Thomas Köner é um artista multimídia alemão cujo trabalho se baseia em combinar experiências visuais e sonoras, criando performances audivisuais e contextuais. Ao longo de sua carreira, criou diversas instalações e ambientações sonoras minimalistas, chegando até à produção do gênero músical conhecido como dub techno. Começou seus estudos ainda durante o curso de graduação em música eletrônica e depois trabalhou como editor e engenheiro de som para cinema. A partir dessa experiência, Köner começou a produzir música por conta própria.
Posteriormente realizou o que seria a primeira de muitas colaborações junto ao cineasta experimental Jürgen Reble, a performance Alchemie (1992), seguindo como compositor de trilhas sonoras e música para filmes clássicos, inclusive apresentando esse trabalho no Museu do Louvre e o Musée D’Orsay, ambos em Paris. No começo dos anos 00 ganhou vários prêmios, entre eles o “Golden Nica”, prêmio máximo de um dos mais importantes festivais de arte e tecnologia do mundo, o Ars Electronica, e o “Transmediale”.
Conseguimos conversar com Thomas Kohner com exclusividade. Ele está no Rio de Janeiro para participar do festival Multiplicidade, esta terça e quarta, com dois projetos diferentes. Confira:
É a sua primeira vez no Rio? O que sabe sobre o Brasil?
Esta é a minha segunda vez no Rio de Janeiro, mas estive em Recife onde fiz uma exibição de alguns de meus recentes trabalhos de audiovisual em abril deste ano. Acho o Brasil um país maravilhoso. Conheci no país muitas pessoas positivas e felizes, como em nenhum outro lugar do mundo. Estive também em outros países da America do Sul, como o Chile no ano passado, para uma exibição no Museo Nacional de Bellas Artes.
Quais as principais diferenças entre as duas apresentações que fará hoje (terça) e amanhã no Multiplicidade?
Vou apresentar dois shows diferentes, “O Manifesto Futurista” e “Materia Obscura”.
“O Manifesto Futurista” descobre o presente momento visualizando o futuro e o passado. Utilizo partes do texto do Manifesto Futurista de Marinetti, de 1909, como base do concerto. Também uso imagens antes de 1909, que provavelmente inspiraram Marinetti nos cinemas. Estas imagens são meio que fantasmagóricas (risos). Haverá um piano na apresentação, música eletrônica tocada ao vivo e uma vocalista.
“Materia Obscura” é uma performance ao vivo que eu faço em conjunto com Jurgen Reble. Ele trabalha com a química direta que resulta da emulsão do filme e mostraremos a beleza dos “shapes” que estão escondidos no material a nossa volta. Será uma imersão completa na profundidade do som e no colorido de imagens jamais vistas.
O que tem visto de interessante na cena audiovisual? O que te fascina neste tipo de apresentação?
Acho Carlos Casas o artista mais excitante e fascinante em torno de que está atualmente na cena a/v. Por sorte ele está no Rio e participando do Multiplicidade. O audiovisual, para mim, significa uma chance de abraçar mais de um sentido, no caso o visual e o auditivo. Assim, aumentamos a experiência e criamos um maravilhoso espaço onde o púlbico possa aproveitar bastante e passar muito tempo ali.
Você é um dos principais nomes na cena ambient e um dos precursores do dub techno, além de já ter remixado nomes como John Cage e Nine Inch Nails. Pretende lançar algo relacionado a música este ano?
Sim, nos próximos meses lançarei um CD novo e também vou re-lançar em vinil o trabalho “BIOKINETICS Porter Ricks”, de 1996.
Texto e Entrevista: Joca Vidal
O Multiplicidade, tradicional evento carioca que une imagem e som inusitados, assume a partir dessa quinta, pela primeira vez em sete anos de vida, o caráter de festival e ocupa durante uma semana o Oi Futuro do Flamengo, Instituto Cervantes, Instituto dos Arquitetos do Brasil e a Praça dos Cavalinhos, na Tijuca.
