o Human League e seus integrantes têm tratamento de protagonistas nas histórias e nas apresentações – dividido em duas partes, a 2ª traz só apresentações de artistas à TV. Dá para baixar fácil na web e também assistir picotado no YouTube. E a entrevista mais bacana que eu li sobre essa nova fase do grupo foi feita pelo site americano The Quiets, vale dar uma conferida.

No mix abaixo, criado entre tapas e beijos no Traktor por este que vos escreve, está uma rápida e pessoal retrospectiva com o velho e o novo The Human League. Abrindo com a animação juvenil de “Credo”, o mix busca inspiração para o show em sucessos não tão óbvios da banda, a maioria do combo de álbuns “Dare” e “Hysteria” (1981e 1984), auge da discografia do grupo. É o caso de “Do or Die”, “Seconds”, “I’m Coming Back” e “I Love you Too Much”. Lá para o meio tem uma viagem mais sombria entre os primórdios da banda (“Blind Youth” e “Marianne”), com brincadeiras roqueiras (“The Lebanon”), e a maravilhosa “The Things That Dreams Are Made Of”. É uma das músicas da minha vida, onde Phil Oakley, um caipira de Sheffield que a fama levou ao alto do Empire State, canta sobre as delícias de viver e viajar o mundo. Bom mix, e bom show!

Jade Gola – Human League Mix
Never Let Me Go – (“Credo” – 2011)
(Keep Feeling) Fascination – (“Fascination! EP” – 1983)
Get Together – (“Credo” – 2011)
Do or Die – (“Dare” – 1981)
Blind Youth – (“Reproduction” – 1979)
The Things That Dreams Are Made Of – (“Dare” – 1981)
The Lebanon (“Hysteria” – 1984)
Seconds – (“Dare” – 1981)
Marianne (“Holiday ’80 EP” – 1980)
I Love You Too Much – (“Hysteria” – 1984)
I’m Coming Back – (“Hysteria” – 1984)
Love Action (I Believe in Love) – (“Dare” – 1981)
Sky – (“Credo” – 2011)
Heart Like a Wheel – (“Romantic?” – 1990)

SERVIÇO

Human League no Via Funchal (São Paulo)
6 de Abril, quarta-feira, às 22 horas
Via Funchal – Rua Funchal, 65, Vila Olímpia, São Paulo, SP

Ingressos
Pista Premium (em pé) = R$ 180,00 / Pista = R$ 120,00 / Mezanino = R$ 160,00 / Camarote = R$ 200,00 * também estão à venda ingressos meia-entrada para todos os setores*
Vendas por telefone
Call Center (11) 2144-5444
Vendas Online
viafunchal.showare.com.br
Informações
www.viafunchal.com.br

PROMOÇÃO

Concorra a 1 (um) convite para o show do Human League na Via Funchal. Escreva para contato@deepbeep.com.br respondendo quando foi ao ar o primeiro mixtape do jornalista Jade Gola lançado no deepbeep. Os dois primeiros e-mails com a resposta certa, nome e RG, levam 1 ingresso (cada) para assistir o show na Via Funchal.

avatarEscrito por deepbeep em 1 de April de 2011

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