Senóide pediu a Pejota Fernandes que selecionasse e comentasse as 12 melhores músicas que representam a mais nova fase do House: a que dialoga diretamente com o final dos anos 80 e começo dos 90. Pejota tomou como critério as faixas que mais funcionaram em suas pistas nos últimos dois, três anos.

Um dos períodos mais interessantes e coloridos do Pop foi quando o House se popularizou no começo dos anos 90 – (na verdade, a partir do fim dos 80). No Brasil, o Pop Rock era a música estrangeira que reinava na maioria das rádios. Porém, em países como Inglaterra e Holanda, o povo teve a oportunidade de se diversificar, e absorveu bem mais as vertentes do Dance Pop.
A chance aconteceu quando grandes rádios européias queriam recuperar o público que haviam perdido com a explosão das rádios piratas no final dos anos 80, vinculadas às raves. Para isso, a programação geral - (e grande parte da indústria) – teve que se tornar bem mais Dance. Devida a crescente veiculação do gênero, muitas músicas que no Brasil eram consideradas “alternativas” se popularizaram na Europa (e nos principais pólos culturais norte-americanos). Para nossa sorte, a iniciativa de certas emissoras - (como a Manchete FM e a Nova FM) - fez com que algumas dessas músicas vingassem por aqui, e entrassem na programação – umas mais que outras.

Para a maioria das pessoas, a música precisa ter um apelo visual, algo que as ajude a compreender sua subjetividade. Muitas vezes, essa projeção visual é bem mais simples e objetiva, e se encerra num pop star montado dançando igual a um grupo de bailarinos. Mas nem toda música dançante tem a finalidade de remeter a uma pista, ou fazer o ouvinte se sentir integrado a um determinado grupo social. Muito pelo contrário, a música eletrônica é bem maior do que isso.
O coletivo alemão de videomakers the29nov traz à realidade aquilo que as mentes mais imaginativas podem perceber ao ouvir as vertentes mais geométricas e sintéticas da música. Senóide entrevistou Sebastian Kökow, um dos responsáveis por centenas de vídeos do the29nov, para saber mais sobre suas motivações. Quase todos os dias o grupo lança um novo vídeo, sempre com excelente qualidade de áudio: http://www.youtube.com/the29nov
Em geral, logo depois que um tipo de música ganha destaque, ele tende a ser deixado de lado para ser redescoberto depois de uns dezoito, vinte anos por um público maior. Nesse meio tempo, essas músicas pairam numa espécie de limbo, pois dizem pouco sobre o presente imediato e ainda não há o distanciamento de tempo necessário para serem compreendidas de um modo novo.
O Wonky Techno, por exemplo, é um termo que distingue a música de excelentes produtores na segunda metade dos anos 90 na Inglaterra e Escócia, como Cristian Vogel e Neil Landstrumm. No Brasil, o termo Wonky não era muito mencionado na época, apesar desses músicos serem relativamente conhecidos.
Obra de Luigi Russolo _ 1913 _ [FUTURISMO ITALIANO]
Zeitgeist é um termo alemão cuja tradução significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos.
O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima cultural e intelectual do mundo numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.
Desde o final dos anos 90 estamos experimentando revivalismos consecutivos na música eletrônica. No Rock isso já acontece desde os anos 80. Se a música diz muito sobre o período em que surgiu, e a arte é o registro sensível da História, o que dizer do Zeitgeist contemporâneo se esse parece ser a vivência virtual de épocas anteriores?
Qual seria o motivo que nos conduz a ouvir músicas que nos remetem a outras épocas? Mais do que isso, percebê-las como algo novo…
Obra de Ross Bleckner
Atibaia é um novo polo musical que começa a aparecer cada vez mais na cena nacional.
Assim como Holocaos, que começou a produzir em 2001 influenciado por seu pai - (músico experimental) - outros produtores, como Leozzone e bmind, também fazem parte desse cenário.
Nesta semana Holocaos lança seu EP “Binary Songs” pelo netlabel Tranzmitter.

AUDIOVIVA / BRUNO BELLUOMINI / PERI ZORZELLA / LEILOCA PANTOJA
4 DJs indicam e comentam suas 3 músicas hoje fundamentais – (Julho 2010).
O que determina um gênero musical? Na música eletrônica, um dos períodos mais controversos é o correspondente ao começo do Trance. Muito antes de se transformar em uma fórmula imutável, barroca, demasiadamente ornamentada, e das raves brasileiras disseminarem-se como micaretas, o Trance era muito bem estimado pelos melhores DJs e produtores que ainda estavam experimentando as possibilidades no gênero.
O termo é considerado pejorativo aqui no Brasil, mas na Alemanha, por exemplo, onde o Trance melhor se desenvolveu, existe a consciência de que era uma música inovadora naquele momento.
Enquanto os lançamentos pululam no hemisfério norte adiantando o verão e as férias nos países em que a música eletrônica reina em diversidade, nós aproveitamos as maravilhas dos sites de venda de mp3. Música para todos!

Quatro relevantes lançamentos nacionais surgem no mercado em menos de um mês. Definitivamente, o melhor momento da música eletrônica nacional de todos os tempos.