Nesse formato inédito, vários artistas estarão envolvidos em diferentes formas de expressão, como cinema, performances, intervenção, instalação e exposição.
Listamos abaixo alguns destaques da programação:
Na abertura (dia 24), no Oi Futuro Flamengo, aconteceu a performance que deu início ao Projeto Cavalo, capitaneado pelos artistas plásticos Cadu e Eduardo Berliner com a presença de diversos convidados.
No dia 26, no Institudo dos Arquitetos do Brasil, o cineasta catalão Carlos Casas se apresenta junto ao Chelpa Ferro, formado por Luiz Zerbini, Sergio Meckler e Barrão com uma instalação tríptica (3 telas) da sua obra END, com trilha sonora executada, ao vivo, pelo grupo experimental.
Na terça-feira (dia 29) acontece a apresentação Manifesto Futurista, do alemão Thomas Köner e da pianista sérvia Ivana Neimarevic. Reinterpretando o poema homônimo do italiano Filippo Marinetti, a dupla cria uma performance audiovisual onde contesta o futuro através das previsões do passado.
No dia 30, Köner retorna ao auditório do Oi Futuro do Flamengo, com o também alemão Jürgen Reble, e apresenta a performance Matéria Obscura. Utilizando imagens em alta resolução de células, os artistas regem uma ópera sobre a matéria que existe no espaço e que não pode ser vista a olho nu.
Finalizando a semana, a quinta-feira dia 1º de dezembro é dedicada ao cineasta Glauber Rocha, em homenagem aos 30 anos de sua morte. Na ocasião, o escritor e jornalista Nelson Motta promove o livro Primavera do Dragão, sobre a juventude do cineasta, seguido de bate-papo e leitura de trechos da obra. Logo após, o coletivo A_Factory, liderado por Pedro Paulo Rocha, filho de Glauber, apresenta uma releitura da obra do diretor, intitulada Kynoramas Glauber Machine. A noite e a Semana Especial Multiplicidade terminam ao som do DJ Nado Leal, que comanda o coquetel de encerramento.
Veja todas as infos, como programação e serviços aqui:
http://blogmultiplicidade.wordpress.com/
Agradecimento: Joca Vidal
Olivier Giacomotto, Alex Kenji e John Acquaviva (fotos: Divulgação)
A festa Definitive Nights, que acontece nesta sexta-feira, 25/11, traz para a pista do Clash Club três grandes atrações internacionais: o italiano Alex Kenji, o francês Olivier Giacomotto e o canadense John Acquaviva.
Alex Kenji vem fazendo um excelente trabalho em co-produções e remixes com nomes como Sharam, Milk & Sugar, Mark Mendez, Oliver Klein, Kolombo, Tocadisco e King Unique, e promete mostrar todo o seu conhecimento e experiência nas pick-ups com muito house e tech house. Olivier Giacomotto é um aclamado DJ de techno e tech house, indicado ao Beatport Music Awards. O francês anima a pista e mostra, ao lado do experiente DJ John Acquaviva, na ativa desde os anos 70, como mantê-la cheia.
Para completar o line-up, ainda se apresntam os brasileiros Du Serena e Ulisses Nunes.
Não perca!
Serviço:
Definite Nights, no Clash Club
25/11, sexta-feira
John Acquaviva (Canadá)
Oliver Giacomotto (França)
Alex Kenji (Itália)
Du Serena (lançamento do CD Orloff Set Du Serena)
Ulisses Nunes
M $60 entrada ou $80 consumação (mulher VIP até 1h)
H $70 entrado ou $130 consumação (com lista)
R Barra Funda, 969.
Dell e a Intel anunciam o Special Engagement de Pequim, terceiro evento de uma série global de shows em que são os fãs quem controlam o espetáculo. Nessa terceira rodada, a sensação do art rock chinês Omnipotent Youth Society se apresenta no clube Tango, em Pequim, HOJE, dia 17 de novembro, para um evento único transmitido ao vivo para todo o mundo.
Os fãs podem sintonizar o player para assistir e interferir nas decisões do show.
