Bruno Belluomini lança faixa em homenagem aos 460 anos de SP

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Por Stefanie Gaspar

Veterano da bass music no Brasil e com um longo histórico de festas que estabeleceram por aqui a tradição de sair de casa para ser ensurdecido pelo grave, Bruno Belluomini começa 2014 com novas ideias, novos projetos e vontade de criar.

Após um 2013 de imersão no estúdio e muita pesquisa musical, a ideia é focar em seu trabalho autoral como produtor e reinventar influências e sons que vêm povoando sua cabeça há tempos. Inspirado fortemente por suas andanças pelo centro antigo de São Paulo – região que nos últimos anos vêm abrigando o surgimento de diversas festas e iniciativas gratuitas -, o produtor começa essa nova fase musical com o lançamento de SP460, faixa inspirada pelo aniversário de 460 anos da cidade. 

Em entrevista exclusiva ao deepbeep, Bruno fala sobre a faixa em homenagem ao espírito paulistano, gravada a partir da captação de sons de rádio e trânsito, sobre seu novo EP e explica por que o dubstep está morto.

Você começou em 2014 uma nova fase na sua carreira, focada em trabalho autoral e pensando em novos rumos musicais. Quais são eles? Como exatamente rolou essa mudança, e quais caminhos você pensa em seguir?

Passei meu 2013, praticamente, dentro do estúdio e consegui produzir muita coisa nova. Acho que agora chegou a hora de mostrar o que andei fazendo esse tempo todo. Quero lançar meu álbum e diversos EPs em 2014. Musicalmente falando, o CMNT, meu EP, é o ponto de partida nessa minha nova fase. Tudo começou com uma visão sonora, uma pulsação imagética na minha imaginação. Para ser bem sincero, minha única certeza no momento é: sinto uma vontade enorme de me expressar musicalmente, e isso aumenta cada vez mais. 

Nessa nova fase, quais são suas inspirações? O que você anda ouvindo e lendo?

Tenho necessidade de sair, circular, andar pela cidade. Meu lugar favorito para esse exercício é o Centro. Talvez esse movimento – esse deslocamento de um ambiente para o outro – seja fundamental para as coisas acontecerem dentro da minha cabeça. Preciso ver gente, sentir as coisas de verdade e bem de perto. Existem diversos lugares na cidade que me interessam mas o Centro é o local que mais está dialogando comigo nesses últimos tempos. Estou lendo dois livros hoje: A Cidade Antiga, do Coulanges, e A Música No Seu Cérebro, do Levitin. E tudo que tenho ouvido acabo compartilhando no Facebook.

Fale mais sobre a nova faixa que você vai soltar agora pelo deepbeep, intitulada SP460 . Como ela se relaciona com o novo trabalho que você quer fazer em 2014?

Tenho um novo EP para lançar pelo TRNQR – o segundo do selo, depois do CMNT – mas antes fiquei com vontade de desenhar uma faixa que pudesse registrar meu momento sonoro durante o aniversário de 460 anos da cidade de São Paulo. A metrópole tem sido minha matéria prima: é dela que retiro meus samples brutos, seja andando na rua durante o dia com o gravador do celular ou entre as frequências fantasmas da AM na madrugada. Para a SP460 captei dois tipos de áudio: rádio e trânsito. Daí fui para o estúdio e comecei o trabalho pesado. Foram algumas noites sem dormir. Mas valeu a pena. Agora o registro está aí, da maneira que desejava.

Em conversa com o deepbeep em março de 2013, você comentou que o dubstep está morto. Por que? Você ainda acha isso?

O dubstep se popularizou pela primeira vez em 2008, com Caspa e Rusko liderando uma onda que virou o estilo de ponta cabeça no mundo inteiro. Mas 2011 foi o início do fim para o gênero – o fundo do poço de fato foi Skrillex no Grammy daquele mesmo ano. Em dezembro de 2012, depois de um ano cheio de festas – parte delas no Vegas, que encerrou suas atividades em abril –, percebemos que o som que a gente andava curtindo naquela época já não fazia mais sentido para a maioria das pessoas que frequentavam nossa pista e um novo público, que procurava nossas noites para se divertir mas não conhecia nossa trajetória desde 2005, tinha uma expectativa muito diferente da nossa. 

Decidimos então encerrar as atividades do Tranquera.org para proteger nosso trabalho, mas nossa pesquisa sonora continuou sem parar com a criação do TRNQR. Nossa constatação: com o pop se apropriando do Dubstep sem limites, alguns produtores permaneceram no “underground”, mas o som apenas voltou para suas raízes já estabelecidas, repetindo velhas fórmulas como se fossem novas, não conseguindo se renovar ou se tornar mais interessante do que antes. Foi assim que o dubstep morreu.

E o TRNQR, o que vem por aí?

O TRNQR deve continuar funcionando como uma base para a transmissão do nosso radio show e para o compartilhamento das nossas pesquisas sonoras atuais. A novidade é que agora ele também dá nome ao selo que tenho usado para lançar meus sons em 2014.

avatarEscrito por deepbeep em 24 de janeiro de 2014

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    Rafael Moura disse em 24 de janeiro de 2014

    Excelente essa fase Techno do Bruno, tenho acompanhado e estou de cara com a qualidade. Vai longe.

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