VÃO-SE OS CABOS, FICAM-SE AS FREQUÊNCIAS
Em um momento de muitas transições na música eletrônica, o que vem ganhando destaque são os embates que advêm da crescente diversificação do público ouvinte. Como quando havia rixa entre Techno e House no final dos anos 90, hoje vemos os profissionais da música tendo que se posicionar entre a memória afetiva da música “orgânica” (semi-acústica), ou as possibilidades sempre infinitas da música “sintética“, produzida por meios virtuais; defendendo o fim dos gêneros por uma percepção mais livre da música, ou inventado terminologias que ajudam a compreender a música dentro de um contexto mais amplo.
Talvez a discussão mais arcaica seja sobre a técnica que o DJ usa para produzir seus sets. Se o DJ se sente confortável com a técnica e performance que vem desenvolvendo há décadas, mais especificamente o vinil, só cabe a ele decidir se vale à pena abranger outras técnicas de mixagem. Porém, a crítica negativa contra novas maneiras de se mixar, muitas vezes denota conservadorismo, purismo, ou simplesmente fetichismo. Cada técnica tem suas especificidades, investir e realçar essas diferenças pode ser uma maneira de desenvolver essas habilidades particulares. No exterior, a maioria dos DJs já inseriram o laptop em suas performances.
Obra de Philip Taaffe
Ahmet Sisman descende de turcos. Tolga Fidan e Onur Özer nasceram em Istambul (Turquia) e atualmente vivem na Alemanha, assim como Sisman. Pherox é alemão. Juntos têm em comum uma música atípica que remete ao Oriente Médio e África, e que soa imprevisível, intrigante e de extrema espacialidade sonora: Um safári eletrônico de samples surreais. Chamar a música deles de Ethnic, como alguns os classificam, pode ser reducionista, já que eles vêm aos poucos se distanciando das referências étnicas, sem perder outras características que os tornam semelhantes entre si.

Hoje a música eletrônica italiana vive mais um boom. Porém o país sempre esteve em voga, a começar por Luciano Berio – pioneiro da música eletroacústica ainda nos anos 50. Nos anos 70 e 80, Giorgio Moroder revolucionou a música popular com “I Feel Love” de Donna Summer (1977), e acabou proporcionando diversos subgêneros que surgiram a partir de sua música. A primeira vez que Brian Eno ouviu “I Feel Love” correu à casa de David Bowie e lhe disse: “Esta é a música do futuro. Isso vai mudar o som dos clubes pelos próximos 15 anos”. Pois ele foi muito modesto. Em 2010, Giorgio ainda influencia diretamente a música eletrônica - assim como Alexander Robotnick.
Alguns dos novos italianos: Love Supreme, Bottin, The Diaphanoids, Fratelli Riviera, Fabrizio Mammarella, Rodion, etc. É importante dizer que existem produtores de Nu Disco em todo o mundo, e que a nova música italiana também tem influência de outras vertentes da Disco, além de Moroder.
Na segunda metade dos anos 80, o movimento Acid House parece ter sido o último suspiro de contracultura que temos registro, apesar de comercialmente viável no Reino Unido. A música surgiu em Chicago, em 1985, quando DJ Pierre buscava novos sons para incrementar o House, e encontrou na TB-303 (sintetizador) uma solução inusitada, hipnótica e, principalmente, barata – esse equipamento havia sido abandonado por seu fabricante (Roland) depois de 18 meses de seu lançamento, ainda em 1983, por ter se equivocado de consumidor alvo.
A TB-303 era considerada um lixo.
Victor Rotciv encontrou o denominador comum entre alguns períodos da música eletrônica – (House, Acid, Italo, Disco, Indie Dance). Além de compor com samples de outras músicas, Victor A. (como também é conhecido) também usa elementos acústicos gravados especialmente para suas produções e remixes – (principalmente baixo e vocal). Quando começa uma música, busca o resultado desejado em um ou dois dias para manter o frescor das idéias durante todo o processo. Prolífico, ele faz em média 50 delas por mês.
Klaus Schulze é sinônimo de vanguarda na música eletrônica. Antes de Brian Eno, Giorgio Moroder e Kraftwerk, Klaus definiu os rumos da música eletrônica popular ao associar o Pop ao experimentalismo da música eletrônica “erudita” – especialmente Stockhausen. Na verdade, nesse contexto seria melhor usar o termo “música alternativa”, que aos poucos vai se influindo na música popular.


O cenário da música eletrônica nacional se movimenta como nunca. O principal motivo para isso seria a percepção dos produtores de que a música eletrônica pode alcançar uma ampla gama de intenções e públicos distintos.
A música de Max Underson – (e seu projeto Modern Process) – tem acabamento profissional como poucos produtores no Brasil. Tem também a consciência de que seu trabalho dentro do mercado musical na internet faz parte desse diferencial.

1994 parece ser o elo perdido entre o que agora chamamos Old Skool e a música eletrônica que ecoou até o começo do século. Europa e Estados Unidos estavam interagindo intensamente entre si, e os principais gêneros estavam firmando suas características. Talvez seja esse o ano mais representativo da década para a música eletrônica, pois ao mesmo tempo em que as produções amadureciam, ainda era comum ouvir os clássicos instantâneos dos anos anteriores. A euforia causada pelo ecstasy estava abrindo espaço para produções mais complexas que remetiam a distintos estados de espírito. Se na Europa, 1988 é considerado um marco para a música eletrônica, podemos dizer que no Brasil esse momento aconteceu em 1994, graças ao Hell’s Club.
Desde os anos 60, o nome de Genesis Breyer P.Orridge esteve na vanguarda de diversos movimentos culturais. Em 1988, ele(a) foi um(a) dos(as) pioneiros(as) a levar o Acid House à Inglaterra por meio do legendário álbum “Jack The Tab – Acid Tablets vol.1”. Lançado como se fosse uma coletânea com vários artistas, o álbum sugeria que o Acid House já estava radicado na Inglaterra, porém era Genesis a(o) responsável por nove das onze músicas. Ao suprimir quase que totalmente o uso da TB-303 (sintetizador), Genesis ampliou a definição de Acid House. O álbum chegou a fazer sucesso no Brasil, e a faixa “Meet Every Situation Head On” tocava freqüentemente nas FM’s.