Para o Special Engagement de Pequim com o Omnipotent Youth Society, os fãs vão determinar os seguintes aspectos do show dessa noite:
Cada Special Engagement também contará com a participação de um anfitrião notável e dinâmico que servirá como ponte entre o artista e seus fãs. Em Pequim, o anfitrião Liu Fei usará um laptop Dell de alta performance com processador Intel® Core™ de segunda geração para se comunicar com os artistas e com o público, dando vida a essa parceria. A Dell e a Intel oferecem tecnologia e especialistas no local para possibilitar essa interação.
A série Special Engagements da Dell e da Intel leva os devotos da música antenados a seis locais inesperados do globo para eventos excepcionais com artistas populares do mundo todo. A série teve início no dia 20 de agosto em Austin, no estado americano do Texas, com a sensação do pop urbano do Brooklyn Theophilus London e com o anfitrião Telli, do Ninjasonik. Depois do último evento, no Museu da Comunicação de Berlim, promovido em 24 de outubro, a série viaja para a China, Reino Unido e França, e depois volta para os Estados Unidos. Um documentário sobre cada evento do Special Engagements será transmitido no Noisey.com depois dos shows.
Os artistas do Omnipotent Youth Society que se apresentarão em Pequim se animaram com a ideia: “Faz tempo que não realizamos uma coisa tão emocionante. Trabalhar com o Noisey é ótimo e estamos todos na expectativa para o show. Para os fãs que não puderam estar lá, assistam pela internet”.
“A série Special Engagements é mais uma inovação que a Intel, a Dell e a VICE estão levando para a cena musical através de uma tecnologia que é ao mesmo tempo única e cativante.”
O Noisey.com foi lançado em março de 2011 no SXSW. O site já fez o perfil de mais de 100 bandas provenientes de 10 países em mais de 450 episódios originais. Cada mini-documentário possui cinco partes. A primeira delas introduz a banda e a cena musical local, e as quatro partes seguintes mostram cenas ininterruptas do show.
A Visualfarm – produtora do VJ Alexis Anastasiou, especializada em conteúdos visuais e projeções – promove o Vídeo Guerrilha na Rua Augusta, no centro da cidade de São Paulo, entre os dias 17 e 19 de novembro, a partir das 20h. Com intervenções de arte-mídia na arquitetura das edificações da Rua Augusta, entre as ruas Fernando de Albuquerque e Marquês de Paranaguá, o Vídeo Guerrilha será realizado de forma coletiva por artistas de audiovisual de diferentes locais do Brasil e do mundo.
Segundo o VJ Alexis, idealizador do projeto, essa edição terá mais atrações interativas com o público, entre as quais o Agigantador de Pessoas que permite com que as pessoas se vejam projetadas em edifício de 10 andares. Outra solução visual, o Kinetic, captará e transmitirá o movimento de transeuntes para a internet em tempo real, possibilitando a customização do conteúdo gerado e a interação com outras interfaces e redes sociais.
Com formato intervencionista ao transformar a Rua Augusta em uma galeria de arte ao ar livre e aberta ao público, o Vídeo Guerrilha explora as possibilidades de mudanças no espaço urbano por meio de megaprojeções de imagens, fotos, vídeos, animações e gravuras. “Queremos utilizar as oportunidades de intervenção e mudanças por meio da arte e do entretenimento para promover a recuperação desse importante espaço público”, diz Alexis.
Segundo Dudão Melo, diretor de novos projetos da Visualfarm, os vários formatos de arte contemporânea e de rua nas edificações da rua Augusta tem como objetivo modificar a paisagem urbana da cidade. “O evento busca utilizar a cidade como suporte, reinventar a lógica de apreciação da arte, levando-a para o espaço público, sendo um canal de fomento para a revitalização da área central de São Paulo”, explica.
As megaprojeções mostrarão a simbiose de diversas vertentes da arte-mídia, expondo desde trabalhos de mapping e arquitetura mapeada, passando por interações com realidade aumentada, grafitti virtual e criações coletivas entre artistas visuais e VJs, além de ter um espaço voltado para estudantes e novos artistas. “É um projeto que visa a favorecer o intercâmbio multidisciplinar da arte visual no Brasil”, diz.
As associações de moradores dos bairros Cerqueira César e Bela Vista, além do Bloco do Baixo Augusta, também apóiam a ação. Para Dudão Melo, há um interesse coletivo para a revitalização dessa região. “Todas as entidades estão envolvidas na recuperação do bairro, tanto que eles pleiteiam a construção de um parque”, informa Melo, reforçando que “durante o Vídeo Guerrilha serão mostrados conteúdos transversais enfatizando a causa”.
Nos dias do evento, haverá, ainda, uma empena dedicada a jovens artistas, dando-lhes a possibilidade de se integrar e interagir com nomes renomados do mercado de audiovisual e megaprojeções. A escolha dos novatos foi feita por um comitê julgador, composto por artistas de vanguarda do meio. Segundo o VJ Alexis, a produtora está dando oportunidade para a descoberta de novos talentos.
Para estimular, também, a participação de estudantes no Vídeo Guerrilha, o VJ Alexis e a equipe da Visualfarm ministraram, em outubro, palestras sobre técnicas de audiovisual e arte digital para alunos de diversas faculdades de São Paulo.
CRONOGRAMA
ESPAÇOS 01 e 02 – Ed. Luigi e Ed. Maria Eulália
Rua Augusta, 1276 e 1300
Espaço destinado a apresentação de animações, com artistas convidados pelo coletivo SinLogo. Voltado ao experimentalismo de novas combinações estéticas e técnicas, foca-se em motion graphics, rotoscopia e animação 2D tradicional. Destinado a experimentações ao vivo com os hardwares e softwares, o espaço é voltado para artistas da street art que terão oportunidade de criar obras exclusivamente para o universo digital.
ESPAÇO 03 – Ed. Interlagos
Rua Fernando de Albuquerque, 31
T.A.Z – ZONA ARTISTICA TEMPORÁRIA
Espaço destinado aos trabalhos de novos artistas e estudantes enviados e selecionados pelos sites do Vídeo Guerrilha e pela rede ITS NOON.
ESPAÇO 04 – Ed. Cianita
Rua Augusta, 788
Espaço destinado aos artistas da Visualfarm, usando diferentes técnicas e soluções visuais, além de recursos interativos e de realidade aumentada.
ESPACO 05 – Ed. Santa Helena
Rua Augusta, 746
Destinado a artistas internacionais, sob a curadoria de Miguel Petchovsky – curador do projeto Time_Frame, projeto ligado ao NIMK – Instituto Holandês de Mídia Arte. É agente cultural responsável por promover artistas emergentes na Europa, América Latina e África.
ESPAÇO 06
Rua D. Maria Antonia de Queiroz, 96
Espaço aberto a conteúdos diversos, com artistas convidados e selecionados através de edital. Participarão artistas e trabalhos ligados a fotografia e still, adaptados para o formato de Mega Projeção.
ESPAÇO 07 – Ed. Rio Negro
Rua Augusta, 541
Espaço destinado ao “Agigantador de Pessoas”. Instalação interativa que projeta ao vivo imagens gigantes de transeuntes e participantes voluntários, fornecendo ao indivíduo “agigantado” a sensação e a perspectiva de ter 30 metros de altura.
ESPAÇO 08 – Ed. Marachá
Rua Costa, 83
Espaço destinado à equipe da Visualfarm, que trabalhará com criação e design ligados ao Vídeo Mapping e suas tendências.
Espaço 09 – Estacionamento Stalu Park
Rua Augusta, 921
Espaço destinado a experiências ao vivo com diferentes formas de interatividade, usando desde Kinect e outros sensores de movimento até o hardware e software conhecido como Graffiti Virtual. O espaco é voltado tanto para o público, que poderá interagir e “pintar e grafitar” com as obras, como para artistas da street art, que trabalharão ao vivo, utilizando diferentes ferramentas de criação digital.